• Sonuç bulunamadı

Olabilirliğini Savunan Görüşler

2. KUDRETİN FİİLLE ETKİSEL İLİŞKİSİ

2.4. İki Kudretin Bir Fiile Etkisinin İmkânı

2.4.2. Olabilirliğini Savunan Görüşler

que se enfrentavam de forma assimétrica na arena decisória da política nacional” (XAVIER & VIANNA, 2009 p.701, grifos do autor).

Uma visão semelhante é proposta por Flexor et. al. (2011a; 2011b e 2011c). Para esse grupo de pesquisa, as estruturas de grande complexidade dentro do PNPB refletiam um elevado número de interesses, recursos e valores distintos, tendo em comum uma significativa assimetria de poder. Os autores dividem em três grupos os principais atores sociais envolvidos: os atores energéticos, os atores do agronegócio e os atores do desenvolvimento agrário.

Os atores energéticos, de grande poder, inclusive com capacidade de veto nas arenas do CNPE e da CEIB, estariam concentrados dentro das instituições de governo, representados pelo MME, ANP e Petrobrás. Os atores do agronegócio estariam entrelaçados nas estruturas de governo, especialmente pela presença em câmaras privilegiadas para discutir e estabelecer os critérios técnicos, pressionar o formato do mercado, ditar preferências, converter valores em parâmetros da política. O terceiro grupo, denominado de atores do desenvolvimento agrário, embora com participação no desenho político-institucional basilar do PNPB ocupariam uma posição periférica e legitimadora da política pública.

Partindo desse enquadramento, as associações, sindicatos empresariais e confederações industriais seriam o segmento da sociedade civil com maior volume de recursos, organização e capacidade de influenciar e interagir com os atores energéticos que ocupam posições-chave na regulação federal da política. Suas redes de negócios, contatos políticos e interpessoais permitem o acesso direto ao governo (FLEXOR, 2011a).

De fato, quando se leva em consideração as agendas políticas e práticas das associações de empresas e produtores de biodiesel é bastante visível a ação dessas entidades no Poder Legislativo e nas pautas de reuniões no Palácio do Planalto e nas demais arenas distribuídas na Esplanada dos Ministérios. Elas “existem para ter uma negociação mais qualificada com o governo, especialmente o federal aumentando sua capacidade de barganha” (GROS APUD RODRIGUES, 2012). Dito de outra forma elas atuam regularmente na prática de lobby para aumentar seu poder de negociação. Atuam como verdadeiras ‘’centrais de inteligência setorial’’, encomendando e financiando estudos e estatísticas para orientar as lógicas discursivas de seus associados e dar cientificidade e legitimidade aos seus argumentos e interesses (RODRIGUES, 2012p. 01).

147

4.4.7 Pertencimento

De forma geral é fraco, ou mesmo inexistente, o sentimento de pertencimento dos atores sociais envolvidos na cadeia produtiva do biodiesel nos PG, sobretudona estrutura de produção rural e frente aos arranjos políticos de governança do setor. Isso ocorre porque o papel dos produtores rurais, como destacado no item sobre participação, se resume ao fornecimento de grãos de soja para as agroindústrias dentro do quadro concorrencial que envolve as cooperativas locais e as muitas empresas cerealistas que operam na região.

Na visão de um diretor de cooperativa, a ausência de condições e estímulos para que parte do setor pudesse ser apropriado e conduzido diretamente pela agricultura familiar e suas associações contribuíram para a baixa sensação de pertencimento que o biodiesel desperta nas comunidades locais. Na opinião do entrevistado, os principais órgãos públicos e bancos oficiais não apostaram na verticalização agroindustrial de cooperativas da agricultura familiar em direção à produção de óleo vegetal e/ou biodiesel. Segundo o entrevistado, sua cooperativa apresentou pioneiramente um projeto para uma planta de biodiesel com a função “de ser uma indústria, uma planta conduzida pelos produtores” (PG11).

