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1.4. İSLAMİ FİNANSIN SINIRLARI VE ÖNEMLİ YASAKLAR

1.4.1. Ribâ Yasağı

O primeiro Tribunal Internacional visitado em Haia, no dia 4 de julho de 2011, foi o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. Coincidentemente (e, para nós, alunos, felizmente), esse era o dia marcado para uma audiência com Ratko Mladic, General da República Sérvia apontado como comandante do Massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo, e que se encontrava foragido há mais de uma década, sendo encontrado em 26 de maio de 2011. Nós tivemos a oportunidade de vivenciar um momento histórico de suma importância, além de fortes emoções ao assistirmos ao julgamento.

Para entender tal importância, é preciso saber um pouco sobre a história dos confl itos ocorridos na região dos Bálcãs. Na década de 1990, o mundo assistiu a confrontos que resultaram na morte de muitas pessoas inocentes. Es- sas batalhas não se resumiram na busca por poder ou aumento de fronteiras, tinham por mote eliminar ou lesionar um determinado grupo de pessoas que se caracterizava por sua etnia, religião ou nacionalidade. Logo, estaria ocorrendo o crime de genocídio, cuja tipifi cação encontra-se na Convenção para a Preven- ção e Repressão do Crime de Genocídio.

A região sempre foi culturalmente rica e diversifi cada devido à presença de diferentes grupos étnicos e religiosos. Porém, nem sempre tal diversidade com- binou com política. Em 1991, a República Socialista Federativa da Iugoslávia (formada pelos Estados hoje independentes da Croácia, Macedônia, Eslovênia, Montenegro, Bósnia-Herzegovina e Sérvia, e as províncias autônomas de Ko- sovo e Voivodina) desmanchou-se devido ao colapso do comunismo e a mor- te Josip Broz “Tito”; ademais, insurgia um sentimento nacionalista na região,

1 Aluna do 7º período da graduação da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito Rio).

2 Aluna do 6º período da graduação da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito Rio).

além de crises econômicas e políticas3. O passo seguinte foi a proclamação de

independência por parte de seus membros.

No entanto, apesar do processo de independência, alguns líderes buscavam uma identidade Iugoslava, incutindo desconfi ança entre as diferentes etnias. Esses líderes eram principalmente sérvios, os quais dominavam o governo, as forças armadas e as fi nanças da Iugoslávia4 desde antes das independências. Um

exemplo desse ideal sérvio foi a criação da República Sérvia, um território sérvio dentro das fronteiras da Bósnia-Herzegovina, que tentou reunir todos os sérvios da Bósnia.

Percebe-se que a região vivia uma situação de tensão política e social, e foi durante este período, de abril de 1992 a novembro de 1995, que violações à Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio e outros crimes internacionais foram cometidas por sérvios da Bósnia atuantes no Exér- cito Popular Iugoslavo, acompanhados de membros do Exército da República Sérvia5.

Dentre as violações estariam a destruição em parte e a tentativa de des- truição total de grupos nacionais, étnicos ou religiosos no território da Bósnia- Herzegovina, principalmente da população mulçumana6. O caso expoente que

ocorreu na Bósnia-Herzegovina foi o massacre de Srebrenica, o qual está direta- mente relacionado, por fi m, com Ratko Mladic.

Para compreender a experiência pela qual os alunos da Fundação Getúlio Vargas passaram neste Tribunal, é preciso esclarecer o que ocorreu no dia 4 de julho de 2011.

Como foi explicado acima, o dia da visita dos alunos ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia foi o mesmo dia da primeira aparição pública de Ratko Mladic perante o mesmo, isto é, o dia em que ele deveria se declarar culpado ou não pelos crimes a ele imputados7.

3 De acordo com informações presentes no site http://www.icty.org/sid/322 acessado pela última vez em 14/09/2011.

4 De acordo com Informações colhidas no site http://www.icty.org/sid/322 visitado pela última vez no dia 14/09/2011.

5 É interessante notar que em 20 de março de 1993, a República da Bósnia-Herzegovina acionou a Corte Internacional de Justiça acerca de violações à Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio que teriam sido perpetradas pela República Federal da Iugoslávia. Apesar do resultado do julgamento não ter considerado a República Federal da Iugoslávia culpada pelo crime de genocídio, este caso foi importante, pois criou uma abertura para que Estados pudessem ser responsabilizados penal- mente por violações do direito internacional cometidas, especialmente pelo crime de genocídio. 6 Informação disponível no site http://www.icj-cij.org/docket/fi les/91/13685.pdf visitado pela última vez

no dia 14/09/2011.

7 Quais sejam, genocídio, persecução, extermínio, assassinato, deportação, atos desumanos, terror, ataques ilegais, tomada de reféns.

PROJETO VISITA AOS TRIBUNAIS INTERNACIONAIS 37

Por ser um julgamento aberto, era possível o acompanhamento simultâneo do público. Os alunos tiveram acesso à sala de audiência, na qual expectadores eram separados das partes e dos juízes por uma parede de vidro. Dessa forma, conseguimos contato direto com os familiares das vítimas, tendo a oportuni- dade de vivenciar suas emoções com o decorrer do julgamento, além de termos completa visualização do que ocorria dentro da Corte. O número de assentos dentro dessa sala era limitado e, por isso, fi zemos revezamento no decorrer da sessão, mas quem fi cava de fora também conseguia acompanhar através de uma televisão, que transmitia o ocorrido com 30 minutos de atraso (o que dá aos editores dos vídeos tempo sufi ciente para eliminar alguma parte que torne possível a identifi cação de alguma testemunha, com a fi nalidade de garantir a sua proteção).

Foi possível sentir a tensão que pairava no local naquele momento histórico. A presença de muitos jornalistas, tanto dentro desta sala reser- vada para o público, como em volta das portas do Tribunal, mostrava a importância do julgamento, mas foi a presença de familiares de vítimas e vítimas dos crimes imputados a Ratko Mladic que nos marcou. Grita- vam em sintonia com as atitudes exacerbadas do réu, indignados com sua postura debochada e descrente da legitimidade da Corte, indignados com sua resistência a um julgamento que buscava trazer a justiça a vítimas de tamanho massacre.

Mladic fez de tudo para desconcertar os juízes e, depois de inúmeras inter- rupções e reclamações, foi expulso da sala de julgamento — fato nunca antes ocorrido na história do Tribunal. Nesse momento, as vítimas levantaram e uma enorme gritaria começou, podia ser ouvida de fora da sala de audiência — eram as vítimas indignadas pela postura debochada do acusado. Desafi ador, Mladic saiu da sala apontando para o público e gesticulando agressivamente (momento em que foram cortadas, inclusive, as traduções e transmissões); porém, tinha estampado em seu rosto leve e irônico sorriso, como quem conseguiu o que queria: causar o caos e difi cultar seu julgamento.

Todos os alunos saíram do Tribunal com o sentimento de terem partici- pado de momentos únicos e de uma experiência que jamais nenhum outro grupo participará. Com um início de viagem emocionante, seguimos para o próximo encontro, no qual conhecemos o investigador da Trial Section, do Offi ce of the Prosecutor, o português Romeu Ventura e o Trial Attorney sul- africano Peter Kruger.

2. Procedimento dos julgamentos do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia