III. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
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Conforme salientado anteriormente, a Sociedade Vinícola recebia vantagens fiscais concedidas pelo Governo estadual. A isenção referia-se às taxas do exame bromatológico para o vinho exportado. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 167) De acordo com Anelise Cavagnolli:
Os encargos com a exportação do vinho ficavam restritos ao pagamento do imposto de indústrias e profissões estadual e municipal. Os demais exportadores desvinculados da Vinícola e do Sindicato tinham sua existência possível desde que registrados na Diretoria de Higiene do Estado para serem licenciados no exercício da produção e do comércio vinícola. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 167-168)
Estavam aqueles, porém, sujeitos ao pagamento dos impostos municipal e estadual e à taxa do exame bromatológico, o que encarecia os custos de produção de quem não era filiado à Sociedade ou ao Sindicato.
As medidas tornavam inviável a exportação sem a intermediação da Sociedade Vinícola. A livre concorrência ficava fechada e a Sociedade tornava-se privilegiada, chegando à condição de única compradora e vendedora da produção vinícola na região. Sob esse aspecto, o Jornal O Popular declarava:
Estamos informados de que a safra vinícola do próximo ano, se não sobrevier algum contratempo, vai ser abundantíssima. O Sindicato Vinícola proibiu a compra antecipada dos productos da nova safra enquanto não for fixado o respectivo preço. SAFRA vinícola. (O Popular, Caxias do Sul, 13 dez. 1928)
Como produtora de vinhos, a Sociedade Vinícola impunha níveis de qualidade difíceis de serem alcançados pelos colonos-viticultores. Como conseqüência, os vinhos de pouca qualidade, na safra de 1929, não puderam ser absorvidos. Além disso, o problema ocorreu juntamente com a crise que assolava o País, limitando o mercado de consumo. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 168)
Com a elevada oferta do produto, houve a retração dos preços de compra e a comercialização da produção nos mercados consumidores. Problema este que se acentuaria na
safra do ano de 1929 com a crise e que causaria incertezas de ordem econômica para o Município, para os colonos e para os comerciantes. Nesta situação, o Jornal Caxias enunciava:
Estamos em plena época da safra da venda do vinho, a qual, nos annos anteriores fazia com que neste tempo, em Caxias, circulasse dinheiro no commércio, porém este anno verifica-se justamente o contrário ouvindo-se os commerciantes e industrialistas queixarem-se de que não há dinheiro, achando-se todo o movimento commercial paralisado. E qual os motivos desse inesperado e prejudicial factor, "a falta da venda do vinho" justamente no anno em que tivemos a superproducção do referido producto e a organização do Syndicato Vinícola, associação esta, creada com o exclusivo fim, de valorizar o vinho nacional e proteger os colonos viticultores. Os motivos, na nossa despretenciosa opinião, são os seguintes: o estado precário da praça do Rio de Janeiro, na qual se verifica diariamente fallências, umas em consequência da grande falta de movimento existente naquella praça, outras, fructo de negociatas canalhas, que ali se operam e umas e outras, tem dado regulares prejuízos aos nossos cantineiros, motivando esse facto, o receio de novas vendas, o segundo motivo, pelo qual os colonos não tem podido vender o vinho, é o facto de o Syndicato possuir a existência de 100 mil barris de vinho de melhor qualidade e sendo a média da exportação de 20 mil barris mensaes, tem elle vinho, para exportar durante 5 mezes, não tendo portanto necessidade de comprar actualmente o dos colonos, que salvo algumas excepções, este anno, não é de boa qualidade. Portanto, devem elles, produzir menos porém melhor e substituir a Isabela, por outra casta de uva mais apropriada. (CRISE do vinho. Caxias, Caxias do Sul, 15 ago. 1929)
Nestas condições, a situação dos colonos-viticultores tornava-se crítica, porque reclamavam que a ―liberdade de comércio‖ havia sido perdida a partir do surgimento do Sindicato e da Sociedade Vinícola. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 169)
Anelise Cavagnolli (1989) enfatiza que o descontentamento dos viticultores foi exposto em um memorial, em 04 de julho de 1929, e entregue ao Secretário do Interior do Estado, Oswaldo Aranha, no qual era sugerida uma solução aos conflitos entre a Sociedade e os colonos, com o ressurgimento das cooperativas de produção. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 169)
