1. BÖLÜM | TANIMLAR VE KONUMLANDIRMALAR:
2.1. Rengin Algılanması
2.1.2. Rengin Psikolojik Algılama Açısından Terminolojisi
O acampamento Augusto Boal, localizado no município de José Bonifácio, surgiu em 2009. A princípio, o acampamento foi construído no Km 423 da rodovia Assis Chateaubriand, próximo à fazenda São José (ver foto 22).
159 Foto 22 - Imagem de satélite do acampamento Augusto Boal às margens da Rodovia Assis
Chateaubriand, em frente à Fazenda São José, município de José Bonifácio.
Fonte: Google Earth, 2013.
Organização: ORIGUÉLA, Camila Ferracini.
Em 2008, a fazenda São José foi declarada improdutiva pelo INCRA. Nos últimos 9 anos, nenhum tipo de produção agropecuária foi desenvolvida nas mediações da propriedade. Todavia, quando o acampamento Augusto Boal se instalou nas proximidades da fazenda, o proprietário arrendou parte da área para a usina de cana-de-açúcar Virgolino de Oliveira, localizada no mesmo município, com o objetivo de impedir a desapropriação por improdutividade:
A vistoria dessa área foi feita em 2008, [...] fazia 9 anos que não tinha plantado nada e não tinha nada na terra, a não ser branquearia, [...] não tinha nada, era uma fazenda abandonada. Aí quando eles viram que o sem-terra fechou ali e ficou de frente com a fazenda, eles vieram, fizeram vistoria, mas eles não acreditavam que essa área ia sair. Aí quando eles viram que o sem- terra chegou ali, eles pegaram e arrendaram a fazenda, mas daí pro INCRA já não adiantava mais, o que vale é antes da vistoria. Agora eles podiam ter plantado de tudo aqui, podia ter até roça (Acampado entrevistado em maio de 2013).
Entre os anos de 2008 e 2012, depois de várias tentativas de despejo, algumas famílias simplesmente desistiram do acampamento:
[...] Abandonaram, não quiseram mais ficar acampados, porque é cansativo, é difícil, você tem que ter pulso firme, caso contrário você não fica. [...] Então as pessoas desistem. [...] Das 19 que vieram pra cá só ficou eu e o outro coordenador, os outros foram todos embora. A gente precisava de
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gente aqui, aí nós buscamos três pessoas do Argentina Maria (Acampado entrevistado em maio de 2013).
Um dos principais motivos para a desistência da maioria das famílias foi a falta de água no acampamento:
Eu vim pra cá, sem auxílio, ali beirada da pista, nem água para beber o prefeito deu, foi negado, está protocolado na prefeitura, não é mentira [...]. Protocolamos tudo no dia 27 de novembro de 2009, nós fomos lá de manhã e protocolamos e eles negaram a água pra nós. Tivemos várias ordens de despejo, a gente só viveu mesmo de doação aqui na beirada (Acampado entrevistada em maio de 2013).
Quando restavam apenas duas famílias no acampamento Augusto Boal, um grupo liderado por José Rainha Junior, fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Base (MST da Base), montou um acampamento próximo à fazenda São José. Com receio de perder a disputa pela propriedade, as duas famílias entraram em contato com os coordenadores regionais do MST que enviou mais 10 famílias para o acampamento. Com a expansão do acampamento Augusto Boal, o acampamento do MST da Base migrou para outro município. No dia 04 de dezembro de 2012 a propriedade foi desapropriada e as famílias ocuparam as mediações da fazenda. A partir da foto 23, é possível observar a produção de cana-de-açúcar de um lado e os barracos de outro.
Foto 23 - Imagem de satélite da localização atual do acampamento Augusto Boal, dentro da Fazenda São José, município de José Bonifácio
Fonte: Google Earth, 2013.
161 Mesmo com o acampamento dentro da fazenda São José, o cultivo da cana-de-açúcar continuou até o vencimento do contrato firmando entre o ex-proprietário e a usina Virgolino de Oliveira (ver foto 24).
Foto 24 - Barracos de um lado e cana-de-açúcar do outro na Fazenda São José, município de José Bonifácio
Fonte: Trabalho de campo, 2013.
Organização: ORIGUÉLA, Camila Ferracini.
Com a ocupação da fazenda São José, famílias de outros acampamentos da regional foram trazidas para o acampamento Augusto Boal com o objetivo de fortalecer o acampamento. Os membros do acampamento são originários dos municípios de Barbosa, Penápolis e Promissão, alguns são filhos de assentados na fazenda Reunidas em Promissão, outros são assalariados rurais que trabalham na colheita de tomate e milho ou na capinação ou, ainda, como tratoristas em usinas de cana-de-açúcar da região.
A lógica espacial do acampamento na beira da estrada é completamente distinta do acampamento nas mediações da fazenda. De acordo com o croqui do acampamento (ver figura 10), os barracos que antes acompanhavam a cerca da fazenda, agora estão dispostos aleatoriamente. Inclusive, alguns barracos foram montados dentro de um barracão da fazenda, enquanto algumas famílias abandonaram o barraco e se instalaram em pequenas casas existentes na propriedade:
162 Figura 10 - Croqui da organização espacial do acampamento Augusto Boal
Fonte: Trabalho de campo, 2013.
Organização: ORIGUÉLA, Camila Ferracini.
Enquanto no acampamento na beira da estrada as famílias mal possuíam o que comer ou beber e sobreviviam por meio de doações. No acampamento dentro da propriedade as famílias cultivam hortaliças e criações de galinhas para o consumo (ver foto 25).
Foto 25 - Hortaliças e criação de galinhas no acampamento Augusto Boal, município de José Bonifácio
Fonte: Trabalho de campo, 2013.
163 Além disso, o grupo composto por 18 famílias, sendo que dois são coordenadores locais - homem e mulher -, começou a se reunir várias vezes por semana para discutir a organização do assentamento rural - distribuição dos lotes e produção agrícola -. Pelo menos um membro de cada família passou a dormir todas as noites no acampamento ou a frequentá- lo nos fins de semana. Os coordenadores da regional de Promissão passaram a conviver um pouco mais com as famílias acampadas com o objetivo de contribuir com as discussões:
Depois do dia 04 de dezembro, [...] que a gente veio pra cá, o próprio INCRA [...], exigiu [...] manter sempre uma pessoa de cada cadastro aqui. [...] Por exemplo, [...] se eu tenho 4 [membros] na família, eu mantenho um aqui, os outros podem ficar fora, pelo menos o do cadastro tem que ficar. Então hoje não acontece isso, se a pessoa trabalha de dia fica a noite, se trabalha de noite fica de dia, então hoje não acontece isso aí [...]. A gente tem que cobrar isso aí, se não o acampamento fica vazio (Acampado entrevistado em maio de 2013).
A partir do exemplo do acampamento Augusto Boal, podemos concluir que a luta pela terra ainda é fundamental para o processo de (re)criação do campesinato no estado de São Paulo. Mesmo com todas as contradições, dificuldades e desistências, as famílias acampadas conquistaram a fazenda São José.