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Muhâtaralı/İhtimâlî Akidler

Devido à diferença de toxicidade das espécies de arsênio, desenvolver metodologias que consigam separáJlas e quantificáJlas é útil na avaliação do impacto por contaminação deste elemento.

Neste estudo, foi desenvolvida uma metodologia para quantificar arsenito em amostras de água por geração de hidretos. Inicialmente, foram otimizadas as condições para determinação de arsênio total em amostras líquidas, e, posteriormente, para a determinação de arsenito em água. SabendoJse que em cursos d’água, o arsênio encontraJse principalmente na forma inorgânica(MAITY

., 2004), arsenito e arsenato, a estimativa da concentração do arsenato nessas amostras foi realizada pela diferença entre a concentração de As total e da espécie trivalente.

5.2.2.1 Otimização da Determinação da Concentração Total de Arsênio em Amostras Líquidas

Na análise de arsênio por geração de hidretos, a amostra líquida é introduzida no equipamento e reage com uma solução de tetrahidroborato de sódio (NaBH4) em

meio ácido para formar a arsina (AsH3). O hidreto é então arrastado por um fluxo de

argônio, separado da fase líquida por um separador gásJlíquido e levado à cela de quartzo, onde o arsênio é atomizado e quantificado. Esta técnica sofre poucas interferências, uma vez que o analito é separado da matriz com a geração do hidreto. O fluxo de NaBH4, o fluxo do ácido usado para garantir o meio reacional

adequado e o fluxo do gás de arraste podem interferir no perfil do sinal. Uma solução mais concentrada de NaBH4 pode favorecer a formação do hidreto. Podem

concentração ácida ou pelo uso de agentes sequestrantes adequados. (DEDINA & TSALEV, 1995)

O estado de oxidação do analito também influencia no sinal e em alguns casos tornaJse necessário converter todo o analito em uma única espécie antes da formação do hidreto. Algumas espécies geram hidreto mais rapidamente, por exemplo, as espécies As(III) e Sb(III) formam hidretos mais facilmente que As(V) e Sb5+, respectivamente (Figura 12). Os elementos formadores de hidreto podem interferir mutuamente, esta interferência pode ser contornada pelo uso de agentes complexantes, conforme dito acima.(DEDINA & TSALEV, 1995)

Figura 12. Comparação de intensidade do sinal de absorbância a partir da

atomização dos hidretos de As, Sb e Se em diferentes concentrações. a) Comparação em função do tempo. b) Comparação em função da altura do pico

para As. c) Comparação em função da altura do pico para Sb. (Adaptado de DEDINA & TSALEV, 1995)

Visto que a presença de diferentes espécies de arsênio na amostra poderia gerar hidretos em diferentes velocidades e prejudicar a determinação, optouJse por uma etapa de préJredução das amostras. A préJredução das amostras garante que todo o arsênio estará sob o mesmo estado de oxidação e que, portanto, vai produzir hidreto nas mesmas condições e com a mesma velocidade. Este procedimento é recomendado pelo manual do fabricante do equipamento e também em diversos trabalhos da literatura (MAITY ., 2004; MORETTO & CADORE, 2004; BORTOLETO & CADORE, 2005; FRENTIU ., 2007; MACAROVSCHA .,

2007; PU ., 2009; RIVAS ., 2009). Em busca bibliográfica (DEDINA & TSALEV, 1995; MAITY ., 2004; MORETTO & CADORE, 2004; BORTOLETO & CADORE, 2005; FRENTIU ., 2007; MACAROVSCHA ., 2007), identificouJse que os agentes redutores mais utilizados para a préJredução de arsênio são KI/Ácido Ascórbico, LJcisteína e tioureia.

Para otimização da análise de arsênio total, foi elaborado um planejamento fatorial, 23 com ponto central (Tabela 28), com as variáveis consideradas mais importantes, a concentração da solução de NaBH4, o pH da amostra e a

concentração do agente préJredutor. Os experimentos correspondentes ao ponto central foram realizados em triplicata, e os demais em duplicata. Estes testes foram realizados para os três agentes préJredutores selecionados.

