1. BÖLÜM KARAKTER TASARIMI TANIMLANMASI
1.2. Karakter Tasarımının Kullanıldığı Alanlar
1.2.2. Mobil Oyun Karakterleri
O município de Birigui localiza-se na região noroeste do estado de São Paulo, a cerca de 520km da capital. Os seus quase 109 mil habitantes (IBGE, 2010) distribuem-se em 531km² de área territorial, fronteiriça com os municípios de Buritama, Coroados, Bilac e Araçatuba, dando este último nome à região administrativa em que está inserido Birigui.
Figura 11 - Localização da cidade de Birigui Fonte: Raphael Lorenzeto de Abreu
A principal atividade econômica da cidade é a industrial nos setores de metalurgia, de móveis, de cofecções de artigos de couro e, principalmente, de calçados, o que a torna a principal produtora de calçados infantis do país. Segundo a Prefeitura de Birigui, a indústria gera cerca de 25 mil postos de trabalho, sendo 75% deles na indústria calçadista. Assim, as mais de 170 empresas desse setor geram 19 mil empregos diretos e produzem cerca de 250 mil pares de calçados por dia, de acordo com números do Sindicato da Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi). Além da indústria, a
cultura da cana de açúcar vem se fortalecendo na região, mudando a paisagem local com o aumento dos canaviais e usinas.
O aglomerado calçadista de Birigui produziu em 2008, segundo dados do Sinbi, 63,5 milhões de pares de calçados, o que corresponde a quase 8% dos 804 milhões de pares de sapatos produzidos no Brasil neste ano e 52% dos 120 milhões de pares produzidos no estado de São Paulo.
Conforme mencionado, a indústria de calçados é a principal atividade econômica do município e teve origem na década de 1940 com as denominadas selarias, especializadas no trabalho artesanal e semi-artesanal de artigos de couro como calçados, selas, arreios, entre outros. A primeira selaria da cidade, a Selaria e Sapataria Noroeste, foi instalada em 1941, mas foi apenas em 1947 que Avak Bedouian, imigrante turco radicado na cidade, inaugurou a Indústrias de Calçados Biriguense, especializada em calçados masculinos. A iniciativa de Bedouian foi essencial para o desenvolvimento da indústria calçadista do município, pois o empresário trouxe de São Paulo o conhecimento obtido como cortador e modelista de calçados além da experiência com uma fábrica de calçados femininas também de sua propriedade. (GUERRERO, 2004, p. 89-90; RIZZO, 2004, p. 13-14)
O foco nos calçados infantis surgiu com os irmãos Antônio e Francisco Assumpção no final da década de 1950. Após um período trabalhando na Indústrias de Calçados Biriguense, Antônio seguiu com seu irmão Francisco para São Paulo em busca de melhores oportunidades de emprego. Na capital, os irmãos tiveram a oportunidade de trabalhar em uma fábrica de calçados infantis, aprendendo assim as especificidades do ramo para, dois anos depois, em 1957, retornar a Birigui com o objetivo de criar a primeira fábrica de calçados infantis da cidade. (BARBOSA & SOUZA, 2009; GUERRERO, 2004)
Já na década de 1960, observou-se o crescimento no número de indústrias de apoio ao setor calçadista, principalmente no fornecimento de insumos e componentes, fortalecendo os setores de cartonagem, de borracha e a metalurgia locais. A década posterior, 1970, foi marcada por uma aceleração da industrialização de Birigui “impulsionada pelo elevado número de empresas instaladas e pelo crescimento da produção, que chegou aos oito milhões de pares em 1978 [...]” (BARBOSA& SOUZA, 2009. p. 61) Essa década foi marcada ainda pelo início das exportações de calçados, principalmente para países da América Latina, pela instalação do primeiro centro de treinamento de mão-de-obra (denominado Escola de Aprendizagem de Oficiais de Calçados), pela inovação em produto feita por meio do licenciamento de marcas (como a Turma da Mônica) e pelo início da utilização de componentes e insumos sintéticos no processo produtivo.
A década de 1980 é considerada por muitos a “era de ouro” da indústria calçadista, devido ao grande número de novas fábricas e ao desenvolvimento das empresas já instaladas. Nesse mesmo período, houve uma mudança sigificativa no setor, causada pela inserção do tênis no universo de calçados infantis, fato que
[...] acelerou o uso de materiais alternativos no processo produtivo, a ampliação no uso de cores e o incremento na confecção de calçados com personagens de desenhos animados [...] A agregação de brindes, gibis e outros itens que pudessem tornar os produtos visualmente mais atrativos [...] foi uma das estratégias utilizadas pelas empresas no período analisado. (BARBOSA; SOUZA, 2009. p. 139)
Além do crescimento e desenvolvimento das indústrias calçadistas, novas instituições de apoio foram criadas para auxiliar na expansão do setor, sendo elas a Associação Profissional da Indústria do Vestuário de Birigui (atual Sinbi), o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário e o Centro de Treinamento Avak Bedouian (atual SENAI). No entanto, apesar do saldo positivo da década de 1980, houve diversas dificuldades, principalmente devido ao cenário macroeconômico do país; os anos de 1986 e 1987, marcados pelo Plano Cruzado, foram especialmente difíceis para a indústria de calçados de Birigui.
Após um período positivo, os anos de 1990 exigiram a reestruturação e modernização do setor calçadista, marcando a década como um período de fechamento de fábricas e busca por inovações para que as empresas pudessem se ajustar ao momento de transição. A abertura econômica mostrou a necessidade de melhoria na qualidade dos produtos, bem como de investimento em propaganda e no fortalecimento das marcas para que os produtos brasileiros fossem competitivos em relação aos produtos importados. Em relação ao processo de produção, surgiram novas formas de trabalho com as minifábricas, com as células de produção e com a terceirização de algumas atividades. No fim, Barbosa e Souza (2009) acreditam que uma das contribuições mais importantes da década foi o aumento da troca de informações entre os empresários da região; que marcou o início de uma cultura de cooperação que viria a diferenciar Birigui em relação a outros pólos calçadistas.
Ainda em 1993, o Sinbi, em parceria com o SEBRAE-SP, organizou um “Central de Compras” que reuniu 24 pequenas e médias empresas com o objetivo de reduzir os custos na compra de insumos e matérias primas. No ano seguinte, também em parceria com o SEBRAE-SP e com a Prefeitura Municipal, foi criado um “Pólo de Modernização Empresarial das Pequenas Empresas do Pólo Calçadista de Birigui”, que oferecia consultorias gratuitas aos empresários visando maior profissionalização do setor. Em 1996, teve início o “Programa Empresarial Biriguense pela Qualidade Total”, considerado um passo importante em termos de coletividade.
O Programa foi dividido em três etapas, sendo elas a) investimento em qualidade e produtividade, b) requalificação da mão-de-obra e c) ações mercadológicas. Vedovotto (1996) acredita que
a importância do programa está intimamente ligada às reuniões mensais de trabalho entre todas as empresas participantes, que pela análise do desenvolvimento do colega fabricante vão melhorando seus métodos de trabalho, padronizando suas operações, adequando o layout da indústria às reais necessidades de maior produtividade, trocando experiências positivas e negativas, auxiliando-se mutuamente e, o que é mais importante, praticando no dia-a-dia a saudável constatação que não são mais concorrentes entre si, mas parceiras na busca de soluções que possam guiá-las na conquista da excelência gerencial para que consigam brigar em igualdade de condições com as indústrias de todo o mundo pela fatia de mercado aberta pela globalização. (VEDOVOTTO, 1996, p.112 apud GUERRERO, 2004, p.95)
A década de 2000 marcou a retomada do crescimento do setor após um período de dificuldade e reestruturação. Várias das iniciativas mais importantes observadas nesses anos tem como característica marcante o trabalho coletivo, ou seja, o desenvolvimento da cooperação iniciada anteriormente. Ainda em 1999, foi formado o consórcio de
exportação, formalmente denominado Associação de Pequenos e Médios Exportadores de Birigui (APEMEBI), cujo trabalho levou ao dobro do número de calçados importados entre os anos de 1999 e 2005. Outras iniciativas coletivas foram a organização da 1ª. Feira de Máquinas, Equipamentos e Componentes de Birigui (FEICAL) em 2003, a doação de 110 mil pares de calçados ao Programa Fome Zero do governo federal no mesmo ano e o projeto da “Fantástica Fábrica de Sapatinhos” na Couromoda de 2007. Surgiram ainda a primeira filial do Instituto Pró-Criança – com sede na cidade de Franca –, o Centro Paula Souza de ensino técnico, o “Brinca Birigui”, a Birifest – Festa do Trabalhador, o Museu Virtual do Calçado de Birigui e o Programa deArranjo Produtivo Local.