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3. KEMALİZM ve TÜRKİYE’NİN MODERNLEŞMESİ

3.4. Kemalizmin İlkeler

A primeira destas classificações é a que segmenta a norma jurídica em

sentido amplo da norma jurídica em sentido estrito, suficiente a conduzir o intérprete à

confusão. Para facilitar a distinção entre estas duas semânticas que a expressão norma

jurídica pode assumir, é necessária antes realizar a distinção entre outros conceitos

importantes para a compreensão do tema: de texto de lei, de proposição jurídica e de

enunciado prescritivo.

57 Cf. FERRAZ JÚNIOR. 2001. p. 100. 58 Cf. KELSEN. 1998. p. 407.

18 Assim, seguindo o magistério de BARROS CARVALHO59, tem-se que o

texto de lei é um mero suporte físico da mensagem do legislador, gravado no papel ou em

qualquer outro meio, que contém os símbolos linguísticos capazes de transmiti-la ao intérprete ou aplicador do Direito.

Portanto, o mero texto de lei nada diz a respeito do comando que o direito pretende que seja respeitado. É necessário que o hermeneuta articule e empreste sentido àquela simbologia linguística.

Neste processo, mesmo que de forma não perceptiva, o intérprete se valerá da estrutura proposicional da lógica deôntica. Ou seja, articulará numa expressão jurídica a uma determinada ação humana, ou a um dado acontecimento do mundo fenomênico, uma consequência obrigacional que o Direito pretende seja observada. Uma estrutura hipotética condicional de, se havida a hipótese A, então dever ser a consequência B. Todavia, não se deve confundir esta construção lógica da proposição jurídica com o mero texto de lei expresso no papel. E, menos ainda, qualquer um deles com os enunciados

prescritivos.

Estes últimos são as construções linguísticas que o hermeneuta concatena através das mensagens que o texto de lei, enquanto suporte físico, lhe forneceu. Construções essas que nem sempre são suficientes em unidade para fornecer um sentido deôntico jurídico completo, por vezes reclamando serem combinadas em procedimentos de organização interpretativa, a serem elaborados pelo aplicador do direito.

De forma simplificada, pode-se afirmar que uma coisa é o mero pedaço de papel gravado com tinta, ou seja, o suporte físico ou texto de lei. Outra coisa é o processo lógico de que a mente humana se vale para articular em juízo hipotético condicional as informações antes obtidas, ou seja, a proposição. Outra, diversa das duas primeiras, são as frases que se podem construir pela alocação de informações nos lugares sintáticos de uma estrutura proposicional com base nos códigos gravados neste papel e no sentido que eles representam a uma dada base linguística, ou seja, os enunciados

prescritivos. E uma quarta coisa é juízo com sentido deôntico completo, afeto ao Direito e

59 Cf. CARVALHO. 2006. p. 8-10.

19 provocado na mente humana pela mensagem transmitida, muitas vezes fruto da associação de diversas proposições, da articulação de vários enunciados.

Assim, conclui-se que apenas esta última seria a norma jurídica em

sentido estrito.

Em contraposição, a norma jurídica em sentido amplo se confundiria com qualquer dos conceitos expostos, englobando no conceito de norma jurídica desde o suporte físico até a própria norma jurídica em sentido estrito.

BARROS CARVALHO60 segue semelhante conclusão ao definir a norma

jurídica em sentido estrito como sendo “(...) a composição articulada dessas significações, de tal sorte que produza mensagem deôntica com sentido completo (...)”. Todavia, faz-se a

ressalva que o professor emprega o termo norma jurídica em sentido amplo “(...) para

aludir aos conteúdos significativos das frases do direito posto, vale dizer, aos enunciados prescritivos (...)”.

Ou seja, não é explícito que o jusfilósofo admita também o mero texto de

lei ou a proposição jurídica no conceito de norma jurídica em sentido amplo. Porém,

prefere-se aqui pela inclusão por didática, já que é recorrente na doutrina e na jurisprudência o emprego, mesmo que equivocado, com tal semântica.

Deve-se destacar também que há uma inegável aproximação do conceito de norma jurídica stricto sensu com aquele atribuído à norma jurídica pela teoria da norma jurídica enquanto complexo comunicativo, valorizando o papel do intérprete na construção da norma pelo ato de interpretação. Assim, também para seguir a premissa antes fixada, indica-se ao leitor que o sentido que se pretende em regra pelo emprego da expressão

norma jurídica nesta dissertação é aquele da norma jurídica em sentido estrito.

Todavia, ainda restariam algumas indagações, notadamente em função de temas como as fontes e a estrutura lógico-formal das normas jurídicas tributárias sancionadoras serem também parte do objeto de investigações desta obra, como apontado

20 na sua própria introdução. Isto porque, a um observador menos atento, poderiam parecer ambos os temas apenas inseridos num estudo sobre a norma jurídica se esta fosse adotada em sua acepção ampla, já que o primeiro diz respeito aos aspectos de qualidade da vontade prescritora e o último se entrecruza com o conceito de proposição jurídica.

Entretanto, o fato de constituir-se a norma jurídica num juízo do hermeneuta do direito não limita as pretensões daquele que se volta a investigá-la apenas a este juízo. Ao contrário, como antes já dito, numa perspectiva comunicacional do direito, a gênese e a construção deste processo comunicativo, bem como outros temas que lhe sejam correlatos, também interessam ao estudioso da ciência jurídica e ao aplicador do direito positivo.

Interessa a gênese para que se averigue se realmente o comando produzido é ou não jurídico. E, interessam ao estudioso do direito os aspectos da construção deste processo comunicativo tanto por serem pressupostos para que ele ocorra, quanto por serem expedientes facilitadores para que o processo de comunicação se realize com maior desenvoltura.

Deste modo, superada nova limitação hermenêutica da expressão norma

jurídica, passa-se a cuidar dos dois aspectos últimos que podem causar ao leitor desta obra

confusão quanto ao objeto desta dissertação. São eles as questões da homogeneidade sintática e da heterogeneidade semântica das normas jurídicas e da sua classificação entre primárias, secundárias e completas, cada qual tratada em item apartado, respectivamente nesta ordem.