Tabela 28. Matriz de experimentos do primeiro planejamento fatorial 23 com ponto central para análise de arsênio total por HG AAS.

Experimento [ ] préJredutor pH [ ] NaBH4

1 0,10% m/v (J) 2,0 (J) 0,20% m/v (J) 2 0,10% m/v (J) 2,0 (J) 1,50% m/v (+) 3 0,10% m/v (J) 10,0 (+) 0,20% m/v (J) 4 0,10% m/v (J) 10,0 (+) 1,50% m/v (+) 5 2,00% m/v (+) 2,0 (J) 0,20% m/v (J) 6 2,00% m/v (+) 2,0 (J) 1,50% m/v (+) 7 2,00% m/v (+) 10,0 (+) 0,20% m/v (J) 8 2,00% m/v (+) 10,0 (+) 1,50% m/v (+) Ponto Central 1,05% m/v (PC) 6,0 (PC) 0,85% m/v (PC)

Não foi possível realizar as medidas para os experimentos nos quais deveria ser empregada a concentração mais alta de NaBH4 (1,5% m/v), pois observouJse

intensa formação de gás hidrogênio, causando muitas bolhas no separador gásJ líquido e molhando a membrana de separação e a mangueira que conduz o gás à cela de quartzo. Também houve dificuldade nas medidas dos experimentos do ponto central (NaBH4 0,85% m/v), sendo necessárias diversas trocas da membrana e da

intensidade e altos desvios. Devido às dificuldades de trabalho com as concentrações de NaBH4 0,85% e 1,50%, e, aos baixos resultados com pH 6 e 10,

foi elaborado um novo planejamento reduzindo a faixa estudada para estas variáveis em busca da melhor condição, apresentado a seguir (Tabela 29).

Tabela 29. Matriz de experimentos do segundo planejamento fatorial 23 com ponto central para análise de arsênio total por HG AAS.

Experimento [ ] préJredutor pH [ ] NaBH4

1 0,10% m/v (J) 2,0 (J) 0,20% m/v (J) 2 0,10% m/v (J) 2,0 (J) 0,60% m/v (+) 3 0,10% m/v (J) 4,0 (+) 0,20% m/v (J) 4 0,10% m/v (J) 4,0 (+) 0,60% m/v (+) 5 2,00% m/v (+) 2,0 (J) 0,20% m/v (J) 6 2,00% m/v (+) 2,0 (J) 0,60% m/v (+) 7 2,00% m/v (+) 4,0 (+) 0,20% m/v (J) 8 2,00% m/v (+) 4,0 (+) 0,60% m/v (+) Ponto Central 1,05% m/v (PC) 3,0 (PC) 0,40% m/v (PC)

As Figuras 13 e 14 apresentam os gráficos de Pareto para o planejamento fatorial 23 para LJcisteína e tioureia, respectivamente. Não foi possível construir o gráfico de Pareto para o planejamento 23 para os experimentos empregando KI/ácido ascórbico como agentes redutores, pois os experimentos de nível alto para concentração de NaBH4 não puderam ser lidos, houve intensa formação de bolhas

impedindo a separação das fases líquida e gasosa. Assim, fixouJse a variável NaBH4

no nível mais baixo (0,20% m/v) e foram avaliadas as variáveis pH e concentração de KI/ácido ascórbico, conforme gráfico de Pareto da Figura 15.

Figura 13. Gráfico de Pareto gerado a partir do planejamento fatorial 23 com ponto central para As total por HG AAS em soluções aquosas empregando LJcisteína como agente préJredutor.

Figura 14. Gráfico de Pareto gerado a partir do planejamento fatorial 23 com ponto central para As total por HG AAS em soluções aquosas empregando Tioureia como agente préJredutor.

Figura 15. Gráfico de Pareto gerado a partir do planejamento fatorial 22 com ponto central para As total por HG AAS em soluções aquosas empregando KI/Ácido Ascórbico como agente préJredutor.

