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Osmanlı Ġmparatorluğu’nda Duraklama ve Gerileme

Harita 1. Vaat Edilen Topraklar ve Aden Bahçesi

2.4. OSMANLI ĠMPARATORLUĞU VE ORTADOĞU

2.4.2. Osmanlı Ġmparatorluğu’nda Duraklama ve Gerileme

Diante de tantas invenções, de tantas novidades, o que será do livro impresso? Especialistas apontam que não será o fim dele, embora não seja esta a preocupação deste estudo, já que sabemos que há bastante especulação sobre o assunto, mas o que mudaria em relação a ele, já que esta indagação não está relacionada apenas ao suporte, mas aos aspectos culturais e sociais a ele ligados:

[...] dos gregos, passando pela Idade Média e pelo Renascimento até o Iluminismo europeu, procuraram o aperfeiçoamento moral e político, para aumentar o bem-estar, aprimorar os cinco sentidos pela educação estética, desenvolver a imaginação criadora e a fantasia através do estudo da literatura, das religiões, das artes e da filosofia. (MATOS, 2006, p. 16).

Como podemos perceber, a literatura (já que nosso principal objeto de estudo são os textos literários) sempre fez parte de um conjunto de elementos que sempre serviram para desenvolver o que pode existir de mais sensível na humanidade. Para Matos, de todos os elementos que fazem parte deste conjunto, é ela, a literatura, a mais importante, já que exercita, além de tudo práticas como a paciência e a consciência:

A leitura é a prática mais nobre da educação humanista, provedora de paciência e de consciência não apenas por trabalhar nossos medos e nossas esperanças, mas também por sua dimensão ética pois, “que saberíamos nós do amor e do ódio, dos sentimentos éticos, e em geral de tudo o que chamamos de si mesmo se tudo isso não tivesse passado à linguagem, articulado pela literatura” pergunta Paul Ricoeur. (MATOS, 2006, p. 16).

A autora assinala que a educação humanista “encontrava no livro sua vitalidade”. Questionamos aqui, se diante de tantas transformações pelas quais passa não só o meio, mas a produção literária e o próprio leitor ao migrar do impresso para o digital, conforme exposto anteriormente, esta vitalidade não estaria afetada. Mesmo porque a paciência e a consciência das quais fala a autora deixam de ser essência neste tipo de leitura, já que, de acordo com o que foi estudado, este leitor está afoito pela velocidade, pelo simples toque, e que muitas vezes não lê os textos em sua totalidade.

Para esta reflexão, primeiramente, é bom que definamos o que é livro, embora pareça ser algo tão óbvio. Quando falamos em livro, logo pensamos no modelo do códice, em papel, tal qual o conhecemos hoje, mas Machado nos lembra que a definição de livro não é exatamente esta. O autor assinala que há uma diferença entre códice e livro. O códice seria uma reunião de folhas retalhadas e soltas de pergaminho manuscrito, costuradas ou coladas em cadernos que geralmente tinham uma capa de material duro. Já a palavra livro seria uma definição “mais genérica e designava qualquer dispositivo de fixação do pensamento, seja ele a inscrição em pedra ou madeira, a tabuleta de cera, o rolo de pergaminho etc.” (Evaristo Arns apud (MACHADO, 1994, http://www.scielo.br) A palavra livro, depois da disseminação do cristianismo, foi sendo incorporada para definir apenas o códice. Se levarmos em conta a definição de livro como fixação do pensamento, poderíamos chamar qualquer mídia de livro.

E ainda, num ensaio para uma revista digital, Azevedo comenta da necessidade de atentarmos para o que o livro carrega em si, não pelo o que ele é em sua materialização, mas para o que representa para uma sociedade:

... o que entendemos hoje por livro, texto e literatura, e suas conseqüências narrativas, não poderá ser analisado pelos novos suportes digitais – hipermídia – se não voltarmos a nossa atenção para a necessidade maior que o ser humano tem em produzir escrituras com ou sem “o sangue de seu próprio corpo”, na intenção de lançar o exercício do efêmero em forma de eterno. (AZEVEDO, http://www.textodigital.ufsc.br)

Assim como foi dito anteriormente, o livro, que parece ser hierarquicamente o ponto mais alto de representação do que significa a escrita numa sociedade, é extensão e exteriorização do pensamento e da memória de uma sociedade. O autor complementa que, além disso (de registro da memória), com as novas tecnologias, a escrita passa a ser também “um sistema de articulação de signos que vivem em trânsito migratório interdisciplinar no que diz respeito à linguagem como um sistema em expansão” (ibidem). Mas utilizaremos a palavra livro como comumente a usamos: para designar o códice, o livro impresso.

