III. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
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O Sindicato Vitivinícola foi criado no ano de 1927. Em outubro de 1928 foi reformulado, devido à regionalização do órgão e às transformações por que passariam o sistema de produção e o comércio, contando com a adesão dos comerciantes-vinicultores dos Municípios de Bento Gonçalves e Nova Vicenza (atual Farroupilha). (CAVAGNOLLI, 1989, p. 146)
No que se refere à fundação do Sindicato Vinícola e às atribuições, o Jornal Caxias, no dia 24 de novembro de 1927, assinala:
Ao que estamos informados, foi definitivamente fundado o Sindicato Vinícola do Rio Grande do Sul, sobre o que foi lavrada a respectiva acta, assinada por todos os exportadores de vinho do Município de Caxias, com excepção de um único, na ocasião, ausente daqui. Pelos compromissos moraes e materiais os consequentes dessa acta, vemos não haver mais dúvidas sobre a existência dessa associação que, forçosamente trará em breve, inúmeros benefícios à região colonial italiana. Congratulamo-nos, pois, com essa consecução e também com a satisfação renasce, entre os componentes do «Sindicato», pela formal promessa do Governo do Estado de equipará-lo, em vantagens, das quais desfructa, actualmente o «Sindicato Arrozeiro», que tantos proveitos vem prestando à lavoura e ao comércio risícola do Rio Grande do Su1. Consiste a principal de suas prerrogativas que tem os syndicatos de determinar a qualidade do producto a ser exportado, dividindo o produto em diversas classes. (SINDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 24 nov. 1927)
Os comerciantes-vinicultores da região identificavam, nas exportações desreguladas, o produto da desorganização comercial do setor e o empecilho para o desenvolvimento da vitivinicultura.106 No ano de 1928, a Associação Comercial nomeou, em assembléia, uma
106 ―O vinho sairá daqui já classificado, pois que, segundo o conjuncto de boas qualidades
organolépticas, será considerado como pertencente à primeira, segunda, terceira ou quarta classes. Segundo a classe determinada pela sua qualidade, levará em cada volume uma marca fornecida pelo «Sindicato». Com essa praxe, o exportador, pela recompensa moral e material, estimular-se-á em acreditar cada vez mais na sua marca de vinho, e, consequentemente, desapparecerá o actual hábito de
comissão para avaliar a situação.107 A referida comissão tratava da possibilidade de se criar um sindicato estadual do vinho, com a participação dos vitivinicultores. A idéia da sindicalização foi debatida, em outubro de 1928, no Congresso dos Cantineiros. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 146-147)108
No que diz respeito ao Congresso dos Cantineiros, no dia 01 de outubro de 1928, o Jornal O Regional trazia as informações:
Está marcada para o dia 15 do corrente, a installação, em Porto Alegre, do Congresso dos Vinicultores, de onde deverá sair, completamente organizado para funcionamento immediato, o Syndicato Vinícola do Rio Grande do Sul. O Dr. Getúlio Vargas, Presidente do Estado, está vivamente empenhado na consecução daquelle desideratum e mandará representá-lo no alludido congresso os Drs. Oswaldo Aranha e o General Paim Filho, Secretários do Interior e da Fazenda, respectivamente. A Associação dos Commerciantes de Caxias, por cujo intermédio o Governo se está dirigindo aos exportadores de vinho deste município, tem estado em constante actividade, tendo recebido um exemplar do projecto dos estatutos do Syndicato, projecto esse, já publicado pela imprensa porto-alegrense e organizado pelo Sr. Gedeon Leite, Secretário da Sociedade Agrícola e Pastoril de Porto Alegre.
(O Regional, Caxias do Sul, 01 out. 1928)
«cortar» os vinhos bons com vinhos inferiores na formação dos typos mediocremente regulares, que
formam o geral dos vinhos rio-grandenses actualmente exportados. Como consequência lógica, os vinhos melhores passarão a ter muito melhor cotação, o que fará o colono melhorar o atual systhema de vinificação e cultivar outras castas de uva reconhecidas como melhores productoras de vinho.‖ SINDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 24 nov. 1927.