Para as soluções em que a préJredução foi realizada com LJcisteína, foram significativas a variável 1 (concentração de LJcisteína) e a interação das variáveis 1J 3 (concentração do préJredutor e concentração de NaBH4). A variável 1 e a

interação 1J3 foram significativas e negativas, indicando efeito antagônico entre essas variáveis.

Nos experimentos usando tioureia como préJredutor, somente a variável 3 (concentração de NaBH4) foi significativa e negativa. PercebeuJse novamente

dificuldades na separação das fases líquida e gasosa decorrente do aumento da concentração do tetrahidroborato de sódio, o que aumenta a quantidade de hidrogênio produzida levando ao umedecimento da membrana de separação gásJ líquido. Os resultados do planejamento experimental indicam, nos dois casos, a redução da concentração do NaBH4.

Para os experimentos empregando KI como agente préJredutor seguido de adição de ácido ascórbico nenhuma variável avaliada foi significativa dentro do domínio experimental avaliado.

Assim, as condições otimizadas foram: 0,10% m/v de agente préJredutor e 0,20% m/v de NaBH4. Como o pH não foi significativo na intervalo 2,0 – 4,0, optouJ

Para escolha do préJredutor a ser usado nas determinações de concentração total, foram comparados os sinais de absorbância para soluções padrão de mesma concentração (10 bg LJ1), conforme Tabela 30.

Tabela 30. Avaliação da intensidade do sinal de solução padrão de arsênio 10 bg LJ1

em diferentes condições. PréJRedutor / Concentração 0,10% m/v 0,55% m/v 1,00% m/v Absorbância Sem préJredutor 0,920 LJcisteína 1,200 1,524 1,564 Tioureia 1,848 1,983 2,003 KI/Ácido Ascórbico 2,366 2,365 2,475

Pela análise da Tabela 30, observaJse que o préJredutor que permite a obtenção do melhor sinal analítico é KI/ácido ascórbico. Assim, esses reagentes foram utilizados inicialmente. Porém, devido a problemas com entupimento das tubulações do sistema de injeção em fluxo, e, devido a dificuldades no uso do sistema para determinação de Hg em outros trabalhos, adotouJse a tioureia como agente préJredutor na quantificação de arsênio neste trabalho.

Após a seleção das condições de trabalho, iniciouJse o procedimento de validação do método para determinação de arsênio total.

5.2.2.2 Otimização da Determinação da Concentração de Arsênio Trivalente em Amostras de Água

Com base na diferença de cinética de formação da arsina a partir dos íons As(III) e As(V), a determinação da concentração de As(III) nas amostras de água foi efetuada por geração seletiva do hidreto.

A substituição do ácido clorídrico como fonte de H+ para a reação de formação do hidreto por um ácido mais fraco dificulta a formação do hidreto de As(V). Baseado no trabalho de Maity . (2004), foram realizados testes para análise quantitativa de As(III) em presença de As(V) empregando ácido cítrico como ácido carreador.

Devido à dificuldade de trabalhar com concentrações de NaBH4 maiores que 0,2%

m/v, esta variável foi fixada. E, então, de forma univariada, foram testados concentração do ácido carreador e pH da amostra.

Tabela 31. Níveis avaliados em otimização univariada para determinação de As(III)

em amostras de água.

Variável Nível Avaliado

Concentração de Ácido Cítrico (mol LJ1) 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30

pH da Amostra 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0

As Figuras 16a e 16b mostram o efeito do pH da amostra e a da concentração de ácido cítrico na determinação das espécies As(III) e As(V) em soluções de 25 bg LJ1 de cada espécie, respectivamente.

Figura 16. (a)Efeito do pH da amostra na geração seletiva de hidretos das espécies

arsenito e arsenato. (b) Efeito da concentração de ácido cítrico na geração seletiva de hidretos das espécies arsenito e arsenato.

As condições otimizadas foram: ácido cítrico 0,10 mol LJ1 e amostra com pH 5,0 (diluição da amostra com tampão citrato pH 5,0 a 50% v/v), sem adição de préJ redutor, pois nessas condições foram obtidas maiores diferenças entre as respostas para a espécie trivalente e pentavalente.

