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Konya ġehir Varlığı Olarak Hz Mevlana

2.6. KONYA ġEHĠR VARLIKLARI

2.6.1. Konya ġehir Varlığı Olarak Hz Mevlana

Os processos de reestruturação produtiva (1970) e de globalização (1980) implementados estrategicamente com a finalidade de reestruturar o sistema capitalista em todo o mundo ocasionaram mudanças profundas no setor produtivo e nas formas de relacionamento entre o Estado e a sociedade.

Dentro do novo padrão de acumulação do capital estabelecido por meio do processo de reestruturação produtiva, as bases rígidas de produção das velhas formas de organização taylorista/fordista4 foram sendo substituídas por processos de trabalho de bases flexíveis, resultantes do novo paradigma tecnológico que se apoia essencialmente na microeletrônica. A flexibilidade tornou-se a principal característica do processo de trabalho e os termos qualidade e competitividade as palavras de ordem do novo modelo produtivo.

A reestruturação produtiva compreende, pois, todo o processo de mudanças que ocorreram nas empresas e, principalmente, no trabalho industrial por meio da introdução de inovações tecnológicas como também de inovações organizacionais e de gestão buscando propiciar uma organização integrada e flexível do processo de trabalho. Esta, também identificada como modo de acumulação flexível, foi implementada por ocasião da grande crise econômica que acometeu os diversos países ditos capitalistas centrais, especialmente os Estados Unidos. Esta era vista pelo capitalismo naquele momento como o meio encontrado para superar mais uma de suas crises cíclicas como também as próprias contradições internas inerentes a esse sistema, permitindo, dessa forma, que o grande capital pudesse se reproduzir e permanecer concentrado nas mãos da elite capitalista. Adotou o sistema de produção e de

3 As estratégias políticas neoliberais foram implantadas no Brasil na década de 1990 no governo de Fernando

Collor de Mello (1991-1992) e intensificadas nos dois mandatos consecutivos do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998; 1999-2002).

relações interempresariais e de trabalho desenvolvidos no Japão pela montadora de automóveis Toyota, considerado como o paradigma da Terceira Revolução Industrial: o toyotismo5.

Na concepção apresentada por Harvey (1993) esse sistema de acumulação de capital apóia-se na flexibilização de processos de trabalho, de mercados de trabalho e de produtos e padrões de consumo e caracteriza-se, conforme o autor, pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional, envolvendo rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas.

A nova ordem econômica, estabelecida em nível mundial, requer na empresa a presença de um novo tipo de trabalhador que se adapte ao padrão produtivo através do qual são implantados novos procedimentos de gerenciamento, imprimindo uma nova dinâmica ao mundo do trabalho. Evidencia-se, pois, que esse novo tipo de trabalhador preconizado no discurso neoliberal para atender às demandas do mundo do trabalho exige o desenvolvimento de capacidades que estão diretamente relacionadas ao processo educativo formal que podem ser desenvolvidas na escola, por meio do processo de ensino.

Para Kuenzer (2006, p. 37), tal discurso faz referência a um tipo de trabalhador que possa atuar em todos os setores da economia e que tenha capacidades intelectuais que lhe permita adaptar-se à produção flexível. Entre as capacidades exigidas desse novo tipo de trabalhador a autora destaca:

[...] a capacidade de comunicar-se adequadamente, por intermédio do domínio dos códigos e linguagens, incorporando, além da língua portuguesa, a língua estrangeira e as novas formas trazidas pela semiótica; a autonomia intelectual para resolver problemas práticos utilizando os conhecimentos científicos, buscando aperfeiçoar-se continuamente; a autonomia moral, por meio da capacidade de enfrentar novas situações que exigem posicionamento ético; finalmente, a capacidade de comprometer-se com trabalho, entendido em sua forma mais ampla de construção do homem e da sociedade, por meio da responsabilidade, da crítica, da criatividade.

O perfil desse novo trabalhador, todavia, deve adequar-se à função que cada um deverá desempenhar no mercado de trabalho, além de estar atento tanto à possibilidade de

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O toyotismo, considerado como o principal motor da reestruturação produtiva, compreende o sistema de produção industrial e de gestão do trabalho desenvolvido nas fábricas de automóveis da Toyota no Japão, que começou a ser implantado ainda no ano de 1962. Ver: Harvey (1993)

transferência de setor como também a adequação à formas alternativas de trabalho fora do mercado formal. Nesse sentido, dois aspectos ganham relevância no processo de formação e/ou qualificação do trabalhador dessa nova era: a polivalência, no sentido de estar preparado para executar funções diversificadas, e a politecnia, que estaria relacionada ao domínio intelectual da técnica e de sua associação à prática.