107―O brilhante discurso de ordem econômica pronunciado, na sede da Associação dos Commerciantes
de Caxias, pelo illustre e honrado Sr. Dr. Secretário da Fazenda do Estado, por ocasião de sua visita aquella corporação, representativa de uma classe que é o baluarte da vida dos povos, na presença de seus associados, inclusive aos que se dedicam ao ramo do vinho, deveria ter calado profundamente em seus espíritos, pela maneira clara e positiva com que elle encarou a necessidade da fundação de um syndicato vinícola. Por certo que todos os exportadores desse producto, hoje uma das principaes indústrias desta zona, que tiveram a ventura de ouvir os ponderados conceitos feitos pelo illustre visitante, em torno do palpitante assumpto da necessidade delles se agremiarem para assim poderem defender seus direitos, terão encarado com a devida precisão todas as suas ponderações no sentido de se unirem em forma de um syndicato se não quiserem que ella desapareça. Citou factos e demonstrou os fructos colhidos por aquelles que agiram irmanados sobre os mesmos sentimentos de trabalhar pelo engrandecimento e o progresso de sua indústria. Os exemplos são innúmeros, haja visto os bons resultados dos syndicatos do café, xarque e arroz, para não falarmos em outros. Portanto, não ha tempo a perder para a immediata fundação do Syndicato Vinícola, que represente todos aquelles que se dedicam ao honrado commércio do vinho. Só assim a indústria vinícola poderá prosperar. Caxias, Caxias do Sul, 26 jul. 1928.
108 Neste congresso ocorreram as seguintes discussões: "Conforme tivemos occasião de noticiar,
realizou-se, em Porto Alegre, o grande Congresso dos fabricantes de vinho desta região, a fim de tratarem da fundação do Syndicato. Depois de vários debates em torno do assumpto, foi definitivamente fundado esse apparelho necessário para a defesa dos interesses da classe. O Syndicato terá uma directoria da qual é presidente o Sr. Adelino Sassi e uma sessão commercial que também terá sua directoria e a qual se encarregará dos negócios". SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 25 out.
Inicialmente não foi simples a discussão acerca da criação do Sindicato, visto que a concepção não era de consenso geral, tanto que o Jornal Caxias, em 09 de agosto de 1928, assevera:
Depois de haver quase fracassado a boa iniciativa da fundação de um Sindicato Vinícola, devido a pequenas desintelligências entre alguns interessados, voltou o assumpto a ser novamente estudado por elles, em virtude da reunião realizada na sede da Associação dos Commerciantes de Caxias, na qual compareceu também o Sr. Dr. Secretário da Fazenda do Estado que, depois de ouvir os fabricantes de vinho sobre a verdadeira situação dessa importante indústria, prometteu o incondicional apoio do Governo em prol da indústria vinícola, mas que para isso era necessário a fundação de um syndicato, afim da referida indústria poder prosperar e os interessados obterem resultados compensadores. Diante desse apoio necessário para a creação desse syndicato, os interessados têm realizado reuniões para tratarem do assumpto. Pelo Governo do Estado foram convidados todos elles para uma reunião a realizar-se em P. Alegre, que terá lugar do dia 15 em diante. (SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 09 ago. 1928)
Mesmo havendo divergências, o Sindicato seria fundado independentemente das manifestações contrárias. Neste sentido, pelo aval da Associação dos Comerciantes, as discussões tomavam as seguintes proporções, no que se refere à sustentabilidade da indústria vinícola:
Há muito que os fabricantes de vinho nacional desta zona vêm trabalhando no sentido de conseguirem a organização de um syndicato vinícola. Todas as suas tentativas tem sido infructíferas diante dos obstáculos creados por alguns dos interessados. Agora, diversos sócios da Associação dos Commerciantes desta praça, estão trabalhando por intermédio dessa entidade a fim de conseguirem o seu intento. Para este fim, seguiu na semana finda, na capital do Estado, o Sr. Eduardo Verdi, presidente daquella Associação, no sentido de tratar do assumpto. Estamos seguramente informados que o Sr. Verdi, depois de haver conferenciado com os Drs. Paim Filho e Osvaldo Aranha, Secretários da Fazenda e Interior do Governo do Estado, ficou assentado que o Syndicato será fundado aqui, devendo para isso, realizar-se ali um concorrido congresso de todos os interessados. Sabemos mais que o Governo está empenhando em auxiliar a indústria vinícola, fazendo para isso todo o esforço em organizar uma aggremiação que defenda os interesses dessa importante indústria. (SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 13 set. 1928)