A Figura 17 compara curvas analíticas preparadas a partir de sais contendo arsenito e arsenato empregando ácido cítrico em substituição ao ácido clorídrico como fonte de H+ no processo de geração de hidretos. Este procedimento mostrouJ

se promissor, pois foi eficiente para evitar que o sinal de As(V) atrapalhasse a quantificação de As(III). As medidas foram feitas em triplicata para todos os pontos da curva, a média dos brancos foi obtida pela análise de 10 brancos independentes.

Figura 17. Curvas analíticas construídas em tampão citrato pH 5,0 a 50% v/v para

determinação de arsênio a partir de padrão de As(III) e As(V), e mistura em concentração igual das duas espécies empregando ácido cítrico 0,1 mol LJ1 como ácido carreador.

Como nessas condições praticamente não se observou a formação do hidreto a partir da espécie pentavalente, deuJse início ao processo de validação do método.

5.2.2.3 Validação dos Métodos de Análise de Arsênio Total em Soluções Aquosas e de Arsênio Trivalente em águas

As figuras de mérito foram determinadas segundo as recomendações do guia 2007 do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), exceto para os limites de detecção e quantificação, os quais foram determinados conforme as recomendações da IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), e para a seletividade, que foi avaliada por teste de interferentes.

5.2.2.3.1 Parâmetros de Validação

A Tabela 32 apresenta algumas figuras de mérito avaliadas para os procedimentos de determinação de As total e As(III).

Tabela 32. Parâmetros de mérito obtidos para os métodos de análise de arsênio.

Arsênio Total Arsênio Trivalente

Faixa Linear 0 – 20,0 bg LJ1 0 – 50,0 bg LJ1 Faixa de Trabalho 4,0 – 20,0 bg LJ1 6,5 – 50,0 bg LJ1 R 0,996 0,998 R2 0,992 0,997 LD 1,3 bg LJ1 2,0 bg LJ1 LQ 4,0 bg LJ1 6,5 bg LJ1 Recuperação (MRC; n=3) 98,5±1,3% JJJJ Recuperação (10 bg LJ1; n=9) 98,0±0,6% 94,9±1,2% Recuperação (25 bg LJ1; n=9) JJJJ 97,8±0,9% Recuperação (45 bg LJ1; n=9) JJJJ 95,2±0,9% DPR J Repetibilidade (10 bg LJ1) 3,1% (n=9) 4,6% (n=6) DPR J Repetibilidade (25 bg LJ1) JJJJ 3,5% (n=6) DPR J Repetibilidade (45 bg LJ1) JJJJ 3,9% (n=6) DPR J Precisão Intermediária (10 bg LJ1) 3,8% (n=18) 5,1% (n=12) DPR J Precisão Intermediária (25 bg LJ1) JJJJ 4,9% (n=12) DPR J Precisão Intermediária (45 bg LJ1) JJJJ 4,7% (n=12) Sensibilidade 0,198 0,045

A linearidade é a habilidade de um método analítico em produzir respostas diretamente proporcionais à concentração do analito em uma dada faixa de concentração. O valor do coeficiente de correlação linear das curvas (r) foi usado para avaliar a linearidade dos métodos. Os valores de r foram maiores que 0,99, evidenciando uma linearidade satisfatória.

A faixa linear é definida como a faixa de concentrações na qual a sensibilidade pode ser considerada constante e é normalmente expressa nas mesmas unidades

do resultado obtido pelo método analítico. A escolha do limite superior para a faixa linear, neste trabalho, foi definida com base no valor de R2, de forma que este fosse maior que 0,99. Para a determinação de arsênio total, o sinal analítico apresenta maior intensidade, resultando em uma maior inclinação da reta (melhor sensibilidade), com isso, a faixa linear ficou mais estreita.

