I. BÖLÜM
2.1. Devlet Sistemi
2.1.1. Ordu
Quadro 3.1 - Herdeiros do coronel Quelê – segunda e terceira gerações na política partidária 2ª Geração de Políticos Nº de filhos Nº de filhos na Política (3ª geração) Nome Oswaldo Coelho, (DEM), 82 anos de idade. 06 01 Guilherme Coelho (PSDB) Geraldo Coelho (PTB), 86 anos de idade. 07 0 Augusto Coelho (DEM), 73 anos de idade. 03 0 Adalberto Coelho (DEM) 75 anos de idade 02 0 José Coelho - 1923 - 2007 09 02 Ciro Coelho (PTB) e Luís Eduardo (PSDB) Nilo Coelho - 1920 - 1983 06 0 Paulo Coelho 1930 - 2004
09 02 Fernando Bezerra Coelho (PSB) Clementino de Souza Coelho (PSB)
Fernando Filho (4ª geração), PSB
Dos quatorze filhos do coronel Quelê, sete se dedicaram à politica. Atualmente dos quatro que permanecem vivos, somente dois enfrentaram as urnas em busca de um cargo eletivo nas últimas eleições (2010): Oswaldo Coelho, (DEM), 82 anos de idade e Geraldo Coelho (PTB), com 86 anos de idade, respectivamente deputado estadual e deputado federal, que tentaram suas reeleições e, apesar do domínio político local, não obtiveram êxitos. São sinais de que novos tempos virão na política petrolinense. Eles estão atentos e persistem: já iniciaram campanhas para 2014, conforme confirmação do ex-deputado Geraldo Coelho.
É essa a segunda geração política da família Coelho que passa pelo processo de envelhecimento natural, e tem como questão de honra lutar pela manutenção do poder político familiar. Eles têm consciência de que as suas teimosias e conservadorismos podem recair sobre a terceira geração, que tenta caminhar com as próprias pernas, e estes sabem que de alguma forma suas iniciativas podem ser aplacadas pelos pais e tios. Portanto, há um choque de gerações tanto nos interesses dos negócios do empreendedorismo político, como na vida privada. Levando-se em consideração os números de votos absolutos nas últimas eleições sobre as candidaturas a deputados federais e estaduais de 2006 e 2010, principalmente nestas últimas, percebe-se que há uma descaída nas votações obtidas pela família. Novos candidatos do município de Petrolina estão conseguindo furar o bloqueio familiar para uma disputa a deputado, são pessoas que não ostentam o sobrenome Coelho, há casos de imigrantes e de ex - correligionários insatisfeitos com a falta de espaço nos partidos da base de sustentação da oligarquia.
No ano de 2006, nas eleições (ver tabelas capítulo II) para deputados estaduais, a soma dos votos das duas facções Coelho contou com 37.117 votos contra 33.721 dos outros candidatos. Anteriormente, logo após a virada do milênio, em 2002, essa diferença tinha sido 46.254 votos contra 18.228 votos. O pior veio nas últimas eleições, em 2010, sendo a primeira derrota parcial (porque mantém a prefeitura), após 55 anos de poder ininterrupto. Os dois candidatos a deputados estaduais da família Coelho tiveram apenas 16.520 votos no município de Petrolina, contra 52.504 dos outros candidatos locais sem parentesco com o grupo. E para deputado federal Oswaldo Coelho (DEM) teve a maior derrota política de sua carreira, em Petrolina onde contribuiu para a vitória do atual prefeito, Júlio Lóssio (PMDB) e do vice Guilherme Coelho (PSDB), seu filho. Apesar da sua própria
derrota, teve apenas 24.294 votos de um colégio eleitoral de mais de 130.000 votos válidos. Mas deve considerar a soma dos seus votos com os do seu sobrinho e “adversário” Fernando Coelho Filho (PSB), que obteve 29.949 votos, chegando-se a 54.243 votos contra 30.737votos de Gonzaga Patriota (PSB) que não é da família. No final, a família Coelho, apesar das circunstâncias, ainda permanece com a maioria dos votos dos petrolinenses.
