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MIDTERM RESULTS OF TOTAL HIP ARTHROPLASTY IN PATIENTS WITH DEVELOPMENTAL DYSPLASIA OF THE HIP

Kant inicia essa seção da CRPr deixando claro o que ele entende por

conceito de razão prática, que é exatamente “a representação de um objeto (Objekt) [do entendimento] enquanto efeito possível da liberdade.”230 A questão é saber se na possibilidade de nos ser permitido ter a lei como princípio determinante do agir e se este

estiver necessariamente determinado por aquela, se podemos “querer uma ação que se dirige à existência de um objeto (Objekt), e se este estivesse em nosso poder, por conseguinte, o que deve preceder é a possibilidade moral da ação”.231 O representar é

um “dar a si mesmo”, é um pôr para si. Um objeto (Objekt) é algo que se deseja; um objeto dado pelo entendimento e que é produzido por uma ação livre; um efeito da liberdade. Um objeto (Gegenstand) significa a relação de uma vontade à ação, que por

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Entraremos em maiores detalhes mais para frente neste trabalho, entretanto, no I cap. Já vimos que Kant apontava para tal ideia perfeita.

229 KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática . Tradução de Artur Morão. Lisboa: edições 70, 2001, A 58, p. 45

230 Ibid., A 100, p. 71

meio desta, aquele objeto (Gegenstand) se realiza quanto ao ato de julgar se uma determinada coisa é ou não objeto da pura razão prática e se encontra-se na distinção entre saber se é ou não possível querer ou não esta ação; ação esta que permitirá a realização e a efetivação daquele objeto (Objekt).

Kant deixa claro que antes de efetuar-se a análise (o julgamento) para se verificar se um dado objeto (Objekt – objeto do entendimento) é um objeto (Gegenstand

– objeto da sensibilidade), é necessário que o primeiro tenha possibilidade de efetivação

real (possibilidade física)232 mediante a nossa ação livre, nosso esforço efetivo para tal. Assim, ele não nos parece muito interessado em ser claro, mas esperamos poder mostrar que a sua real intenção era dizer algo como: para que um objeto do entendimento (Objekt) tenha valor de determinação em uma ação moral, o seu critério de julgamento não pode ser a sensibilidade ou a sensação de agrado ou desagrado, visto que um objeto do entendimento não pode ser efeito de uma vontade determinada patologicamente.

Os objetos [Objekt] da razão prática são somente em dois, a saber, o bem e o mal. O primeiro deve ser compreendido como um objeto necessário da faculdade de desejar um objeto (Gegenstand)233; o segundo, pelo seu contrário, ou seja, a de ojeriza,; entretanto, ambos os conceitos estão em comum acordo com um princípio da razão, a saber, a faculdade de desejar. Kant salienta que não temos como saber qual representação nos permitirá usufruir de prazer ou de seu oposto. É justamente por isso que, segundo ele, a experiência nos permitiria uma solução mais adequada em nos dizer o que nos seria de imediato bom ou mal, do que a razão. Porém, pela dificuldade em se

diferenciar o que seria “agradável do bem, o desagradável do mal234”, exige-se que tanto o conceito de bem quanto o de mal sejam julgados pela razão e, conforme ele

salienta, “[…] mediante conceitos que podem comunicar-se universalmente, e não pela

simples sensação, que se limita a objetos individuais e à sua susceptibilidade”.235

Para Kant, “a consideração do nosso bem (Wohl) e do nosso mal (Weh) tem uma grande importância nos juízos de nossa razão prática e, no concernente à nossa

232 KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática . Tradução de Artur Morão. Lisboa: edições 70, 2001, A 101, p. 71

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BRESSAN nos indica, mas especificamente o significado atribuído por Kant aos termos Gegenstand e Objekt. “em termos gerais, podemos definir Gegenstand como aquilo que aparece a priori da intuição sensível, espaço e tempo, muito embora ainda careça das funções do entendimento. Por outro lado, Objekt significa um objeto sintetizado pela ação espontânea do entendimento.” (A Crítica Kantiana ao Idealismo Material. Thaumazein, n° 1, setembro/2007, p. 5)

