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Uluslar arası Kuruluşlar Tarafından Yapılan Değerlendirmeler

3.1. TÜRKİYE’ DE KAMU MALİ KARAR ALMA SÜREÇLERİNDE ETKİNLİK

3.1.1. Türkiye’ de Kamu Mali Karar Alma Süreçlerinde Değişimi Ge rektiren

3.1.1.2. Uluslar arası Kuruluşlar Tarafından Yapılan Değerlendirmeler

A Conferência de Durban constituiu um marco importante para a redefinição da agenda das relações raciais no Brasil. As conclusões finais da Conferência solicitavam dos países signatários a adoção, quando necessário, de medidas apropriadas para assegurar que os cidadãos pertencentes às minorias nacionais, étnicas, religiosas e lingüísticas tenham acesso a bens sociais fundamentais.

Como responsabilidade iminente dos Estados participantes as medidas da Conferência deveriam ser aderidas como política nacional através da construção do Plano de Ação Pós-Durban. Essa tarefa, portanto, seria herdada pela gestão federal em curso, o governo Fernando Henrique Cardoso e a futura gestão que se avizinhava com o governo de Luís Inácio Lula da Silva a empreenderem esforços para elaboração do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

Com a presença efetiva do movimento negro, como proponente, participante crítico ou componente do processo de monitoramento da implementação das políticas públicas, as ações afirmativas apresentaram-se como desafio à nova gestão. Nesse sentido,

“As políticas de ação afirmativa e a relação com as chamadas “áreas duras”, como planejamento, economia e infra-estrutura, foram as principais recomendações do Relatório de Transição do Governo. Acrescente-se a proposição para criação de um órgão com responsabilidade de coordenação de políticas, orientado pela transversalidade, incorporando as dimensões de raça, classe social, gênero e a presença de negros e negras na estrutura do poder do governo federal” (Ribeiro, 2006: 27).

Seguindo os indicativos da proposição de um projeto voltado para promoção da igualdade racial, o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva criou a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em 21 de março de 2003, destacando a data instituída pela ONU – Dia Internacional Contra Todas as Formas de Discriminação Racial.

A SEPPIR é um órgão de assessoramento direto e imediato ao presidente da República. Seu objetivo centra-se em,

“Promover a igualdade e a proteção dos direitos dos indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação e demais formas de intolerâncias – negros, indígenas, ciganos árabes, palestinos, judeus e outros, com ênfase à população negra; acompanhar e coordenar políticas de diferentes ministérios e outros órgãos do governo brasileiro para a promoção da igualdade racial; articular, promover e acompanhar a execução de diversos programas com organismos públicos e privados, nacionais e internacionais; acompanhar e promover o cumprimento de acordos e convenções internacionais assinados pelo Brasil, que digam respeito à promoção da igualdade e ao combate à discriminação racial ou étnica; auxiliar o Ministério das Relações Exteriores nas políticas internacionais em relação à aproximação de nações do continente africano” (Brasil, 2004: 43).

Em sintonia com esses objetivos da Secretaria, foi elaborada a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR), que apresenta diretrizes para todas as áreas do governo e para sociedade brasileira. Essa medida foi incluída no Plano Plurianual (PPA) 2004 – 2007, no capítulo “Inclusão Social e Redução das Desigualdades Sociais”, com o desafio de promover a redução das desigualdades raciais,

“Desenvolveu-se um conjunto de ações prioritárias que abrangem diferentes órgãos governamentais: política para remanescentes de quilombos; desenvolvimento, trabalho e geração de renda; educação e cidadania; diversidade cultural e combate à intolerância religiosa; saúde e qualidade de vida; segurança pública e ordenamento jurídico; políticas de relações internacionais” (Brasil, 2003-2006: 44).

A SEPPIR também se caracteriza pelo trabalho conjugado com a sociedade civil, por meio da atuação conjunta com o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e o Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR)23,

23

“O Fipir agrega atualmente 470 localidades – 23 estados e 447 municípios, dos quais 184 criaram órgãos executivos relacionados à temática racial” (Brasil, 2003-2006: 42).

“O Conselho é um órgão de caráter consultivo composto por entidades e instituições da sociedade civil representativas dos diversos grupos raciais, com a finalidade de propor, em âmbito nacional, políticas que visem reduzir as desigualdades raciais. O Fórum, que em 2005 expandiu sua adesão a 23 governos estaduais e 373 governos municipais, é constituído por administrações que possuam organismos executivos e ações de promoção da igualdade racial com o objetivo de consolidar estratégias dentro dessa finalidade. Instituído em 2005, o Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial teve como intuito intensificar as articulações políticas para ampliar o debate sobre a necessidade de implementação imediata de políticas de ações afirmativas no Brasil, potencializando ações conjuntas entre os governos federal, locais e sociedade civil” (Brasil, 2003-2006: 46).

No âmbito da educação superior, cenário em que iremos nos ater, consideramos a atuação da SEPPIR no que diz respeito à elaboração de proposições legislativas que estabelecem reserva de vagas para estudantes negros e egressos de escolas públicas nas universidades públicas. A proposta do governo encaminhada em 13 de maio de 2004 para o Legislativo, hoje incluída no Projeto de Lei 73/1999, indica a implantação do sistema de reserva de vagas no ensino superior público para alunos oriundos de escola pública considerando o percentual de negros e indígenas proporcionalmente à sua participação na população das respectivas unidades da federação, segundo os dados do IBGE.

“Essa formulação foi síntese do trabalho realizado pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) coordenado pelo MEC e pela SEPPIR em 2003. Baseou-se na análise dos projetos de lei que tramitavam na Câmara Federal” (Brasil, 2003-2006: 82).

Desde então, a SEPPIR acompanha a tramitação do projeto nas comissões pertinentes no Congresso. Nesse sentido, foram monitorados debates relativos à educação e ações afirmativas no Congresso Nacional que se propuseram aprofundar diálogos para o encaminhamento dos projetos de lei para votação.

vagas para negros e indígenas e apontar os caminhos para amadurecer as questões que cercam o tema das cotas nas universidades a partir da análise dos casos concretos. Para tanto, em agosto de 2006 foi realizado o Seminário Experiências de Políticas Afirmativas para Inclusão Racial no Ensino Superior pela Universidade de Brasília (UNB), a SEPPIR e a Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC).

No seminário foram apresentados dados que mensuraram o desempenho acadêmico dos alunos cotistas, os seus rendimentos e a avaliação do nível acadêmico dos alunos pelos professores.

É inegável que as ações afirmativas estabeleceram-se como pauta das questões nacionais e encontram-se sob a atenção do Estado brasileiro ao inserir essa discussão no campo da política pública. A SEPPIR é resultado desse momento a quem se destina o tratamento da promoção da igualdade racial a partir da ação conjunta entre governo e sociedade civil.

No caso das universidades que optaram por aderir o sistema de cotas depararam-se com o fato de que os desafios avolumam-se após a sua implantação, pois os desdobramentos extrapolam o campus universitário e se vinculam a negociações e posicionamentos distintos que indicam caminhos para democratização do acesso e para supressão das desigualdades na sociedade.

No capítulo seguinte, para entender quais são os desafios impostos pelas cotas nas universidades traremos a realidade de algumas e as diferentes formas que assumiram em cada campus, ou seja, as várias formas de implantação.

CAPÍTULO III