Em agosto do mesmo ano ficava premente a necessidade de uma nova tentativa do movimento cooperativista. Uma comissão representativa dos viticultores conseguiu uma audiência com o Presidente do Estado, para reclamarem condições semelhantes às oferecidas para a Sociedade, a fim de que pudessem se organizar sob a forma de cooperativa. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 169)
De fato, o ressurgimento do cooperativismo vitivinícola estava se delineando. Em 15 de agosto de 1929, o Jornal Caxias estampava a seguinte manchete:
Realizou-se, domingo último, na Estação Forqueta neste município, a fundação e a installação de uma Cooperativa Vinícola, a cujo acto compareceu crescido número de pessoas entre ellas os Srs. Drs. Luiz Gomes de Freitas, Paulo Monteiro de Barros, inspector agrícola federal, Celeste Gobbato e os Srs. Angelo De Carli, Galleazo Paganelli e Ettore Pezzi, estes representantes do Syndicato Vinícola e grande número de colonos fabricantes de vinho dali. Depois de installada a meza dos trabalhos, que teve como secretário o Sr. Augusto Dal Cortivo, falaram sobre a fundação dessa Cooperativa os Drs. Luiz Gomes de Freitas e Gobbato. Foi empossada a seguinte directoria: Director-presidente Arthur Perottoni; Director commercial, Quintino Slomp, Director-gerente Pedro Tamanini, Conselho fiscal José Lani, Jacob Rizzi, José Slomp, Augusto Pozzer e Ernesto Silvestre. (ESTAÇÃO Forqueta - Fundação de uma cooperativa vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 15 ago. 1929)
Inicialmente, os viticultores não obtiveram respostas sobre a audiência com o Presidente. Com uma nova consulta ao Governo estadual, o Secretário do Interior, desta vez, mostrou-se favorável e concedeu apoio ao ressurgimento do sistema cooperativista. Entretanto, estabeleceu a condição de que as cooperativas iniciassem as atividades apenas no ano de 1930, para que pudessem ser equiparadas em termos fiscais com a Sociedade Vinícola. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 169)
Para resolver o impasse entre os colonos e a Sociedade Vinícola, foi enviado o Sr. Gaspar Ôchoa com a incumbência de mediar o acordo entre as partes. O Jornal Caxias, de 05 de setembro de 1929, documenta isso:
Aos vinte dias do mês setembro de 1929, nesta cidade de Caxias (...) na sede da Sociedade Príncipe de Nápoli, para tal fim especialmente cedida, na presença dos delegados da colônia, representantes do Syndicato Vinícola, Thomás Beltrão de Queiroz, Intendente Municipal, Dr. Celeste Gobbato, Director da Estação Experimental de Vitivinicultura e Enologia, Dr. Darcy de Almeida Furtado, Director do Laboratório de Anályses de Bento Gonçalves, José Julio Mendes, Enólogo Fiscal do Laboratório de Nova Vicenza, Dr. Romulo Carbone, Agente Consultor da Itália (...), Sr. João D'Andrea, Diretor do Laboratório de anályses local, Augusto Dal Cortivo, representante do Diário de Notícias, Dr. Salvador Petrini, Director do Patronato Agrícola Municipal e representante do Correio do Povo (...) o Dr. Gaspar D. Ôchoa levou ao conhecimento (...) um memorial expondo quaes os compromissos que poderia aquele Syndicato determinar a sua filiada, a Sociedade Vinícola, (...) em benefício dos produtores. (O ACCORDO entre os colonos e o Syndicato. Caxias, Caxias do Sul, 05 set. 1929)
Observa-se que o representante do Governo agia favoravelmente à Sociedade Vinícola, pois o acordo proposto pela Sociedade não satisfazia os interesses dos colonos-
viticultores.111 No pacto, eram mantidos os privilégios de compra e venda da Sociedade e os preços dos vinhos estariam combinados com as tabelas elaboradas pelo Sindicato.112 O acordo não foi aceito pelos colonos que reclamaram, no referido encontro, de uma definição em torno da situação em prol do movimento cooperativo. Gaspar Ôchoa respondeu que desconhecia o tema e que não tinha instrução sobre o assunto, colocando-se fora da discussão. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 171-172)
Interessante verificar que, mesmo não sendo aceito, o acordo entrou em vigor, aprovado pelo Governo e pela Sociedade Vinícola. A resposta dos colonos-viticultores foi a idéia do ressurgimento do cooperativismo. No ano de 1929 surge, no Município de Caxias do Sul, a Cooperativa Agrícola Forqueta113 e a Cooperativa Agrícola São Victor. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 172)
