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1. ŞEYH GÂLİB’İN HAYATI, ESERLERİ, EDEBÎ KİŞİLİĞİ

1.2. Tecellî Durumuna Göre Hak

1.2.2. Allah Olarak Hak

1.2.2.2. Feyz-i Akdes (Tecellî-i Zâtî)

No que se refere à prática objetiva, o jornalismo cultural diferencia-se das outras especialidades jornalísticas devido ao conteúdo, obviamente, mas também devido a maior liberdade estilística que possui. O jornalista cultural pode explorar novos caminhos, utilizar figuras de linguagem e brincar com as palavras – o que torna os textos mais dinâmicos e interessantes – sem, é claro, esquecer-se de respeitar determinados limites de bom senso e ética. Sua linguagem, portanto, admite recursos mais criativos e grafismos mais ousados. Fica a critério de cada veículo de comunicação deliberar sobre tais questões, conforme as intenções de cada empresa jornalística e as tendências vigentes nos contextos sociopolíticos.

Entre as práticas do jornalismo cultural encontram-se a notícia, a crítica, o ensaio, a reportagem, a entrevista, o perfil, a crônica, o colunismo e o comentário – cada uma delas possuidora de suas próprias diretrizes e normas em relação à estética e ao conteúdo. A seguir, elas serão exploradas de forma sucinta para esclarecer possíveis questionamentos que possam surgir futuramente neste trabalho.

2.3.1 Notícia

A notícia, no segmento cultural, segue diretrizes presentes em todos os gêneros jornalísticos: deve ser atual, informativa e, é claro, verdadeira. Ela anuncia exposições, apresenta lançamentos de produtos culturais, comunica a presença de artistas ou intelectuais em eventos e até mesmo relata leis e incentivos culturais. Como não poderia deixar de ser, adota o lide como carro-chefe e precisa, obrigatoriamente, responder às questões: o quê, quem, quando, onde e por quê.

Seu grande palco no jornalismo cultural são as agendas culturais que, em sua maioria, são compostas por notícias responsáveis por levar ao público novidades, atualizar e recapitular acontecimentos. “A notícia certamente opera em favor de um mecanismo que parece ser o cerne imprensa em geral: o interesse que possa despertar no leitor pela sua

originalidade, sua cor ou seus aspectos humanos.” (RIVERA, 1995, p.33, grifo do autor, tradução nossa).28

Ou seja, é tarefa do jornalista cultural selecionar assuntos inovadores, relevantes para o segmento e para a sociedade (considerar o valor-notícia) e apresentá-los de forma inédita, clara e objetiva, esclarecendo a importância da mesma. A qualidade de uma notícia cultural pode resultar na presença do público em determinado evento, na venda de produtos culturais e até mesmo incentivar a busca por maiores informações acerca de um tema.

2.3.2 Ensaio

Gênero elástico do jornalismo cultural, o ensaio pode ser longo ou breve, objetivo ou subjetivo. Sobre os mais variados temas, utiliza na maioria das vezes um estilo literário e por isso é mais comumente visto nas revistas ou no ambiente on-line. Quanto à grafia, assim como na literatura, são aceitas gírias de linguagem, metáforas, metonímias, entre outras: sempre em prol de tornar o texto mais atraente e compreensível para o leitor.

O jornalista Jorge B. Rivera (1995) afirma que o ensaio no jornalismo cultural, normalmente, posiciona-se de forma analítica, realizando avaliações sobre os temas, fenômenos ou processos. Parte-se de dados conhecidos de um problema ou causa determinada para obter-se uma conclusão verdadeira.

Por outro lado, menos comuns e voltados para uma perspectiva mais hermenêutica, os ensaios podem ser interpretativos quando buscam sentidos nos acontecimentos ou obras. O autor acrescenta que, em ambos os casos, como base teórica pode-se utilizar filosofia, sociologia, antropologia, e outros campos do conhecimento.

Os ensaios têm importância relevante pois, além de discutir assuntos culturais e sociais, colocam o leitor em contato com a literatura. Eles são porta de entrada para o hábito da leitura já que podem suscitar curiosidades que resultem no consumo de livros – até mesmo porque seus autores, na maioria das vezes, possuem obras próprias.