Além do redimensionamento do setor produtivo que resultou em mudanças profundas nas formas de organização do trabalho, conforme se vem observando no decorrer dessa análise, outro fenômeno que adquire notoriedade nesse contexto é o processo de globalização6 da economia ou a mundialização7 do capital, como também é definido por alguns autores. Os países enfrentavam a crise do modelo econômico anunciada na década de 1970, quando o sistema capitalista entrou num período de grande recessão. Com a redução do ritmo de crescimento e a queda da taxa de lucros chegava ao fim a ilusão dos anos dourados do capitalismo. As grandes potências capitalistas mundiais passaram a conviver com a crise do capital marcada pela recessão generalizada nos anos de 1974-75, e, seguidamente, nos anos de 1980-82 quando se constatava uma queda acentuada da taxa de lucros e do crescimento econômico. “A onda expansiva é substituída por uma longa onda recessiva” (NETTO; BRAZ, 2006, p. 214).

O processo de globalização econômica, que se efetivou nas duas últimas décadas do século XX, em especial após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética, consiste na intensificação do intercâmbio mundial de bens e serviços. Este, por sua vez, não prescindiu de um programa político-teórico que embasasse a sua aparição e teve como instrumento teórico o conjunto de teorias econômicas identificadas como neoliberalismo. É considerado, pois, um fenômeno multifacetado, visto que a sua intensificação não se deu apenas no aspecto financeiro, mas, em todos os aspetos da vida (a política, a cultura, dentre outros), sendo estes influenciados diretamente pela globalização econômica. Configura-se, porém, como um processo econômico e social que busca promover a integração entre países e pessoas em todo o mundo. A sua tendência volta-se para a formação de uma grande “aldeia global”, a partir da uniformização e padronização de condutas, tencionando transformar o globo terrestre em um mercado gigantesco e unificado. Na realidade, a prioridade é tão somente atender aos interesses dos países capitalistas centrais, especialmente dos Estados Unidos, e das empresas transnacionais que têm por objetivo a maximização dos lucros.

6 Ver: Jameson (2001), Castells (1999), Netto e Braz (2006).

O Consenso de Washington, sob a liderança dos neoliberais, definiu as regras que aprofundariam as reformas estruturais que se faziam necessárias para ajustar o sistema capitalista no mundo inteiro, especialmente para as regiões periféricas, entre elas a região da América Latina e Caribe. Por conseguinte, lançaram as diretrizes básicas que fariam cumprir tal finalidade, que seriam: a desregulamentação dos mercados, a abertura comercial e financeira, a privatização do setor público e a reestruturação do Estado. Tais diretrizes conduziram os ajustes políticos, econômicos e sociais na década de 1990 visando à globalização do projeto neoliberal. Todas as economias nacionais foram orientadas para se ajustarem à nova realidade estrutural visando à superação da crise e do desequilíbrio econômico provocados por problemas internos ou externos e por má administração.

A crítica ao Estado do Bem-Estar Social8 (Welfare State), também identificado como Estado-Providência, constituiu-se num dos pontos decisivos para a implantação das reformas. Esse modelo de Estado, definido por Rosanvallon (1997, p. 40) como “Estado de intervenção econômica, de redistribuição social e de regulamentação das relações sociais”, aos moldes como havia se constituído nos países capitalistas avançados, não se sustentava mais na nova conjuntura econômica mundial que se consolidou a partir da crise do sistema capitalista uma vez que foi afetado diretamente pela queda da taxa de produção e, consequentemente, da receita tributária. Compreende-se, pois, que as necessidades de bem-estar, saúde, educação e treinamento de uma força de trabalho diferenciada não podiam mais ser satisfeitas por um Estado burocrático e padronizado, mas por instituições diferenciadas, capazes de responder de maneira flexível às necessidades individuais (CLARKE, 1991). Destarte, o próprio modelo de Estado era apontado naquele momento como uma das causas da crise.

Para os capitalistas neoliberais a necessidade de reformar o Estado tornou-se premente uma vez que o modelo implementado após a Segunda Guerra Mundial e que prevaleceu até os anos de 1970, caracterizado pelo forte intervencionismo estatal na economia e pela presença decisiva do Estado na provisão dos serviços públicos, era impossível de ser

8 O Estado do Bem-Estar Social, também identificado como Estado-Providência, (BRUNHOFF, 1991;

ROSANVALLON, 1997) “designa o financiamento público das despesas sociais consagradas ao ensino, aos

serviços de saúde, às pensões, à indenização de desemprego” (BRUNHOFF, 1991, p. 55). Esta autora

compreende que esse modelo de Estado “nasceu como contraponto à organização sindical e política (socialista)

do movimento operário no fim do século XIX” (Ibid, p. 56-57) antes mesmo dos textos de Keynes referentes à

crise e ao emprego, razão pela qual considera um erro atribuir a este autor a invasão de um Estado-Providência. Apesar de considerar que a doutrina keynesiana e o Walfare-State caminhavam com uma certa interdependência Offe (1984) identifica que os mesmos apresentavam diferenças quanto às suas intenções estratégicas uma vez que o primeiro voltava-se para a promoção do pleno emprego, enquanto que, o segundo, estaria voltado tanto para a proteção dos que são afetados pelos riscos e contingências da sociedade industrial como para a criação de uma medida de igualdade social.

sustentado. Argumentava-se, pois, que o modelo de Estado intervencionista além de ser altamente dispendioso, gerando um grande déficit público, impedia os avanços na área econômica, prejudicando o bom andamento do mercado bem como o processo de acumulação do capital.