Novamente a Itália, País que enviou o líder do movimento cooperativo da primeira fase, fora destacada. Em 26 de dezembro de 1929, o Jornal Caxias enfatizava os futuros benefícios associados ao cooperativismo:
As cantinas cooperativas existem nos centros de produção mais apropriados, associando-se a ellas, os colonos das circumvisinhos que ao assignarem o contracto social assumem a obrigação de entregar uma determinada quantidade de uva cada vindima. As uvas entregues à cantina social são classificadas e cotadas conforme a sua graduação «saccarina» e conforme a sua localização de cultura, ou ainda, pela sua melhor ou pior qualidade. Enólogos capazes dirigem os trabalhos das cantinas sociaes, produzindo typos únicos, empregando os systemas mais aperfeiçoados, com grande economia para os associados. Esses estabelecimentos são providos dos melhores e dos mais modernos machinários enológicos, sendo a sua capacidade
111 Em virtude das medidas adoptadas pelo Syndicato Vinícola, tendentes a amparar os seus negócios
que são também os dos productores, alguns destes não concordaram, motivando dahi uma desintelligência que vinha trazendo embaraços a bôa marcha dos negócios. Isso deu ensejo para que os descontentes dirigissem um memorial ao governo do Estado, fazendo considerações que acharam justas. Tomando em consideração essa reclamação, o governo que deseja ardentemente amparar a nossa principal indústria, determinou a vinda aqui de um profissional para tratar do assumpto. A QUESTÃO do vinho. Caxias, Caxias do Sul, 03 out. 1929.
112 Esse desacordo entre as cooperativas e o Sindicato tinha os seguintes termos: "As Cooperativas
Agrícolas de Forqueta e Bento Gonçalves, recentemente fundadas pela Inspectoria Agrícola Federal, e organizadas para o preparo de producção e venda directamente ao consumidor, discordam por completo da taxa de 100 reis por litro de vinho exportado, cujo privilégio é para o Syndicato Vinícola. Elas vão dirigir um longo memorial ao Governo do Estado e à Inspectoria Agrícola Federal, tendo feito antes um protesto em juízo contra a cobrança desta taxa, por reputarem illegal, do qual foram intimados o Dr. Promotor Público e Sr. Collector Estadual". AS COOPERATIVAS e o Syndicato vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 24 out. 1929.
113 ―Vão bastante adiantados os trabalhos desta Cooperativa para dar início à sua exportação. Para este
fim muito tem se esforçado a sua directoria. Por toda a semana entrante fará ella o primeiro embarque de vinho. A fundação desta Cooperativa despertou vivo interesse entre os productores de vinho, não só deste município como nos demais da região vinícola. Em Bento Gonçalves foi também fundada uma Cooperativa Agrícola, sendo que ainda na quinta légua de nosso município, trata-se da organização de uma outra cooperativa. ―COOPERATIVA da Forqueta. Caxias, Caxias do Sul, 10 out. 1929.
média de 30 mil hectolitros. Pela quantidade e pela boa qualidade, os vinhos das cantinas sociaes são sempre preferidos pelos grandes commerciantes, motivo porque a região de Piemonte e Toscana prospera collocando-se em lugar de destaque. O cultivo da uva, em geral, é de castas finas e variadas. Os typos de vinho, produzidos nas diversas regiões que se differem pela conformação do solo. (Caxias, Caxias do Sul, 26 dez. 1929)
Anelise Cavagnolli (1989) salienta que, mesmo ―Embaraçadas com o atraso, do reconhecimento e equiparação à Sociedade, para receberem as mesmas vantagens fiscais, as cooperativas viam-se sujeitas ao acordo‖, (CAVAGNOLLI, 1989, p. 172), pois a safra de 1930 deveria ser comercializada por meio da Sociedade Vinícola. Para entender melhor o acordo, o Jornal Caxias registra em 28 de novembro de 1929:
Temos noticiado a fundação de várias Cooperativas Agrícolas que propõem a pugnar pela melhoria dos vinhedos e completa selecção dos vinhos. Taes factos são o indicador de que os colonos productores de vinho, em face do que vae acontecendo com os seus productos depois da criação do Syndicato Vinícola, estão tratando de se aggremiarem para assim poderem defender os seus vitaes interesses. O Syndicato que foi fundado para cuidar dos interesses dos exportadores e dos productores de vinho, em face das innúmeras difficuldades que vem luctando para a completa realização dos seus nobres fins, se viu obrigado a restringir as suas compras deste producto, isto também devido, não só à formidável crise que atravessamos, como ainda