BÖLÜM 1: PORTFÖY YÖNETĐM YAKLAŞIMLARI VE PORTFÖY SEÇĐM
1.12. Portföy Performansının Ölçülmesi
Como se sabe essa pesquisa de mestrado tenta entender as relações raciais entre brancos e negros que trabalharam juntos na ferrovia em São Carlos. Logo, faz-se necessário, algumas considerações a respeito da existência ou não de desigualdades raciais entre esses grupos, com base em alguns autores.
O primeiro autor abordado é Florestan Fernandes (1978), ao tentar explicar as razões da desigualdade racial no Brasil, esse autor afirma que os imigrantes e os negros eram produtos de duas sociedades com níveis diferentes de desenvolvimento econômico e social. Para esse autor, enquanto os europeus vinham de sociedades que já haviam experimentado as dificuldades do crescimento e desenvolvimento capitalista, ensinando seus trabalhadores como se portarem frente à competição econômica. Os brasileiros, ao contrário, haviam crescido em uma sociedade com relações de trabalho baseadas na escravidão, coerção e no domínio senhorial da força de trabalho com caráter pré-capitalista.
A experiência da escravidão, segundo Florestan (1978), deixou apenas desvantagens para os afro-brasileiros, pois, além de deixar uma forte herança racista, que fazia com que os brancos não aceitassem os negros como iguais, garantindo-lhes oportunidades de plena integração na sociedade, a escravidão também causou a “mutilação” dos escravos no aspecto intelectual, moral, social e econômico. Os escravos aprenderam habilidades não compatíveis com o mercado durante a escravidão. A família negra foi corroída, destruída e nada se fez para introduzir no escravo o sentido de comunidade e de auto-estima.
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Ao contrário, buscou-se apenas destruir qualquer solidariedade e apoio que pudesse haver entre os escravos, alegando-se motivos de segurança.
Por isso, quando os imigrantes chegaram e começaram a competir com os negros no mercado de trabalho, não houve competição, os negros foram substituídos. Os imigrantes eram trabalhadores que possuíam a ética de trabalho adequada, e além do mais encontraram apoio nas estruturas de sociedade familiar. Assim, na visão de Florestan (1978) os negros foram marginalizados, o preconceito racial gerado pela elite brasileira servia para manter e legitimar a distância do mundo dos privilégios e direitos de privações e deveres, funcionando como uma lógica justificadora da desigualdade. Os negros não estavam preparados para agir após a abolição como trabalhadores livres. O regime escravista havia preparado os negros apenas para uma rede de ocupações e serviços que eram essenciais, mas que não interessava ao trabalhador branco, segundo este autor.
George Reid Andrews (1998) faz um debate com Florestan (1978) ao questionar se a dicotomia entre europeus modernos, progressistas, altamente especializados e muito esforçados, e afro-brasileiros alienados, irresponsáveis e sociopatas encontra realmente apoio. Para esse autor nem tanto; o que se vê na realidade, na sua opinião, é uma situação mais ambígua, na qual imigrantes e negros eram semelhantes.
Certamente, os imigrantes possuíam vantagens sobre os negros na área da alfabetização. Afinal havia pouco interesse em investir na educação dos negros. Porém, a questão é, se as habilidades no trabalho dependiam do grau de instrução. Andrews (1998) coloca que as próprias fontes de Florestan (1978)
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admitem que o trabalho dos negros não era pior do que o dos brancos. Andrews também demonstra em dados do Departamento do Trabalho do Estado de 19124, que brasileiros, africanos e europeus pareciam todos igualmente capazes de dominar as operações básicas do trabalho.
A preferência pelo trabalhador imigrante, para esse autor, foi fundamentada em parte pela discriminação contra trabalhadores nacionais, principalmente o negro. Mas também, não pode se dizer apenas, que essa preferência é conseqüência do meio social anômico. Certamente existem evidências indicando que, no período pós-abolição, os negros sofriam do crime, da pobreza e da desorganização social, porém essa anomia não era apenas limitada aos negros.
