BÖLÜM 1: MACINTYRE’IN MODERN AHLAK ELEŞTİRİSİNİN GELİŞTİĞİ ZEMİNLER GELİŞTİĞİ ZEMİNLER
1.1.3. Marksist Sosyal Bilimin Reddi ve Yeni Bir Teori Arayışı
Os APLs de base agroindustrial possuem tanto potencial de promoção do desenvolvimento local quanto os de base industrial. Por isso, as concentrações geográficas de atividades econômicas no campo, também precisam receber a devida atenção de organismos governamentais, institutos econômicos e instituições de apoio ao crescimento sustentável.
Uma questão que ficou bem evidente no contato com os pequenos produtores foi que, apesar de haver um ambiente bastante favorável ao surgimento de ações cooperativas, este grupo carece de organização e liderança. A Associação dos Produtores Rurais local não consegue atender os anseios do setor e não há qualquer plano de metas definido. Falta um agente que estimule o crescimento econômico do grupo, incentivando o empreendedorismo e auxiliando na alocação e na captação dos recursos, na utilização de ativos comuns e na
distribuição da renda. Ações deste tipo poderiam ser impulsionadas, tanto pela atuação sistemática de uma entidade de classe atuante, como pela aplicação de políticas e programas governamentais específicos e descentralizados.
Alguns mecanismos de aprendizado organizacional das MPEs também se revelaram falhos, ocasionando a transferência de conhecimentos incompletos ou não codificados e, por isso, inutilizáveis. As empresas possuem maior ou menor habilidade em captar e tornar útil o conhecimento que lhes é disponibilizado, de acordo com a capacidade administrativa do gestor e de quão qualificada é sua mão-de-obra. No caso das pequenas propriedades, há uma carência em ambos os fatores. A falta de cursos de capacitação técnica direcionados ao setor, na região, dificulta suprir essa carência.
O problema poderia ser amenizado com uma elevação nos níveis de confiança interpessoal das relações interinstitucionais e do comportamento coletivo. Se, por um lado, parte do conhecimento que é obtido, por meio dos mecanismos de aprendizado, exige das empresas esforços mínimos de codificação e adaptação, por outro, a intensidade do fluxo de informações já codificadas, entre elas, é dependente da natureza dos relacionamentos e dos níveis de confiança interpessoal existentes.
As parcerias firmadas no APL envolvem relações de respeito mútuo, tolerância e convivência harmoniosa entre os parceiros. Os fluxos de informação e conhecimento não se restringem a um movimento unilateral, mas nem toda informação é compartilhada. A existência da cooperação pressupõe que haja equivalência de interesses, interatividade e ações em conjunto, além de um relacionamento não hierárquico com atividades coordenadas. O oportunismo e a prioridade por atos isolados e de natureza imediatista, ainda muito presentes no arranjo, devem ser desbancados por empenhos de natureza verdadeiramente cooperativista. A confiança interpessoal é a base do capital social.
Como conseqüência, mesmo sendo esta a região que apresenta as maiores taxas de produtividade e de modernização técnico-produtiva do setor no país, há espaço para a ocorrência de equívocos gerenciais graves, identificados, por exemplo, na obtenção de índices de produtividade bastante modestos em algumas lavouras, controles de produção ineficientes, perdas elevadas e métodos de cultivo economicamente condenados. Erros como estes podem sentenciar o fracasso definitivo de uma lavoura ou da própria propriedade.
Dessa forma, ficou evidente que, apesar de ser procedente a queixa de alguns produtores sobre a retenção de informações por parte das firmas maiores, há também uma inabilidade, ou uma incapacidade, desses mesmos produtores em absorver e contextualizar conhecimentos que lhes são postos de forma perfeitamente tangível.
As dificuldades, portanto, que algumas MPEs e propriedades produtoras possuem de captação de certos benefícios e externalidades, o que acaba limitando seu desempenho de mercado e impedindo que seu crescimento acompanhe o ritmo das empresas mais dinâmicas, giram em torno destas, e de outras questões anteriormente mencionadas no Capítulo 5, sumarizadas no Quadro 5.8. Algumas delas são questões de ordem individual, particulares a cada MPE. Outras são de ordem coletiva e envolvem a própria estrutura do arranjo produtivo.
Quadro 5.8 – Fatores que dificultam uma maior integração das MPEs ao processo de desenvolvimento local.
Individuais Coletivos
falhas na apropriação do conhecimento má organização corporativa entre as MPEs
limitações na capacidade administrativa associação dos produtores pouco ativa
carência de mão-de-obra qualificada baixo capital social do arranjo
falta de apoio externo (programas específicos) inexistência de cursos de capacitação técnica na região
As constatações deste estudo comprovam o papel chave da territorialidade e dos fatores ligados à coletividade, para a inserção das MPEs no processo de desenvolvimento local. E as parcerias firmadas têm sido fundamentais neste processo. Porém, se retomada a questão da pesquisa (como os benefícios coletivos gerados por um processo de abertura de
mercado às exportações, promovido por firmas líderes em um APL de base agroindustrial, podem ser difundidos e apropriados pelas demais firmas, de modo a integrá-las ao processo de desenvolvimento local?), essas evidências a responderiam apenas parcialmente.
É preciso que ações externas sejam implementadas para evitar que o desenvolvimento ocorra de forma desgarrada, ou que se limite a acontecer de forma “puxada” pelas firmas líderes. Sem dúvida que essas firmas têm uma força propulsora muito grande para o arranjo, mas o crescimento do setor não deve apenas ser arrastado por elas. Ele precisa ser “transbordado” às demais empresas, de modo que elas consigam trilhar seu caminho de forma menos dependente das “locomotivas”, diversificando seu mercado consumidor e agregando mais valor ao produto.
Por isso, a ação do poder público sobre essas estruturas organizacionais deve priorizar as relações intersetoriais, o fortalecimento do capital social e a aprendizagem organizacional. Espera-se, com isso, que as políticas e programas que vierem a ser formuladas possam fomentar, com maior expectativa de sucesso, o desenvolvimento local de forma verdadeiramente integrada e sustentável, a partir do estímulo dos fatores de maior relevância para a cooperação interinstitucional e para a devida captação, pelas MPEs, dos benefícios coletivos e externalidades gerados.