O impasse foi resolvido, em face do desejo de os interessados em combater as falsificações dos produtos nas praças consumidoras. Deste modo,
Depois de muito trabalho e esforço, está definitivamente organizado o Syndicato Vinícola desta rica e futurosa zona do Rio Grande. Há longos annos que a importante indústria vinícola, que há muito vem honrando o crescente progredir de nosso Estado, vem luctando com todas as difficuldades por falta de um apparelho que o protegesse e amparasse das ações criminosas, as falsificações dos vinhos rio- grandenses, nas praças de São Paulo, Rio, Santos e Porto Alegre. (SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 22 nov. 1928)
A criação do Sindicato apresentava-se como solução à desorganização comercial em que se encontrava a vitivinicultura, na qual a livre exportação se afirmava como fator prejudicial ao setor. O objetivo do Sindicato seria, pois, a eliminação da concorrência, mediante a distribuição de quotas de exportação para cada comerciante associado, baseando- se em quotas de exportações passadas. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 147-148)
Horácio Mônaco, comerciante-vinicultor de Bento Gonçalves, defendia a exportação por quotas, afirmando que os colonos-viticultores seriam beneficiados com o livre-comércio, no qual poderiam colocar a produção para qualquer comerciante, acirrando a concorrência entre os agentes. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 148)
Em 19 de outubro de 1928, tratou-se de elaborar os estatutos do Sindicato, norteando- se pela elaboração das seguintes idéias: ―(...) melhoramento da indústria vinícola, pois facilitará ao colono productor a obter maior vantagem sobre as vendas de uvas aos estabelecimentos enológicos que, na elaboração do producto, poderão applicar os conhecimentos enotéchnicos‖. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 149)
Nas considerações de Anelise Cavagnolli (1989), ―pretendia-se com as medidas, redimensionar os integrantes do sistema de produção vitivinícola e distinguir as funções, nas quais os colonos-viticultores condicionavam-se ao fornecimento das uvas, enquanto que, aos comerciantes-vinicultores, cabiam os processos de vinificação‖. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 149)
Discurso semelhante apresentava Pena de Moraes que criticava os procedimentos de vinificação, relacionados às condições dos estabelecimentos enológicos. No ano de 1928, a palavra indústria, para a temática em torno da vitivinicultura, demonstrava a mudança de mentalidade e a transformação no circuito da produção, exigindo o redimensionamento das funções no setor, trazendo o controle sobre este último. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 149-150)
O Sindicato Vitivinícola do Rio Grande do Sul ficou sediado em Caxias do Sul. Os seus estatutos vislumbravam a união dos vitivinicultores e a defesa109 dos interesses da indústria vinícola, objetivando: regulamentar o comércio dos vinhos; valorizar e estabilizar os preços de compra e de venda, atendendo à produção e ao consumo; regular e melhorar o preço das uvas em relação às classes e ao cultivo; estabelecer o controle do mercado de vinhos, regulamentando a exportação, podendo fixar quotas, combater falsificações e fraudes.
O Governo do Estado, prosseguindo na defesa dos vinhos rio-grandenses, pelo Decreto de 15 de dezembro de 1928, oficializava o Sindicato Vitivinícola do Rio Grande do Sul, com o intuito de exercer ação protetora deste ramo de atividade que interessava o Município de Caxias do Sul e as cidades vizinhas. O referido Decreto apresentava o seguinte teor:
O Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, no uso da atribuição que lhe confere a Constituição art. 20, nº 4, considerando a conveniência de conjugar a ação e os esforços, do Sindicato Vitivinícola do Rio Grande do Sul com os das autoridades fiscais e sanitárias, tendo por fim defender eficientemente os interessados da indústria vitivinícola riograndense, decreta.
Art. 1o. A Diretoria de Higiene somente atenderá a pedidos de exame de vinho,
quando formulados por intermédio do referido Sindicato, de conformidade com o que dispõe e Decreto n. 3.792, de 26 de dezembro de 1927.
Art. 2o. As exatorias só despacharão o vinho, à vista de classificação feita pelo Sindicato, acompanhada de livre trânsito fornecido pela Seção de falsificação dos Gêneros Alimentícios da Diretoria de Higiene.
Art. 3o. A classificação dos diferentes tipos e qualidades de vinho será feita
oportunamente pelo Sindicato, mediante acordo com a Diretoria de Higiene.