A família deposita na terceira geração todas as esperanças para a continuidade do poder, e a qualquer custo lançam os seus jovens às mais variadas responsabilidades, que às vezes não encontram correspondências na prática politica. O exemplo do irmão de Fernando Bezerra Coelho (PSB), que foi deputado federal pelo PPS em 1998, apenas por um mandato, apesar da tentativa de reeleição, não conseguiu aquilo que na família é tido como muita certeza e naturalidade.
Esses são os liberais brasileiros. Vivem da política e fazem dela a sua sobrevivência. Isto é um fato que a família trabalha com muito afinco, mas, às vezes esses jovens que são escolhidos para esta “missão tão nobre, que é a politica”, demonstram não possuírem a mínima vocação para tal. Há casos em que alguns deles vivem só da renda dos negócios familiares, nunca se envolveram na sua administração, ou seja, sem nenhuma experiência profissional, carregam consigo apenas o sobrenome como um passaporte para o olimpo. Isto é um fato porque a separação do grupo familiar começou com esta discussão do gênero: “meus filhos trabalham e os seus só fazem gastar”.
Onde há poder há problemas com causas e efeitos inesperados, principalmente em família. Problemas estes que só vieram a se tornar públicos três anos após a morte do líder familiar Nilo Coelho (1983). Eram os desentendimentos acerca dos destinos das indústrias Coelho S/A, que levaram a extinção de quase todas elas em curto espaço de tempo, na virada do milênio. A única sobrevivente estava fora do município de Petrolina, que é uma indústria de beneficiamento de algodão na cidade de Picos, no Estado do Piauí, que ficou sob a direção de Geraldo Coelho e filhos. Foram falências e concordatas, fechamentos por má gestão e uma série de restrições aos negócios do comércio, a exemplo da Exportadora Coelho fundada em 1957. Como havia uma diversificação muito grande nos negócios familiares, após a partilha permaneceram todos com o status de homens ricos. Mas agora é chegada a vez da terceira geração administrar aquilo que foi e continua a
ser o pilar mor de tudo: a dominação política. Em certas ocasiões “a relevância política dos grupos oligárquicos tende, em certas circunstâncias, a assumir uma relevância política maior que sua importância social e econômica real” (WEFFORT, 1989, p.119). Como exemplo de outras forças dominantes locais pelo nosso país afora, a família Coelho também migrou dos empreendimentos privados para os empreendimentos políticos. A terceira geração, quanto aos seus fins, não encontrou ainda alternativa e segue a mesma trilha dos seus antepassados.
Em geral, o homem faz as duas coisas, pelo menos em pensamento e, certamente, também a ambas na prática. Quem vive “para” a política faz dela a sua vida, num sentido interior. Desfruta a posse pura e simples do poder que exerce, ou alimenta seu equilíbrio interior, seu sentimento íntimo, pela consciência de que sua vida tem
sentido a serviço de uma “causa”. [...] Quem luta para fazer da
política uma fonte de renda permanente, vive “da” política como vocação [...] (Weber, 1982, p. 105)
Nos dois grupos familiares, apesar de se fazer valer da tradição, podemos atribuí-los ao tipo weberiano racional legal, que se presume que haja o domínio em virtude da “legitimidade”, em virtude da fé na validade do estatuto legal e da “competência” funcional, baseada em regras racionalmente criadas.
A cada eleição surge um fato politico importante para a sobrevivência do poder da família. São as acomodações partidárias, candidaturas articuladas e calculadas pragmaticamente em relação aos seus fins: a manutenção do poder familiar.
O grupo político liderado por Oswaldo Coelho, (DEM), atualmente conta apenas com um familiar em cargo eletivo, o seu filho Guilherme Coelho, (PSDB), vice-prefeito de Petrolina, porque o seu sobrinho deputado estadual Ciro Coelho migrou do seu grupo para o PSB a convite do primo Fernando Bezerra Coelho, que recentemente deixou o Ministério da Integração Nacional na esperança de ser o indicado pelo governador Eduardo Campos (PSB), candidato a governador. Como ex-ministro, ele está percorrendo o Estado de Pernambuco mostrando os seus feitos no ministério para conseguir apoio dos prefeitos. Além disto, assumiu recentemente a 4ª presidência nacional do Partido Socialista Brasileiro-PSB para coordenar as ações de programa do partido rumo às eleições presidenciais.