Conforme já foi citado, a principal premissa do Agroamigo é combater a pobreza no meio rural. Assim, antes de ser realizada a avaliação dos impactos desse programa na vida e nos micronegócios dos beneficiários da comunidade de Xique-Xique, aferiu-se o nível de exclusão social que traduz o padrão de pobreza existente na amostra considerada nesta pesquisa.
Assim, foi utilizado o Índice de Exclusão Social (IES)16 para captar os reflexos do estado de pobreza dos beneficiários do Programa enquadrados no Grupo B do Pronaf na comunidade da comunidade em tale.
Xique-Xique é um povoado pertencente ao distrito de Domingos da Costa, que juntamente com outros onze distritos formam a atual divisão territorial do município de Boa Viagem, localizado a 216 km da capital. A distância da comunidade até a Sede é de 20 km percorridos em estrada de barro de difícil acesso. Nesta comunidade, onde vivem cerca de sessenta (famílias), há apenas uma escola, que atende também a populações vizinhas, e não existe posto de saúde ou hospital, sendo o atendimento na área da saúde realizado apenas uma vez por mês por uma equipe de profissionais do Programa de Saúde da Família.
De acordo com as evidências mostradas no Gráfico 8, pode-se observar que 48,9% do público atendido pelo programa Agroamigo se apresentam em estado de exclusão social, privados do acesso à renda, ativos produtivos e serviços essenciais necessários para produzir níveis minimamente adequados de bem-estar. Pode-se, portanto, com base nessa informação, admitir que o Programa esteja atingido o público para o qual foi desenhado.
O nível de excluídos entre os beneficiários do Agroamigo em Xique-Xique (48,9%) se assemelha ao do município de Boa Viagem (50,5%), que também apresenta um índice bastante expressivo de pessoas socialmente excluídas. Estes percentuais estão bem acima do que foi verificado na região Nordeste (37,1%), que possui o maior percentual de excluídos do Brasil, e mais do que o dobro do valor apontado para por esse índice para o total do País, em 2010.
16 Sobre este índice, além do foi exposto no Capítulo 5 deste trabalho, pode-se encontrar mais detalhes sobre sua
De acordo com Lemos (2012, p. 226), os estados do Nordeste concentram os maiores níveis de pobreza e a força de trabalho menos qualificada do Brasil, tendo o setor rural um importante papel a desempenhar. Assim sendo, torna-se importante a execução de ações específicas para o público de menores rendas nas áreas rurais, em especial aquelas localizadas no semiárido, onde a pobreza possui seus traços mais visíveis.
Gráfico 8 - Índice de Exclusão Social do Brasil, do Nordeste, do Ceará, de Boa Viagem e de Xique-Xique17
Fonte: Pesquisa de Campo (2013) e Lemos (2012).
Observando-se os três indicadores direto que compõem o IES, observa-se que tanto em Xique-Xique, como nos demais pontos de observação que constam dos resultados mostrados no Gráfico 9 (Brasil, Nordeste, Ceará e Boa Viagem), o indicador que mais contribuiu para o resultado do IES foi o Passivo Econômico, que é o percentual da população que sobrevive em domicílios privados de renda.
Diante desses dados, verifica-se a importância das políticas de massificação do acesso ao microcrédito rural, apoiadoras das atividades agrícolas e não-agrícolas, uma vez que criam oportunidades para as famílias fazerem escolhas produtivas conforme suas necessidades e em harmonia com suas potencialidades, possibilitando ampliar a capacidade de geração de renda nas unidades familiares de produção, e, assim, produzir dinamismo suficiente para difundir progresso social para a maioria da população, diferentemente dos resultados obtidos
17 Para o cálculo dos indicadores de exclusão da comunidade de Xique-Xique foram usados os dados colhidos
em pesquisa de campo, enquanto que, para os demais, as informações foram obtidas a partir de Lemos (2012), com dados referentes ao ano de 2010.
com as políticas assistencialistas que normalmente são direcionadas às camadas mais pobres da população.
Entre os beneficiários do Agroamigo em Xiique-Xique, 82,8% declarou sobreviver em domicílios cuja renda familiar não ultrapassa dois salários mínimos. Nesse contexto, o microcrédito rural pode assumir um papel relevante na medida em que conseguir transformar o acesso ao capital produtivo em portas de saída da pobreza e na direção do desenvolvimento rural. Conforme Lemos (2012, p.107), “não se concebe avançar, em termos de desenvolvimento, sem patamares mínimos de renda monetária”.
Os demais indicadores de Xique-Xique, Passivo Social e Passivo Ambiental, apresentaram comportamentos análogos aos aferidos para o estado do Ceará e o município de Boa Viagem, com seus padrões de excluídos replicando o que acontece no Nordeste, uma região historicamente marcada por elevadas vulnerabilidades sociais.
Gráfico 9 - Passivos Social, Econômico e Ambiental do Brasil, do Nordeste, do Ceará, de Boa Viagem e de Xique-Xique
Fonte: Pesquisa de Campo (2013) e Lemos (2012).
Como pode ser conferido através dos resultados mostrados no Gráfico 10, que apresenta os indicadores utilizados na construção do IES de forma desagregada, verifica-se que 100% dos beneficiários da comunidade de Xique-Xique estão totalmente privados do acesso ao serviço de coleta sistemática de lixo, enquanto que o indicador de privação do acesso ao serviço de água encanada, surpreendentemente, revelou que 100% deles têm esse serviço disponível em suas residências, ou 0.0% de privação.
Sobre o serviço de abastecimento de água da comunidade, este é realizado através de sistema indireto por gravidade, onde um reservatório elevado é abastecido com bombeamento de água de um açude próximo da comunidade, onde recebe um tratamento, para, em seguida, alimentar as colunas de distribuição que levam a água até as residências das pessoas.
A situação favorável encontrada para o serviço de abastecimento de água da comunidade fez com que o Passivo Ambiental, que é composto pelos indicadores (privagua e privlixo), além daquele que indica a privação do acesso ao serviço de esgotamento sanitário (privsane), tivesse menor influência no resultado do IES obtido para a comunidade onde reside a amostra pesquisada.
Gráfico 10 - Indicadores de Exclusão Social de Xique-Xique
Fonte: Pesquisa de Campo (2013).
Sendo o Passivo Econômico, ou a privação de renda monetária, o principal fator de exclusão social justamente entre os beneficiário de um Programa que visa a geração de emprego e renda através do acesso ao microcrédito produtivo, sente-se a necessidade de verificar a efetividade dessa política de microcrédito nessa comunidade.
O priveduc, que revela os traços da taxa de analfabetismo entre pessoas acima de quinze (15) anos de idade, mediu 25,0% de excluídos. Este dado chamou a atenção uma vez que, por se tratar de uma comunidade localizada no sertão central nordestino, onde se concentram as populações mais sofridas, que enfrentam carências de toda ordem, esperava-se um patamar ainda maior para este indicador, sobretudo se for considerado que a comunidade possui apenas uma escola, que atende também a outras comunidades vizinhas, e que quase
metade das pessoas consideradas no cálculo deste indicador possui mais de 50 anos de idade, tendo se dedicado dedes cedo às atividades no campo e que, portanto, tiveram menos oportunidades de acesso à educação formal.
Impactos Econômicos e Sociais do Agroamigo
As principais atividades financiadas pelo Agroamigo em Xique-Xique são a produção de grãos (milho e feijão), com caráter predominantemente de subsistência, a bovinocultura, a suinocultura e a avicultura, praticadas de forma não comercial.
Observou-se que em todas as propriedades são desenvolvidas mais de uma cultura. No entanto, a prática simultânea de mais de uma atividade já existia antes dos agricultores se tornarem beneficiários do Agroamigo e que esta configuração pouco foi alterada após a participação no Programa. Dos vinte e cinco (25) chefes de família entrevistados, apenas dois (2) afirmaram ter adicionado outra atividade após a contratação do microcrédito. Isso pode sinalizar que o Agroamigo contribui para o fortalecimento das atividades vocacionadas do município, mas não estaria atingindo, em sua totalidade, o seu objetivo de promover a diversificação das atividades, haja vista os relatos de alguns beneficiários, em sua maioria mulheres, sobre o desejo não realizado de direcionar investimentos para negócios não-agrícolas, como forma de contornar os desafios impostos pelas estiagens. O que se verifica, portanto, é uma monotonia no uso dos recursos, com pouquíssimas experiências fugindo da rotina do financiamento da produção de milho e feijão.
Indagados sobre a quantidade dos produtos produzidos nas unidades de produção familiar que normalmente é destinada ao autoconsumo, 64% dos agricultores beneficiados com o microcrédito do Agroamigo revelaram que a produção não vai muito além do limite do que é consumido. O feijão e o milho, que são os principais produtos produzidos, são, em grade parte, utilizados exclusivamente para a subsistência, não sendo comercializado, expressando o reduzido grau de inserção dessas famílias nos mercados.
Os resultados pífios na produção guardam consonância com os observados no que se refere à renda familiar dos beneficiários pesquisados, onde foi detectado que em apenas 28% dos lares a principal fonte de renda teve sua origem nos negócios financiados. O programa Bolsa Família do Governo Federal apareceu como o principal provedor de renda para 38% dos entrevistados, e para outros 32%, figuravam como predominantes, as pensões e aposentadorias.
Ressalta-se, aqui, a importância que o Programa Bolsa Família assume na vida dessas pessoas, haja vista que, apesar de não desenvolver nenhuma ação de apoio às atividades produtivas desenvolvidas nas unidades familiares, ele tem colaborado sobremaneira para aliviar a privação de renda por que passam essas pessoas. Com esse reconhecimento é que o Agroamigo realizou, em 2011, parceria com MDA no âmbito do Programa Brasil Sem Miséria, financiando as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família.
Com relação à comparação da renda auferida antes e após determinado período de exposição ao programa, apenas 32% dos beneficiários relataram ter seus rendimentos ampliados, ainda que de forma tímida. Uma vez que 36% destes beneficiários já haviam contratado 3 (três) operações do Agroamigo, e outros 36%, entre 4 (quatro) e 5 (cinco) operações, ou seja, 76% deles já estavam expostos há um tempo considerável ao Programa, esperava-se um percentual maior dos negócios empreendidos que tiveram suas rendas majoradas.
Todos, porém, foram enfáticos ao afirmar que o grande entrave para a produção e a transformação do produto de suas atividades em renda foi a seca prolongada enfrentada nos últimos anos, e que, do contrário, conforme um dos agricultores, “teria dado para tirar um trocado”.
Essa realidade observada limitou maiores análises sobre os reais impactos do Agroamigo na formação de renda daquelas famílias. No entanto, pode-se inferir que esses fracos resultados observados não podem ser atribuídos, exclusivamente, ao não cumprimento do objetivo do Agroamigo de produzir incrementos de renda e autonomia financeira para as famílias beneficiadas com o crédito. A situação de exclusão social revelada pelo IES e as escassas condições geográficas e tecnológicas verificadas se apresentam como obstáculos para produzir o dinamismo necessário a inserção daqueles beneficiários no processo produtivo e, consequentemente, alimentar o processo de reversão do quadro de pobreza.
No que concerne à situação atual do financiamento obtido, mais especificamente sobre o pagamento das parcelas, apenas uma pessoa declarou estar com a prestação atrasada, mas não por falta de dinheiro, e sim por ter esquecido o dia do pagamento. Desta forma, a metodologia do Agroamigo parece ter superado o problema da elevada inadimplência, identificado no antigo processo de concessão de crédito ao Grupo B do Pronaf, conseguindo o
entendimento dos agricultores sobre a importância do retorno do recurso para o governo federal.
Não obstante essa constatação do reembolso regular dos créditos recebidos, quando foram questionados sobre a fonte de pagamento das parcelas do financiamento, 40% dos beneficiários declararam que a origem dos recursos destinados ao reembolso das parcelas eram provenientes de atividades não-rurais, a exemplo da prestação de serviços como pedreiro, vendas de roupas financiadas com recursos do Crediamigo18 e de aposentadorias. Isso indica que o as atividades ali financiadas pelo Agroamigo não estão produzindo a contraparte de recurso suficiente para garantir o retorno do crédito, mesmo com a previsão de 25% de bônus de adimplemento. Assim, os agricultores têm recorrido ao desenvolvimento de atividades complementares que proporcionem renda para cumprir o contrato de financiamento, pagar as prestações no prazo acordado e se manterem como clientes qualificados a renovarem a operação de microcrédito.
Neste contexto, pode-se inferir que, para os beneficiários da comunidade de Xique-Xique, o Agroamigo tem enfrentado dificuldades para transformar o capital produtivo disponibilizado em portas de saída da pobreza, comprometendo, em parte, o alcance do seu objetivo maior preconizado no desenho do Programa. Esta situação estaria relacionada com a carência de ativos sociais, revelado pelo elevado IES, bem como de outras ações estruturantes, que interligadas ao microcrédito, permitiriam que os indivíduos conseguissem aproveitar, de forma mais efetiva, as oportunidades produtivas associadas ao acesso do microcrédito.
No que se refere à geração de emprego no campo, a despeito de apenas 24% terem sinalizado para a criação de mais ocupações, além das que já existiam antes de contratarem o microcrédito rural, os beneficiários foram contundentes afirmando que o Agroamigo foi fundamental para a manutenção das ocupações dos familiares, uma vez que sem o apoio creditício recebido, segundo eles, não teriam condições mínimas para custear as atividades desenvolvidas nas unidades familiares de produção, o que comprometeria, ainda, o autoconsumo, dada a dependência dessas famílias para com o meio rural no que toca a subsistência. Na ausência do financiamento, a continuidade das atividades seria afetada negativamente, tornando os agricultores suscetíveis ao êxodo rural.
18 Programa de Microcrédito Produtivo Orientado do Banco do Nordeste, que facilita o acesso ao crédito aos
empreendedores pertencentes aos setores informal ou formal da economia (microempresas, enquadradas como Microempreendedor Individual, Empresário Individual, Autônomo ou Sociedade Empresária).
Também não foram observadas mudanças significativas no tamanho da área plantada após o ingresso dos agricultores pesquisados no Agroamigo. Somente 36% dos financiados tiveram a aumentos na área plantada após certo período de exposição ao Programa, que neste caso era de, no mínimo, o tempo necessário para contratar duas operações de microcrédito.
Tampouco foram constadas mudanças no que toca a incorporação de insumos agrícolas na condução das atividades, permanecendo as práticas utilizadas antes da contratação do microcrédito, onde a maior incidência era do uso de tração animal, ferramentas manuais e de insumos básicos, ou seja, ademais da infraestrutura incipiente, continuam utilizando baixa tecnologia, trabalhando em condições que limitam a ampliação da produção e a inserção nos mercados.
Outra constatação deste trabalho foi a inexistência de ações relacionadas à educação ambiental e financeira, bem como ações destinadas a ampliar os canais de comercialização após o ingresso como beneficiário do Programa. As famílias não relataram nada nesse sentido, o que indica que estes temas não fizeram parte da agenda do Agroamigo naquela comunidade.
Sobre o acesso a bens duráveis após ser beneficiado com o financiamento do Agroamigo, 40% dos entrevistados revelaram ter adquirido uma moto. Esse fato chama a atenção quando contraposto com os dados já mencionados sobre produção e renda gerada pelas atividades, onde 64% deles relataram que só produzem para o autoconsumo e 40% deles afirmaram que o financiamento não estava sendo amortizado com receitas próprias das atividades financiadas. Assim, a aquisição deste bem durável não pode ser creditada ao Programa, uma vez que grande parte dos agricultores mencionou que os ganhos auferidos nas atividades agropecuárias não têm sido suficientes sequer para reembolsar parcelas dos financiamentos, ainda que descontado o bônus de 25% sobre o principal e os juros.
Com relação ao objetivo do Programa de favorecer a bancarização e inclusão financeira dos seus clientes, o Agroamigo contribuiu para o acesso de 76% dos beneficiários a uma conta corrente. Não obstante esse elevado percentual, percebeu-se nas entrevistas que o uso desse produto não é frequente, pois muitos dos agricultores entrevistados demoraram a lembrar da existência da conta corrente e do cartão de crédito recebido para movimentá-la.