Portanto, na falta de evidências de que os imigrantes possuíam claras vantagens sob os negros, em termos de habilidades ou no uso das normas sociais convencionais, a tese de Florestan (1978) para Andrews (1998), na sua forma original, é impossível de se sustentar. No entanto, existem alguns fatores que podem ser úteis para explicar a marginalização da população negra, dentre esses a importância do racismo branco, que se retratou em todos os níveis da sociedade brasileira.
As atitudes raciais eram visíveis principalmente no âmbito da elite, contudo demonstrar a preferência por trabalhadores brancos, em vez de negros, não é muito fácil, uma vez que os patrões não registravam uma explicação do motivo da preferência por certo trabalhador. Por mais que o racismo desempenhou
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ANDREWS, George Reid. Brancos e Negros em São Paulo (1888-1988), Tradução de Magda Lopes, Bauru, São Paulo: EDUSC, 1998.p.123.
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um papel importante nessas decisões, ele sozinho é insuficiente para aparente rejeição pelos negros. Segundo Andrews (1998) após a abolição algumas mudanças transformaram as condições no mercado de trabalho. Dentre essas mudanças destacaram-se as exigências do negro agora livre, por condições salariais, horas de trabalho e de proteção aos seus filhos; a segunda mudança foi o programa de imigração subsidiada, que de certa forma pôs fim ao poder de barganha que os negros tinham adquirido frente aos seus patrões, pois, inundou o mercado de trabalho com trabalhadores, os quais em sua maioria, por serem pobres e terem vindo para o Brasil sem capital, eram vulneráveis as exigências dos patrões.
A terceira mudança foi que, além de trazer para o Brasil os imigrantes mais pobres, trouxe-os em unidades familiares, buscando sempre reduzir a proporção de homens sozinhos. Os homens casados tinham que se preocupar com a sobrevivência de suas esposas e filhos. Dessa forma o subsídio da migração de famílias pobres enfraqueceu mais ainda o poder de barganha, lotando o mercado de trabalho também com o trabalho das mulheres e das crianças. Ao se recusarem à coerção que vivenciaram no local de trabalho, e afastando suas mulheres e filhos do mercado de trabalho, os negros propuseram uma nova ordem para o trabalho, que os patrões não queriam e não precisavam aceitar devido à imigração subsidiada (Andrews, 1998).
Para Andrews (1998) as interações entre os patrões, os empregados e o Estado republicano explicam a substituição dos trabalhadores negros na economia e sociedade após a abolição. É obvio que a herança da escravidão ajudou a construir esse processo, gerando patrões não dispostos a negociar com
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seus ex-escravos, que exigiam condições de trabalhadores livres. Conseqüentemente os imigrantes brancos saíram ganhando no processo de desenvolvimento econômico em relação aos negros. Os motivos da substituição dos trabalhadores negros não são encontrados nas habilidades dos trabalhadores imigrantes, mas sim, na política do Estado que pôs fim a negociação dos negros, inundando o mercado de trabalhadores europeus.
Em um primeiro momento essa política enfraqueceu o movimento dos libertos, ex-escravos, mas, nas décadas de 1910 e 1920 os imigrantes passaram a fazer exigências individuais e coletivas sobre suas condições de trabalho. Em virtude disso houve uma mudança na política do Estado de São Paulo, que pôs fim à imigração subvencionada e retomou o uso da mão de obra dos negros, porém, de uma maneira subordinada no mercado de trabalho braçal (Andrews, 1998).
Andrews (1998) afirma que esse intervalo de trinta anos prejudicou excessivamente os negros, desde a abolição até a retomada desses no mercado de trabalho. Esses trabalhadores foram privados da experiência e da renda do trabalho conseqüentemente quando retornaram ao trabalho tiveram que se conformar com cargos subalternos; isso também ajudou a reforçar suposições raciais relacionadas aos negros.
Para o autor Hasenbalg (1979) a discriminação e preconceito também têm uma outra função, que difere da análise de Florestan (1978). Houve no Brasil, segundo Hasenbalg (1979), uma tendência a desqualificar os não brancos da competição pelas posições mais almejadas que resultaram do desenvolvimento capitalista e da diferenciação da estrutura de classes.
