• Sonuç bulunamadı

Ecr-i Misil Mukâtaanın Tespiti

Belgede Osmanlı vakıf hukukunda mukâtaa (sayfa 111-115)

2. BÖLÜM: MUKÂTAA AKDİ

2.3. Akdin Bedelleri

2.3.2. Ecr-i Misil

2.3.2.1. Ecr-i Misil Mukâtaanın Tespiti

A) A iniciativa privada tem preferência por parcerias mais lucrativas

Segundo G6 foram realizados alguns contatos com empresas, tendo algumas se interessado em participar do Projeto. Porém, o informante questiona a disposição dessas empresas em trabalhar a cadeia produtiva da madeira, mesmo fazendo parte dela e podendo ter alguns benefícios.

As grandes empresas já exportam também. Então elas têm seu próprio

mercado, as vezes nem interessa processar alguma coisa mais elaborada aqui

não [...] já tem o seu mercado certinho de madeira fora. Então, no meu ponto de vista, é um dos pontos críticos do setor madeireiro (G6).

Quando iniciou o processo tinha madeira na região, o preço da madeira era uma coisa e com o tempo o processo foi se alterando, já não havia mais madeira como havia antes. O pessoal [os empresários] está exportando mais madeira

do que para o mercado interno (G3).

Observa-se que na região existe pouco interesse dos empresários em trabalhar para o mercado interno. Além disso, as empresas privadas do município não respondem às demandas sociais locais. Algumas considerações de Nogueira podem ser nesse caso apreendidas, quando critica a atuação do Estado nas intermediações dos interesses. Segundo o autor, o aparelho do Estado, fragmentado, fica aprisionado pelos vários privatismos (lobbies, grandes empresas, tecnocracia e funcionalismo), dessa forma, permanece incapacitado de dar condições a setores estratégicos (educação, ciência, tecnologia) e continuar na coordenação do desenvolvimento193.

O distanciamento das empresas no Projeto é citado por G6 como um dos pontos falhos. Dentre as causas desse distanciamento ele cita os interesses da iniciativa privada em gerar lucro sem preocupação com o coletivo e o fato da proposta do Projeto não ter sido direcionada de modo que interessasse a esses empresários.

[a falha do Projeto] foi a história de você estar muito distante da empresa que

vai gerar negócio, de trazer, de dar condições para efetivamente se interessar,

se beneficiar com a geração de negócios. Ficou muito subjetivo, na parte só

de idéias(G6).

Foram esses dois lados: um a própria disposição dos empresários, marceneiros e serrarias em estar desenvolvendo em prol da coletividade, não existiu essa característica, e outro, na proposta do Projeto não direcionou para isso aí [...]. Tentava muito se resolver algumas coisas junto às entidades, mas não tinha o

envolvimento dos empresários para a tomada de decisão (G3).

As madeireiras, que detém os recursos naturais locais, possuem um outro circuito de comercialização que é externo à região. Esse é um dos entraves identificados que impediram o sucesso do Projeto. A estrutura econômica consolidada para este setor não privilegia a cadeia para o mercado interno.

Conforme já apontado, foi identificada na região uma alta concentração de plantios florestais, porém, observou-se que está concentrada para poucos empresários. Esse dado também foi apontado pelos entrevistados:

Está nas mãos dos grandes responsáveis [a madeira da região]. Eles não pensam em fazer coisa pra pobre (G2).

193

Este entrevistado representa o Sindicato Rural do município, possui uma pequena serraria, e acrescenta em relação à madeira, que existe a dificuldade da produção em qualidade para o seu uso em esquadrias, por exemplo. Acrescenta que existem outros empresários de outras cadeias envolvidos também: “o fabricante de ferro não quer de madeira, o fabricante de tijolo não quer de madeira”. Segundo ele, poderia sim ser o lugar certo para o Projeto, “mas muitos interesses estão envolvidos, principalmente o econômico, este não deixa as coisas acontecerem. Eles compram toda a madeira, eles compram toda a terra, eles plantam. São grandes empresários da madeira na região” (G2).

Na verdade nosso potencial madeireiro aparente está nas mãos de grandes

empresas e geralmente é para uso e consumo próprio [...]. Têm em larga

escala as serrarias. Algumas beneficiam, outras produzem, outras exportam. Mas é no setor de pallets (G2).

Segundo este entrevistado ainda existe a falta de incentivo no plantio da madeira, principalmente do governo, motivo pelo qual falta matéria prima e conseqüentemente aumentam os preços do material. Ele avalia que um dos motivos do Projeto não ter sido executado foi o custo da madeira na região.

Na época quando vieram com o Projeto aqui, o custo não era problema [...] hoje a coisa mudou, o custo da madeira é o que mais representa [...] Hoje eu

garanto que construir casa de madeira aqui é quase impossível (G2).

B) A iniciativa privada não estava atuando diretamente no Projeto

Segundo Bourdin, a parceria público-privado constitui uma outra maneira de abordar a governança. “É uma expressão acertada que assume duplo valor: conta com o sol liberal na sua eira e com a chuva voluntarista na sua horta”194. Se o termo “parceria” designa o tipo de relações entre atores que decidem trabalhar juntos com transparência e confiança, no âmbito da constituição dessa parceria público-privado não há uma clareza de objetivos e interesses. Bourdin aponta que se as sociedades públicas fixam objetivos de lucro para alguns de seus segmentos, as empresas privadas ficam sujeitas a contratos de concessões muito onerosos que as obrigam a privilegiar objetivos típicos do serviço público.

Dessa forma, era imprescindível a parceria com esse setor (serrarias e reflorestadoras), no sentido de garantir objetivos e privilégios comuns a todos os agentes. Porém, essa parceria

194

não se constituiu, o que pode ser associado: primeiro, ao interesse desses agentes em produtos para a exportação que agregam baixo valor à madeira de plantios florestais ao invés de implantação de projetos e políticas para o desenvolvimento local, e segundo, ao próprio Grupo Gestor, que não privilegiou parcerias com esse setor.

Os interessados em desenvolver a cadeia produtiva da madeira, as empresas, não estavam freqüentando. Fizeram duas reuniões e os

empresários não demonstraram interesse suficiente em estar participando. Estavam mesmo desacreditados. Se interessariam se tivesse alguma proposta

que interessasse a eles (G7).

Segundo o Grupo HABIS, durante o processo de implantação do Projeto no município de Itararé, a estratégia geral para a proposição de diretrizes de políticas públicas para habitação social, utilizando a disponibilidade de plantios florestais e de serrarias na região privilegiou a formação do Grupo Gestor, por meio de adesão voluntária, sendo convidados para participação diferentes segmentos em diversos eventos e situações. Tal estratégia refletiu na composição do Grupo, no qual predominaram técnicos do quadro permanente da Prefeitura (dois arquitetos e uma assistente social), pessoas pertencentes a alguns segmentos da sociedade (um artesão em madeira, dois pequenos empresários, sendo que um deles era produtor rural), o SEBRAE e a equipe de pesquisadores. Em sua formação não participaram alguns setores estratégicos, que não aderiram ao Projeto, tais como representantes de reflorestadoras e de serrarias.

Belgede Osmanlı vakıf hukukunda mukâtaa (sayfa 111-115)