pela super-produção de vinho que neste ano attingiu uma quantidade jamais prevista. Dahi os descontentamentos dos productores por não poderem vender toda a qualidade e quantidade de vinho que annualmente estavam habituados. As reclamações a este respeito succedem-se. Foi quando começou a vingar a ideia do cooperativismo, já introduzido há alguns annos nesta zona, por pessoa competente, mas que infelizmente, quando chegou no terreno prático das operações commerciaes naufragou por completo. Quando a situação era apremiante, que a indústria, parecia ir desapparecer, tiveram a ideia da fundação do Syndicato que bons serviços prestou e prestará à indústria vinícola, salvando-a da derrocada e que a elevará na sua primitiva grandeza. Foi quando surgiu o Syndicato e deu nova orientação nos negócios. Estes ainda não alcançaram os seus fins principaes e eis que surgem as Cooperativas. De tudo isto se verifica haver necessidade de um entendimento das Cooperativas com o Syndicato, a fim de agirem de accordo para não surgirem futuras desintelligências. Essas entidades trabalhando de mútuo accordo, muito poderão fazer pela principal indústria desta zona. (ACCORDO necessário. Caxias, Caxias do Sul, 28 nov. 1929)
O decorrer de 1930 foi marcado por alguns fatos que extenuaram os problemas. Além da crise econômica instalada no País no ano anterior, vivia-se a maior safra vinícola. Diante da situação, a solução encontrada pela Sociedade foi retrair as compras de vinhos dos produtores, pois não se podia exportar por falta de mercado consumidor. No período, a
condição econômica estava complicada. Prova disso é que as notícias não se apresentavam agradáveis, conforme comentário do Jornal Caxias, de 10 de outubro de 1929:
Dia a dia, cada vez mais, acentua-se de um modo nada satisfactório, a enorme falta de numerário com que vem luctando a nossa praça e as demais do resto do paíz. Innúmeros são os factores que teem contribuído para o estado apremiante em que se encontra o Brazil. O nosso município, que é centro productor de grande e apreciável exportação para as praças consumidoras, tem sido um dos que mais tem soffrido com a assustadora crise que atravessamos. Com a paralyzação da exportação do vinho, que esteve bastante desanimada, mas que felizmente vae retomando novo incremento, e o fechamento das carteiras de desconto dos bancos locaes, muito contribuíram para a penúria de numerário que se observa na praça. Mas tudo isso teve o seu início. A precária situação do commércio e indústria brazileiras, no momento actual, é o fructo da imprevidência dos nossos dirigentes; a má direcção impremida à bôa marcha de seus negócios; a estabelização do câmbio para o saneamento da moeda, feita com dinheiros emprestados; a retenção de um formidável stock de café que devido à teimosia de interessados permanece empilhado nos armazéns; falta de exportação para vários productos nossos e muitos outros motivos injustificáveis, acrescidos do intenso movimento político que vem agitando o paíz de norte a sul, tem cooperado para a triste situação financeira que atravessa o Brazil. (CRISE e politicagem. Caxias, Caxias do Sul, 10 out. 1929)
O auge da retração ocorreu no início de 1930. Em janeiro, a Sociedade Vinícola suspendeu as compras de vinho na colônia e colocou no mercado somente os existentes nos depósitos. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 173)
Sobre o episódio, tem-se no relatório apresentado pelo Intendente Thomaz Beltrão de Queiroz, em 1930, uma importante contribuição para o entendimento da conjugação de esforços entre as organizações cooperativas e o Sindicato. Para o gestor municipal ficava comprovado que:
(...) mais uma vez, a procedência da velha verdade, de que, agindo isoladamente, qualquer força por mais dinâmica que seja pouco ou nenhum trabalho útil produz, o que não acontece quando várias delas, formando grupos mais ou menos complexos, em ação harmônica, convergem e atuam sobre um mesmo ponto.
Sem dúvida, bem compreendendo isso e levando em consideração, a grande super produção da safra deste ano, foi que os produtores e industrialistas, da nossa maior fonte de riqueza, o vinho, constituíram-se em sociedades, que tomaram os nomes, respectivamente, de Sindicato e Cooperativas.114
114 Relatório Apresentado ao Conselho Municipal pelo Intendente – Thomaz Beltrão de Queiroz
Referente ao Período decorrido de 1o de janeiro a 31 de dezembro de 1929-1930 – Typ. da Livraria Mendes Caxias. p. 22.
