• Sonuç bulunamadı

Mesleki Yeterlilik ile ilgili Düzenlemeler

3.2. TÜRKİYE’ DE MALİ KARAR ALMA SÜREÇLERİNİN

3.2.1. İç Denetim Fonksiyonuna Yönelik Temel Koşulların Değerlendirilmesi

3.2.1.6. Mesleki Yeterlilik ile ilgili Düzenlemeler

No ano de 2006 o Brasil foi marcado por um acirramento do debate sobre a inclusão social no ensino superior a partir da divulgação de dois

manifestos, o primeiro contrário e o segundo favorável a implantação de ações afirmativas para estudantes negros e indígenas37.

O primeiro manifesto intitulado “Todos têm direitos iguais na República Democrática” foi assinado por acadêmicos, artistas e intelectuais reconhecidos nacionalmente. Foi entregue aos parlamentares do Congresso Nacional em 29 de junho de 2006 e iniciaram registrando no primeiro parágrafo,

“O princípio da igualdade política e jurídica dos cidadãos é um fundamento essencial da República e um dos alicerces sobre o qual repousa a Constituição brasileira. Este princípio encontra-se ameaçado de extinção por diversos dispositivos dos projetos de lei de Cotas (PL 73/1999) e do Estatuto da Igualdade Racial (PL 3.198/2000) que logo serão submetidos a uma decisão final no Congresso Nacional38”.

Entre os argumentos que reprovam a aprovação dos projetos lei, destaca-se que a nação passaria a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da pele, pela raça e isso poderia semear o racismo como demonstram exemplos históricos e contemporâneos e ainda bloquear o caminho para resolução real dos problemas de desigualdades. Munanga, nas suas análises entende a ação afirmativa como uma medida anti-racista necessária, pois a desigualdade racial tem fortes raízes históricas e esta realidade não será alterada sem a aplicação de políticas públicas específicas,

“O Brasil está longe de ser uma democracia racial. No mercado de trabalho, na política, na educação, em todos os âmbitos, os negros têm menos oportunidades e possibilidades que a população branca. O racismo no Brasil está imbricado nas instituições públicas e privadas, e age de forma silenciosa. As cotas não criam o racismo, ele já existe. As cotas auxiliam o debate da sua perversa presença, funcionando como uma efetiva medida

37Os manifestos foram extraídos do site: www.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u18773.shtml 38O Pl das Cotas torna compulsória a reserva de vagas para indígenas e negros nas instituições

anti-racista” (Munanga, 1996: 42). Pontos de vista como esse foram rebatidos nas linhas do manifesto,

“Esta análise não é realista nem sustentável e tememos as possíveis conseqüências das cotas raciais. Transformam classificações estatísticas gerais (como as do IBGE) em identidades e direitos individuais contra o preceito da igualdade de todos perante a lei. A adoção de identidades raciais não deve ser imposta e regulada pelo Estado. Políticas dirigidas a grupos raciais estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo podem até produzir o feito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça, possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância. A verdade amplamente reconhecida é que o principal caminho para o combate à exclusão social são as políticas universais”.

Nesse sentido, esse manifesto parece não considerar que a nação brasileira é formada por desigualdades provenientes da história e que para serem corrigidas é necessário ponderar as diferentes necessidades dos grupos. Em decorrência dessa visão, a aprovação dos dois projetos de lei introduziria a categoria raça na elaboração das políticas públicas o que geraria hierarquias raciais estranhas à experiência nacional. Assim, as assimetrias, quando admitidas, resultam de uma distribuição desigual da riqueza econômica e a existência residual de preconceitos e discriminações raciais que devem ser combatidas com políticas universais.

Em resposta ao primeiro manifesto, em 3 de julho de 2006 foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara o outro manifesto com o objetivo não só de reagir, mas também de sintetizar argumentos favoráveis à ação afirmativa, assinado por intelectuais, militantes do movimento negro e acadêmicos. Intitulado “Manifesto em favor da lei de cotas e do estatuto da igualdade racial” que argumenta o seguinte,

“Foi a constatação da extrema exclusão dos jovens negros e indígenas das universidades que impulsionou a atual luta nacional pelas cotas (...) O PL 73/99 (ou Lei de Cotas) deve ser compreendido como uma resposta coerente e responsável do Estado brasileiro aos vários instrumentos jurídicos internacionais a que aderiu (...) Gostaríamos ainda de fazer uma breve menção ao documento contrário. Ao mesmo tempo em que

rejeitam frontalmente as duas leis em discussão, os assinantes do documento não apresentam nenhuma proposta alternativa concreta de inclusão racial no Brasil, reiterando apenas que somos todos iguais perante a lei e que é preciso melhorar os serviços públicos até atenderem por igual a todos os segmentos da sociedade. Essa declaração de princípios universalistas, feitas por membros da elite de uma sociedade multi-étnica e multi-racial com uma história recente de escravismo e genocídio sistemático, parece uma reedição, no século XXI, do imobilismo subjacente à Constituição da República de 1891: zerou, num toque de mágica, as desigualdades causadas por séculos de exclusão e racismo”.

No segundo manifesto, a mensagem que nos passa é de que a construção e o desenvolvimento da República não só não se deu de forma democrática, como também se assentou nas assimetrias legadas, em parte, pelas experiências colonial (hierarquias étnicas e raciais, de gênero, status social etc) e, em parte, pelo processo de urbanização e industrialização desigualmente distribuído no país com o fim da escravidão, aprofundando desequilíbrios regionais, e contribuindo para o surgimento da clivagem de classe em interseção com outras formas de diferenciação social (Munanga, 1996).

Uma vez que a intervenção estatal teria beneficiado alguns indivíduos e grupos mais do que outros, as assimetrias seriam constitutivas da própria República necessitando, portanto, para sua efetiva democratização, reconhecer que a gama de distorções legadas pelo colonialismo e pela industrialização gerou uma sociedade profundamente hierarquizada e racializada. Assim, os direitos nunca foram iguais na República e a democracia é um processo em construção que necessita incorporar a todos os indivíduos e grupos em suas similaridades e diferenças.

Portanto, os que se declaram contra as cotas acreditam que no campo das políticas públicas os avanços se produzem por etapas seqüenciais: primeiro é preciso melhorar a qualidade da educação básica e depois se democratiza a universidade, é a defesa por políticas universais que não recorrem a recortes raciais, étnicos, gênero etc. Os que se declaram a favor

Brasil e acreditam que a justeza da política se afirma por conta de que uma parcela da população foi lesada por processos históricos.

Quando foram publicizados ambos os manifestos, independente da posição defendida, contribuíram para que a sociedade entendesse melhor o que era o projeto das cotas e quem o defendia ou não. No ano de 2006, quando foram divulgados, algumas universidades estaduais e federais já haviam implantado as cotas para estudantes negros, indígenas e estudantes de escolas públicas nos seus vestibulares e a maioria adotou essa medida após debates no interior de seus espaços acadêmicos. Os dados que eram apresentados, como o rendimento satisfatório dos alunos cotistas, começaram a desmontar um preconceito muito difundido, dentre tantos outros, de que as cotas conduziriam a um rebaixamento da qualidade acadêmica.

Em suma, os manifestos apresentam duas posições antagônicas de um debate que situa a questão de como podemos pensar a igualdade e a diferença em uma sociedade que apresenta a diversidade entre seu povo.