Art.4o. No vasilhame do vinho a ser exportado devem ser gravadas, de modo
indelével, as palavras: Rio Grande do Sul - Brasil.
Art. 5o. Revogam-se as disposições em contrário. (INDÚSTRIA vinícola. O
Popular, Caxias do Sul, s.d.)
No que concerne às falsificações, a ação do Sindicato havia amenizado a situação e, ao mesmo tempo, reduzia o descontentamento nas praças consumidoras do vinho gaúcho:
Dado o crescente augmento que tem tido a producção de vinho nacional nesta zona, a imprensa carioca tem se ocupado delle de uma maneira lisongeira para o nosso
109 Esta instituição, fundada para defesa da classe dos vinicultores, continua agindo para o bem
desempenhar-se de sua missão. Entre outras medidas tomadas, o conselho deliberativo do Syndicato, resolveu estabelecer condições e preços para a venda do vinho nas outras praças. Resolveu também, que o preço para a compra do vinho será de 1.400 rs. por medida de vinho de primeira qualidade posto na cantina do comprador. SYNDICATO vinícola. O Popular, Caxias do Sul, 06 dez. 1928.
Estado. Não poderia ser outra a manifestação da imprensa do nosso paíz, diante do crescente progredir de uma das mais importantes indústrias do Brazil. Uma das mais fortes e poderosas das indústrias e livrá-la da ganância desmedida dos falsificadores, que até a pouco tudo fizeram para entravar a sua marcha progressista. Em face das louváveis medidas postas em prática de accordo com os seus altos interesses e guiadas pela bôa orientação imprimida pelo syndicato, é de se esperar, dentro em breve, um futuro promissor para a nossa sempre crescente e futurosa indústria vinícola. Oxalá que a principal indústria desta zona possa sempre contar com o incondiccional amparo e auxílio do honrado e benemérito Governo do Dr. Getúlio Vargas. Que o Syndicato, cujos trabalhos benéficos em defeza do vinho, têm dado óptimos resultados, continue sempre inspirado na mesma conducta de ser útil e de reaes proveitos para essa importante fonte de riqueza e de progresso para o nosso amado Brazil, que tem assim cumprido calorosamente os seus nobres fins. (INDÚSTRIA vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 04 abr. 1929)
O estatuto do Sindicato facilitava o andamento e o progresso da indústria vitivinícola em geral e para cada estabelecimento em particular, pois buscava fomentar a importação de máquinas e de utensílios vinícolas bem como adubos e fertilizantes, além do que fosse necessário para o cultivo da planta. Propunha prestar serviços de assistência técnica, com a criação de um departamento técnico junto aos colonos-viticultores, ministrando ensinamentos, como o acompanhamento enológico, a formação de parreiras, o sistema de culturas e a comercialização de mudas de parreira. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 150-151)
A seleção dos associados efetuava-se em três categorias: viticultores ou colonos, vinicultores ou cantineiros e os que faziam parte da indústria conexa. Os colonos-viticultores eram os produtores da matéria-prima; eram considerados cantineiros e vinicultores os que se dedicavam ao comércio do vinho, adquirindo-o do colono e estabelecendo classes e tipos. Na última categoria estavam os que haviam exercido a profissão de viticultores ou vinicultores, por um período mínimo de cinco anos. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 151)
Havia dois departamentos em que os sócios se enquadravam: o departamento produtor integrava os colonos-viticultores e a classe ficava excluída da parte administrativa do Sindicato. Já o departamento industrial e comercial agregava os comerciantes-vinicultores, sendo encarregado da fixação dos preços de compra e de venda dos vinhos. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 151-152)
Nos escritos de Anelise Cavagnolli (1989), verifica-se que o posicionamento apresentava-se em desigualdade, visto que se reconhecia a discriminação por categorias. Desta forma, o Sindicato estava aberto tanto a comerciantes como a colonos, mas, ao mesmo tempo, deixava claro quem comandava a organização. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 152) Sob esse aspecto, ficavam flagrantes as discordâncias de idéia entre os membros do Sindicato, fato gerado pela divisão das tarefas e das responsabilidades, principalmente no que se refere à
parte comercial da Instituição. Ficaram, pois, evidentes as palavras, como a falta de lealdade e imposições, vindas do Governo do Estado:
