BÖLÜM 2. PRĐZREN TÜRKLERĐNDE GEÇĐŞ DÖNEMLERĐ
2.2. Evlenme
2.2.3. Evlilik Aşamaları
2.2.3.3. Nişan - Nişanlılık
A presença xiita no Líbano não se trata de fenômeno recente, uma vez que remonta ao cisma ocorrido entre sunitas e xiitas em um processo de sucessão familiar e política do profeta Muhammad que se estendeu de sua morte em 632 (10 H.) 30 até o assassinato de „Ali, seu primo e genro que se tornara califa em 656 (33 H.). Assim, os xiitas tornaram-se os “partidários de „Ali”, uma dissidência da ortodoxia sunita, a corrente majoritária do Islã, que, com a morte de „Ali, assumira o governo do Califado Omíada de Damasco (661-750), seguido pelo Califado Abássida de Bagdá (750-1258).
O primeiro califado xiita realmente independente foi o Califado Fatímida do Cairo (969- 1171), que se estendia do Magreb, no norte da África, passando pelo Egito, até incluir parte dos atuais territórios do Líbano e da Síria. A partir do século XII, com a queda do califado Fatímida na região, os xiitas do atual Líbano passaram ao status de fiéis e súditos heterodoxos, primeiro dos reinos cruzados e, após a derrota e expulsão destes do Levante, dos califados ortodoxos sunitas que se seguiram, como o dos Aiúbidas (1180-1250) e dos Mamelucos (1250-1517).
No período Otomano (1517-1920), os xiitas concentraram-se em duas regiões do Líbano atual. A primeira era o monte Ámil, no sul, entre a cadeia montanhosa do Shuf (o prolongamento do monte Líbano central), de população druza, e a Galiléia (Jalil), na Palestina. A segunda região era o norte do vale do Biqaa, especialmente as cidades de Baalbek e Hirmil.
Na passagem do século XIX para o XX, essas regiões apresentavam desenvolvimentos históricos e sociais distintos. A economia do monte Ámil era basicamente agrícola, e médios e grandes proprietários de terra dominavam o poder político local e as relações sociais de produção dos camponeses. O poder dessas famílias era relativizado pelo papel exercido pelos ulemás locais, que detinham e transmitiam as crenças e a cultura popular local de geração em
30 Sempre que se fizer referência, entre parênteses, a ano ou data seguido da letra “H” trata-se do ano ou data da
“Hégira” (a migração do profeta Muhammad e de seus discípulos de Meca para Medina, na Arábia, devido às perseguições das elites comerciais locais), isto é, o período correspondente, no calendário islâmico, ao ano ou data do calendário gregoriano.
geração. Além disso, a tradição e o pensamento xiitas do monte Ámil formavam vários clérigos e professores de teologia islâmica, conectando a região com outros centros de estudos e locais sagrados xiitas na Síria, no Iraque e no Irã.
O norte do Biqaa era bastante diferente do monte Ámil. Ali, quase não era possível praticar a agricultura sedentária. Assim, essa região, a mais seca do Líbano, apenas comportava atividades econômicas nômades ou semi-nômades baseadas no pastoreio e nas caravanas comerciais, de modo semelhante às regiões desérticas e beduínas da Síria e do Iraque.
Durante os últimos anos do período otomano, os xiitas correspondiam a apenas 5% da população do regime intersectário (de maioria maronita e druza) da “Mutassarrifíyah do monte Líbano”. Porém, em 1920, quando se inicia o período colonial, o “Grande Líbano” francês incorporou as regiões de maioria muçulmana adjacentes ao núcleo maronita do “Pequeno Líbano” otomano, ou seja, os xiitas vale do Biqaa (a leste) e monte Ámil (ao sul), além de regiões de maioria sunita, como a planície do Akkar (ao norte) e as cidades costeiras de Beirute, Trípoli, Saida e Sur. A partir de então, a proporção da população xiita ascendera a 17% do Líbano do mandato.
Os cristãos maronitas, que haviam sido a comunidade mais poderosa na era da “Mutassarrifíyah” permaneceram com a maior parcela do poder político no “Grande Líbano” do pós-guerra de 1914-18. A maior ameaça a essa hegemonia vinha dos sunitas das médias e grandes cidades da costa do Mediterrâneo, interessados em recuperar e até mesmo reforçar seus laços com o interior agrícola e pastoril, particularmente sírio, do qual haviam sido separados com a criação do “Grande Líbano”. Daí porque, entre outras razões, as diversas vertentes do nacionalismo árabe da época (apenas sírio, sírio-libanês federativo, pan-árabe, ou pan-islâmico) possuírem um maior número de adeptos entre os muçulmanos sunitas e os cristãos ortodoxos, que, pelo menos, desde a era otomana mantiveram estreitas relações políticas e comerciais com o “hinterland” sírio e árabe.
Os xiitas, por outro lado, não constituíam uma ameaça ao Líbano maronita do mandato francês, que facilmente cooptara os “zuama” xiitas do Biqaa e do monte Ámil com prebendas, nomeações para altos cargos governamentais locais e em Beirute, vultosos salários e acesso às redes de comércio urbano. Em retribuição, os líderes dessas comunidades reprimiriam quaisquer protestos e movimentos de oposição contra o governo francês-maronita que porventura fossem deflagrados em suas regiões. Mais tarde, nos anos 1960, essa aliança entre maronitas e xiitas seria retomada sob novas bases.
Em 1943, sob os auspícios britânicos, os líderes comerciais sunitas e maronitas de Beirute e da montanha chegaram a um consenso acerca de sistema político que passaria a viger no Líbano independente. O Pacto Nacional, como ficara conhecido esse acordo, contemplara a comunidade xiita libanesa como a terceira força política na formação e organização do Estado libanês menos em razão do número de habitantes da comunidade do que pelo reconhecimento do poder dos líderes políticos tradicionais (os “zuama”), que ditavam as regras políticas e econômicas intraxiitas. Conforme vimos, esse controle político e das relações sociais de produção xiitas estava baseado na propriedade e na exploração dos recursos agrícolas e pecuários da terra e das redes comerciais, bem como do escoamento e da distribuição de seus produtos para as áreas urbanas, segundo uma logística que se encontrava, desde pelo menos o século XIX, em mãos dos “zuama” e de seus aliados nas elites políticas e comerciais urbanas.
O papel dos “zuama” talvez ainda fosse mais preponderante na manutenção desse status quo, porque:
Survival in such a system meant being a zilm (follower of a za’im), voting the prescribed electoral slate, defending the zaim’s interests and property, and
affecting the proper respect for the patron. Even when they moved from their villages to the Beirut slums, the peasant‟s links with their respective za’im remained strong. These links were reinforced by Lebanon‟s electoral laws, which make it nearly impossible to change from one electoral constituency to another, thus spawning the phenomenon of the election bus dispatched by a za’im to
retrieve his followers and their votes at election time. (…) So for most Shi‟is significant political and social ties were limited not just to their region but to their village.” (NORTON, A. In: COLE, J., 1986, p. 158)