Yılmaz Öztuna
SÂMİHA AYVERDİ VE TÜRKİYE'NİN MESELELERİ
Revista da Semana foi a primeira do gênero semanal a surgir no Brasil, em 1900, e existiu até 1962. Do seu nascimento até 1915, pertenceu ao Jornal do Brasil e circulava encartada no periódico. Depois, foi comprada pela Companhia Editora Americana, quando recebeu maquinários modernos de impressão e passou a utilizar cores em suas páginas, como lembram Gisele Taboada, João Elias Nery e Maria Gabriela Marinho (2004): "A tecnologia foi algo que a revista soube acompanhar, da mesma forma que acompanhou os avanços da fotografia na virada do século XX, tendo explorado intensamente essa forma de comunicação".
Em relação ao conteúdo, abriu caminho para a formatação de uma publicação com olhos voltados para o resumo dos acontecimentos da semana, mesclando informações factuais e outras temáticas mais "frias". É a partir de Revista da Semana, lembra Mira, que nasce a ideia de uma das revistas brasileiras mais importantes do ponto de vista histórico e mercadológico de todos os tempos, O Cruzeiro, em 1927. Tanto é verdade que, segundo Mira, Assis Chateaubriand convidou um dos diretores editoriais da Revista da Semana para integrar a equipe de O Cruzeiro. Carlos Malheiros Dias, que trabalhou por cerca de duas décadas na primeira semanal do país, ajudou a colocar a concorrente em circulação, por isso a influência de uma na outra em termos editoriais.
Ainda em relação ao "recheio", a proposta da Revista da Semana era semelhante à de outras publicações da época, e misturava textos literários de autores conhecidos do público e muitos recursos ilustrativos. Assim, crônicas, poesias, contos, notícias curtas sobre os principais acontecimentos do país, fotorreportagem e seções com dicas para as mulheres eram os principais assuntos que ocupavam as páginas da revista. As grandes reportagens ainda eram pouco comuns quando a revista surgiu. Podemos citar ainda que algumas notícias, artigos e seções traziam um enfoque político, ao mesmo tempo em que a publicação abria espaço para as charges, contando com a colaboração de alguns dos principais artistas da época. Estes, inclusive, desenhavam as publicidades do periódico.
Revista da Semana reservava também um espaço significativo para as matérias culturais e artísticas, mas antes de detalharmos o conteúdo trazido pela revista, é preciso um parênteses sobre a formação cultural do brasileiro naquela época, a fim de entendermos a formação do público leitor nacional. Quando o primeiro número desta publicação semanal circulou, o Brasil era um país em que jornalismo e literatura tinham laços estreitos. Além
71 disso, cerca de 70% da população, formada por aproximadamente 17 milhões de pessoas, era composta por analfabetos, segundo o censo demográfico realizado naquele início de século. Por isso, podemos estimar como pequeno, embora em crescimento contínuo, o público leitor de uma revista no começo dos anos 1900. "A leitura só fazia parte dos hábitos de uma pequena elite culta e rica, cujos filhos eram educados por preceptores, concluindo seus estudos na Europa" (MIRA, 1997, p.33).
Foi justamente com a chegada do século XX que mudanças importantes ocorreram na sociedade brasileira, no que diz respeito à imprensa, como aponta Nelson Werneck Sodré, e que determinaram algumas das principais características das publicações semanais surgidas na virada do século, como é o caso da Revista da Semana:
...a tendência ao declínio do folhetim substituído pelo colunismo e, pouco a pouco, pela reportagem; a tendência para a entrevista, substituindo o simples artigo político; a tendência para o predomínio da informação sobre a doutrinação; o aparecimento de temas antes tratados como secundários, avultando agora, e ocupando espaço cada vez maior, os policiais com destaque, mas também os esportivos e os mundanos. Aos homens de letra, a imprensa impõe, agora, que escrevam menos elaborações assinadas sobre assuntos de interesse restrito do que o esforço para se colocarem em condições de redigir objetivamente reportagens, entrevistas, notícias. (WERNECK, 1977, p.339).
Com essas mudanças, os colaboradores literatos vão, aos poucos, perdendo espaço no jornalismo diário e se aproximando das revistas, por isso muitos desses autores marcam presença nas páginas desta publicação semanal. E não apenas os autores nacionais, mas os estrangeiros também tinham lugar cativo, especialmente os escritores de contos, novelas e romances, temas que já despertavam o interesse do público feminino.
Voltando ao conteúdo, Revista da Semana abordava assuntos muito próximos dos vistos nas publicações semanais dos dias de hoje. Trazia um resumo dos acontecimentos da semana, como as festas envolvendo pessoas famosas e que movimentaram o cenário social da época, além de cenas urbanas que enfocavam pessoas, paisagens cotidianas e pontos turísticos. Apostava, ainda, na reconstituição, em estúdios fotográficos, de crimes que marcaram o país nos últimos dias.
Em uma primeira análise das reportagens e seções veiculadas pela publicação durante o período pesquisado nesta dissertação, que vai de 1º de janeiro a 31 de agosto de 1950, podemos dizer que, mesmo com as transformações sociais do país naquela metade de século, com a alfabetização crescente, o conteúdo da revista tinha como público prioritário os
72 leitores pertencentes às classes mais altas da sociedade. Isso porque, muitas vezes, trazia matérias sobre o estilo de vida europeu, a modernidade e o desenvolvimento daqueles países, seus personagens famosos e seus pontos turísticos. Apostava ainda no humor, como charges e tirinhas (histórias em quadrinhos) sobre os tipos humanos e as situações cotidianas, além de contos e novelas.
A vida das estrelas do cinema norte-americano, em plena expansão no início dos anos 1950, também despertava o interesse dos leitores brasileiros e ganhava espaço nas páginas de Revista da Semana e de praticamente todas as outras publicações nacionais naquela metade de século. A maneira como se vestiam, os lugares que visitavam, os carros que compravam, a casa onde moravam, os hobbies preferidos, as famílias que formavam, tudo deveria ser acompanhado de perto pelo mercado de revistas. "Pode-se dizer mesmo que nos dourados anos 50, a influência da cultura americana é sobretudo cinematográfica. O cinema, através dos filmes e da especulação da vida íntima dos seus astros, transforma-se no veículo de novos ideias de vida" (MIRA, p.60).
O Brasil também era bem representado em suas páginas e foi possível encontrar reportagens sobre os avanços de Belo Horizonte, a vida e as curiosidades dos povos indígenas, uma ampla cobertura do Carnaval carioca de 1950 realizado nos clubes e a classe artística do país, como Carmem Miranda. Mas em relação ao nosso país, o diferencial em relação às revistas concorrentes eram as matérias críticas e politizadas. Fez, por exemplo, uma série de reportagens para mostrar como eram os partidos políticos em 1950 (uma delas trazia como título ―UDN por dentro e por fora‖), enquanto outras matérias destacavam os problemas da agricultura nacional e a falta de um banco agrícola que incentivasse os pequenos agricultores, a enorme produção de trigo no Brasil e o pouco incentivo do governo à categoria. Ainda em relação à cultura, o periódico semanal trouxe algumas tradições de outras regiões brasileiras, como a festa da uva de Caxias do Sul (RS). Como se nota, Revista da Semana era uma típica publicação de variedades.