III. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
3.8. Veri Toplama Araçlar
3.8.3. Sınıf İçi Uygulamalar
Na fundação da Cooperativa Aliança foram subscritas 244 ações em um total de 24:400$000 (vinte e quatro mil contos e quatrocentos mil réis). No caixa entrou a quantia de 2:250$000 (dois contos e duzentos e cinqüenta mil réis), proveniente da jóia de admissão de 50$000 (cinqüenta mil réis) para cada sócio presente. As entradas efetivas das ações teriam prazo de vencimento de 30, 60, 90 e 120 dias a contar da respectiva data.
A forma de remuneração dos associados assegurava um dividendo máximo de 10% sobre o capital realizado, devendo a sobra ser dividida entre os participantes na proporção dos negócios realizados junto à Cooperativa.192
Diferentemente das empresas comerciais e industriais, as organizações cooperativas encerram os balanços patrimoniais anuais, de ativos e passivos e demonstração de lucros e
perdas (atualmente denominado de demonstração do resultado do exercício - DRE), em 30 de junho de cada ano. Logo, o ano comercial e fiscal das cooperativas inicia em 01 de julho de cada ano e encerra em 30 de junho do ano subseqüente.
De acordo com os estatutos, deve ser realizada uma assembléia geral ordinária (AGO) no mês de julho de cada ano, com o objetivo de aprovação das contas. Na mesma ocasião entra-se em discussão a determinação dos preços dos vinhos e das uvas que vigoraria no período de um ano.
Analisando as vendas na década de 30, pode-se verificar que não houve um comportamento linear. Observando o gráfico 1, identificam-se duas tendências em períodos distintos. Entre os anos de 1931 a 1935, as vendas oscilaram de sete contos de réis até trinta contos de réis. Já nos anos de 1936 a 1939 os valores ficaram na faixa de 153 contos até 193. Em valores relativos, a variação das vendas de 1931 para 1939 foi de 4.185%.
O incremento se deve ao volume de vinhos negociados que passou de 65.000 litros para 160.000, e da estrutura da empresa, com capacidade de recebimento e de processamento de 1,7 milhões de quilos de uvas e de vinificação de 1,3 milhões de litros.193 Os valores do gráfico 1 referem-se até o ano de 1942, em virtude de acompanhar as tendências comerciais com a moeda da época.
GRÁFICO 1. Evolução das vendas no período de 1931 a 1942
Fonte: Cooperativa Vitivinícola Aliança
O primeiro balanço de 1932 foi apresentado com as contas de ativo e de passivo, mais os relatórios de lucros e perdas, observando-se resultado líquido negativo. Em 1933, verifica- se que a Cooperativa Aliança acusou um novo prejuízo na ordem de 5:295$300. E, como determinam os estatutos, sendo uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, o prejuízo foi dividido entre os associados na ordem de 18$580 por ação.194
Ao longo da década de 1930, todos os resultados financeiros foram negativos, conforme se pode observar no Gráfico 2. Os motivos para o baixo rendimento da Cooperativa foram decorrentes do mercado que exigia preços menores, dos custos de produção que permaneciam no mesmo patamar, das despesas fixas inalteradas em relação ao grau de utilização da estrutura da empresa, da concorrência interna e externa dos vinhos, da constituição de uma carteira de clientes fidelizada e da obtenção de reconhecimento no mercado.
Embora os resultados não fossem favoráveis, o número de associados não diminuiu: ao contrário, teve um incremento de 28,30%. Mesmo com os prejuízos sendo cobertos pelos produtores, o ideal cooperativista mantinha-se intacto, pois, afinal de contas, o Movimento já havia fracassado uma vez e não seria nesse momento que os agricultores iriam recuar. Por outro lado, existia a necessidade de investimentos constantes em instalações e equipamentos, o que demonstrava que o retorno dos associados não seria obtido em curto prazo.
GRÁFICO 2. Resultados financeiros no período de 1931 a 1942
Fonte: Cooperativa Vitivinícola Aliança
Pode-se afirmar que nestes primeiros anos de existência a Cooperativa Aliança amadureceu, em termos profissionais e gerenciais. Prova disso é a qualidade dos relatórios de acompanhamento financeiro e econômico, mesmo que incipientes e escassas as informações.
No que diz respeito aos negócios da Cooperativa Aliança na década de 40, observa-se pela troca da moeda dois momentos distintos. Um que vai dos anos de 1940 a 1942, contemplado no outro Gráfico (com vendas em réis) e o outro que vai de 1943 até 1949, no qual as vendas estão em cruzeiros. Os valores das vendas oscilaram de Cr$ 740.000,00 em 1943, para Cr$ 1.800.000,00 em 1949, o que em valores relativos representou um aumento de 143,5%.
