3. BÖLÜM MOBİL OYUN YAPIM SÜRECİ VE UYGULAMA PROJESİ
3.2. Uygulama Projesi
não lhes retira o caráter de conjeturas. Nada é mais freqüente, sob a pena de Darwin, do que a palavra “provável”; ele mesmo menciona as objeções de todos os tipos que se podem levantar contra sua hipótese.”
20 “...temos aí ao menos duas condições necessárias para o surgimento da epistemologia como disciplina
bem fundamentada. A primeira, que cada ciência deve ser considerada antes de tudo, naquilo que ela tem de diferente e único, que deve ser encarada como um objeto dotado de um funcionamento singular. A segunda, que nenhuma ciência deve apresentar-se como uma constelação de “verdades”, mas se oferecer como tema possível de um exame histórico ou filológico: a) histórico: as ciências são aventuras contingentes (da razão...se não podemos dispensar uma personagem) e suas proposições podem ser tratadas enquanto acontecimentos [...], b) filológico: é possível conferir-lhe o estatuto de um texto e considerar cada uma delas como um corpus de fórmulas (enunciados, protocolos, indicações de pesquisa...) no qual se deposita um trabalho coletivo, cujas articulações exprimem escolhas ou decisões. Essa segunda condição pode ser mais bem enunciada da seguijnte maneira: o fato de haver “história da ciência” implica que a palavra epístasthai designa uma aventura.; o fato de haver “epistemologia” implica que designa uma estratégia.” (Lebrun, 2006, pp137-138)
A metodologia é, segundo o Houaiss (2010), o “corpo de regras e diligências estabelecidas para realizar uma pesquisa”, ou seja, o método, como a pesquisa será realizada. A escolha e a aplicação rigorosas da metodologia são de extrema importância para a pesquisa científica, independente de sua natureza, pois demonstra o cuidado no estudo, dá base para o projeto de pesquisa e assegura os critérios utilizados durante todo o seu desenvolvimento. Já o projeto de pesquisa é “a seqüência lógica que conecta os dados empíricos às questões de pesquisa iniciais do estudo, e, finalmente, às suas conclusões. Coloquialmente, um projeto de pesquisa é um plano lógico para chegar daqui até lá [...]” (YIN, 2010, p. 48)
Um projeto de pesquisa, por se tratar de um conjunto lógico de declarações, pode ser julgado quanto à sua qualidade de acordo com quatro conceitos que compõem certos testes lógicos: fidedignidade, credibilidade, confirmabilidade e fidelidade dos dados. (U.S. Government Accountability Office, 1990, apud YIN, 2010, p. 63) São quatro os testes lógicos comuns a todos os métodos da ciência social e estão citados abaixo:
Validade do constructo: identificação das medidas operacionais corretas para os conceitos sendo estudados. Validade interna (apenas para estudos explanatórios ou
causais e não para estudos descritivos ou exploratórios): busca do estabelecimento da relação causal pela qual se acredita que determinadas condições levem a outras condições, diferenciadas das relações espúrias.
Validade externa: definir o domínio para o qual as descobertas do estudo podem ser generalizados.
