İşbirliğine İlişkin Bir Uygulama Örneğ
4. MAKİSAN MAKİNA AŞ.
O mundo experimentou um avanço da globalização durante os anos noventa. Esse mzovimento foi significativo nos campos das comunicações e dos fluxos comerciais e financeiros globais. No que diz respeito ao comércio, a importância do comércio internacional de mercadorias saltou de 32,5% para 40% da renda global entre 1990 e 2001. Os fluxos de capital experimentaram um incremento ainda mais significativo. No mesmo período, a importância nos fluxos internacionais privados de capital mais que dobrou, de 10,3% para o nível sem precedente de 21,6% da renda global. Os fluxos de investimento direto estrangeiro passaram de 2,7 a 5,1%, como mostra a Figura 17 mas, embora tenham
crescido em ritmo acelerado, ainda não atingiram a importância que tiveram no movimento de globalização que ocorreu antes da 1ª Guerra. A Figura 17 permite ainda notar a evolução da participação brasileira nesse processo de globalização comercial e financeira. Fica evidente que o Brasil duplicou sua abertura comercial entre os anos oitenta e noventa, um ritmo bastante superior ao do aumento da integração dos mercados de bens no mundo. O comércio exterior brasileiro passou de 11,6% para 23,2% do PIB do país, enquanto que no mundo a evolução foi mais modesta.
Houve um descompasso entre os ritmos da abertura comercial e da abertura financeira brasileira durante os anos noventa. No tocante a capitais de portifólio, o país aumentou sua exposição em quase seis vezes, passando de uma economia fechada em que os capitais externos representavam 1,6% do PIB para uma participação de 10,9% do PIB. No mesmo período, o grau de abertura em termos de fluxos financeiros passou de 10,3% para 21,6% do PIB mundial. No tocante a capitais de investimento direto estrangeiro, o Brasil apresentou, durante os anos oitenta, fluxos médios de 0,4% do PIB mas, durante os anos noventa, saltou para um patamar semelhante ao da exposição mundial média, de 5,1%. A maior velocidade da expansão dos fluxos financeiros relativamente aos fluxos comerciais não foi exclusividade brasileira, tendo ocorrido em âmbito mundial. No entanto, o descompasso entre as duas velocidades foi maior na economia brasileira que na média mundial, o que implica na absorção de maior volatilidade importada. Essa é provavelmente uma das causas do efeito pronunciado das crises globais dos anos noventa sobre a economia brasileira.
Figura 17 – Abertura Comercial e Financeira do Brasil e dos Grupos de Países, no Fim das Décadas de Oitenta e Noventa C om é rcio d e be ns , % do P IB 3 2,5 2 7,4 35 ,5 32,3 1 1,6 40,0 3 9,8 50 ,8 37 ,9 23,2
MU N D O B aixa re nda M édia renda A lta renda B R A SIL
19 90 2001
Flu xos privad os d e ca pital, % do PIB
10 ,3 3 ,0 6 ,8 1 1,1 1 ,9 2 1,6 5 ,1 1 2 ,2 2 3 ,6 1 0,9
M UNDO B aixa renda Mé dia ren da Alta renda BRASIL
1990 2001
In vestim ento D ireto Estrang eiro , % do PIB
2,7 0,5 1 ,0 3,0 0,4 5,1 1,7 4 ,3 5 ,3 5,1
MU N D O B aixa re nda M édia renda A lta renda B R A SIL
1990 2001
Para a análise da evolução do balanço de pagamentos, começando pela conta corrente, é útil, sob o ponto de vista analítico, agrupar a balança comercial e a balança de serviços31 em uma única conta que Bresser Pereira (2001) apropriadamente chama de
transações reais. Essa nova balança corresponde à parte da conta corrente que é afetada
pela política econômica contemporânea, em especial pela política cambial. Ela pode ser vista como uma conta de comércio em sentido amplo, na qual os serviços são equiparados aos bens tangíveis para efeito de geração de divisas no balanço de pagamentos. Agregou-se, ainda, para fins analíticos, a conta de transferências, cuja contribuição para o nível e para as variações é relativamente menos significativa que as transações reais. Obteve-se, assim, uma conta de “transações reais e transferências”. Foi separada uma segunda conta, referente aos serviços de fatores ou rendas. Separando-se a conta corrente nesses dois componentes, pode-se observar a sua contribuição para a evolução do saldo de transações correntes, conforme a Figura 18.
Figura 18 – Decomposição de causas dos movimentos da conta corrente (US$ bilhões)
-40,0 -35,0 -30,0 -25,0 -20,0 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
CONTA CORRENTE Transações reais e transferências Rendas
Pré-real Real Pós-flutuação
Fonte: Banco Central do Brasil e elaboração do autor. Nota: as setas apontam a direção dos movimentos de cada conjunto, sem no entanto, refletir uma inclinação exata do movimento.