28 La noticia opera desde luego a favor de una mecánica que parece la médula misma de la prensa de

información general: el interés que puede suscitar en el lector por su originalidad, su color o sus facetas humanas.

2.3.3 Crítica

A crítica, desde o início, funcionou como espinha dorsal do jornalismo cultural. O seu prestígio é inegável pois influencia artistas e público quando atribui juízos de valor sobre obras ou temas. Para Rivera (1995), o gênero se propõe a uma interpretação e a uma estimativa, considerando o caráter intrínseco do objeto analisado e as características do indivíduo e da sociedade.

Exercida por especialistas, a crítica cultural facilita o entendimento, é intermediária entre o produtor e o receptor. Ela funciona como um objeto aproximador, que viabiliza o contato entre artista e público. Nela há uma fusão de sensibilidade com pensamento que permite ao leitor o exercício da curiosidade, a reeducação do olhar, a compreensão cultural.

Piza (2009) explica que existem críticas impressionistas – que revelam as reações imediatas do crítico diante da obra; estruturalistas – que voltam o olhar para os aspectos estruturais e características de linguagem; além das que discutem sobre o autor ou sobre o tema levantado pelo produto cultural. O indispensável é que contenham sinceridade, objetividade, preocupação com o autor e o tema. A crítica “[...] deve ser em si uma ‘peça cultural’, um texto que traga novidade e reflexão para o leitor, que seja prazeroso ler por sua argúcia, humor e/ou beleza” (p.71 e 72, grifo do autor).

Quanto à estética, Piza (2009) ainda afirma que é necessário informar ao leitor o que é a obra ou o tema em debate, resumir sua história e os dados básicos do autor; deve-se também atribuir valores positivos ou negativos a detalhes (argumentando-os), criar referências e situar o leitor. Por fim, mais comum nos textos de grandes críticos, pode-se ir além do objeto analisado e usá-lo para uma leitura da realidade, uma interpretação do mundo.

Com a expressão grandes críticos compreende-se que nem todo jornalista cultural está apto à elaborar críticas. A tarefa exige uma ampla bagagem cultural, além de conhecimentos gerais sobre a sociedade. Normalmente, os críticos de arte possuem estudos em história da arte, estética e até mesmo filosofia.

2.3.4 Reportagem

A reportagem é uma cobertura mais ampla de um acontecimento. Ela exige um esforço compreensivo e interpretativo dos fatos e, justamente por isso, ocupa um maior número de laudas do que uma notícia. Mais extensa, pode abordar diferentes pontos de vista

de um mesmo tema, contribuindo para aumentar a percepção do leitor sobre determinado assunto.

A principal diferença da reportagem cultural para as demais é que ela fala sobre algo que está acontecendo ou vai acontecer, e não sobre o que já aconteceu, como as hard news. De acordo com Piza (2009), entretanto, a reportagem noticiosa pode ter lugar dentro da reportagem cultural quando se denuncia uma fraude na política cultural, ou se adianta um nome de ministro ou secretário do setor, ou ainda quando se fala sobre problemas de museus, dificuldades financeiras para produzir um disco, etc.

O principal objetivo da reportagem é levar novidades até o leitor. Para isso, o jornalista cultural deve ter domínio do assunto, criatividade, persistência na apuração e imparcialidade. A forma narrativa deve ser predominante e o relato precisa estar humanizado. Ademais, a subjetividade pode ser utilizada – um olhar mais interpretativo – para aproximar o leitor da história que está sendo apresentada (PIZA, 2009).

As reportagens exigem mais tempo de apuração e de investimento por parte do veículo de comunicação e por isso acabam produzidas em menor quantidade do que as notícias. Entretanto, os sites e blogues podem ser bem utilizados pela prática, já que, em sua maioria, não possuem limites de caracteres e nem mesmo periodicidade fixa.

2.3.5 Perfil

Os perfis, no jornalismo cultural, discorrem sobre a vida e a carreira de artistas e intelectuais, que são convidados a opinar sobre assuntos importantes. Tal gênero procura evidenciar o lado humano de uma personagem pública ou anônima que seja de interesse da população. É uma apresentação rápida, esquemática e informativa para um público não especializado.