Confiabilidade: demonstração de que as operações de um estudo – como os procedimentos para a coleta de dados – podem ser repetidas, com os mesmos resultados. (YIN, 2010, p. 63)
Deve-se ressaltar a importância dos conceitos previamente citados, pois são essenciais para que se faça uma pesquisa de qualidade e que, além disso, se tenha essa pesquisa reconhecida no meio científico. A correta manipulação dos dados utilizados na pesquisa, o registro lógico e completo das etapas, a análise criteriosa dos conceitos e teorias utilizados, combinados com os processos e resultados obtidos na utilização das técnicas de pesquisa são alguns dos muitos cuidados necessários para que a pesquisa seja validada e possa, de fato, contribuir para a construção do conhecimento. (YIN, 2010)
7.4.1. Método qualitativo
Neste trabalho, que busca explorar a criação de vínculos de confiança empresarial, optou-se pela utilização do método qualitativo; bastante comum nos estudos de ciências sociais, esse método vem ganhando cada vez mais espaço em outros campos do saber. Ao contrário da pesquisa quantitativa, que envolve a coleta e análise de dados
numéricos e aplicação de testes estatísticos entre outras técnicas, a pesquisa qualitativa examina e reflete as percepções para a obtenção de um entendimento de atividades sociais e humanas. (COLLIS & HUSSLEY, 2005, p. 26) Mais do que isso, ela “compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados. Tem por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se de reduzir a distância entre indicador e indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação.” (VAN MAANEN, 1979, p. 520 apud NEVES, 1996, p.1)
O método qualitativo, portanto, exige em muitos casos a participação mais próxima do pesquisador, o contato direto com o objeto de estudo, a capacidade de empatia - isto é, a capacidade de se identificar com o objeto de estudo e, a partir daí, desenvolver a análise de uma situação – a capacidade de analisar teoria e objeto em conjunto, apontando semelhanças e diferenças, entre outras. Dessa forma, por valer-se mais de aspectos subjetivos e não de aspectos objetivos encontrados com maior facilidade na matemática e na estatística, por exemplo, a pesquisa qualitativa apresenta também problemas, os quais não foram ignorados no momento de sua escolha e que serão expostos a seguir.
Uma pesquisa qualitativa que tem como objeto de estudo pessoas – como é o caso da pesquisa no Arranjo Produtivo Local de Birigui, a qual foca no programa Cooperar para Competir, de que fizeram parte alguns empresários do arranjo – não pode ignorar o contexto em que essas pessoas estão inseridas. Mesmo o estudo cuidadoso desse contexto, feito por um pesquisador o qual provavelmente não está inserido no mesmo, dificilmente apontará todos os aspectos que influenciam o objeto de estudo, simplesmente porque a complexidade da dinâmica de interações só pode ser entendida em sua totalidade por aqueles que a vivenciam. Outros dois problemas de grande relevância são os métodos utilizados para a análise, que, no caso da pesquisa qualitativa, nem sempre são considerados fidedignos, e a questão da objetividade e dos vieses de interpretação, sendo a primeira, segundo Mellon (1990, p.26 apud NEVES, 1996, p.4) impossível de ser atingida em sua totalidade uma vez que os pesquisadores são seres humanos e, portanto, sujeitos aos vieses. De caráter mais prático, mas não menos importante, há o problema da forma e do conteúdo quando são expressas as idéias, principalmente nos relatórios. Isso acontece porque
Argumentos são expressos sob a forma de texto, de forma que diferenças de estilo, de contexto, ou a intenção de atribuir ao signo um caráter simbólico particular podem não ser captados pelo pesquisador. O próprio texto deve ser objeto de análise e as diferenças de relação significante-significado podem afetar os resultados da análise, razão pela qual devem elas próprias ser objeto de consideração. (NEVES, 1996, p. 4)
Segundo Vergara (2003, p.47), a pesquisa exploratória é utilizada quando se trabalha áreas nas quais há pouco conhecimento acumulado e sistematizado e, portanto, esse tipo de pesquisa se assemelha a uma sondagem, uma investigação metódica. Por se tratar de um campo pouco explorado, geralmente não são utilizadas hipóteses no início da pesquisa, mas elas podem surgir durante ou mesmo no estágio final de análise. Cook et al (1974) afirmam que a pesquisa exploratória pode ter outras funções como
aumentar o conhecimento do pesquisador acerca do fenômeno que deseja investigar em estudo posterior, mais estruturado, ou da situação em que pretende realizar tal estudo; o esclarecimento de conceitos; o estabelecimento de propriedades para as futuras pesquisas; a obtenção de informação sobre possibilidades práticas de realização de pesquisas em situações de vida real; apresentação de um recenseamento de problemas considerados urgentes por pessoas que trabalham em determinado campo de relações sociais. (COOK et al, 1974, p.60)
Dessa forma, a pesquisa sobre laços de confiança busca organizar o conhecimento adquirido por meio do estudo de caso do Programa Cooperar para Competir, levantar hipóteses e apontar caminhos que esclareçam alguns conceitos sobre o estabelecimento desses laços.
