İMAM ZÜFER’İN FIKHİ GÖRÜŞLERİ
19. Nâfile Namazlar
A Classe Gramatical foi a quarta variável apontada pelo programa Goldvarb X como influenciadora do processo de síncope em proparoxítonos. O fator substantivo mostrou-se favorecedor à aplicação do fenômeno, com peso relativo correspondente a 0,604. Por outro lado, o fator adjetivo não desempenhou papel na aplicação do processo, apresentando peso relativo de 0,216. O comportamento de cada uma das classes gramaticais encontra-se expresso na Tabela 4.
Tabela 4 – Classe Gramatical e síncope em proparoxítonos
FATOR APLIC./TOTAL PERCENTAGEM PESO
RELATIVO substantivo (árvore) 189/1800 10,5 0,604 adjetivo (ridículo) 7/587 1,2 0,216 TOTAL 196/2387 8,2 Input: 0,011 Significance: 0,009
Com a finalidade de investigar se o tipo de acento desempenha papel sobre a variável em questão, foi realizado um cruzamento entre os fatores componentes das variáveis Classe
Gramatical e Tipo de Acento; entretanto, o cruzamento não foi apontado como estatisticamente relevante. Tal resultado, portanto, denuncia a irrelevância estatística das variáveis aludidas para o fenômeno em estudo.
Além disso, foi constatado nos dados em análise que um número elevado de adjetivos apresenta a vogal coronal /i/ em posição pós-tônica não-final (cf. Anexo B). Diante disso, realizou-se um cruzamento entre Classe Gramatical e Traço de Articulação da Vogal. Os resultados desse cruzamento serão exibidos na seção subsequente, junto à apresentação da variável alusiva à qualidade vocálica.
5.1.2.2.5 Traço de Articulação da Vogal
A variável Traço de Articulação da Vogal foi a quinta selecionada. As vogais dorsais, apresentando peso relativo de 0,676, foram as que mais favoreceram o apagamento. As labiais, com peso relativo de 0,636, também se mostraram colaboradoras à aplicação do processo de supressão. Por outro lado, o peso relativo de 0,407, apresentado pelas vogais coronais, indica que essas não incentivam a manifestação da síncope. A ação de cada um dos fatores sobre o processo de apagamento encontra-se exposta na Tabela 5.
Tabela 5 – Traço de Articulação da Vogal e síncope em proparoxítonos
FATOR APLIC./TOTAL PERCENTAGEM PESO
RELATIVO dorsal 48/183 26,2 0,676 labial 133/746 17,8 0,636 coronal 15/1458 1,0 0,407 TOTAL 196/2387 8,2 Input: 0,011 Significance: 0,009
Os resultados, expressos na Tabela 5, confirmaram a previsão de que as vogais labiais /o/ e /u/ (abóbora – abóbra; óculos – óclus) e a vogal dorsal /a/ (chácara – chácra) contribuiriam para o apagamento da vogal pós-tônica não-final, e de que as vogais coronais /e/ e /i/ (número, ótima) não se mostrariam favorecedoras do processo de supressão. A
hipótese em relação à variável Traço de Articulação da Vogal fundamentou-se nos resultados atingidos pelos trabalhos de Amaral (1999), Silva (2006), Lima (2008), que apontaram as vogais labiais como influenciadoras do processo de síncope, e nos resultados divulgados no estudo de Ramos (2009), no qual as vogais labiais e dorsais foram eleitas como propícias à supressão.
Na pesquisa desenvolvida por Ramos (2009), apesar de a autora ter alcançado resultados semelhantes aos deste estudo no que diz respeito à qualidade vocálica, o fato de que as vogais dorsais contribuiriam para a incidência da síncope foi questionado. A autora efetuou um cruzamento entre a presente variável e o grupo de fatores Contexto Seguinte. Com base nos resultados revelados pelo cruzamento, a pesquisadora percebeu que 95% dos vocábulos proparoxítonos com a vogal /a/ na posição pós-tônica apresentavam uma líquida vibrante como contexto subsequente. Dessa forma, Ramos (2009) desmitificou o fato de que as vogais dorsais apresentam influência sobre o processo (cf. Capítulo 3, seção 3.1)
Com a finalidade de investigar detalhadamente o comportamento das vogais, realizou-se um cruzamento entre os fatores componentes das variáveis Contexto Fonológico Seguinte à Vogal e Traço de Articulação da Vogal, assim como em Ramos (2009).