Os valores de LD e LQ foram calculados conforme as recomendações da IUPAC.Os valores de LD e LQ obtidos para os dois métodos são diferentes, pois as condições de trabalho são diferentes, como pH da amostra e ácido (força e concentração) usado na geração do hidreto.

A veracidade do método de determinação de arsênio total foi avaliada empregandoJse o material de referência certificado NIST 1643e, para o qual a concentração de As certificada é de 60,45 ± 0,72 bg LJ1, sendo obtida uma concentração de 59,6 ± 1,9 bg LJ1, correspondendo a uma recuperação de 98,5% e valores concordantes ao nível de 95% de confiança pelo teste JStudent. Como as primeiras análises de água foram realizadas por ICPJMS, se considerarmos estes resultados como obtidos por uma técnica de referência, esta também poderia ser uma forma de validação do método proposto empregando HG AAS. A Tabela 34 mostra a comparação dos resultados para as amostras por ICPJMS e por HG AAS, sendo todos os valores concordantes pelo teste JStudent ao nível de 95% de confiança.

Para avaliar a veracidade do método para determinação de arsênio trivalente, devido à falta de material de referência certificado, foram realizados testes de adição e recuperação com concentrações (10 bg LJ1, 25 bg LJ1 e 45 bg LJ1 em triplicata) conhecidas de arsênio trivalente, pentavalente e misturas equimolares das duas espécies. Estas soluções foram submetidas ao método de determinação total e trivalente, sendo obtidas recuperações de aproximadamente 98% e 96%, respectivamente.

A precisão dos métodos foi testada nos níveis de repetibilidade e de precisão intermediária. Para o estudo de repetibilidade, as análises foram realizadas sob as mesmas condições e no mesmo dia, em triplicata. Para checar a precisão intermediária, as mesmas soluções foram analisadas pelo mesmo analista, sob as mesmas condições instrumentais, em dias diferentes. Tanto a repetibilidade quanto

a precisão intermediária foram expressas em porcentagem pelo desvio padrão relativo (DPR) das leituras. Em ambos os casos, os valores de DPR foram menores que 5% para os dois métodos.

A sensibilidade mostra a variação da resposta em função da concentração do analito, sendo expressa pela inclinação da reta de regressão, sendo de 0,198 e 0,045 para arsênio total e para arsênio trivalente, respectivamente. A sensibilidade é diferente para os dois métodos, visto que as condições de geração do hidreto são diferentes. A sensibilidade para arsênio trivalente é baixa, resultando em uma pequena variação de resposta, condizente com uma condição branda para formação do hidreto.

5.2.2.3.2 Seletividade

A seletividade é a capacidade de detecção de um ou mais analitos na presença de outros íons ou compostos, ou seja, determinar um elemento sem sofrer efeito de matriz. Para verificar a seletividade dos métodos, o efeito de íons frequentemente encontrados em águas foi avaliado. Os resultados são apresentados na Tabela 33.

Tabela 33. Porcentagem de recuperação de As total e As(III) 10 bg LJ1 na presença de possíveis íons interferentes.

Íon Concentração adicionada (mg LJ1) % Recuperação As total % Recuperação As(III) Na+ 1000 97 95 K+ 1000 98 96 Ca2+ 100 98 94 Mg2+ 100 97 105 Co2+ 10 102 108 Cu2+ 10 103 107 Fe3+ 10 92 91 Ni2+ 10 98 110 Al3+ 10 95 95 SO42J 100 97 101 PO43J 100 104 105 ClJ 1000 95 95 FJ 1000 98 97

Dentre os íons avaliados, apenas Fe3+ provocou uma variação maior que 5% no sinal de arsênio total. Entretanto, para as determinações de arsênio trivalente, os íons Ca2+, Co2+, Cu2+, Fe3+ e Ni2+ provocaram variação maior que 5% no sinal analítico. Estes resultados sugerem que na presença de concentração elevada desses íons nas amostras, poderá ocorrer interferência. DeveJse destacar que a concentração do analito é baixa e que o método proposto é para especiação, sendo assim, esses resultados são satisfatórios. Em análises espectrométricas, podem ser aceitáveis recuperações entre 80 e 120%, e, dependendo da faixa de trabalho com precisão de até ±15%.

