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II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ LİTERATÜR

2.2. Öğretmen Eğitimine Teknoloji Entegrasyonu Teori ve Modelleri

2.2.4. Teknolojik Pedagojik Alan Bilgisi (TPAB) Modeli

2.2.4.1. Pedagojik Alan Bilgisi

Inicia-se este tópico com a finalidade de se apresentar de forma objetiva os principais elementos que fizeram parte do processo da política brasileira de imigração, o início da colonização e a formação das primeiras colônias italianas no Rio Grande do Sul. Neste aspecto, Vania Herédia (1997) atenta que:

A política brasileira de colonização começou efetivamente com a vinda de D. João VI para o Brasil, onde o processo de colonização assumiu um caráter inovativo, visto que a proposta de renovar as estruturas existentes, com a mão-de-obra européia, era uma das metas de tornar o País realmente independente. Pela proposta colonizatória se pretendia criar novas condições econômicas, políticas e sociais, criando uma nova mentalidade que permitisse ao País superar todos os obstáculos decorrentes de sua formação inicial, sustentada pelo tripé: latifúndio, monocultura e escravidão. (HERÉDIA, 1997, p. 31)

A historiadora ainda salienta que:

O movimento de colonização trazia em seu bojo uma série de objetivos que, interligados, mostravam a proposta do próprio movimento. Entre eles a formação de um grande exército pela necessidade de defesa do vasto território onde eram visíveis as dificuldades de controle das fronteiras e conseqüentemente da própria hegemonia; a ocupação dos espaços vazios que propiciasse o desenvolvimento da agricultura, do comércio, da indústria, criando classes sociais intermediárias entre o senhor das

terras e o escravo; a substituição da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra livre, assalariada devido à expansão do movimento abolicionista e à implantação do trabalho livre que desenvolveriam as cidades, estimulariam o comércio e fomentariam a criação de serviços de infra-estrutura, gerando maior desenvolvimento econômico ao País. (HERÉDIA, 1997, p. 31-32)

Na visão de Zuleika Alvim (2000), a entrada de italianos coincide com o período em que o Governo brasileiro não poupou esforços para atrair mão-de-obra para o País. De acordo com a historiadora, a política imigratória oscilou, desde a época joanina até os anos 80 do século XIX, entre o desejo dos liberais do Império em trazer pequenos proprietários com vistas ao povoamento das regiões sulinas — e com isso sustar a cobiça dos vizinhos platinos sobre a região — e o desejo dos fazendeiros em manter uma política agrária calcada na grande propriedade e na agricultura de exportação. (ALVIM, 2000, p. 383-384)

A terra no regime imperial pertencia à Nação. Em 1848, o Governo-Geral cedeu a cada uma das Províncias 36 léguas quadradas6 de terras devolutas, destinadas à colonização, não podendo, conforme determinava o artigo primeiro da Lei, ―(...) ser arroteadas (cultivadas) por braços escravos‖. (CENNI, 2003, p. 145)

Para Sandra Pesavento (1983), a imigração está ligada ao processo de substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre, que representa uma das formas assumidas pelo movimento de expansão do capital, ao apoderar-se da produção em termos mundiais. (PESAVENTO, 1983, p. 21-27)

Nos escritos da referida autora, a chegada dos imigrantes, particularmente os italianos, acontece no momento em que se forjam condições institucionais para que o capitalismo se estenda ao campo. A Lei de Terras7, de 1850, seria a expressão jurídica que, ao extinguir o

6 ―Cada légua era formada por um quadrilátero de 5.500 metros de lado, sendo divididos em lotes a

partir de uma linha traçada longitudinalmente, que se denominava travessão‖. Ver: GIRON, 1987, op. cit., p. 272. Para Loraine Giron (1987), na Região Colonial Italiana, não houve qualquer cuidado com os acidentes geográficos. Eram traçados os lotes a partir de paralelos e meridianos. Nesse tipo linear de demarcação, não havia nenhuma consideração à topografia do terreno nem à rede hidrográfica. Esta cortava os lotes indistintamente, em todos os sentidos. Respeitados foram apenas os limites das terras cedidas para a colonização, no caso os Rios Caí, ao Sul, e o Rio das Antas, ao Norte. Os lotes coloniais deveriam ter a forma de pequenos retângulos situados entre dois travessões, sendo que o módulo deveria ser de 25 hectares. O número médio de lotes por travessão era de 32, enquanto que em cada légua o seu número médio era de 132. Ver: GIRON, 1987, op. cit., p. 272.