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Hasenbalg (1979) não concorda com a afirmação de Florestan (1978) de que as conseqüências das relações raciais pós-abolição sejam resultados do legado escravista. Ele entende que a discriminação e o racismo no pós-abolição são as principais causas da subordinação social dos não brancos e seu recrutamento a posições sociais inferiores. O preconceito e a discriminação surgiram assim, em função dos interesses materiais e simbólicos do grupo dominante branco durante o período posterior ao fim do escravismo. Para Florestan (1978) não, a discriminação e o preconceito, como já foi colocado, foram causados pela reminiscência do passado escravista, e segundo ele tenderia a diminuir com o desenvolvimento industrial/ tecnológico do Brasil.
Continuando seu debate com Florestan (1978), esse autor afirma que as desigualdades raciais no Brasil apresentam um componente racial inequívoco, que não pode ser reduzido a diferenças de educação, renda, classe e, o que é decisivo, não poderia ser reduzido, diluído, num gradiente de cor. Quando se esgotam as variáveis de status e classe social (renda, escolaridade, local de residência) persiste inexplicavelmente um resíduo substantivo que para Hasenbalg (1979) só pode ser atribuído à desigualdades raciais existente entre brancos e negros.
Para Florestan (1978) os negros teriam uma integração tardia na sociedade de classes.Hasenbalg (1979) não concorda com essa idéia, para ele, a integração do negro foi subordinada e criou uma situação de desvantagens permanentes que o preconceito e a discriminação tendem a reforçar.
Hasenbalg (1979) afirma ainda que o mito da democracia racial e o ideal de branqueamento são produtos da elite branca e têm a conseqüência de
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evitar conflitos ou desmobilizar os negros e legitimar desigualdades vigentes na sociedade, pois quem discrimina não se identifica como discriminador. Quando o trabalho escravo foi substituído pelo trabalho branco teve-se a campanha do branqueamento no Brasil, que segundo esse autor, juntamente com o pensamento abolicionista tinha bases racistas.
Esse autor afirma que as manifestações de práticas discriminatórias no Brasil não são abertas e poucas são visíveis, o que dificulta uma mudança. E também a reação dos negros geralmente é de negação, não reconhecer a existência de discriminação; não enfrentar, reconhecer a existência de discriminação para si e para o outro, mas, não agir contra ela; ou de enfretamento, reconhecer a discriminação e agir no sentido enfrentá-la ou superá-la.
Giralda Seyferth (2002), a respeito dessas questões de desigualdades afirma que diferenças culturais e/ou fenotípicas foram assinaladas com a “sinonímia” da desigualdade. A partir daí as noções de raça, etnia e nação têm sido usadas de maneiras diversas para classificar e ordenar hierarquicamente, indivíduos e grupos sociais. As minorias, quaisquer que sejam seus elementos de identificação (raça, cultura, etc) segundo essa idéia, perturbariam a ordem natural, por isso seriam socialmente desqualificadas.
Segundo essa autora, a respeito do Brasil, a nação ideal pensada deveria seguir o modelo ocidental: uma civilização latina, de língua portuguesa e população de aparência branca. De fato esperava-se a assimilação cultural e física dos europeus e o desaparecimento dos negros e mestiços mais escuros. A nação imaginada pelo nacionalismo brasileiro, portanto, não tinha espaço para negros nem mesmo para os mestiços. Mas, isso não ocorreu, e a tentativa de assimilação
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forçada, levada ao cabo por um Estado autoritário, demonstrou a dificuldade do nacionalismo conviver com a pluralidade brasileira.
Os negros, especialmente nas últimas décadas, ao construir uma identidade fundamentada na luta contra o preconceito e a discriminação, denunciaram a falácia da imaginada formação nacional. Abolição e miscigenação, por si mesmas, não acabaram com as desigualdades sociais decorrentes do racismo.
O racismo continua sendo, até hoje, forjar uma explicação natural para diferenças sociais e étnicas, supondo uma hierarquia herdada das classificações raciais deterministas gestadas nos últimos séculos. (Seyferth, 2002, p.39)
Assim, para essa autora, o mito da democracia racial no Brasil continua afirmando uma igualdade e um entendimento que não tem respaldo na vida cotidiana do país. No Brasil como em outros lugares em que diferenças étnicas e raciais têm relevância como fenômenos sociais, persistem os etnocentrismos e os racismos, pois, em geral, as diferenças aceitas são aquelas que podem ser assumidas como parte da cultura ou do tipo nacional. Na opinião de Seyferth (2002) a desigualdade concedida como beneplácito é a própria essência do racismo.