GRÁFICO 3. Evolução das vendas no período de 1943 a 1949
Fonte: Cooperativa Vitivinícola Aliança
Depois de nove anos consecutivos com saldos negativos, o primeiro resultado líquido positivo, proporcionado pelos negócios da cooperativa, ocorreu em 1941 e foi de 40:404$700, valor este que deveria ser distribuído entre os sócios; contudo, por solicitação do presidente, ficaria retido para ser utilizado na construção da nova sede. Observam-se pelas palavras do presidente, transcritas nas atas, que a Cooperativa Aliança pela primeira vez encontrava-se em progresso, mas era necessário o comprometimento de todos para o engrandecimento da Sociedade.195
Os resultados dos exercícios de 1944 a 1946 apresentaram novos prejuízos na ordem de Cr$ 16.070,30, Cr$ 75.000,00 e Cr$ 100.505,00, respectivamente, e foram levados para a
conta do fundo de reservas.196 Nos anos seguintes, conforme pode ser observado no Gráfico 4, os balanços apresentaram-se positivos.
Em 1946 não houve o repasse do dissídio coletivo aos empregados do ramo de bebidas, ficando acordado com os funcionários que, em virtude da situação do mercado e da Economia, os salários ficassem congelados mediante um acordo.197 A medida, segundo Jorge Mattoso (1995), apresenta-se como a flexibilidade funcional ou interna, a saber, que se destina ao núcleo estável da força de trabalho, a qual, para manter a segurança no emprego, deve aceitar maiores responsabilidades, mobilidade nos postos de trabalho, reciclagem, mudança nos planos de carreira, entre outros. (MATTOSO, 1995, p. 86-87)
GRÁFICO 4. Resultados financeiros no período de 1943 a 1949
Fonte: Cooperativa Vitivinícola Aliança
A década de 1950 foi marcada pelos vultosos empréstimos contraídos pela Cooperativa, junto ao Banco Nacional de Crédito Cooperativo e ao Banco do Brasil, para honrar os compromissos, em virtude da desvalorização da moeda, principalmente para o pagamento da produção dos associados, dando em garantia o penhor do vinho. Em todas as ocasiões os produtores foram consultados, pois a Cooperativa tinha que dar em garantia a
196 Ata n. 2. Livro de Assembléias Gerais 1. 11 ago. 1945. p. 19-21.
197 Em torno do conceito de flexibilidade, registra-se vasta polêmica, dependendo de como se defina, na
esfera de relações de trabalho ou técnico-operacional. No caso das empresas em foco, a ênfase maior recai sobre esta última, referindo-se à capacidade de adaptação ou mudança em produtos, processos, equipamentos, funções, formas de gestão, como meio de enfrentar mercados exigentes e competitivos. CARLEIAL, Liana Maria da F. Reestruturação produtiva e mercado de trabalho no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1997. p. 151.
produção ou o patrimônio da entidade. Apesar disso, os cooperados sempre autorizaram as medidas tomadas pela diretoria executiva.
Observou-se no período de 1963 a 1964 uma tabela de preços para o vinho mais completa e mais técnica em termos de classificação. Nas tabelas da Cooperativa apareciam os termos graduação alcoólica (grau glucométrico),198 acidez volátil, extrato seco199 e acidez total.200 As características normais de um vinho tinto, segundo a classificação da Cooperativa, podem ser observadas no Quadro 2.
QUADRO 2. Cálculo do custo total por medida de vinho
10,8º de álcool 18,00
700 de acidez total 16,00
0,60 de acidez volátil 20,00
20 de extrato seco 16,00
Total por análise 70,00
Preço por partida 105,00
Total do custo por medida de vinho 175,00 Fonte: Dados da pesquisa (tabulados pelo autor)
Logo, do custo total do vinho, NCr$ 175,00 dividido por três litros (correspondendo a uma medida), totalizava um custo, por litro de vinho, na ordem de NCr$ 58,33. Em 1964 e
198 Grau glucométrico é a relação, em peso, entre açúcares e mosto, determinado pelo mostímetro
BABO. Grau Babo é a quantidade percentual de açúcares contida no mosto, em peso. Grau básico entende-se como sendo o grau glucométrico mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura para a vinificação. Disponível em: <http://www.engetecno.com.br/port/legislacao/fv_uva.htm>. Acesso em: 24 jan. 2011.
199 O extrato seco de um vinho corresponde ao peso do resíduo seco obtido após a evaporação dos
compostos voláteis. Representa a soma das substâncias que em determinadas condições físicas não se volatizam. Essas condições devem ser estabelecidas de modo que esses compostos tenham alteração mínima. Entre os principais grupos que compõem o extrato seco total encontram-se os ácidos fixos, sais orgânicos e minerais, compostos fenólicos, açúcares e polissacarídeos. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cr/v26n2/a22v26n2.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2011.