Os resultados encontram-se expressos no Gráfico 6 e no Quadro 13 a seguir.
Gráfico 6 – Cruzamento entre Contexto Fonológico Seguinte à Vogal e Traço de Articulação da Vogal - síncope
O Gráfico 6 denuncia que a associação entre vogais labiais e consoantes líquidas – lateral (estábulo – estáblu) e vibrante (abóbora – abóbra) – são significativas, com peso relativo de 0,956 e 0,977, respectivamente. Entretanto, com relação à associação entre vogais
- 0,100 0,200 0,300 0,400 0,500 0,600 0,700 0,800 0,900 1,000
líquida lateral líquida vibrante não-líquidas 0,915 0,974 0,698 0,956 0,977 0,286 0,852 0,364 dorsal labial coronal
labiais e consoantes não-líquidas, percebe-se que o peso relativo não favorece o processo de síncope, apresentando valor de 0,286.
A queda da vogal dorsal, como ilustra o Gráfico 6, mostrou-se significativa tanto nos contextos em que a vogal era seguida por líquidas como por não-líquidas. A iteração entre vogal dorsal e líquida lateral (pétala – pétla) apresentou peso relativo de 0,915. A combinação entre vogal dorsal e líquida vibrante (xícara – xícra) indicou peso relativo de 0,956, e a entre vogal dorsal e consoantes não-líquidas – fricativas, oclusivas e nasais (estômago – estômo) expôs peso relativo de 0,698.
Verifica-se, na amostra considerada, que o peso relativo de 0,977 correspondente à iteração entre vogal labial e líquida vibrante (fósforo - fósfro) e o peso relativo de 0,974 relativo à iteração entre vogal labial e líquidas lateral (agrícola – agrícola), sugere que a qualidade vocálica não interferiu no processo de supressão. O apagamento parece ser governado pelo contexto vizinho subsequente, visto que permite a constituição de uma sílaba bem-formada após a queda vocálica.
O cruzamento entre vogal coronal e líquida vibrante demonstrou-se favorecedor à aplicação da síncope. No entanto, esse resultado não é significativo, já que o processo de redução manifestou-se em apenas três ocorrências como ilustra o Quadro 13, a seguir, que apresenta os valores de aplicação/total para cada célula criada para o cruzamento entre as variáveis Traço de Articulação da Vogal e Contexto Fonológico Seguinte à Vogal.
Contexto Fonológico Seguinte à Vogal
líquida lateral líquida vibrante não-líquidas
APLIC/ TOTAL % PR APLIC/ TOTAL % PR APLIC/ TOTAL % PR T raç o de A rt icul a ção da V ogal Dorsal 2/12 16,7 0,915 40/83 48,2 0,974 6/88 6,8 0,698 Labial 82/157 52,2 0,956 46/83 55,4 0,977 5/506 1,0 0,286 Coronal - - - 3/34 8,8 0,852 12/142 0,8 0,364 TOTAL 84/169 - - 89/200 - - 23/736 - -
Quadro 13 – Cruzamento entre Contexto Fonológico Seguinte à Vogal e Traço de Articulação da Vogal – síncope
O Quadro 13 mostra que as vogais coronais seguidas de líquidas vibrantes apresentam peso relativo indicativo de favorecimento de 0,852, entretanto apenas três ocorrências foram identificadas com esse contexto – duas correspondem à palavra véspera (véspra) e uma corresponde à palavra úlcera (úlsa). Apesar de o peso relativo apontar a associação de fatores como relevante à aplicação da síncope, a premissa assumida em relação à variável em questão, de que a maioria dos proparoxítonos com a vogal coronal em posição pós-tônica medial não apresenta contexto para a aplicação do processo de síncope, não foi afetada (cf. Capítulo 4, seção 4.5.2.1.4). Segundo Araújo et al. (2008), apenas 28% das palavras com vogal pós-tônica não-final /i/ geram codas ou onsets complexos válidos após a incidência de síncope. Isso significa que, na maior parte dos esdrúxulos que constituem o léxico da língua portuguesa, caso a vogal fosse suprimida, as sílabas geradas não estariam em conformidade com os princípios universais e com as condições específicas do português que regulam a boa-formação das sílabas (úl.ti.ma – *ul. tma; re. pú.bli.ca – *re.pú.blca; po.lí.ti.ca – *po.lí.tca).