Quando surge uma nova mídia, há sempre a idéia de que veio substituir a antiga. Na maioria das vezes isso não acontece, elas coexistem, como é o caso da fotografia e do cinema, do cinema e da televisão, do cinema e do VCR, mas em alguns casos como aconteceu entre o rolo e o códice, devido a grandes vantagens que este novo formato trouxe, principalmente com o desenvolvimento em formatos menores, o rolo desapareceu, assim como desapareceu o manuscrito.

Apesar de ser ainda muito recente a história do computador, ou poderíamos dizer das mídias digitais, podemos levantar algumas hipóteses a respeito do que irá acontecer com os livros impressos.

Primeiramente, se analisarmos o contexto social no qual estamos inseridos, como já foi explorado no presente estudo, e como nos lembra Machado, é uma “sociedade em que as informações circulam segundo a temporalidade própria das ondas eletromagnéticas e das redes de fibras ópticas” (MACHADO, 1994, http://www.scielo.br) e, sendo assim, as mídias digitais, acompanham o ritmo social, a expectativa e o pensamento deste indivíduo pós-moderno. Machado assinala que a forma com a qual um livro é produzido é demasiado lenta para este tipo de sociedade, cujas transformações acontecem

vertiginosamente, além de oferecer poucos atrativos frente ao que as novas mídias oferecem:

O modo de produção do livro é lento demais para um mundo que sofre mutações vertiginosas a cada minuto. Os atrativos do livro empalideceram diante do turbilhão de possibilidades aberto pelos meios audiovisuais, enquanto sua estrutura e funcionalidade padecem de uma rigidez cadavérica quando comparadas com os recursos informatizados, interativos e multimidiáticos das escrituras eletrônicas. (MACHADO, 1994, http://www.scielo.br)

Um outro aspecto a ser abordado em relação a um livro impresso ou a um livro digital é a questão econômica. Arlindo Machado chama a atenção para os livros publicados em CD-ROM e cita como exemplo a obra Great Literature Personal Library de 1992, contendo quase 2000 obras bem variadas, vendida por cerca de US$ 50,00, valor que não cobriria, atualmente, três livros impressos.

Além disso, não há como não imaginar o espaço que essas quase 2000 obras ocupariam numa casa ou num escritório, comparados à otimização de espaço proporcionada por um CD. Machado também chama atenção para este aspecto em relação às bibliotecas que crescem a uma velocidade alucinante:

O universo do livro agigantou-se de tal forma que hoje padece de uma doença crônica, a elefantíase. No século XIV, às vésperas da revolução da imprensa, a biblioteca da Sorbonne, tida como a maior da Europa, contava com 1228 livros. Hoje, as maiores bibliotecas do mundo abrigam cada uma por volta de dez milhões de volumes. Só a Biblioteca de do Congresso de Washington cataloga a bagatela de 10 títulos novos por minuto! Estima-se que, atualmente, em qualquer parte do mundo, uma biblioteca razoavelmente atualizada duplica de tamanho a cada 14 anos (WURMAN, 1991: 219-235 apud MACHADO, 1994, http://www.scielo.br).

Por isso, muitas revistas já não são mais editadas em papel, mas ficam disponibilizadas on line, assim como clássicos da literatura, artigos, ensaios entre outros, que além de estarem na internet, são encontrados em CD, com a vantagem de que lhes podem ser acrescentados recursos audiovisuais, diferentemente do livro impresso.

Martin, 1992:33 apud Machado (http://www.scielo.br). lembra que estamos tão acostumados com o universo do livro escrito que não conseguimos imaginar “o mecanismo de culturas orais” como forma de propagação do saber. Havia pessoas que eram capazes de memorizar o conteúdo de um livro todo e lembra que ainda hoje isso

acontece, já que a produção de Lacan foi extraída de suas aulas e não de publicações que ele tenha deixado. Sendo assim, o conhecimento não é privilégio de livros e questiona se “os filmes, vídeos, discos, e muitos programas de rádio e televisão” não seriam os livros de nosso tempo. (MACHADO, 1994, http://www.scielo.br)

Por um outro lado, apesar de parecer tendência que pelo menos haja uma diminuição na produção do livro impresso, o que, apesar da produção digital ainda não acontece, devemos atentar para alguns aspectos, principalmente relativos à reflexão que são características da leitura de linguagem verbal e que é, sem dúvida, em textos verbais, que pode ser desenvolvida, conforme o que já foi comentado, de acordo com Matos.