1.1. Problem Durumu
1.1.3. Müfredatlar
1.1.3.2. Ortaokul Tarih Müfredatı
O julgamento pode ser entendido como a maneira que o indivíduo elabora inferências sobre situações ou eventos e tomada de decisão o processo de selecionar ou escolher entre várias opções (HASTIE, 2001).
A pesquisa na área do julgamento está orientada a partir de várias abordagens, quais sejam:
a) heurística e vieses (KAHNEMAN; TVERSKY, 1973; TVERSKY; KAHNEMAN, 1983);
b) hipótese de amostragem natural (GIGERENZER; HOFFRAGE, 1995, 1999);
c) modelos causais (KRYNSKI; TENENBAUM, 2007);
d) modelo de processamento dual (KAHNEMAN, 2003; KAHNEMAN, FREDERICK, 2002; 2005; 2007).
Na abordagem da heurística e vieses o julgamento se explica a partir da utilização de regras para fazer inferências sobre eventos ou situações. Essas regras são elaboradas a partir da representatividade heurística, isto é, da identificação de
elementos comuns que aparecem frequentemente em situações ou eventos, possibilitando a elaboração dos julgamentos. A heurística é utilizada embora possa induzir ao erro, pois é mais rápida e não demanda a participação da cognição (KAHNEMAN; TVERSKY, 1973; TVERSKY; KAHNEMAN, 1983).
A hipótese de amostragem natural está relacionada com a frequência em que diferentes tipos de eventos se apresentam e a capacidade de identificação da informação relevante para elaborar julgamentos. Observa-se que o indivíduo consegue emitir conceitos e resolver problemas de maneira eficiente e rápida quando as informações são apresentadas em forma de frequência, do que quando a mesma informação é apresentada em forma de porcentagens e probabilidades (GIGERENZER; HOFFRAGE, 1995, 1999).
Krynski e Tenenbaum (2007) explicam que durante o processo de julgamento o indivíduo geralmente ignora informações básicas que levam a inferências imprecisas, no entanto, é pertinente se perguntar por que ao mesmo tempo, o ser humano também é capaz de produzir julgamentos inteligentes e precisos? Uma das possíveis explicações estaria relacionada com o conhecimento causal.
Krynski e Tenenbaum (2007) afirmam que os problemas reais que defronta o ser humano apresentam informações sobre as causas que originam determinadas situações, portanto é mais fácil identificar esses elementos para produzir julgamentos mais adequados e precisos. Ressalta-se que esta descoberta só foi possível, quando foram analisadas situações da vida real e fora das condições laboratoriais em que a abordagem heurística e de vieses, bem como a hipótese da frequência natural foram desenvolvidas (KRYNSKI; TENENBAUM, 2007).
Kahneman (2003) e Kahneman e Frederick (2002; 2005; 2007) desenvolveram o modelo de processamento dual no intuito de explicar tanto os processos de julgamento originados pelos processos cognitivos (processamento de informações básicas dos eventos observados) quanto os processos heurísticos (identificação de regras).
Kahneman (2003) e Kahneman e Frederick (2002; 2005; 2007) diferenciam dois tipos de sistemas. O sistema intuitivo está relacionado com a produção automática e implícita de julgamentos enquanto o sistema analítico está relacionado com processos deliberativos mais lentos e controlado por regras.
Finalmente, observa-se que o sistema analítico, cujos processos são típicos da deliberação, é capaz de interferir e até mesmo aprimorar o julgamento heurístico, associado à intuição, evidenciando uma interação entre ambos os tipos de julgamento (KAHNEMAN, 2003; KAHNEMAN; FREDERICK, 2002; 2005;2007).
No que se refere a tomada de decisão vários fatores estão envolvidos no momento de fazer uma escolha, sejam eles de cunho cognitivo, emocional ou social (EYSENCK; KEANE, 2010).
A tomada de decisão pode ser entendida a partir da Teoria da Expectativa (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979; 1984), da abordagem funcionalista social (TETLOCK, 2002) e das decisões complexas ou racionalidade limitada (SIMON1,
1978 apud EYSENCK; KEANE, 2010).
Na Teoria da Expectativa o ser humano é mais sensível a perdas do que a ganhos, portanto existe uma tendência a assumir riscos para obtenção de ganhos e evitar riscos com perdas. Assim sendo, existe aversão a perda e um ganho certo deve ser escolhido sobre ganho arriscado, mas potencialmente maior (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979; 1984).
Tetlock (2002) afirma que a tomada de decisão humana está influenciada por aspectos sociais e culturais, em que a pessoa deve justificar sua escolha para as outras pessoas e para si mesmo.
