2. BÖLÜM: MUKÂTAA AKDİ
2.3. Akdin Bedelleri
2.3.2. Ecr-i Misil
2.3.2.2. Akdin Ecr-i Misilden Düşük Bedelle Yapılması
A universidade foi parceira fundamental no Projeto, constituiu o fator externo que avaliou o potencial da região, realizou as primeiras reuniões com prefeitos e secretários em vários municípios, e induziu a formação do Grupo Gestor local. Porém, o que era atribuição do Grupo Gestor, como já levantado, ficou por conta da universidade, a quem coube, em variados momentos fazer a mediação entre os parceiros.
Nessa mediação e tomada de decisões, alguns pontos foram levantados pelos entrevistados do que teria sido erro de atuação da universidade. Em primeiro lugar foi apontado que a universidade subestimou os interesses do poder público. A maioria dos entrevistados acreditavam que o poder público do município de Itararé não tinha interesse nas estratégias da pesquisa apresentada, principalmente na 2ª administração. Apesar do prefeito anterior ter dado maior “apoio” ao Projeto, oferecendo o terreno para a construção das casas e
disponibilizando o corpo técnico da Prefeitura, questiona-se o verdadeiro interesse que, segundo um dos participantes do Grupo, seria para “mostrar serviço”.
G4, participante do corpo técnico da Prefeitura, indica que o erro da universidade foi
acreditar que a mudança da administração não traria grande interferência. Esta credibilidade pode ter se apoiado na assinatura de um termo de compromisso pela administração atual, que garantia a continuidade do Projeto.
Talvez eles [os pesquisadores das universidades] acreditavam que a coisa iria estar tão bem amarrada na administração, e a administração não ofereceria
risco [em relação à interferência no Projeto por parte da mudança na
administração] (G4).
Todas eram ótimas propostas [propostas da universidade para o município de Itararé], faltou todo mês fazer uma coisinha para agradar a política. Tinha boas propostas teóricas, mas talvez na questão prática tenha faltado alguma
coisa [...]. Talvez se as questões práticas tivessem sido desenvolvidas, a pesquisa poderia ter ocorrido paralela (G1).
Outros depoimentos registram o pouco apoio da 1ª administração em relação às tomadas de decisões dos funcionários disponibilizados:
Quando a universidade veio [...], que nem eu falei, como começou na outra administração, só nos era imposto. ‘Se a universidade falar “a”, você fala
“a”. É só para você aprender com a universidade [dizia o prefeito da 1ª administração] (G5).
Foi identificada a falta de um funcionário permanente no local, pois este daria andamento aos encaminhamentos do Projeto. Como o Grupo Gestor não tomou a frente da representação junto às demais entidades, faltou um mediador que encaminhasse as ações definidas no Projeto, conforme colocado por G4:
Como não tinha uma entidade jurídica, uma coisa real desse Grupo Gestor,
então, quando a universidade estava presente aqui, a coisa andava, a coisa evoluía. Aí depois o que acontece, a universidade saía, se afastava, aí cada um
do grupo tem as suas atividades principais do dia-a-dia [...] (G4)
Esse Grupo Gestor na verdade não se constituiu como ONG, como pessoa jurídica... então o grupo em si não tinha poder de negociação [...] não existia um organismo que sentasse para negociar com a administração pública [...] eu
acredito que tenha sido uma das falhas do Projeto, não constituiu de fato
esse grupo (G4).
Outro ponto levantado como entrave foi a dependência aos recursos de apenas um órgão financiador, a FAPESP. A Fase II do Projeto foi particularmente tumultuada pela troca de dirigentes municipais e pela aprovação do Projeto pela FAPESP somente 12 meses depois
da conclusão da FASE I, em julho de 2001. O tempo demandado para a aprovação, não esperado para o contexto do Programa de Políticas Públicas, determinou algumas alterações das estratégias anunciadas, afetando principalmente nas metas de intervenção do Projeto195.
Dentre as metas de capacitação, a estratégia de consolidação do Grupo Gestor também foi submetida ao mesmo problema, pois era previsto que a reunião de retomada do Projeto seria dado em 75 dias196. Esse contexto desmotivou os integrantes do Grupo Gestor pela falta de continuidade nas reuniões. Segundo o Grupo HABIS, muitas das metas de pesquisa também tiveram que ser adiadas ou mesmo canceladas pela dificuldade em definir o contexto em que seriam inseridas.
Os relatos abaixo demonstram a interferência da interrupção do Projeto:
[a troca de gestão] Coincidentemente aconteceu de ter o prazo lá da FAPESP
que parou o Projeto, aguardando a aprovação da 2ª fase. Então deu uma esfriada geral também (G6).
Esse grupo de pessoas foi motivado e no auge da motivação, quando estava todo mundo motivado, todo mundo acreditando no Projeto, a universidade falou: ‘Ah, eu não posso ir porque a gente depende da FAPESP’. Então teve um processo inicial de motivação, de formação do grupo, e justamente nessa
continuidade foi o período que a FAPESP ficou para decidir, aprovar o recurso. Coincidentemente esse período aí coincidiu com a mudança de
governo também (G4).
Outros entraves importantes, em relação à implementação da construção-piloto de unidades habitacionais no município de Itararé, foram constatados. Dentre eles, a indefinição do grupo organizado de moradores interessados em habitação para baixa renda e a inexistência de área adequada para construção das habitações.
As pessoas diretamente envolvidas, interessadas, teriam que estar participando para ter essa concretização, ver a viabilidade de implantar essas idéias ou não [...] Ficou uma coisa muito subjetiva (G7).
Faltou os participantes beneficiados pelo Projeto. Seriam os empresários e
futuros moradores, no caso, os interessados em morar na casa de madeira. Então ficou um espaço aí (G7).
Eu nunca vi o grupo de interessados diretamente. Só via indiretos. Só via a prefeitura e o pessoal universitário (J2).
195 HABIS, 2002. 196
Outro ponto falho elencado pela maior parte dos entrevistados diz respeito à metodologia utilizada pela universidade, que, segundo eles, ficou no campo da “teoria”, com pouca “prática”. Essa visão está associada a não compreensão do Projeto por parte do Grupo Gestor ou pela espera de ações em curto prazo.
Um outro erro também foi levantado na última reunião. É que a gente falou, falou, falou... fez, fez, fez reunião, e não aconteceu nada concreto, certo? Não tinha nada consistente. Então, são exatamente os tijolinhos, é um de cada vez, mas você vê construindo. E não aconteceu, só ficava em reunião, reunião, e
vai desgastando (G3).
Se priorizou muito só o aspecto da articulação, mas não definiu nada objetivo
que precisava ser feito. Ficou na dependência de muita coisa (G6).
Os interesses da universidade também não ficaram claros para os participantes do Grupo, o que gerava desconfiança na relação entre os agentes.
Na nossa visão, digamos assim, inicial, o interesse da universidade em si era
a tese defendida por eles, e que realmente a gente assina embaixo. Ótimo. Até
então um tempo foi falado justamente com essas palavras: a universidade está vindo para cá com interesse próprio dela, eles estão ganhando para estar vindo, eles estão vindo e eles estão defendendo a tese deles (G5).
Como visto, a inviabilização do Projeto em Itararé está relacionada principalmente a fatores internos nos grupos que participaram do processo. Os recursos para implantação desses projetos e a elevação do preço da madeira no município foram outros fatores que levaram à necessidade de ampliação do Projeto para outros municípios da região. Porém, a maior deficiência corresponde aos recursos humanos, onde cabe citar a interferência da atuação do Grupo Gestor, da administração municipal e do setor produtivo da madeira naquela região.