5.2.2.4 Análise de Arsênio Total e Arsênio Trivalente em Amostras de Água

As análises de As total em água foram realizadas por ICPJMS (Tabelas 17 e 21). Mas, como a metodologia para especiação de arsênio emprega a técnica HG AAS para quantificação de As(III) e a concentração de As(V) é estimada pela diferença de leitura entre As total e As(III), os resultados obtidos por ICPJMS e HG AAS foram comparados, conforme mostrado na Tabela 34.

Tabela 34. Comparação das concentrações totais de arsênio obtidas por ICPJMS e

por HG AAS, e, concentrações das espécies trivalente e pentavalente obtidas por HG AAS. (n=3)

Amostras As Total (bg L

J1) HG AAS

ICPJMS HG AAS As(III) (bg LJ1) As(V) (bg LJ1) 1a Coleta J Outubro/2010 Asup 01 18,7 ± 0,5 17,3 ± 0,9 8,5 ± 0,4 8,8 ± 1,0 Asup 02 54,8 ± 0,2 54,4 ± 2,2 22 ± 1 32,6 ± 2,4 Asup 03 40,0 ± 0,1 37,9 ± 1,1 13,4 ± 0,7 24,6 ± 1,3 Asup 04 3,19 ± 0,03 1,6 ± 0,2 < 2,0 < 2,0 Asup 05 9,21 ± 0,13 8,2 ± 0,6 3,8 ± 1,1 4,4 ± 1,3 Asup 06 28,6 ± 0,9 28,5 ± 1,0 13,5 ± 0,6 15 ± 1,2 Asup 07 0,554 ± 0,007 < 1,3 < 2,0 < 1,3 Asup 08 110 ± 0,3 113 ± 4 53,7 ± 2,2 59,3 ± 4,6 Asup 09 73,7 ± 3,2 72,5 ± 2,7 13,6 ± 0,5 58,9 ± 2,7 Asub 01 0,379 ± 0,022 < 1,3 < 2,0 < 1,3 Asub 02 15,7 ± 1,2 14,1 ± 0,8 9,9 ± 0,5 4,2 ± 0,9 Asub 03 1,62 ± 0,03 < 1,3 < 2,0 < 1,3 Asub 04 1,11 ± 0,04 < 1,3 < 2,0 < 1,3 Abica 01 0,265 ± 0,031 < 1,3 < 2,0 < 1,3 2a Coleta J Novembro/2011 Incerteza Asup 01 8,50 0,39 8,8 ± 0,2 5,0 ± 0,1 3,8 ± 0,2 Asup 02 27,1 0,39 28,0 ± 0,2 17,1 ± 0,5 10,9 ± 0,5 Asup 03 17,9 0,39 19,9 ± 0,3 14,5 ± 0,5 5,4 ± 0,6 Asup 04 6,50 0,39 6,3 ± 0,1 3,6 ± 0,1 2,7 ± 0,1 Asup 05 21,5 0,39 15,2 ± 0,4 7,4 ± 0,1 7,8 ± 0,4 Asup 06 25,8 0,39 26,9 ± 0,1 13,7 ± 0,4 13,2 ± 0,4 Asup 07 <0,5 0,27 0,50 ± 0,02 < 2,0 < 0,5 Asup 08 33,9 0,39 31,4 ± 0,2 4,3 ± 0,7 27,1 ± 0,7 Asup 09 5,50 0,39 6,4 ± 0,2 0,47 ± 0,02 5,9 ± 0,2 Asub 01 <0,5 0,27 1,9 ± 0,1 < 2,0 < 2,0 Asub 05 10,7 0,39 10,0 ± 0,3 < 2,0 10,0 ± 0,3 Asub 06 <0,5 0,27 0,35 ± 0,03 < 2,0 < 0,5 Asub 07 <0,5 0,27 2,1 ± 0,3 < 2,0 < 2,0 Asub 08 <0,5 0,27 3,3 ± 0,4 < 2,0 < 2,0 Abica 01 <0,5 0,27 1,4 ± 0,2 < 2,0 < 2,0 Abica 02 <0,5 0,27 3,6 ± 0,5 < 2,0 < 2,0 1643 e Certificado 60,45 ± 0,72 Obtido 63,8 ± 3,7 59,6 ± 1,9