7 Para maiores informações, consultar a obra TERRAS E COLONISAÇÃO - Lei n. 601 de 18 de

setembro de 1850, em que são apresentadas todas as Leis referentes à estrutura de terras no Brasil no período do Império.

―Dispõe sobre as terras devolutas no Império, e acerca das que são possuídas por titulos de sesmaria sem preenchimento das condições legaes, bem como por simples titulos de posse mansa e pacifica; e determina que, medidas e demarcadas as primeiras, sejão ellas cedidas á titulo oneroso, assim para emprezas particulares, como para o estabelecimento de colonias de nacionaes e de estrangeiros,

regime de concessão de sesmarias, institui a propriedade capitalista de terra. A partir daí, esta passa a ser comprada, o que, para o imigrante recém-chegado, gerava a existência da chamada

dívida colonial, e o imigrante deveria pagar ao Governo o preço da terra e reembolsar este

último pelo auxílio inicial. (PESAVENTO, 1983, p. 28)

De acordo com Loraine Giron (1987), tanto a política da troca da mão-de-obra escrava pela livre como a modificação da política de terras no Brasil, após 1850, constituem-se adaptações do Império à divisão internacional do trabalho, que foi um dos resultados da Revolução Industrial. (GIRON, 1987, p. 270)

Para a autora, a terra, que antes de 1850 representava apenas status, passou a ser tratada como mercadoria, por meio da Lei n. 601, de 18 de setembro de 1850. Loraine Giron observa que os vínculos entre mão-de-obra livre e a democratização da propriedade estão presentes no Texto Legal, visto que ―(...) os produtos da venda das terras públicas e das taxas de registros das propriedades serão empregados na demarcação de terras públicas e para a importação de colonos livres‖. (GIRON, 1987, p. 270)

Nas considerações de Vania Herédia (1997), a Lei de Terras:

―Dispõe sobre terras devolutas no Império, e acerca das que são possuídas por títulos de sesmaria sem preenchimento das condições legais, bem como por simples títulos

autorisado o Governo a promover a colonisação estrangeira na fórma que se declara. (TERRAS E

COLONISAÇÃO, 1850, p. 1)

Para tudo o que concerne á legitimações, revalidações e vendas de terras tem essa Presidencia as regras fixadas na Lei n. 601 de 18 de Setembro de 1850, Regul. de 30 Janeiro de 1854 e Avisos, Ordens e mais disposições de doutrina geral: convindo sómente acrescentar, que, em these, os titulos são sempre passados pelas Presidências, e as escripturas pelas Thesourarias de Fazenda, sendo que estas tem lugar quando as vendas são feitas em hasta publica, ou quando nellas intervêm aquellas Repartições, acto este que está no accôrdo com os Avs. ns. 516 e 562 de 25 de Novembro e 30 de Dezembro de 1868. (TERRAS E COLONISAÇÃO, 1850, p. 34)

Pelo Av. n. 151 de 5 de Abril de 1875 mandou-se cumprir as Instrucções para medição de terras devolutas na Provincia do Rio Grande do Sul. (TERRAS E COLONISAÇÃO, 1850, p. 78)

Pelos Avs. de 12 de Dezembro de 1854 e 1.° de Fevereiro de 1855, foi autorisado o Presidente da Provincia do Rio Grande do Sul com o Bacharel José Vencesláo Vasques da Cruz, para a fundação de uma colonia, pelo Av. n. 123 do Ministerio da Agricultura de 27 de Março de 1863. Com objetivo de cultivar e povoar com gente livre, porção de terras devolutas, na razão de 25.000 braças quadradas por familia, contamto que a concessão em sua totalidade não exceda de uma legua quadrada. (TERRAS E COLONISAÇÃO, 1850, p. 81)

Na Provincia do Rio Grande do Sul, as colonias – Conde d'Eu, com 5.326 almas, - Izabel, com 6.274, - Caxias, com 7.506, e – Silveira Martins, com 1.769.

Em 1 de Março de 1879 o Ministerio da Agricultura expedio o seguinte Av. Ao Engenheiro Galdin Alves Monteiro: Incumbindo Vm. Da commissão de medir lotes e estabelecer immigrantes nas colonias Izabel e Conde d'Eu, na Provincia do Rio Grande do Sul, cuja emancipação convem preparar no intuito de libertar o Estado dos pesados encargos concernentes ao serviço da colonisação, recommendando-lhe que no desempenho da alludida commissão procure tornar effectivas as providencias seguintes:

1.° Começará desde logo e concluirá no prazo de seis mezes a construcção da estrada, já estudada, orçada e em parte collocada, entre a Villa de S. João do Monte-Alegre e a Colonia Conde d'Eu.‖

de posse mansa e pacífica; determina que, medidas e demarcadas as primeiras, sejam elas cedidas a titulo oneroso, assim para empresas particulares, como para estabelecimento de colônias nacionais e de estrangeiros, autorizado o Governo a promover a colonização estrangeira na forma que se declara‖. (HERÉDIA, 1997, p. 20)

Em 1854, a orientação anterior seria mudada, e o colono pagaria passagem até o Rio Grande do Sul, obrigando-se a indenizar, no prazo de cinco anos, as despesas com a sua introdução. No entanto, eram pagas pelo Governo diárias para a alimentação, que, na época, representavam cerca de 500 réis para adultos e 250 réis para menores. O imigrante prestava, em troca, serviços na construção de estradas e de caminhos vicinais. E foi nesse regime que, segundo Franco Cenni (2003), deu-se o início da colonização italiana. (CENNI, 2003, p. 145)

Complementando as informações, Loraine Giron (1987) ressalta que a regulamentação da Lei de Terras e o decreto são definidos em 1854. Por meio das normas, toda a empresa ligada à terra ficava vinculada à imigração e à colonização. Em 19 de janeiro de 1867, pelo Decreto n. 3.787,8 ficou estabelecida a competência da Província sobre a fundação de colônias bem como a venda e o registro dos lotes coloniais; pelo mesmo Decreto, à Província caberia o registro, a recepção, o transporte, o alojamento e a distribuição de imigrantes. (GIRON, 1987, p. 271)

Nos escritos da referida historiadora, a substituição dos escravos por trabalhadores livres, acelerada após a extinção do tráfico negreiro, fez com que o País se tornasse um importador de europeus tanto quanto era importador de produtos da Europa. (GIRON, 1987, p. 270)

Pode-se reconhecer a entrada maciça de imigrantes italianos em relação a outros imigrantes. Entre 1884 até 1893, o número de italianos representava 57,77% do total de imigrantes entrados no País. Igualmente, verificou-se isso no período seguinte, entre 1894 até 1903: em valores relativos, o percentual subiu para 62,38%. Comparativamente aos

8Para Boris Fausto, a Lei de Terras ―tentou por ordem na confusão existente em matéria de propriedade

rural, determinando que, no futuro, as terras públicas fossem vendidas e não doadas, como acontecera com as antigas sesmarias, estabeleceu normas para legalizar a posse das terras e procurou forçar o registro das propriedades‖. (...) ―A Lei de Terras foi concebida como uma forma de evitar o acesso à propriedade da terra por parte dos futuros imigrantes. Ela estabelecia, por exemplo, que as terras públicas deveriam ser vendidas por um preço suficientemente elevado para afastar posseiros e imigrantes pobres. Estrangeiros que tivessem passagens financiadas para vir ao Brasil ficavam proibidos de adqurir terras, antes de três anos após a chegada. Em resumo, os grandes fazendeiros queriam atrair imigrantes para começar a substituir a mão-de-obra escrava, tratando de evitar que logo eles se convertessem em proprietários‖. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2001. p. 196- 197.

imigrantes alemães, o volume de italianos que ingressaram no País foi 35 vezes superior no período em estudo. (GIRON, 1987, p. 270)

Em 1870, o Presidente da Província, Dr. João Sertório, mandou publicar um ato que criava as Colônias Conde d’Eu e Dona Isabel: a primeira, com 16 léguas quadradas, na margem esquerda da estrada que seguia de Maratá ao Rio das Antas; a segunda, com o mesmo número de léguas quadradas na margem direita da mesma estrada, confinando ao norte com o Rio das Antas. Sobre o início das colônias, Franco Cenni assevera: ―(...) o início dessas colônias não foi feliz, pois oitenta imigrantes alemães e franceses que o Governo localizou em Conde d’Eu acabariam por abandoná-la, enquanto a colônia Dona Isabel não progredia satisfatoriamente‖. (CENNI, 2003, p. 146)

Outro ponto observado nos escritos do referido autor é que, embora a data oficial do início da colonização italiana no Rio Grande do Sul seja considerada como 1875, o Presidente da Província de São Pedro em 1871 se referia aos núcleos Conde d’Eu e Dona Isabel como colonizados também por italianos.9

Nas considerações de Vitalina Frosi e Ciro Mioranza (1987), criaram-se três núcleos de colonização italiana em 1875: Colônia Caxias, Colônia Dona Isabel e Colônia Conde d'Eu. E, confirmando os dados dos autores citados, as terras foram divididas em linhas ou travessões, e em lotes numerados. As divisões eram feitas em geral sobre mapas, não respeitando os acidentes geográficos, a não ser os de maior relevo, como o Rio das Antas e os afluentes. (FROSI; MIORANZA, 1987, 272)

Para o assentamento dos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, o Governo Imperial do Brasil destinou duas zonas de povoamento: as terras despovoadas do Nordeste do referido Estado e as terras localizadas nas proximidades de Santa Maria. As primeiras, selecionadas para a colonização italiana, situavam-se na Encosta Superior da Serra entre o Rio das Antas e as Colônias alemãs do Baixo Taquari e da Bacia do Rio Caí.