Conforme anunciado na discussão referente à variável Classe Gramatical (seção 5.1.2.2.4), a maioria dos adjetivos proparoxítonos encontrados no corpus deste estudo apresentam a vogal coronal /i/ na posição pós-tônica não-final (cf. Anexo B). Nas 587 produções de adjetivos, 120 foram computados. Desses, apenas sete não apresentaram a vogal
na sílaba seguinte à tônica, a saber: agrícola, ridículo, frutífera, bárbaros, bárbara, bêbado e vândalo.
Realizou-se, então, um cruzamento entre os fatores das duas variáveis (Traço de Articulação da Vogal e Classe Gramatical), a fim de verificar se a baixa redução de adjetivos proparoxítonos ocorreu em virtude da presença da vogal coronal /i/ em posição pós-tônica não-final.
Os resultados da interseção de fatores encontra-se expresso no Gráfico 7 e Quadro 14 seguintes.
Gráfico 7 – Cruzamento entre Traço de Articulação da Vogal e Classe Gramatical - síncope
Conforme ilustra o Gráfico 7, os cruzamentos que se revelaram influenciadores do processo de síncope foram: vogal dorsal e adjetivo – 0,870; vogal dorsal e substantivo – 0,899 e vogal labial e substantivo – 0,869. As intersecções que se mostraram não-favorecedoras do processo foram: vogal labial e adjetivo (agrícola – agrícola) – 0,249; vogal coronal e adjetivo (mínimo – míno) – 0,118 e vogal coronal e substantivo (úlcera – úlsa) – 0,332.
O Quadro 14, a seguir, apresenta os valores de aplicação/total de cada célula do cruzamento entre as variáveis Traço de Articulação da Vogal e Classe Gramatical.
- 0,100 0,200 0,300 0,400 0,500 0,600 0,700 0,800 0,900 1,000
dorsal labial coronal
0,870 0,249 0,118 0,899 0,869 0,332 adjetivo substantivos
Classe Gramatical Adjetivo Substantivo APLIC/ TOTAL % PR APLIC/ TOTAL % PR T raç o d e Ar tic u lação da Vogal Dorsal 2/12 16,7 0,870 46/171 26,9 0,899 Labial 3/22 13,6 0,249 130/724 18,0 0,869 Coronal 3/553 0,4 0,118 13/905 1,4 0,332 TOTAL 8/587 - - 189/1800 - -
Quadro 14 – Cruzamento entre Traço de Articulação da Vogal e Classe Gramatical - síncope
Segundo as informações exibidas pelo Gráfico 7 e Quadro 14, a grande maioria dos proparoxítonos adjetivos encontrados no presente corpus apresentam, como relatado na discussão sobre a variável Classe Gramatical, a vogal /i/ na posição pós-tônica não-final. De forma mais específica, dos 587 adjetivos produzidos, 553 apresentam a vogal referida na posição. Essa constatação desencadeia uma nova linha de raciocínio em relação aos resultados apontados na variável Classe Gramatical. A pouca incidência do fenômeno de supressão na classe dos adjetivos, nos dados investigados, deve-se ao fato de os proparoxítonos com a vogal pós-tônica medial /i/, como relatam Araújo et al. (2008), não apresentarem contexto propício à manifestação do fenômeno de síncope (cf. Capítulo 3, seção 3.1).
Percebe-se, portanto, que o baixo índice de aplicação do processo de apagamento nos adjetivos esdrúxulos deve-se ao fato de a maioria dos vocábulos nesta pesquisa apresentarem a vogal referida na posição consecutiva à tônica. As características semânticas referentes à classe gramatical, que poderiam levar os informantes a produzir os adjetivos de forma enfática, parecem não exercer papel significativo.