• Sonuç bulunamadı

1.2. Sorunlu Kred

1.2.4. Sorunlu Kredilerin Ortaya Çıkışı

1.2.4.2. Kredinin Kullandırılması Sürecindeki Sebepler

Ao utilizar categorias forenses, Calvino definiu a Justificação do seguinte modo:

Ser justificado diante de Deus diz-se aquele que, ao juízo de Deus, não só é contado por justo, mas foi também aceito em razão de sua justiça, pois que, como abominável é a Deus a iniqüidade, assim nem pode a seus olhos achar graça o pecador até onde é pecador e por quanto tempo é havido como tal. Conseqüentemente, onde quer que esteja o pecado, aí também se manifesta a ira e a vingança de Deus. Justificado é, pois, aquele que é tido não na conta de pecador, mas de justo e, por esse título, posta-se firme diante do tribunal de Deus, onde abatidos se prostram os pecadores todos. Da mesma forma que, se um acusado inocente seja levado perante o tribunal de um juiz imparcial, onde haja de ser julgado segundo sua inocência, se diz justificado diante do juiz, assim é justificado diante de Deus aquele que, excluído do número de pecadores, a Deus tem por testemunha e proclamador de sua justiça.252 Portanto, justificar outra coisa não é senão absolver de culpa aquele que era considerado culpado, como se provada a sua inocência. Destarte,

250

Ibidem, p. 535.

251

(1623-1678). Foi um proponente do calvinismo ortodoxo formulado no Sínodo de Dordt. Defendeu o mesmo tipo de calvinismo que seu pai adotava, e é mais conhecido por ter apresentado o calvinismo ortodoxo de modo escolástico. A teologia de Turrentin veio a ser chamada de a ortodoxia calvinista na tradição de Theodoro de Beza e dos teólogos holandeses. Sua teologia não foi mantida no século XVIII, mas foi reavivada no século XIX pelos presbiterianos norte-americanos da escola de teologia de Princeton, tornando-se padrão para o treinamento ortodoxo no presbiterianismo norte-americano. VANDERMOLEN, R. J. Turretini, François. In: Enciclopédia histórico teológica da Igreja Cristã, vol. III. Ed. Elwell, Walter, 1990, p. 580.

252

quando Deus nos justifica pela intercessão de Cristo, absolve-nos não pela prova de justiça própria, mas pela imputação de justiça, de sorte que sejamos havidos por justos em Cristo, nós que em nós mesmos não o somos.253

Em síntese, sua Justificação pode ser sintetizada em quatro conceitos:254 1- Aceitação por parte de Deus;

2- Imputação da justiça de Cristo; 3- Perdão dos pecados;

4- Reconciliação com Deus.

O elemento básico de sua perspectiva é que a fé que une os cristãos a Cristo sob a forma de uma “união mística”. Essa união com Cristo conduz diretamente à sua Justificação. Por intermédio de Cristo, o cristão é declarado justo aos olhos de Deus. A doutrina de Calvino deixou claro que a justiça responsável pela Justificação dos pecadores era algo exterior a eles. Esta justiça é imputada, não concedida; ela é externa, não interna.255

Ao dizer que a Justificação é efetuada de forma externa, Calvino defendeu que a mesma é baseada exclusivamente na pessoa de Cristo, enquanto Logos encarnado. “somos justificados em Cristo até onde se fez ele vítima expiatória em nosso favor [...]”.256

Outro elemento importante no conceito da Justificação foi a fé. Nosso autor insistiu na máxima de Lutero em que a Justificação é somente pela fé. Se a Justificação fosse por meio de obras, o homem teria com que gloriar-se, mas à fé se atribuiu a justiça segundo a Graça.257 Ele a definiu como “fé salvadora”. A Fé salvadora é a

253 Ibidem, p. 190. 254 Ibidem, p. 190. 255

Acompanhando Lutero, Calvino ressaltou o aspecto central dessa noção de fé justificadora, quando defende que a fé justificadora nada mais é do que a confiança na misericórdia de Deus, que perdoa os pecados por amor a Cristo. Tal conceito foi rejeitado pelo Concílio de Trento (1545). Os primeiros críticos da Reforma argumentavam, seguindo Agostinho, que os pecadores eram justificados com base em uma justiça interna. Alegavam que deveria haver algo no interior das pessoas que pudesse permitir a Justificação divina. Tanto Lutero quanto Calvino refutaram esta idéia. Para eles, Deus pode justificar as pessoas diretamente, sem ter necessidade que recorrer a um dom interno intermediário de justiça. MACGRATH, op. cit., p. 526, nota 65.

256

CALVINO, 3v, op. cit., p. 197, nota 60.

257

genuína fé cristã. Ela é obra de Deus,258 um dom da Graça de Deus, através do qual a pessoa é habilitada a receber a Jesus Cristo como seu único e suficiente salvador e a crer em todas as promessas registradas nas escrituras. 259

Não devemos conceber que Deus será nosso libertador simplesmente porque nossa própria fantasia o sugere. É preciso crer que ele fará isso só depois de graciosa e espontaneamente se nos oferecer neste caráter. 260

Calvino rejeitou a tese romanista de que a fé esteja implícita na autoridade da Igreja, pois seria a mesma incompleta e incipiente.261 Somente nos eleitos e predestinados a fé salvadora será eficaz e real, enquanto nos não eleitos será apenas aparente e ineficaz.

Vou mais longe: pois, uma vez que do ensino da Escritura e da experiência diária se faça patente que os réprobos são, por vezes, tocados do senso da Graça divina, necessariamente se lhes desperta no coração certo desejo de mútuo amor. Assim, por certo tempo vicejou em Saul um afeto piedoso para que amasse a Deus, de quem reconhecendo-se tratado paternamente era tomado de dulçor de sua bondade. Mas uma vez que nos réprobos não se arraiga profundamente a convicção do paterno amor de Deus, assim lhe não reciprocam solidamente o amor como filhos; pelo contrário, são conduzidos de certa disposição mercenária. Ora, só a Cristo foi dado esse Espírito de amor, com esta condição: que o instile em seus membros, nem, na verdade, mais longe que aos eleitos se estende essa afirmação de Paulo: ‘derramado nos foi no coração o amor de Deus pelo Espírito Santo que nos foi dado’ (Romanos 5.5).262

Note-se a associação feita entre a doutrina da Eleição e a doutrina da Justificação pela fé. A fé salvadora é resultado da Eleição eterna, causa instrumental da salvação, enquanto a Eleição é a causa essencial. Ao usar a expressão “Eleição é mãe da fé”,263 ele preconizou que a fé não é precondição para a Eleição, no entanto ela evidencia e confirma a Eleição.264

258

Ibidem, p. 45. “[...] onde, à fé chamando obra de Deus [...] nega ser a fé produto do próprio sentir do homem [...] ela é expressão do divino poder”.

259 Ibidem, p. 12-15. 260 Ibidem, p. 8. 261 Ibidem, p. 11. 262 Ibidem, p. 19. 263 Ibidem, p. 407. 264 Ibidem, p. 430.

O fundamento de nossa vocação é a Eleição divina gratuita pela qual fomos ordenados para a vida antes que fôssemos nascidos. Desse fato depende nossa vocação, nossa fé, a concretização de nossa salvação.265