Para Loraine Giron, ―de acordo com a legislação vigente à época, os módulos rurais deveriam possuir 25 hectares‖.10 Entretanto, por ocasião da venda dos lotes, os colonos

9 Conde d’Eu foi considerada a primeira colônia assentada e teve um território de dezesseis léguas

quadradas, onde, naquele período, já haviam sido medidos oitenta lotes coloniais, os quais já estavam ocupados por 37 colonos de origem italiana e austríaca; as terras eram relativamente pobres; o terreno era acidentado, situado a 650 metros de altura. O povoamento se fez com muita dificuldade; dos oitenta lotes medidos, apenas vinte tinham cultura efetiva. (CENNI, 2003, p. 147)

10 Nas considerações de Orlando Valverde, os lotes médios eram, em geral, aproveitados da seguinte

maneira: 4 hectares eram ocupados pelo potreiro; 2 hectares para serem plantados parreirais, que dariam vinho e uvas para consumo doméstico, e 19 hectares ficavam destinados à lavoura em rotação de terras. Cerca de 3 hectares ficavam em cultivo, e as capoeiras seriam derrubadas e lavradas em um espaço de seis a sete anos. VALVERDE, Orlando. Excursão à região colonial antiga do Rio Grande do Sul. Álbum

poderiam adquirir terras em número menor de hectares — se as terras se encontrassem próximas da sede da colônia — ou maior — se as terras ficassem nos limites das terras destinadas à conservação das florestas.11

Verifica-se que havia disposição, por parte da Comissão de Terras, para distribuir cerca de 2.112 lotes, produto da multiplicação de 16 léguas vezes 132 lotes cada. Do total, apenas 1.610 foram distribuídos, o que representava um percentual de 76,23%. Dos que tinham o tamanho previamente estabelecido, somente 699 se aproximavam das medidas iniciais e ficavam nas faixas entre 20 e 25 hectares e entre 25 e 30 hectares. Observa-se pelas informações que 475 lotes estavam abaixo do número mínimo, e 436 estavam acima da quantidade de terra legalmente acordada — isso demonstra nos processos iniciais da colonização os problemas com a distribuição de terras na região. Nos escritos de Loraine Giron, marcava o período de ―especulação realizada pela Comissão de Terras desde os primeiros momentos da colonização regional‖. (GIRON, 1987, p. 273)

Em uma outra análise, verifica-se que houve vendas de terras com área inferior à necessária para a produção agrícola. Nos lotes distribuídos entre 1875 e 1886, identifica-se que, do total de 693 colonos, apenas 55,41% receberam lotes inteiros, sendo que os demais compraram terras com quantidade abaixo do valor delimitado. Para Loraine Giron, ―essa divisão de lotes entre os colonos não está ligada nem à qualidade da terra nem ao número de filhos da família‖. A autora constatou nas pesquisas que a fragmentação dos lotes se deu pela proximidade da sede da Colônia. (GIRON, 1987, p. 274)

Pode-se então concluir que o modelo de estrutura fundiária apresentou as seguintes condições no início da colonização: escassez de mão-de-obra e abundância de terras não- apropriadas. Com isso, o modelo proporcionou a expansão do espaço econômico, o desenvolvimento da produção para o autoconsumo e o excedente para o mercado, baseado na economia de subsistência. Ainda, propiciou condições favoráveis para as unidades familiares, como acesso a terras, a preços e a rendas. Deve-se reconhecer que a propriedade da terra, em muitos tipos de sociedade, constitui-se em um fator econômico que avulta como sendo de poder e de prestígio social.

comemorativo do 75° aniversário da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo,

1950. p. 273.

11 Observou-se que os valores anteriormente comentados eram diversos dos contidos nos Mapas

Estatísticos Coloniais do Museu Municipal de Caxias do Sul. E isso aconteceu também em relação ao preço da braça quadrada, o que será demonstrado no decorrer deste texto. As informações foram estudadas e analisadas inicialmente por Loraine Giron e são descritas a seguir. (GIRON, 1987, p. 272)

2.2 AS PRIMEIRAS COMUNIDADES ITALIANAS NO RIO GRANDE DO SUL E A