7.4.3. Estudo de caso
O estudo de caso é um tipo de pesquisa restrito a um pequeno número de objetos, sendo estes pessoas, comunidades, empresa, ou algum outro tipo de unidade. Por ser caracterizado como um estudo aprofundado e detalhado, permite o melhor entendimento de fenômenos sociais complexos, ou seja, permite que se observe e estude uma situação de forma holística e as características significativas dos eventos da vida real. (VERGARA, 2003, p. 49; YIN, 2010, p. 24)
Yin (2010) já oferece uma definição mais clara do estudo, como observado a seguir:
O estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. (p.39)
O autor afirma ainda que o estudo de caso é um método de pesquisa adequado quando a pesquisa se propõe a responder as questões “como?” e “por quê”?, percorrendo, assim, todo o caminho do fenômeno para tentar entender seus meios e seus fins. Além disso, o método não exige controle dos eventos comportamentais – como ocorre, por exemplo, em experimentos – e geralmente tem seu foco em eventos contemporâneos, os quais podem ser muitas vezes acompanhados. (YIN, 2010, p.31) A pesquisa desenvolvida sobre laços de confiança empresarial corrobora essas características, pois busca entender
como esses laços são criados a partir da análise de um evento contemporâneo o qual não pode ser controlado pelos pesquisadores, mas que pôde ser acompanhado em determinados momentos.
Algumas das técnicas utilizadas no estudo de caso são as mesmas da pesquisa histórica, como o levantamento de dados, mas há também algumas técnicas de caráter direto, que exigem interação com o objeto, como a observação direta dos eventos e as entrevistas com as pessoas envolvidas nesses eventos.
Há também algumas reservas com a utilização deste método de pesquisa, que se fundamentam em argumentos a serem enumerados:
a) A falta de rigor observada em algumas pesquisas de estudo de caso; b) A confusão entre o método de pesquisa de estudo de caso e o estudo de caso utilizado no ensino – neste ponto, é importante diferenciar o estudo de caso utilizado no ensino, o qual é, em muitos exemplos, fictício ou manipulado e representante de uma situação com características que facilitem o aprendizado, da pesquisa de estudo de caso, que tem como objeto uma situação real a ser analisada;
c) A preocupação com a generalização científica feita com base no estudo de caso e
d) O caráter longo e muitas vezes dispendioso do estudo de caso.
Todos esses poréns devem ser levados em conta na escolha do método de pesquisa para que o projeto seja, de fato, sólido e obtenha resultados significativos. (YIN, 2010, p.35-37)
Em se tratando de planejamento, o estudo de caso demanda diversos cuidados, principalmente nas fases preliminares. A definição do caso de acordo com o campo que se quer explorar ou a definição de como abordar um caso já escolhido; o estabelecimento dos “limites” do caso a ser estudado, uma vez que é extremamente difícil englobar absolutamente todos os atores e todas as situações; a abordagem a ser usado no contato direto e indireto e como será feito esse contato; o tipo de informação que se deseja de cada fonte são todas escolhas que devem ser pensadas e pesadas para que se consiga levar a frente o estudo de caso. (SIMONS, 2009, p. 28-42)
Particularmente, quando se fala de estabelecer “limites”, Simons oferece um ponto de vista importante:
Opinions differ on whether it is necessary to define the boundary of the case at the beginning of your research. Personally, I think it helps to think through what you think your study is a case of. However, you need to be aware that this may change once you enter the field and gain a realistic sense of where to draw the boundary to most effectively research the topic you are exploring. You may need to conceptualize the case differently to match what you find. The boundaries may also shift in the course of conducting the study and once you begin the analysis. (SIMONS, 2009, p.29, in press)