Fomos lá ‘no’ BNDES do Rio de Janeiro negociar financiamento [...] não faríamos esmagamento de soja..., íamos fazer uma parceria com duas indústrias que iriam esmagar pra nós, tinha até contrato com essas indústrias pra esmagamento... (PG11). ... íamos pegar o óleo, comercializar o farelo no mercado, e fazer o biodiesel!...a gente tinha tudo... (PG11, grifos do autor).

Para ele, entretanto, as esperanças foram encerradas quando “saiu a notícia da [indústria X] em Passo Fundo, com capacidade de processamento de 300 mil toneladas por dia!” (PG11). Isso demonstra, na avaliação do entrevistado, que o programa do biodiesel foi delineado desde seu início para, no máximo, inserir os produtores como fornecedores de matéria-prima ao setor agroindustrial.

Vale ressaltar que a ausência de comitês, fóruns e audiências locais mina a questão do pertencimento das comunidades inseridas nosPG, sobretudo, dosprodutores rurais. A configuração top-downdasregulações, mecanismos de gestão e formas de exploração do biodiesel não colabora para o amadurecimento de um sentimento de condução conjunta, ou em comum, das diretrizes e benefícios do PNPB. A ausência dessas características, ou o baixo grau de ownership,como destacado por Bursztyn & Bursztyn (2012), tem fragilizado, ou mesmo inviabilizado as ações conjuntas, parcerias e estratégias de governança no seio do PNPB.

148

4.4.8 Empoderamento

Embora o engajamento frente aos aspectos socioeconômicos seja um forte elemento legitimador de governo e do setor agroenergético para o fortalecimento da agricultura familiar e da melhora da qualidade de vida de pequenas cidades, comunidades rurais e periurbanas envolvidas na produção do biodiesel, o que se observa nos PG são configuraçõespolítico-produtivas desfavoráveis ao empoderamento dos atores locais. Isso ocorre, porque não se desenvolveram medidas e ações de desenvolvimento endógeno capazes de promover o fortalecimento político, produtivo e econômico dos atores locais sobre seus territórios (BECKER, 1993). O processo resultou numa coesão social incapaz de consolidar direitos e desenvolver percepções políticas, sociais e ambientais entre os atores inseridos e interligados aos polos.

De maneira geral, prevalece a lógica do desenho operacional da política pública,na qual, o aumento de renda produzido pela certificação DAP é entendida como suficiente para o empoderamento. Essa percepção esconde o “pobre alinhamento” e a superficialidade doslaços sociais na gestão do recurso energético nas áreas produtivas (VACCARO, 2010 p.1267). Na prática, o desenho político- institucional é pouco propenso para reforçar mecanismos de governança local, formação de capital social, formação de projetos de inovação e consolidação de práticas socioeconômicas e ambientais produtoras de empoderamento.

O tolhimento de espaços de ação coletiva ou de dispositivos coletivos, como do Projeto Polos de biodiesel, dificultou o crescimento de um maior protagonismo de agricultores e suas comunidades tanto na produção, manuseio e utilização do recurso energético (uso do biodiesel em máquinas, frotas comunitárias, implementos), quanto no manuseio dos recursos naturais que dão base à cadeia produtiva (uso da água, tratamento do solo, conservação/recuperação de APP e RL’s). Elementos esses, capazes de produzir o aperfeiçoamento comunitário e individual dos atores sociais (RAMBO &COSTA, 2010).

Concretamente, os elos ‘sociais’ se resumem aos incentivos econômicos criados em torno do PNPB e à ligação do setor agroindustrial aos produtores rurais dentro da estrutura de produção de soja. Um arranjo produtivo que compromete tanto adiversificação da economia quanto a pluriatividade das atividades rurais, diminuindo assim as chances de empoderamento real dos atores inseridos e interligados na base da cadeia produtiva do biodiesel. As relações e articulações se restringem assim ao contrato e comércio dos grãos, onde as empresas nutrem o sentimento comum de que oaumento do ‘poder de troca’ e ‘renda’ dos produtores

149