234 KANT, Op. cit., A 102, p. 72 (Grifos do autor) 235 Ibid.

natureza como seres sensíveis, tudo depende da nossa felicidade […]”.236 Isto porque, segundo ele, enquanto pertencentes ao mundo sensível, somos seres de necessidades e, em relação a isso, cabe à razão uma tarefa da qual ela não pode se esquivar, que é a preocupação com a própria sensibilidade e, neste caso, tem ela que produzir máximas de ação que vislumbrem aquela (a felicidade), tanto nesta vida e, como ele salienta, para uma futura. Citamos o filósofo:

O homem é um ser de necessidades enquanto faz parte do mundo sensível e, a este respeito, a sua razão tem certamente uma missão indeclinável de se preocupar com o interesse da sensibilidade e de se fazer máximas práticas, em vista da felicidade desta vida e, se possível, também da de uma vida futura.237

O prazer que procuramos não é necessariamente um bem no sentido de bom, mas tãosomente um bem-estar, uma sensação de agradável que se equipara ao conceito de um objeto da intuição, entretanto, o uso de uma ação que visa atingir um estado de bem-estar é entendida como boa, toda via, por ser afetada, a vontade não mais é pura. Citamos Kant:

O próprio fim, o prazer que procuramos, é, no último caso, não um bem [no sentido de Gutes], mas um bem [no sentido de [Wohl] […], um conceito empírico de um objeto (Gegenstand) da sensação; porém, o uso do meio para tal fim, isto é, a ação […] chama-se boa (gut) […]; mas a vontade, cuja máxima é assim afetada, não é uma vontade pura, que visa apenas aquilo em que a razão pura pode ser prática por si mesma.238

Mediante esta analise, Kant expõe o paradoxo do método no qual caíram todos os que tentaram fundamentar a moral em princípios heterônomos como os

estóicos e também os epicuristas. O paradoxo é o seguinte: “o conceito do bem e do mal não deve ser determinado antes da lei moral (à qual, na aparência, ele deveria servir de fundamento), mas apenas (como também aqui acontece) segundo ela e por ela.”239 O erro encontra-se no fato de que se buscou sempre fundar um sumo bem, o conjunto dos elementos que constituem o que é a moralidade, com intenção de, mediante aquele, estabelecer o que era moral ou não. E como não era possível fugir da experiência para fazer a fundamentação que pretendiam, o fim era sempre o mesmo, heteronomia. O procedimento correto, segundo Kant, é justamente o oposto: é necessário que primeiro se ponha a lei moral para que depois seja possível determinar, via esta mesma lei, o bem

236 KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática . Tradução de Artur Morão. Lisboa: edições 70, 2001, A 107, p. 75

237 Ibid.

238 Ibid., A 110, p. 76

e o mal. Nos termos de Kant: “[…] é a lei moral que determina e torna possível, acima

de tudo, o conceito de bem, na medida em que ele merece absolutamente este nome.”240 O erro dos seus antecessores, ao perscrutarem os fundamentos da moral, esteve em quere pôr o objeto do prazer em elementos que sempre produziram tão somente heteronomia como a perfeição no sentimento, na vontade de Deus. Nas

palavras do filósofo: “Ora, eles preferiram pôr este objeto do prazer, que devia servir

como o supremo conceito do bem na felicidade, na perfeição, na lei moral [ou no sentimento241] ou na vontade de Deus; o seu princípio era assim sempre uma heteronomia”.242 Portanto, é a lei moral quem irá dizer o que é bom ou mal. Com isso, entende-se que, somente após o estabelecimento da lei moral, enquanto princípio de determinação imediato da vontade, é que se poderia fazer a identificação de um objeto a esta vontade, e assim, definir o seu problema. E, além disso, pela análise dos conceitos dos objetos da razão prática, conclui-se que, os mesmos são dados a priori e, além do mais, a matéria da ação moral pode ser determinada segundo as categorias, referindo-se a eles tais que passam a nos dar todas as possibilidades de fazermos a identificação das ações segundo as intenções que as orientam.