O Intendente conhecia a forma de atuação do Sindicato, no entanto desconhecia as diferenças que existiam entre as duas entidades, ficando flagrante a preocupação de que houvesse uma ruptura no sistema e que isso acabasse prejudicando a cadeia produtiva:
O Sindicato é formado, quase que totalmente, pelos comerciantes de vinho, pelos cantineiros, que recebem o produto bruto dos pequenos vinicultores e o manipulam ou industrializam, nos seus estabelecimentos, para depois vendê-lo com marca própria.
É escopo do Sindicato, melhorar a qualidade do produto e bem assim regularizar as condições de comércio, do produto em preço, nos centros consumidores, que são Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Praças do Norte do País.
Com o aparecimento do Sindicato, hoje denominado Sociedade Vinícola, surgiu a idéia da criação de cooperativas de produção, três já criadas e várias outras a serem criadas no próximo ano.
Até a presente data, ainda não se sabe positivamente, qual o escopo que tem em vista as Cooperativas, há indícios de que se apresentam, para seguir a ação do Sindicato (Sociedade Vinícola) isto é, uma ação mais comercial, do que qualquer outro e mesmo, segundo alguém afirma, de caráter combativo ao Sindicato.115
Com o caráter combativo a que o Intendente se referia entre cooperativas e sindicato, ficava latente a preocupação. O gestor municipal não acreditava que o movimento cooperativo vingasse. Segundo Thomaz Beltrão de Queiroz, ambas as entidades deveriam agir conjuntamente, pois só assim poderiam ser complementares uma da outra; dito de outro modo, produtores ficariam responsáveis pelas matérias-primas e o sindicato, pela produção vinícola. Queiroz salientava:
Se assim for, não nos parece bem acertada, essa maneira de agir, das Cooperativas e, não sabemos mesmo, se lograrão subsistir para muito tempo, pois dessa forma entrarão logo em luta franca com o Sindicato e este melhor aparelhado, por possuir na sua direção pessoas mais experimentadas, a nosso ver acabará triunfando, concorrendo assim para o desaparecimento dessas outras utilíssimas instituições, de defesa do produto, que são as Cooperativas.
Segundo nosso modesto modo de ver, Sindicato e Cooperativas, antes de competirem, deveriam agir harmonicamente da seguinte forma: As Cooperativas, sendo formadas por produtores se incumbiriam de conseguir a boa qualidade da matéria prima, plantando e cultivando racionalmente a vinha e cuidando da boa fermentação do mosto, por intermédio de técnicos competentes, que poderiam ser fornecidos pelo próprio Sindicato, enquanto este, o Sindicato receberia o produto bruto e se encarregaria da formação de um tipo padrão, por meio das operações comuns, das cantinas de amadurecimento, selecionando-o quanto à pureza e quanto aos caracteres constitutivos organolepticos e químicos, incumbindo-se concomitantemente da boa colocação do produto nos mercados de consumo.
Se assim o entenderem, os responsáveis pelos destinos dessas meritórias instituições terão feito tarefa útil e concorrido para o progresso do município, caso contrário, entrando em competição contraproducente, estou convencido de que só farão obra de destruição e impatriotismo.
Esperamos, porém que assim não suceda e que os dirigentes das citadas associações de classe, bem compreendendo a grave crise do nosso principal produto, entrem em bom entendimento, tirando da sua ação conjunta, todo o resultado que o público muito justamente espera.116
No que se refere à crise da superprodução, quanto aos colonos, a comercialização dos produtos significava vendê-los a preços irrisórios, ou jogar fora os barris e pipas de vinhos velhos para dar lugar à próxima vindima. O resultado da ação foi que a Sociedade Vinícola ignorou a tabela de preços fixada no acordo de setembro do ano anterior e comprou vinhos a um preço inferior ao delimitado, enquanto outros milhares de litros se perdiam nos barris e nas pipas. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 173)
Mesmo com a diminuição dos preços, o Estado nunca havia exportado tanto vinho como no ano de 1930, cerca de 35.694.665 litros com um valor de exportação de aproximadamente 10.844$025,86 réis, e um preço médio estimado de 0,30 réis por litro. Se comparado com o ano anterior, o volume de exportações teve um acréscimo significativo na