ObservaJse boa correlação entre os resultados de As total por ICPJMS e por HG AAS. Os resultados foram obtidos por medidas em triplicata e são concordantes ao nível de 95% de confiança pelo teste JStudent para a maioria das amostras.

Na primeira amostragem (outubro/2010), as amostras apresentaram de 18 a 49% do arsênio total na forma de arsenito. Já na segunda coleta (novembro/2011), verificouJse aumento relativo da espécie trivalente para a maioria dos pontos amostrados, a espécie trivalente foi encontrada variando de 7 a 73% da concentração total de As na água.

Conforme diagrama Eh/pH (Figura 18), nas condições observadas nessas coletas (Eh próximos de zero e pH neutro a levemente alcalino), a coexistência das duas espécies, arsenito e arsenato seria esperada, provavelmente nas formas H3AsO3 e HAsO42J, respectivamente.

Figura 18. Diagrama Eh/pH para as várias formas de As em meio aquoso. (Retirado

de Ribeiro Júnior, 2002).

Deschamps & Matschullat (2007), Borba . (2009), Liang . (2009) e Tuzen . (2010) observaram em seus trabalhos predominância da espécie pentavalente em águas, que é a espécie inorgânica menos tóxica. A 1ª coleta foi

condizente com esses trabalhos. Entretanto, na 2ª coleta, as amostras de águas superficiais Asup 01 a Asup 06 mostraram predomínio da forma arsenito.

Em sedimentos ricos em As e em óxidos de ferro, as bactérias redutoras promovem a solubilização de As e Fe, liberandoJos na forma de arsenato e íon férrico (oxidados). Porém, essas bactérias metabolizam o arsenato e o liberam novamente para o meio ambiente na forma de arsenito (reduzido, mais solúvel e mais móvel). (SARKAR ., 2013) No corpo d'água, haverá, portanto, predomínio da espécie trivalente sob condições redutoras e, em condições oxidantes, predomínio da espécie pentavalente. Entretanto, em condições oxidantes, com altos pHs e ambientes ricos em óxidos de ferro, o arsenato tão logo seja formado será precipitado junto aos óxidos de ferro. Na 2a coleta, foi observada considerável redução das concentrações de As total (e consequentemente As trivalente J em valores absolutos) e aumento percentual da concentração de arsenito comparada à 1a coleta, também foi observado aumento das concentrações de OD em todos os pontos amostrados. Esses dados podem justificar a notável redução da concentração de As total em todas as amostras de água superficial e subterrânea da 2ª coleta, além de sugerirem que os baixos percentuais de arsenato (Asup 01, Asup 02, Asup 03, Asup 04, Asup 05 e Asup 06) referemJse ao fato de sua rápida sorção nos sedimentos nessas condições, ou seja, o arsenito encontrado foi convertido a arsenato e removido da coluna d'água, depositandoJse nos sedimentos. Mas ao mesmo tempo, mais As está sendo solubilizado a partir dos sedimentos e posteriormente liberado por esses microJorganismos, sendo esses processos concomitantes. Por essa razão, é que quando os solos e sedimentos são ricos em óxidos de ferro e arsênio, dizJse que o As está "imóvel", pois a contribuição da ação bacteriana é relativamente pouco significativa (MELLO ., 2006).

Quanto às amostras Asup 08 e Asup 09, além do aumento de OD também houve aumento de Eh, contribuindo para que nelas o percentual de arsenito fosse menor que o de arsenato.

O método de especiação proposto mostrouJse simples e eficiente para determinação das espécies inorgânicas de arsênio em águas, sendo aplicado de forma bem sucedida a amostras reais.