Interpretativo, o perfil não é analítico nem invasivo. Ele é intimista e mostra um criador que está em destaque pelo que executou ou pela reputação que adquiriu através de seus atos. Para Piza (2009), no jornalismo brasileiro, o perfil glamoriza a personagem ou critica com virulência e tais erros acabam por colocar o autor à frente da obra.

Os motivos para a criação de um perfil são os mais variados: o recebimento de um prêmio, a chegada do artista à cidade ou país, o crescimento da notoriedade do mesmo por determinada circunstância e até mesmo falecimento. O imprescindível é recolher informações suficientes sobre a personagem para apresentá-la de maneira criativa, atrativa e interessante,

já que aquele espaço pode ser o primeiro e único contato entre leitores e a figura escolhida (RIVERA, 1995).

2.3.6 Entrevista

A entrevista jornalística tem como principal característica revelar as opiniões de uma figura pública ou privada (escolhida de acordo com sua notoriedade) sobre diversos assuntos – o que a aproxima, de certa forma, do perfil. Assim como nos demais segmentos, para realizar uma entrevista o jornalista precisa compreender o tema em profundidade, possuir capacidade para ouvir e raciocinar agilmente, e sensibilidade para não invadir ou desrespeitar o entrevistado.

Normalmente em forma de pergunta e resposta, a entrevista exige preparo do entrevistador para que não sejam feitas questões que poderiam ser adquiridas por algum outro texto. Além disso, é preciso ser incisivo para contestar o entrevistado e insistir no esclarecimento de respostas que tenham ficado incompletas (PIZA, 2009).

De acordo com Rivera (1995), o entrevistador deve ser imparcial, objetivo, consistente, produtivo e ter boa disposição. E, por fim, deve elaborar questões pertinentes e criar um texto fidedigno, claro e leal.

Atualmente, devido à efervescência do jornalismo on-line e a pressa em publicar que acalenta os profissionais da comunicação, é preciso cuidado redobrado com as entrevistas – já que elas representam, literalmente, falas de figuras públicas. É sempre bom lembrar que acrescentar palavras para tornar discursos mais atraentes é antiético e desrespeitoso. Se for necessário dispender um dia ou mais com o entrevistado para colher informações interessantes e relevantes, é isso que deve ser feito.

2.3.7 Crônica, coluna e comentário

Durante décadas a imprensa cultural foi o principal espaço para a disseminação das crônicas. “Neste sentido, funcionou como uma generosa registradora e evocativa de fenômenos e episódios da vida intelectual e artística, convertendo-se em um repositório insubstituível para o historiador dos processos culturais.” (RIVERA, 1995, p.123, tradução

nossa).29 Escritores e jornalistas utilizavam o gênero para realizar análises subjetivas do cotidiano, explorando temas de interesse da população.

Atualmente, a crônica sobrevive no jornalismo cultural mesclando informação e reflexão. Destinada a um público amplo, é um relato detalhado de determinado fato (que pode estar relacionado a diversos temas) elaborado com linguagem simples. Sua principal característica é a união de jornalismo e literatura: do primeiro herda a atenção à realidade; do segundo a construção da linguagem.

A coluna também se mantém no jornalismo cultural, dividindo-se em duas vertentes: coluna especializada e coluna de celebridades. As colunas especializadas tratam de diversos temas e são, normalmente, assinadas por colunistas fixos dos veículos de comunicação, que produzem textos com determinada frequência – uma vez por semana, duas vezes ao mês, etc. Já a coluna de celebridades tem espaço garantido no jornal impresso diário, sendo composta em sua maioria por fotografias de figuras públicas.

Por fim, os comentários aparecem com frequência e são caracterizados pela emissão de uma opinião. Um jornalista cultural especializado em literatura, por exemplo, pode ser convidado a opinar sobre um livro; assim como um conhecedor de artes visuais pode dialogar sobre uma obra, exposição ou artista plástico. O comentário é direcionado a um público mais segmentado, já que trata especificamente de um assunto que pode ser ou não de interesse do leitor.