31 A conta de serviços, na nova metodologia divulgada em Bacen (2001), só inclui os serviços não fatores,
A Figura 18 apresenta uma divisão arbitrária dos momentos da conta corrente em três períodos. No primeiro período, entre meados dos anos oitenta e o começo dos anos noventa, a conta corrente apresentou trajetória que aparenta flutuar em torno do equilíbrio. Esse comportamento se deve à interação de uma flutuação, com ligeira tendência positiva, com oscilações nas transações reais e transferências com ligeira tendência negativa.
O segundo período de análise, que corresponde, em sua maior parte, ao regime de bandas cambiais, apresenta um quadro menos favorável. A acumulação de dívida externa gerada pelo regime de câmbio administrado trouxe uma trajetória ascendente do volume de rendas de serviços de fatores pagos ao exterior. Simultaneamente, a apreciação cambial produziu uma deterioração contínua do saldo em transações reais até 1998.
No terceiro período, que começa em 1999 e segue até 2004, a saída do regime de câmbio administrado permitiu uma reversão da acumulação de dívida externa e uma queda de sua taxa de juros implícita, gerando uma queda das rendas. Esses pagamentos passaram a apresentar relativa estabilidade, embora em um patamar relativamente elevado. A partir do ano de 1999 ocorreu uma combinação dessa relativa estabilização dos pagamentos relativos aos serviços de fatores, com uma melhora acentuada no saldo de transações reais e transferências. Essa combinação produziu uma trajetória que levou a superávits em conta corrente a partir de 2003.
O ajuste que permitiu superávit em conta corrente pode se explicado, em sua maior parte, pela evolução da balança comercial. O movimento favorável no comércio de mercadorias foi possibilitado pela depreciação cambial e pelo ritmo da atividade econômica em boa parte do período. A melhora foi menos pronunciada no segmento de serviços não- fatores. As transferências unilaterais, que são menos sensíveis ao câmbio, também apresentaram melhora em menor escala. A mudança no saldo em conta corrente se processa, portanto, sob a liderança do comércio exterior de bens e de serviços, dada a estabilidade no saldo de rendas, sendo que o aumento do saldo do comércio teve contribuição relevante da depreciação da taxa de câmbio.
A forma como se deu o financiamento apresentou mutação importante desde a implantação do Plano Real. O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) foi gradualmente assumindo o papel de principal fonte de financiamento do déficit em conta corrente. A
Figura 19 evidencia que as captações líquidas de recursos via empréstimos e financiamentos externos, e ainda os investimentos em portifólio, foram a principal fonte de financiamento do déficit em conta corrente durante pelo menos a primeira metade dos anos noventa. Nessa figura, a conta financeira foi dividida em dois grupos: os investimentos diretos estrangeiros e o saldo líquido de todas as contas remanescentes (incluindo empréstimos, captações e financiamentos diversos e ainda investimentos em portifólio e derivativos).
Figura 19 – Composição do financiamento externo do Brasil, 1985-2004, US$ bilhões
-20,0 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
Investimento em carteira, empréstimos, derivativos e outros Investimentos diretos
US$ bilhões
Fonte: Banco Central do Brasil. Obs: valores líquidos de amortizações.
O crescimento da importância do investimento direto estrangeiro como fonte de financiamento da conta corrente se deu de forma mais pronunciada a partir de 1995. O padrão de financiamento foi questionado pelos mercados financeiros no período compreendido entre o final dos anos de 1998 e 1999, quando a economia enfrentou uma restrição de financiamento externo relacionada primeiramente aos efeitos da crise russa e, em seguida, às dificuldades produzidas pela própria crise brasileira de 1999. A queda abrupta do ingresso de empréstimos e financiamentos causou uma dramática redução do
estoque de reservas internacionais, de um patamar de US$ 70 bilhões em meados de 1998 para cerca de US$ 23 bilhões em meados de 1999, descontando-se os empréstimos em aberto do conjunto de linhas de crédito emergenciais coordenado pelo FMI que na época montavam a cerca de US$ 17 bilhões. Todo o efeito das crises dirigiu-se ao fluxo de captações financeiras, enquanto o ritmo de ingresso de investimentos diretos continuou crescendo em boa parte desse período.
No início do ano 2000, consolidou-se uma posição de recuperação da confiança na economia brasileira e de retorno do acesso brasileiro ao mercado internacional de capitais. O volume de empréstimos e financiamentos encontrou um novo patamar de equilíbrio em que os ingressos são apenas necessários para cobrir, com uma pequena folga, as amortizações da dívida externa de médio e longo prazo.
O processo de redução do déficit em conta corrente iniciado com a flutuação do câmbio em 1999 permitiu que, já em 2002, a economia operasse sob níveis mais confortáveis de necessidades de financiamento externo. O montante de financiamento internacional necessário para a manutenção do patamar das reservas internacionais reduziu- se, permitindo, inclusive, uma travessia menos traumática da crise motivada pelas expectativas negativas que se formaram com a transição eleitoral de 2002. Com o restabelecimento da confiança dos mercados, entre 2003 e 2004, as captações de financiamentos continuaram negativas em termos líquidos, o que, combinado à queda do investimento direto líquido, indica a continuidade de um movimento de redução do passivo externo da economia.