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Na visão de Holland e Lockett (1997), o Setor de Confecção, normalmente, apresenta cadeias de suprimento altamente segmentadas, relativamente longas e compostas por grandes quantidades de empresas, predominantemente de pequeno e médio portes. Recentes avanços na TI e no Setor de Confecção aumentaram os incentivos para que a informação seja compartilhada entre as empresas da cadeia, em um relacionamento vertical.

No Setor Têxtil e de Confecção, mudanças no mercado consumidor são rapidamente passadas para os elos posicionados acima na cadeia de suprimentos, assim como as mudanças técnicas na produção também fluem, rapidamente, para os elos abaixo na cadeia. Confiança e dependência mútuas resultam em maior velocidade do fluxo de informações.

Holland e Lockett (1997) relacionaram, com muita propriedade, o Setor de Confecção com alguns dos conceitos teóricos importantes, desenvolvidos nos capítulos anteriores:

a) O setor apresenta alta complexidade de mercado, reforçada pelo tempo reduzido para projeto, fabricação e negociação de novos produtos e serviços. Após o lançamento do produto é necessário manter uma alta flexibilidade de produção para características como cor e volume, altamente dependente do desempenho inicial do produto;

b) Os fornecedores desenvolvem conhecimento especializado e capacidade de fabricação que podem ser usados a favor de outros varejistas. Contudo, por necessidade de respostas rápidas, às flutuações de mercado, fabricantes e varejistas tornam-se interdependentes quanto ao conhecimento, capacitação e Sistemas de Informação. Estas características determinam o desenvolvimento de níveis altos de

especificidade de ativo;

c) A estratégia de coordenação visa à construção de estreitos elos hierárquicos com os fornecedores mais próximos na cadeia, principalmente aqueles cujo maior

tempo de relacionamento e nível mais alto de confiança permitem um maior

compartilhamento de informações. Sistemas de Informação

Interorganizacionais (SII) conectam estes fornecedores ao varejista e

possibilitam o compartilhamento de informações sobre tendências de mercado, projetos de produtos, produção, logística de distribuição, desempenho de mercado, etc.;

d) A estrutura de rede, que apóia dezenas de fornecedores, em torno de um grande varejista, apresenta fortes vínculos não financeiros, com características de relacionamento hierárquico, ao mesmo tempo em que mantém um limitado sistema de mercado competitivo entre poucos fornecedores para favorecer a inovação e criatividade e desafiar a eficiência operacional dos fornecedores.

Um pressuposto básico em relacionamentos de rede é observado nestas parcerias, em que cada uma das partes depende de recursos controlados pela outra parte e que as rendas obtidas pela associação devem ser atribuídas a estes recursos.

6.1.1. Moda

Antes de se aprofundar a análise de direcionadores, de elementos condicionantes e de aspectos de TI, exclusivos ao Setor de Confecção, é necessário dar alguns passos atrás e, numa visão mais abrangente, entender as características fundamentais do mercado de moda. A indumentária tem uma importância histórica, firmemente ligada à evolução da espécie humana, pela busca da proteção contra elementos naturais, como recurso de atração sexual ou ainda de posicionamento social (BLACK e GARLAND, 1978). A função técnica da confecção – o primeiro argumento –, embora basicamente importante, exerceu sempre um papel secundário, no desenvolvimento do conceito da moda. Houve um momento, na evolução histórica da vestimenta, que o segundo argumento teve um papel muito importante – quando eram muitas as preocupações da espécie humana com sua sobrevivência e reprodução. A mulher queria aparentar ser mais atraente e o homem, mais forte. O terceiro, representa, hoje, a função de maior relevância da moda, que é a de afirmar identidades sociais (SAVIOLO e TESTA, 2002).

A origem institucional do conceito de moda, no sentido de um processo sistemático de variações, socialmente aceitas, em um determinado costume ou estilo de vestuário, ocorreu no período da Renascença, nas cidades italianas pré-capitalistas. Como a concebemos hoje, a moda foi referenciada por Leonardo da Vinci, que descreveu, com humor, em seu Codex

Urbinate, as mudanças na forma com que o povo florentino se vestia. Nos séculos seguintes,

se espalhou por toda a Europa, especialmente nas cortes francesas, e, de lá, para o mundo (STEELE, 1988).

Moda, como negócio, começou, possivelmente, em 1860, quando Charles Frederick Worth, um alfaiate parisiense, nascido na Inglaterra, abriu o primeiro ateliê de alta costura (BLACK e GARLAND, 1978). Durante a primeira metade do século 20, a alta costura era um negócio de costureiros, destinado a um mercado muito restrito, mas afluente, estimado em 15.000 clientes, por volta de 1940 (SAVIOLO e TESTA, 2002).

A moda segue em ciclos, que correspondem a um período de tempo entre a introdução de uma certa tendência (produto, aparência) e sua reposição, por uma nova. O ciclo da moda acontece dentro da estrutura de coleções sazonais, conectadas a feiras industriais e shows de moda, abrangendo toda a cadeia de valor.

Bem antes disso, contudo, uma primeira segmentação do negócio da moda deu origem ao Setor Industrial de Confecção, durante a segunda metade do século 19, viabilizado pela invenção da máquina de costura. Esta indústria, que nasceu com foco exclusivo em satisfazer as funções técnicas da confecção, com a criação e fabricação, em larga escala, de roupas de trabalho mais duráveis, confortáveis e baratas que as até então existentes. Com estas características, seria difícil classificá-la como moda. Durante o restante deste trabalho, denominaremos de Setor de Confecção.

Com o aumento da produção em massa, lojas de departamento e lojas especializadas na venda de confecções cresceram e se espelharam pelo mundo. Este ambiente explica a origem do atual Setor de Confecção americano, baseado na centralização e verticalização da cadeia de valor, nas lojas de departamento e uma forte orientação para o mercado de massa (JARNOW e GUERREIRO, 1991).

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