Revestiram-se de grande importância as reuniões desta entidade, para tratar de vários assumptos de alto interesse para a nobre classe que representa. Dentre as innúmeras resoluções tomadas pelos seus associados, ressalta a reforma de seus estatutos moldado-os com novas disposições inspiradas pela experiência dos negócios vinícolas. Essas reuniões estiveram agitadas certas vezes em que veio a tona das discussões assumptos de real importância para o Syndicato. Assim foi quando surgiu no plenário a reforma dos estatutos e a parte commercial. Muitos de seus associados estiveram em desacordo em vários pontos. Mas, diante do voto da maioria, a minoria deu-se por vencida acatando a resolução tomada. Foi brilhante a oração proferida pelo Dr. Oswaldo Aranha, illustre Secretário do Interior do Governo do Estado e seu representante naquella reunião, cujos termos claros e positivos deixaram bem patente a falta de lealdade por parte de alguém no seio daquella entidade. Estamos certos que, em face dessa advertência por parte do representante do Governo do Estado, não mais se registrarão taes acontecimentos. É necessário que aquelles que alli estiveram e assignaram os referidos estatutos e mais convênio indispensável para a bôa marcha do Syndicato, não procurem desvirtuar os seus fins nobres e proveitosos para uma classe importante como é a vinícola. Urge que todos trabalhem unidos pelo mesmo ideal, que é a grandeza da indústria de vinhos de nossa ubérrima zona colonial. Não existindo uma harmonia entre os seus associados, impossível levar avante uma congregação syndical. SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 13 jun. 1929.
De acordo com Anelise Cavagnolli (1989): ―o Sindicato Vinícola do RS constitui-se como representante do setor exportador, ou seja, dos comerciantes-vinicultores, proprietários de depósitos de vinhos e tonoarias, estando dele praticamente excluídos os colonos- viticultores‖. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 156)
Em junho de 1929, realizou-se a transferência do departamento comercial e industrial do Sindicato Vinícola, instalado em Caxias do Sul, para Porto Alegre. A transferência significou uma mudança importante, pois, com a ausência naquele Município, ocorria a formação de uma sociedade comercial, a partir do reagrupamento dos associados do Sindicato anterior.
No tocante à situação, observa-se que, economicamente, a sociedade caxiense perdia espaço, porque empregos seriam suprimidos e a movimentação comercial e bancária estariam prejudicadas. Nesse aspecto, o Jornal Caxias, de 20 de junho de 1929, informa:
Somos contrários às discussões de qualquer solução tomada por esta ou aquella entidade. Mas, uma vez que ella venha de encontro, julgamos nosso dever combatê- la. Dahi a nossa franqueza em discordar da resolução da Assembléa Geral do
Syndicato Vinícola, no tocante à mudança do seu departamento commercial para a capital do Estado. Não vimos razão plausível para isso. Aqui é o centro de actividade da indústria vinícola. É onde há o maior número de exportadores de vinho e também de productores. É aqui a sede do Syndicato Vinícola que, para a boa marcha de seus negócios precisa estar em contacto com aquelle departamento. Os que vetaram a favor dessa transferência, não mediram as funestas consequências que ella trará para Caxias e também para os próprios interessados. Estes serão sempre em número muito maior que precisam consultar esse departamento, tornando-se diffícil estarem em contacto com elle, visto ir ficar localizado longe da sede dos negócios vinícolas. Acresce também as desvantagens que essa mudança trará para a nossa cidade. Com a installação desse departamento, seriam abertos escriptórios para poder attender convenientemente os negócios que lhe estarão affectos. Nella iriam trabalhar muitos rapazes, que amanhã prestarão inestimáveis serviços a nossa cidade. O movimento bancário irá perder muito com essa resolução absurda e injustificável de separar o departamento commercial da sede do Syndicato. (SYNDICATO vinícola. Caxias, Caxias do Sul, 13 jun. 1929)
Para Anelise Cavagnolli (1989), o procedimento era previsto nos estatutos do Sindicato Vinícola; no entanto, o sindicato não assumia responsabilidade quanto às obrigações contraídas por estas sociedades, já que eram independentes, e o vínculo mantinha- se pela filiação ao Sindicato. (CAVAGNOLLI, 1989, p. 157)
Com base no dispositivo legal do estatuto, surgiu a Sociedade Vinícola Rio-Grandense