Os alunos da turma D foram também participantes da pesquisa, uma vez que os objetivos desse trabalho contemplavam a opinião desses alunos juntamente com as percepções da professora participante. Foi escolhida uma turma do primeiro ano do ensino médio devido ao fato de a professora participante somente lecionar para esse nível. A escolha pela turma D deu-se inicialmente pela minha disponibilidade de horários para a realização das observações, haja vista que, durante esse período, estava cursando uma disciplina na UFMG e trabalhando no curso de inglês instrumental da universidade como bolsista. A professora mencionou que essa era a turma mais atrasada em relação às outras tanto em relação ao conteúdo quanto ao desempenho dos alunos, devido ao fato de as duas aulas semanais da turma serem posteriores ao intervalo, o que contribuiu para a agitação e a dificuldade de concentração dos alunos. Achei oportuno de realizar a pesquisa com essa turma, por se tratar de um grupo com dificuldades em relação aos demais.
Utilizei um questionário, denominado questionário inicial dos alunos, para levantar dados acerca do perfil da turma, buscando conhecer os motivos que levaram cada aluno a estudar na escola, a relação deles e de seus familiares com a língua inglesa e as impressões desses alunos sobre as aulas de inglês da escola (achei importante saber sobre a relação dos pais com o idioma para tentar traçar de forma mais precisa o background dos alunos no que diz respeito à aprendizagem de inglês). Esse questionário foi entregue no início do período de coleta, conforme pontuado nas notas de campo dessa pesquisa. Partindo-se das respostas dos questionários iniciais, respondidos por 27 dos 40 alunos5 no início do período de coleta, foi possível obter o seguinte perfil da turma:
Os alunos têm de 15 a 16 anos e são todos novatos na escola. Vêm de escolas diferentes porque, devido à localização e ao bom nome da escola, alguns estudam lá por questões de proximidade e outros pela referência;
A maioria dos alunos já estuda inglês por um período de três a cinco anos – 4 alunos estudam há 3 anos, 8 alunos estudam há quatro anos e 5 alunos estudam há cinco anos –
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Os demais alunos não entregaram o questionário ao final da aula por não terem terminado ou por alegarem que
o que me levou a deduzir que esses alunos estudam inglês na escola desde o sexto ano do ensino fundamental. Oito alunos estudam inglês por um período de sete a doze anos; Todos afirmam ter contato com a língua inglesa regularmente na escola. A grande maioria também tem contato com a língua através de músicas (24 alunos), vídeos (22 alunos), filmes, video games e jogos de computador (18 alunos) e sites e programas da internet (18 alunos). Apenas três alunos estudam o idioma em cursos livres e quatro alunos têm contato com livros e revistas em inglês;
A maioria dos familiares dos alunos tem muito pouco contato com a língua. As respostas abertas mostram que, nesse caso, familiares já fizeram cursos de inglês, mas pararam e não usam o idioma atualmente. Os três alunos que marcaram a opção “de vez em quando” alegaram que os irmãos estudam inglês na escola e às vezes se ajudam. Quatro alunos responderam que os familiares não têm contato nenhum com o idioma e outros quatro marcaram a opção “frequente”, alegando que têm familiares no exterior ou usando o inglês no trabalho;
A maioria estabelece uma relação entre as atividades e os temas abordados em sala e sua vida fora da escola, principalmente no que diz respeito à forma como o idioma auxilia o lazer – compreender músicas, vídeos, jogos de vídeo game, filmes e sites – e como poderá auxiliar na vida profissional – melhores empregos e condições de trabalho. Seis alunos não acharam que o que é discutido em sala tem relação com sua vida fora da escola, três não souberam responder à pergunta, quatro relacionaram as aulas a questões do seu dia a dia e dois mencionaram identificação com os temas abordados;
A maioria dos alunos também acha que as aulas de inglês poderiam contribuir para sua vida fora da escola no âmbito profissional – dezenove alunos – e em segundo lugar no âmbito pessoal (lazer) – onze alunos;
A maioria dos familiares dos alunos acredita que estudar inglês é importante por razões profissionais – dezoito alunos – e dezessete alunos alegaram que, além da língua, as aulas de inglês podem ensinar questões acerca de outras culturas e costumes de outros países. Dezessete alunos também alegaram que o inglês está presente em seu cotidiano e vinte e três alunos concordaram que seria bom se eles tivessem um contato maior com o idioma.
Percebe-se, dessa forma, que os alunos vêm, em sua maioria, de famílias que têm pouco ou nenhum contato com a língua inglesa, mas que acreditam na importância dessa língua para a formação profissional de seus filhos, o que faz, a meu ver, com que eles de certa forma
reproduzam esse discurso e relacionem o inglês a fins profissionais em um primeiro momento, ainda que utilizem a língua para fins pessoais e que reconheçam a presença dessa língua em seu dia a dia. Em outras palavras, é possível compreender que o estudo do inglês encontra-se, para os alunos, atrelado a uma necessidade futura; como consequência, parece não haver para eles uma necessidade real de aprendizagem da língua. Tais questões serão problematizadas mais à frente, na análise e discussão dos dados obtidos a partir das observações.