1 SIMON, H. A. Rationality as a process and product of thought. American Economic Association, v.
A abordagem das decisões complexas afirma que o processo de tomada de decisão apresenta uma racionalidade limitada, isto é, o ser humano produz soluções adequadas para os problemas usando várias estratégias ou heurísticas (SIMON, 1978 apud EYSENCK; KEANE, 2010).
Na área do esporte e especificamente nos jogos desportivos julgamento e tomada de decisão se manifestam ao mesmo tempo e possibilitam a execução das ações conforme o conhecimento do jogador, influenciado também pelos fatores emocionais e sociais.
A tomada de decisão é definida nos jogos desportivos como um processo fulcral à ação tática. Para tal, ocorre um constante movimento pendular tanto no sentido horizontal quanto vertical, em que a memória como estrutura na qual o conhecimento tático declarativo e processual se constituem na função que caracteriza a ação (tática) do jogador, interage com os processos de recepção e elaboração da informação, no intuito de conduzir o processo de tomada de decisão (GRECO, 2006b; 2007).
Para adequar a ação e reduzir o fluxo de informação do ambiente, processos de pensamento (convergente e divergente) e recurso à memória de trabalho e suas manifestações (declarativa e processual), confluem na elaboração e chamada de planos táticos para execução da ação (GRECO, 2006b; 2007).
Com base na literatura pesquisada, observou-se que a pesquisa na área da tomada de decisão nos jogos desportivos, no âmbito da psicologia cognitiva, está direcionada para a explicação dos processos relacionados com a abordagem heurística e deliberativa, isto é, processos decisórios centrados na geração de opções e intuitivos, e processos analíticos baseados no processamento de informações básicas e relevantes (RAAB; LABORDE, 2011).
Raab e Laborde (2011) entendem o processo de tomada de decisão no esporte como um continuum entre escolhas intuitivas e deliberativas. Para entender as
diferenças entre esses dois tipos de decisões é preciso usar a abordagem do processamento automático das informações e o conteúdo emocional e afetivo na tomada de decisão.
A tomada de decisão intuitiva esta relacionada com escolhas rápidas e inconscientes, associadas à percepção da situação e ao curso da ação, em que os estímulos do ambiente, possibilitam que o componente emocional e afetivo se manifeste de maneira consciente ou não nesse estilo de tomada de decisão (RAAB; LABORDE, 2011).
No que se refere a tomada de decisão deliberativa, observa-se que o processamento de informações básicas e relevantes que devem ser percebidas no contexto de uma situação tática, resulta em escolhas deliberativas, isto é, quando o jogador sabe antecipadamente quais são os aspectos chave que deve perceber, sua escolha se baseia na identificação ou não de sinais relevantes (MASTERS, 2000; RAAB, 2003; SMEETON et al., 2005).
Johnson e Raab (2003) demonstraram o potencial das heurísticas rápidas e frugais, associadas a tomada de decisão intuitiva. Os pesquisadores confirmaram o efeito menos é mais, isto é, quanto mais cedo uma opção é gerada (posição sequencial), maior a probabilidade de que seja apropriada.
Johnson e Raab (2003) propuseram um modelo de heurística, denominada “take the
first” ou Escolha a Primeira Opção (EPO). O modelo explica que a escolha seria
resultado da experiência do tomador de decisão em um ambiente relevante. Assume-se que as opções são sequencialmente geradas com base na força da associação entre as opções candidatas e a situação corrente.
Raab e Laborde (2011) verificaram se a preferência por uma tomada de decisão intuitiva, em comparação à deliberativa, resultaria em escolhas melhores e mais rápidas. Utilizou-se um teste laboratorial, que consistia de vídeos contendo situações
ofensivas no handebol. Os resultados mostraram que os jogadores com preferência pela intuição na tomada de decisão escolheram melhor e mais rapidamente.
Confirmou-se também que os jogadores experts foram mais intuitivos que os quase- experts e os não-experts, apoiando a utilização da heurística denominada EPO na definição de como ocorre a busca pelas opções e o processo de escolha. Os pesquisadores concluíram que jogadores experts utilizam pouca informação e confiam em uma opção gerada intuitivamente, que é frequentemente melhor que as opções geradas subsequentemente (RAAB; LABORDE, 2011).
As pesquisas ainda não chegaram a um consenso sobre qual estilo de tomada de decisão seria mais adequado, se o deliberativo ou o intuitivo. Parece que ambos interagem e produzem decisões adequadas conforme o contexto da situação (DIJKSTRA; PLIGT; KLEEF, 2012).
A interação entre processos deliberativos e intuitivos reforça a abordagem das decisões complexas ou de racionalidade limitada, configurando a denominada tomada de decisão adaptativa, pois em determinadas circunstâncias os processos intuitivos oferecem subsídios para chegar a decisões mais adequadas em um curto espaço de tempo (BETSCH; GLÖCKNER, 2010).
4.3 Instrumentos desenvolvidos para avaliação do conhecimento tático