Na visão de Guimarães (2002b) o racismo em nosso país se perpetua por meio de restrições fatuais da cidadania, por meio de imposições de distâncias sociais criadas por diferenças enormes de renda e educação, por meio de desigualdades sociais que separam brancos de negros, ricos de pobres. Em termos materiais, na ausência de discriminação racial institucionalizada no Brasil, o racismo se reproduz pelo jogo contraditório entre uma cidadania definida, por um lado, e, por outro, uma cidadania cujos direitos são, em geral, ignorados, não cumpridos e estruturalmente limitados pela pobreza e pela violência cotidiana.
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A raça não tem, no âmbito do campo dos estudos raciais Brasil, um estatuto biológico, ou seja, como afirma Guimarães (2002b) as raças não são um fato do mundo físico. Elas existem, contudo, de modo pleno, no mundo social, são produtos de formas de classificação sociais com implicações substantivas para as oportunidades individuais no interior dos diferentes grupos sociais. Por decorrência, para esse autor, o racismo é entendido como uma forma bastante específica de naturalizar a vida social, isto é, de explicar diferenças pessoais, sociais e culturais a partir de diferenças tomadas como naturais.
Assim é o racismo no Brasil; sem cara. Travestido em roupas ilustradas, universalistas, tratando-se a si mesmo como anti-racismo, e negando, como anti-nacional, a presença integral do afro-brasileiro ou do índio- brasileiro. Para este racismo, o racismo é aquele que, separa, não o que nega a humanidade de outrem; desse modo racismo, para ele, é o racismo do vizinho. (Guimarães, 2002b, p. 57)
As práticas racistas são, quase sempre, encobertas para aqueles que as perpetuam por uma conjunção entre senso de diferenciação hierárquica e a informalidade das relações sociais. Isso torna permissíveis diferentes tipos de comportamentos verbais ofensivos e condutas que ameaçam os direitos individuais. Trata-se de um racismo as vezes sem intenção, como afirma Guimarães (2002b), as vezes de brincadeira, mas sempre com conseqüências sobre os direitos e as oportunidades de vida dos atingidos.
O caráter dessa discriminação no Brasil quase sempre não é explicito, por isso não pode ser na maioria das vezes detectado. O fator racial geralmente apresenta-se diluído em uma série de características pessoais, todas de ordem atribuída. O senso comum geralmente confunde discriminação racial com discriminação de classe.
Ora, parece-me que a confusão brasileira tradicional entre discriminação de classe e discriminação racial se deve, tanto a uma postura ideológica, quanto a confusão e o constante deslizamento entre os significados do termo classe. (Guimarães, 2002a, p. 44)
As pessoas que acreditam na democracia racial no Brasil, na opinião de Guimarães (2002a), não são alienadas e também isto não significa que não percebam a discriminação, mas sim que, a discriminação quando existe, na opinião dessas pessoas, não é atribuída a raça e caso fosse, seria vista como episódio marginal.
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A diferença entre Guimarães (2002a) e Florestan (1978) é que enquanto Florestan entende democracia racial no Brasil como uma ideologia de dominação, um modo cínico e cruel de manter as desigualdades sociais e econômicas entre brancos e negros, acobertando e silenciando a permanência do preconceito de cor e das discriminações raciais. Guimarães (2002a) vê democracia racial também como um compromisso político e social do moderno Estado republicano brasileiro, que vigorou, alternando força e convencimento, do Estado Novo de Vargas até a ditadura militar.
Para esse autor o discurso universalista que prescreveu uma igualdade formal e abstrata entre todos os brasileiros, colocado acima e além de qualquer contato ou engajamento dos interesses reais, constituiu, desde a abolição, a marca característica do racismo brasileiro. A idéia do direito igualitário, contrário a distinções e aplainador das diferenças, permitiu a constituição da nação brasileira como tal; ou seja, as regras de pertinência nacional suprimiram e subsumiram sentimentos étnicos, raciais e comunitários.
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