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1. ŞEYH GÂLİB’İN HAYATI, ESERLERİ, EDEBÎ KİŞİLİĞİ

1.2. Tecellî Durumuna Göre Hak

1.2.2. Allah Olarak Hak

1.2.2.4. Sürekli Tecellî

Diz-se arte contemporânea todo o produzido artisticamente após a Segunda Guerra Mundial – com início por volta das décadas de 1950 e 1960 e manutenção até os dias de hoje. É um período de rompimento à pauta moderna e do surgimento de diversas correntes artísticas, como o pop art, o minimalismo, o expressionismo, o neoexpressionismo, o body art, entre outros. Ela é a união de uma diversidade de estilos e técnicas e diferencia-se dos movimentos anteriores por não transmitir ideias de instituições políticas ou religiosas, mas por se voltar para si mesma (FARTHING, 2010).

A arte contemporânea se configura a partir do abstracionismo que, incompreensível para o indivíduo da sociedade do espetáculo, representava a fuga da realidade. Acontece que, como explicam Goldberger e Netto (1996), a arte abstrata e as correntes subsequentes a ela estavam mais ligadas do que nunca ao real, ao homem e ao seu mundo. O artista continuava a pintar o que via, a sua realidade exterior, que era o resultado da guerra.

A Europa era a destruição, o desespero. O desespero pelo presente, o desespero pelo futuro. Frente a essa realidade, o artista só poderia tomar duas posições possíveis: denunciá-la ou fugir dela.

O artista a denunciou: pintou o nada, pintou a destruição de todos os valores do homem, da moral, da ética, pintou a destruição da própria arte que existia. Frente a um mundo que explodia, a arte também se atomizava, não poderia permanecer inata. E o artista pintou tudo isso, toda essa totalidade que se resumia numa palavra: destruição (GOLDBERGER; NETTO, 1969, p.34).

A arte contemporânea é, portanto, resultado de um processo social e econômico, de apogeu e de ruína, pelo qual o mundo passou no século XX. Ela se configura pela união de vários polos em que o importante não é mais o juízo de gosto, mas sim questões de integração ou exclusão (Isso é ou não é arte?). A questão da beleza quase não se faz mais presente, o que abre o caminho para dúvidas de natureza ontológicas, éticas e políticas (HEINICH in BUENO; CAMARGO, 2008).

Segundo o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969), a arte contemporânea não tem função de divertimento e pode até ser qualificada como antissocial, pois despreza normas e preceitos de estruturação preconcebidos e rejeita modelos éticos, políticos ou religiosos que possam determinar a sua forma. É uma arte autônoma que critica a realidade capitalista e que tem seu significado na singularidade da experiência da sua contemplação (FREITAS, 2003).

Isto é, ela não se preocupa obrigatoriamente com um conceito – embora possa fazê- lo, se desejar. A arte contemporânea pode simplesmente retratar situações e escolhas do dia a

dia com o intuito de provocar, divertir, evidenciar o vazio e a gratuidade. E, de acordo com o antropólogo Roberto de Magalhães Veiga (in BOLAÑO, GOLIN, BRITTOS, 2010), essa produção, justamente por não objetivar reflexões profundas sobre a condição humana, acaba por aproximar o público das obras.

A filósofa brasileira Márcia Tiburi (1970-), em artigo publicado na Revista Cult, explica que a arte contemporânea é aquela que não conseguimos delimitar com precisão, pois ela foge aos nossos conceitos prévios e, justamente por isso, nos perturba. Ela não deve ser analisada com base em preceitos de história da arte, afinal, ela está acontecendo neste exato momento. Ela deve ser experimentada como objeto que não se deixa definir. “Arte é também libertar-se do pensamento pronto e ousar pensar, e fazê-lo de um jeito diferente. A verdade da obra está nesse lugar onde ela jamais está pronta.” (TIBURI, 2012).

A arte contemporânea é ação, é sintética. Pode demonstrar a insatisfação do homem frente à realidade, o vazio ou a multiplicidade da configuração social atual, e até mesmo a felicidade perante os pequenos detalhes do dia a dia – entre outras tantas possibilidades. Ela deixa-se livre para interpretações e conotações do público, pois apresenta o risco da linguagem, a dúvida, instiga e comunica, podendo misturar estéticas artísticas ou criar uma nova. Ela é, por si só, única e existente; e reflete a realidade humana e suas muitas particularidades.

3 A PÓS-MODERNIDADE EM FOCO31

Dentre os séculos XVII e XX, a civilização ocidental viveu um período histórico em que a autonomia da razão e o desenvolvimento do capitalismo estiveram em evidência. A modernidade caracterizou-se por ser um sistema centrado na produtividade humana, resultado do crescimento populacional e da urbanização acelerada.

A partir de 1950, mudanças na história do pensamento e na técnica, impulsionadas pelos avanços da tecnologia e das comunicações, modificaram tal configuração societária. As teorias da pós-modernidade começaram a dar seus primeiros passos na metade do século XX e se consagraram anos mais tarde, com a queda do Muro de Berlim em 1989 e as crises ideológicas de países ocidentais.

Prevalente no capitalismo, a hipótese pós-moderna abre espaço às pluralidades e ao presente, alargando-o e tornando-o eterno. Ela busca caracterizar um mundo em que as fronteiras geográficas inexistem e que a informação se multiplica instantaneamente e incessantemente.

Sendo assim, descrever a pós-modernidade não é tarefa fácil, pois a condição sociocultural que se apresenta no século XXI é permeada por novos e diversificados aspectos. Para Jean François-Lyotard, a pós-modernidade refere-se ao fim das metanarrativas; para Fredric Jameson, ela relaciona-se a um capitalismo tardio; para Michel Maffesoli, tem a ver com o sensível, o subjetivo. Já para Gilles Lipovetsky, a denominada hipermodernidade diz respeito à exacerbação de características da modernidade como o individualismo e o consumismo; e, para Zygmunt Bauman, a então modernidade liquida caracteriza-se por uma dissolução de todos os conceitos sólidos, pela liquidez, fluidez, pelo gozo, aquisição e artificialidade.

Com esses pensadores reunidos e suas principais ideias justapostas, evidenciadas possíveis similaridades e disparidades, pretende-se ampliar a percepção em relação ao contexto no qual se inserem as artes plásticas e o atual jornalismo cultural brasileiro. Afinal, como afirma Fredric Jameson ([1991]1996), “[...] pós-modernismo não é algo que se possa estabelecer de uma vez por todas e, então, usá-lo com a consciência tranquila. O conceito, se existe um, tem que surgir no fim, e não no começo de nossas discussões do tema” (p.25).

Antes de se aprofundar nas pesquisas desses estudiosos sobre a pós-modernidade, porém, é interessante desvendar a sociedade do espetáculo. Denominada pelo crítico cultural

31 Partes deste capítulo foram publicadas anteriormente como artigos e, em certos aspectos, retrabalhadas para a

e cineasta Guy Debord, em 1967, a análise crítica da sociedade de consumo antecipa o que viria a se tornar a sociedade pós-moderna. Ademais, ela influencia diretamente a relação do sujeito com a arte contemporânea, pois pelo excesso de imagens afasta o indivíduo das obras de arte e, ainda, cria um abismo entre ele e a realidade exprimida pelos artistas, já que edifica um mundo de ilusão.