BÖLÜM 2. PRĐZREN TÜRKLERĐNDE GEÇĐŞ DÖNEMLERĐ
2.2. Evlenme
2.2.3. Evlilik Aşamaları
2.2.3.1. Görücülük – Dünürcülük - Kız Đsteme
O Tratado de Taif, firmado em outubro de 1989 na Arábia Saudita por parlamentares libaneses, inaugurou um processo que pos fim à guerra civil libanesa e colocou o país no rumo da paz e da reconstrução. Um ano mais tarde, uma reaproximação entre Síria e EUA, que se preparavam para as negociações de paz no Oriente Médio (que resultariam ns Acordos de Paz de Oslo entre palestinos e israelenses em 1993), permitiu a Damasco lançar um último ataque para retirar o general Michel Aun do Palácio Presidencial e, assim, acabar com dois anos de dissidência e a situação que ficou conhecida como “dupla legitimidade”.
A revolta de Aun surgira em outubro de 1988, quando o mandato do presidente Amin Jumayil terminou sem que um novo chefe de Estado fosse eleito. Assim, Jumayil nomeou o comandante-chefe do exército, o general Michel Aun, para o cargo de primeiro-ministro, que, de certa forma, acabou concentrando também as funções de presidente da República. Porém,
essa indicação foi contestada por lideranças e políticos muçulmanos. Salim Al-Huss, que tinha renunciado ao cargo, voltou atrás em sua decisão e se declarou como legítimo primeiro- ministro. Com isso, o Líbano passou dois anos com o cargo de presidente vago, mas com uma dualidade de poder entre dois primeiros-ministros adversários.
A política de Aun assemelhava-se muito ao governo de Jumayil, no sentido de que também buscava monopolizar a representação cristã, abusava do militarismo e considerava a identidade libanesa (uma suposta “libanidade”) como sendo tão somente “cristã”. Antes da formação desse governo dual entre Aun e Al-Huss, aquele auxiliara as Forças Libanesas de Samir Jajaa a eliminar os partidários de Jumayil e a impor total controle sobre o “Marunistão”, o enclave cristão da montanha acima de Beirute (cf. TRABOULSI, 2007, p. 242). Porém, Aun logo se tornou oponente de Jajaa para provar aos sírios que ele era a única autoridade nas áreas cristãs. Os enfrentamentos entre ambos acabaram em impasse e, ao falharem as negociações de Aun com a Síria, o general, em março de 1989, realizou uma guinada política e de alianças, e lançou uma “guerra de libertação” (cf. TRABOULSI, 2007, p. 242), bombardeando posições sírias em Beirute Ocidental. Esse conflito, do qual as Forças Libanesas participaram ao lado de Aun, durou seis meses e foi um dos mais violentos de todas as etapas do conflito libanês.
Enquanto isso, uma iniciativa da Liga Árabe, respaldada pelos EUA, interpôs um cessar- fogo no Líbano para realizar o encontro de parlamentares libaneses na cidade de Taif, na Arábia Saudita em outubro de 1989. O documento resultante da cúpula de paz ficou conhecido como o “Acordo de Taif”, que foi rejeitado por Aun, porque não previa uma total e incondicional retirada das tropas sírias do Líbano, além de restringir os poderes presidenciais (cargo cobiçado pelo general) em favor do gabinete do primeiro-ministro e de não aportar maiores reformas ao sistema político. Assim, Aun convocou os deputados a discutirem o acordo com ele e, quando estes se recusaram, Aun declarou-se a única autoridade legítima no país, demitiu Al-Huss e dissolveu o parlamento, acusando seus membros de serem “senhores da guerra” (warlords). Entrincheirado no palácio presidencial, Aun recusou-se a reconhecer a eleição de René Mu‟awad em novembro de 1989 e, quando este foi assassinado, Aun tampouco aceitou seu sucessor, Elias Harawi.
A última frente de batalha de Aun foi contra as Forças Libanesas de Jajaa, a fim de puni- lo por ter aceitado o acordo de Taif e como uma derradeira tentativa de obter o controle exclusivo do enclave cristão. Esse conflito transformou Beirute Oriental e o núcleo do “Marunistão” no monte Líbano, entre janeiro e maio de 1990, em um campo de batalha
sangrento, dividiu ainda mais os cristãos e impingiu um duro golpe à posição destes no equilíbrio do poder sectário no país.
