3. BÖLÜM: MUKÂTAA AKDİNİN HUKUKİ SONUÇLARI
3.1. Mütevellinin Hakları
3.1.1. Mukâtaayı Tahsil Etme
O surgimento das Universidades no Brasil é considerado tardio em relação a outros países. Segundo Bonfim (2003), “quando da independência do Brasil a América espanhola contava com 26 ou 27 universidades” (p.22). No continente americano a primeira universidade surgiu em 1538, em São Domingos.
A autora, apoiada em Júlio César de Faria, indica possíveis elementos que justificam a existência de Universidades nas colônias espanholas e nenhuma na portuguesa. Dentre eles pode estar o fato de que as colônias espanholas eram consideradas dotadas de uma cultura superior, portanto, as universidades surgem com o intuito de disseminar a cultura dos colonizadores e “preparar missionários conhecedores dos costumes dos nativos, capazes de pregar nas suas línguas” (FARIA apud Bonfim, 2003, p. 23).
No Brasil, os primeiros cursos superiores não-teológicos foram fundados pelo príncipe regente D. João, sendo freqüentados, segundo Romanelli (1997), pelos filhos dos donos de terra que objetivavam o ingresso no rol dos homens cultos. A função propedêutica do ensino marca cada vez mais seu caráter elitista e acadêmico, pois apenas as famílias de altas posses podiam pagar a educação dos seus filhos.
O período que se seguiu à Independência política, portanto, viveu a diversificação da demanda escolar. Parte da população que procurava a escola não era formada apenas pela oligarquia rural, aos poucos uma camada intermediária da sociedade (burguesia) juntou-se a esta.
APRENDIZAGEM DA DOCÊNCIA: UM ESTUDO COM PROFESSORES DO CURSO PRÉ – VESTIBULAR DA UFSCar
A demanda pela educação, no Brasil, foi intensificada em 1930 com o advento da Revolução de 30 e da intensificação do capitalismo industrial no Brasil.
(...) as exigências da sociedade industrial impunham modificações profundas na forma de se encarar a educação. (...) O capitalismo, notadamente o capitalismo industrial, engendra a necessidade de fornecer conhecimentos a camadas cada vez mais numerosas, seja pelas exigências da própria produção, seja pelas necessidades do consumo que essa produção acarreta. (...) nasce a necessidade da leitura e da escrita, como pré-requisito de uma melhor condição para concorrência no mercado de trabalho. (ROMANELLI, 1997, p.59)
A demanda educacional é aumentada de fato nas décadas de 50 e 70 com a intensificação do processo de industrialização iniciada em 1930. Esse processo impulsionou a migração dos trabalhadores rurais aos grandes centros e, conseqüentemente, ocasionou o crescimento desordenado das cidades.
O sistema educacional não ficou imune a esse movimento, pois emergem novas necessidades de sobrevivência da população, aumentando a demanda de vários serviços,e, dentre eles a educação. A população que passa a freqüentar os vários níveis do ensino, desde o advento da industrialização em 1930, mais especificamente, é composta por diferentes classes sociais, que até então estiveram fora dos bancos escolares.
A educação oferecida antes da intensificação da demanda escolar tem origem na educação oferecida no Brasil Colônia caracterizada por Romanelli (1997), como: desinteressada e propiciava cultura geral básica, sem a preocupação de qualificar para o trabalho, além de não contribuir para as modificações sócio-econômicas do país e, portanto, necessitava de reestruturações que atendessem o novo público e suas necessidades.
A expansão do Ensino Fundamental e Médio gera problemas na estrutura desses níveis de ensino, pois o despreparo para lidar com uma população bastante heterogênea ocasiona a queda da qualidade do ensino. Por este motivo a escola pública, que era responsável pela maior parcela de aprovados nos vestibulares, não desempenha esse papel com a mesma eficiência. Os dados apresentados por Frei David (2004) revelam que em 1993, 32% dos aprovados eram oriundos da rede pública; em 1998, 21%; e em 2000, 19,2%.
O Ensino Superior também passa por modificações com o aumento da demanda escolar, enrijecendo o acesso a ele ao tornar obrigatório na década de 70 o vestibular classificatório.
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Para Bonfim (2003),
(...) o exame vestibular tem atuado como um funil no percurso dos alunos dentro do sistema educacional brasileiro, na medida em que, buscando-se melhores oportunidades sociais, a demanda por acesso a este nível de ensino tem se elevado a cada ano.(p.47)
A despeito das tentativas de mudança na estrutura dos exames vestibulares, ainda hoje, o sucesso nestes depende de técnicas de memorização que exigem pouco senso crítico de seus candidatos, via ensino propedêutico (Ensino Médio ou cursinhos preparatórios) originário do Brasil Colônia. Com a queda da qualidade do Ensino Fundamental e Médio públicos, o sucesso no exame vestibular significa, ainda, segundo Bonfim (2003), assumir mensalidades onerosas e dedicação exclusiva aos estudos.
A autora afirma, ainda, que a expansão dos “cursinhos” tem origem no número de excedentes e nível elevado das provas dos vestibulares, passando a serem responsáveis pela preparação do candidato aos vestibulares, atestando assim a falência do Ensino Médio.
Bonfim (2003), apoiando-se em pesquisas realizadas por Whitaker (1989) sobre o perfil dos candidatos ao vestibular da Universidade Estadual Paulista (UNESP), afirma que, em meados da década de 80, criou-se a expressão ‘efeito cursinho’.
(...) para designar a maior probabilidade de sucesso (...), verificada entre os vestibulandos que prestavam o exame um ou dois anos após a conclusão do ensino médio e que, presumivelmente, haviam passado pelos cursos pré – vestibulares. (p.52)
Tendo em vista esses dados, é possível perceber que, segundo a autora, o Ensino Médio não cumpre para todos os estudantes as finalidades propostas pela LDB no artigo 35, em seus incisos I, II, III, IV que estabelecem:
I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento dos estudos; II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV – a compreensão dos fundamentos científico–tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
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Sendo assim, as chances de acesso ao Ensino Superior tornam-se ainda mais restritas à população que depende do ensino público como forma de ingresso.