200 O vinho constitui uma bebida alcoólica obtida pela fermentação do mosto da uva. É constituído
fundamentalmente por água, álcool etílico e por cerca de 200 componentes, dos quais se destacam os ácidos orgânicos: málico, tartárico, cítrico, acético, propanóico, carbônico, entre outros. Alguns ácidos, como o tartárico, o málico e o cítrico não são arrastados pelo vapor de água e constituem a acidez fixa. Outros, como o acético, o propanóico e o butanóico são voláteis e são responsáveis pela acidez volátil. Os ácidos voláteis são produzidos pelas reações químicas que ocorrem durante a maturação do vinho. A acidez volátil é um indicador da qualidade do vinho. A acidez total de um vinho é a acidez titulável, com solução padrão de hidróxido de sódio ou potássio, e inclui tanto os ácidos fixos como os voláteis. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cr/v26n2/a22v26n2.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2011.
1965, pela primeira vez nos relatórios financeiros, descreveu-se o modo de se apurar os custos de produção para a confecção de 100 litros de vinho:
QUADRO 3. Custos para a produção de 100 litros de vinho Isabel normal CUSTOS PARA A PRODUÇÃO DE 100 LITROS DE VINHO ISABEL NORMAL
136 kg de uva Isabel 136 x 70 = 9.520,00 OBS: uva Isabel de 16° a Cr$ 70,00 p/kg Açúcar para elevar a 10,8° de álcool 400,00
Produtos químicos + mão-de-obra + atestos201 +
instalações da cantina colonial 580,00 Custo de produção para 100 litros de vinho 10.500,00 Fonte: Dados da pesquisa (tabulados pelo autor)
O custo para a fabricação, por litro de vinho de 10,8°, era NCr$ 105,00, custo proveniente da divisão de NCr$ 10.500,00 (custo total) por 100 litros. Logo, a medida custaria Cr$ 315,00 (custo por litro NCr$ 105,00 multiplicado por três litros) e um quilo de uva de 16° estava na faixa de NCr$ 70,00.
O período de 1965 a 1966 foi marcado por um ótimo balanço. O exercício de 1968 a 1969 indicou que a indústria vinícola estava em crise, com aviltamento dos preços e com baixo consumo dos produtos. Contudo, apesar das dificuldades financeiras, a Cooperativa Aliança encerrou o exercício com um bom resultado e com sobras líquidas superiores ao dobro das obtidas no exercício anterior (Gráfico 5).
201 Por atesto entende-se a prática de encher completamente os recipientes vinários, em períodos
freqüentes e regulares. Esta operação visa evitar o contato do vinho com o ar dentro dos recipientes. O vinho proveniente de uma trasfega é colocado em um recipiente que deverá permanecer completamente cheio, pois o álcool, em combinação com o ar, em presença de bactérias acéticas comumente encontradas em cantinas, resultaria em formação de vinagre. Mesmo com a precaução do enchimento de recipientes, a tendência de um vinho, após a fermentação, é perder volume devido à fuga do gás carbônico, da menor temperatura e da evaporação de substâncias voláteis. A perda de volume no recipiente implica a ocorrência de um espaço vazio que tende a ser preenchido pelo ar. A adição de um vinho a outro deve ser criteriosa e atender a certas exigências, como a manutenção de padrões varietais e a hierarquia qualitativa, pois seria uma incoerência misturar a um bom vinho um vinho inferior.
Disponível em:
<http://www.pgie.ufrgs.br/portalead/unirede/tecvege/feira/prfruta/vinhotin/atestos.htm>. Acesso em: 24 jan. 2011.
GRÁFICO 5. Resultados financeiros líquidos na década de 1960
Fonte: Relatórios financeiros da Cooperativa Aliança no período de 1960 a 1969
As informações podem ser corroboradas pelo Quadro 4, que apresenta os valores das sobras líquidas da década de 1960 e no qual se pode verificar que os resultados foram todos positivos, subindo gradativamente. Isso demonstra que as contas estavam equalizadas e que a Cooperativa estava cumprindo o papel econômico e social de manter-se no mercado, de distribuir renda e de valorizar o trabalho dos associados.
QUADRO 4. Sobras líquidas na década de 1960
BALANÇOS EXERCÍCIO SOCIAL
Contas/Anos 1959-1960 1960-1961 1961-1962 1962-1963 1963-1964
Sobra Líquida 2.919.473 9.414.252 20.831.872 45.075.996 42.015.374
BALANÇOS EXERCÍCIO SOCIAL
Contas/Anos 1964-1965 1965-1966 1966-1967 1967-1968 1968-1969
Sobra Líquida 50.552.034 68.820.000 99.025 171.597 379.400 Fonte: Relatórios financeiros da Cooperativa Aliança no período de 1959 a 1969
No que concerne ao número de agricultores cooperativados, a empresa iniciou as atividades no ano de 1931 com 45 associados. Na década de 30, houve um pequeno incremento no número de cooperados, passando de 45, no momento da fundação, para 63 no final da década, como pode ser observado no Gráfico 6. Entretanto, o número de funcionários manteve-se inalterado, contando com três colaboradores.