No que se refere ao trabalho desenvolvido pelo Assessor de Microcrédito rural (AMR), este foi citado de forma bastante expressiva como muito importante (56%) ou importante (40%) no processo de crédito, promovendo maior proximidade da instituição bancária com os seus clientes e reduzindo os custos com a contratação do financiamento, uma vez que todo o atendimento é realizado na própria comunidade, evitando-se deslocamentos até a sede da cidade, onde se localiza a agência do Banco do Nordeste. Segundo um dos entrevistados, “o assessor é muito importante porque ele fala como a gente”, isso traduz a relevância de se ter um profissional qualificado na área rural, com maior capacidade de avaliação das potencialidades e necessidades financeiras do cliente para o desenvolvimento de suas atividades, facilitando a interlocução com os beneficiários do Programa e atuando na eliminação de prováveis barreiras existentes entre o cliente e o banco.
O serviço de assistência técnica é realizado tanto pelo AMR como por profissionais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (EMATERCE), A ampliação do acesso a este tipo de atendimento após a participação no Agroamigo foi observado por todos os entrevistados, todavia, 56% deles afirmaram que não foi suficiente, apontando para a necessidade de maior frequência na prestação destes serviços.
No que toca a distribuição de recursos por gênero, verificou-se que acontece de forma equilibrada entre o público-alvo da pesquisa, sendo a participação feminina correspondente a 48% dos entrevistados, o que indica que o Agroamigo tem atuado na promoção da igualdade de oportunidades e de autonomia financeira da mulher, amenizando as desigualdades de gênero que se inscrevem num conjunto de outras desigualdades sociais.
Questionados sobre as mudanças verificadas na comparação das suas condições de vida antes de serem beneficiários do Agroamigo e após o segundo financiamento, 92% dos agricultores perceberam melhorias, tendo citado como principais contribuições do Programa a ampliação da renda com as atividades desenvolvidas (40%) e o apoio para a compra de equipamentos e insumos para ampliar a produção (32%). O incentivo para o aumento da produção figurou como principal contribuição para 16% dos beneficiários, enquanto a geração de emprego correspondeu a 8%. Apenas um agricultor manifestou que o Agroamigo não provocou nenhuma mudança nas condições de vida de sua família.
É importante avaliar que, tendo os beneficiários do Agroamigo na comunidade de Xique-Xique revelado que não tiveram grandes incrementos de renda monetária após a exposição ao microcrédito rural, a consideração supramencionada da ampliação da renda
como principal melhoria percebida após a inserção no Programa, estaria, em sua totalidade, relacionada ao bem-estar proporcionado pela renda não-monetária obtida pelos produtos destinados ao autoconsumo, refletindo a importância atribuída à promoção da segurança alimentar como elemento determinante da qualidade de vida e para o alívio dos problemas causados pela pobreza.
Este fato é recorrente nas áreas rurais brasileiras, principalmente quando se trata de localidades com perfis de agricultores que apresentam elevados índices de exclusão social, como é o caso do financiados pelo Agroamigo em Xique-Xique, onde 48,9% deles estão privados do acesso à renda monetária e de ativos produtivos e sociais essenciais ao bem-estar.
Impressões dos Beneficiários sobre o Programa
Um dos objetivos desta pesquisa foi verificar as impressões daqueles que receberam o microcrédito rural sobre o Agroamigo, com a tentativa de detectar se as práticas adotadas na metodologia do Programa são coerentes com as especificidades inerentes aos negócios da agricultura familiar, tornando-se eficiente no atendimento das reais necessidades dos agricultores familiares. Em contrapartida, verificou-se a existência de possíveis fragilidades, as quais poderiam ser traduzidas em entraves no processo de conversão do capital produtivo em atenuantes dos efeitos da pobreza.
Sobre as condições dos financiamentos obtidos, no que toca o prazo de reembolso, os valores financiados e os juros cobrados nas operações, 60% dos beneficiários afirmaram que estavam adequados às suas necessidades de crédito e possibilidades de pagamento. Os outros 40% consideraram que o valor da operação estava abaixo do que eles precisavam para iniciarem seus micronegócios ou alavancarem as atividades já desenvolvidas nas suas unidades de produção familiar. Este entrave certamente será atenuado com o atual Plano Safra da Agricultura Familiar, uma vez que o limite para estes tipos de operações sofreu