Aun refugiou-se na embaixada francesa e, após tratativas entre este governo e o libanês, foi-lhe permitido partir para o exílio na França em 1991. Com Aun no exílio, Harawi começou a exercer seu poder como presidente em todo o país e nomeou Omar Karami primeiro-ministro. As milícias dispersaram-se sob o auxílio e a coordenação da Síria, entregando suas armas às autoridades libanesas. Vários milicianos foram incorporados ao exército nacional, às forças d segurança ou ao serviço público civil. Os palestinos remanescentes, por sua vez, também foram desarmados e encaminhados aos campos de refugiados. Apenas o Hizballah pôde manter suas armas em reconhecimento ao papel da resistência islâmica (al-muqawama al-islamyyia) contra a ocupação israelense, que se mantinha no sul do Líbano.
Em setembro de 1991, o parlamento libanês aprovou uma emenda constitucional que incorporava as reformas de Taif à nova constituição, que visava alterar e revisar o Pacto Nacional de 1943. A declaração, pela Carta, de que o Líbano era a “pátria definitiva dos libaneses”, no sentido de que o país nunca viria a participar de qualquer união com qualquer outro Estado, ou seja, a Síria, fora uma reivindicação dos cristãos que já vinha da época do Pacto Nacional. Por outro lado, a identidade árabe do Líbano foi adaptada e atualizada a partir da mera menção ao seu “caráter árabe” no Pacto Nacional para o seu “pertencimento (à nação) árabe”. Na economia, fora mantida a opção pelo “sistema da livre empresa” (eufemismo para o capitalismo de tipo liberal-burguês, que, nos anos 1990, assumia seu viés “neoliberal”), porém baseado na justiça social e em um modelo de desenvolvimento equitativo e conjunto de todas as regiões libanesas, relação que, ainda hoje, não se sabe de que forma o débil Estado libanês e sua sociedade irão equacionar e implementar.
O acordo de Taif previa uma solução para a crise libanesa em duas etapas. Assim, a Segunda República, então fundada pelo documento de Taif, fora concebida como o período antecedente ao da Terceira República, que aboliria o sectarismo político. O artigo 95 da nova Carta Magna libanesa fora alterado, a fim de comprometer a primeira legislatura eleita do pós- guerra a criar uma comissão especial que teria essa finalidade. Com isso, a Terceira República, libertada do confessionalismo político, seria fundada a partir da eleição de um parlamento não-sectário. Entretanto, a comissão de abolição do confessionalismo político não vingou, devido à oposição de lideranças cristãs e à contrariedade tácita de outros líderes sectários.
Dessa forma, em termos práticos, o regime criado por Taif reproduzia o sistema político comunitário, porém com uma significativa mudança no equilíbrio de poder entre os eleitores. Primeiro, a paridade substituiu a relação anterior de 6/5 (seis quintos) na distribuição dos assentos parlamentares entre cristãos e muçulmanos. Segundo, as cotas sectárias foram abolidas no serviço público, bem como no Judiciário, no exército e na polícia. Acima de tudo, as funções e prerrogativas do presidente da República foram radicalmente reduzidas em favor do primeiro-ministro, do gabinete ministerial, do parlamento e de seu presidente. Assim, o presidente perdera a maior parte de seus poderes executivos, como, por exemplo, o direito de dissolver o parlamento, que passava para o gabinete do primeiro-ministro. “Esse acordo criava uma das mais instáveis relações de poder que se podia imaginar. Nesse sentido, o Acordo de Taif simplesmente criou outro sistema de discordância”. (TRABOULSI, 2007, p. 245, trad. nossa). Assim, os conflitos entre os ocupantes dos três cargos tornou-se endêmico. Mas, desta vez, havia um árbitro: o presidente sírio Hafiz Al-Ássad.
Assim, a mediação de conflitos tornou-se um potente instrumento do poder sírio sobre o Líbano e os libaneses. Contudo, o papel da Síria no país não se restringia apenas a isso. O Líbano do pós-guerra praticamente fora confiado à Síria, pelos EUA e pela Europa, como em uma relação colonial; portanto, subordinada. Por exemplo, a previsão do recuo das tropas sírias para o Biqaa, que supostamente deveria ocorrer antes de setembro de 1992, não se concretizou; e a nomeação, também pela Síria, de quarenta deputados para o parlamento libanês de transição influenciou fortemente as eleições legislativas de 1992 e, portanto, a constituição de uma legislatura de maioria pró-síria. Esse desequilíbrio foi ainda mais agravado porque a maioria dos grupos cristãos decidiram boicotar essas eleições, a primeira de que o Hizballah e sua coalizão participaram, obtendo uma expressiva votação.
Conforme veremos no segundo capítulo, as forças políticas libanesas do pós-guerra passariam por mudanças significativas a partir da convocação de eleições parlamentares e municipais ao longo da década de 1990. Esses pleitos, entre outros fenômenos históricos, trariam ao Líbano uma nova era quanto à percepção de sua sociedade sobre questões como nacionalismo, participação eleitoral e realização de reformas econômicas e sociais.