O Direito do Trabalho, analisado sob o prisma de Direito Positivo, é um conjunto de normas jurídicas que objetiva regular as relações jurídicas de emprego, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, a fim de alcançar, dentre outros, o equilíbrio nas referidas relações jurídicas, mediante a fixação de direitos mínimos aos Empregados.
Ora, frente ao objetivo de tais normas, em especial daquelas que objetivam o equilíbrio das relações mediante garantias mínimas à parte hipossuficiente, fixamos entendimento de que tal grupo de normas se enquadra na classe dos Direitos Fundamentais de Segunda Geração, também denominada classe dos “Direitos Sociais”, merecendo serem como tal interpretadas e aplicadas.
78 Como Pietro de Jesús Lora Alarcon, que cita a existência de Direitos Fundamentais de quarta geração -cujo foco é a proteção do ser humano no campo genético, frente à biotecnologia – (Cf. ALARCÓN, Pietro de Jesús Lora. Patrimônio Genético Humano e sua proteção na Constituição Federal de 1988. São Paulo: Editora Método, 2004, p. 87-100) e Arion Sayão Romita, que indica a existência de Direitos Fundamentais de Quinta Geração - cujo objetivo é a proteção da vida humana frente à utilização dos conhecimentos fornecidos pela cibernética e pela informática – e de Sexta Geração – cuja finalidade é a proteção da vida humana frente aos efeitos decorrentes da globalização – (Cf. ROMITA, Arion Sayão. Direitos Fundamentais nas relações de trabalho. São Paulo: LTr, 2005, p. 107-108).
Airton Pereira Pinto, em sua obra Direito do trabalho, direitos humanos
sociais e a Constituição Federal de 1988 descreve o conteúdo dos Direitos Humanos
Sociais, afirmando que numa sociedade com elevado grau de consciência social e de cidadania, os sujeitos sociais concebem que a justiça será efetivada a partir do momento em que todas as partes do contexto social contribuírem sem o desespero e o exagero delas, isto é, o cidadão coletivo é respeitado como trabalhador, produtor de riqueza e consumidor, merecendo do Estado uma proteção digna e promotora. Passou, assim, o Estado a exercer intervenção nas relações econômicas e sociais para promover o Bem Social clamado pelos parceiros marginalizados, concluindo, por fim o conceito de Direitos Fundamentais Sociais como:
... direitos e garantias coletivas que beneficiam a coletividade, os grupos e indivíduos, com reflexos em suas relações coletivas e particulares, exigíveis dos poderes públicos, mediante prestações positivas e afirmativas e políticas públicas econômicas e sociais, mediante intervenções na ordem privada, para assegurá-los efetivando-os.79
E, sobre a extensão dos Direitos Fundamentais na relação de emprego, importantes são as palavras de Arion Sayão Romita:
São chamados direitos sociais, porque não assistem ao indivíduo como tal, considerado abstratamente, mas sim à pessoa em sua vida de relação no grupo em que convive, ao indivíduo considerado em concreto, ao indivíduo situado. São os direitos pertinentes à teia de relações sociais formada pela pessoa no meio em que atua, como trabalhador, como membro de comunidades, como participante de coletividades sem as quais não poderia desenvolver suas potencialidades nem usufruir os bens econômicos, sociais e culturais a que aspira. São direitos relacionados no art. 6º da Constituição brasileira de 1988: a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desempregados, a habitação.80
79
PINTO, Airton Pereira. Direito do trabalho, direitos humanos sociais e a Constituição Federal. São Paulo: LTr, 2006, p.131.
80
Prosseguindo o raciocínio desenvolvido por Sayão Romita no sentido de que os direitos sociais (Direitos Fundamentais de 2ª geração) encontram-se descritos no artigo 6º da Constituição Federal, passamos a analisar a topologia do referido artigo para, de forma lógica, confirmar que as normas jurídicas de Direito do Trabalho, em especial as referentes ao direito individual do trabalho, são Direitos Fundamentais de 2ª geração.
A Constituição Federal de 1988 encontra-se logicamente dividida em “títulos”, que contêm “capítulos”, que contêm “artigos”, que contêm “incisos”, “parágrafos” e “alíneas”. Essa divisão leva em consideração conceitos lógicos baseados na “teoria das classes”, no sentido de que uma classe é um conjunto de indivíduos que preenchem alguns requisitos de admissão (requisitos de pertinência) e que fazem com que entre eles haja identidade em determinado aspecto.
A própria “teoria das classes” traz-nos a noção de “subclasse”, como sendo
um conjunto inserido em outro conjunto de maior dimensão, conjunto maior esse que abrange todos os elementos do conjunto. Em suma, a “classe” envolve todos os elementos que compõem as subclasses nela insertas. E não temos dúvida de que, seguindo a Constituição tal divisão lógica, temos, de uma forma global os “títulos” como “classes” envolvendo os “capítulos” como subclasses. Tem-se, assim, que os elementos contidos nas subclasses de uma mesma classe, ou melhor dizendo, os artigos que compõem capítulos de um mesmo título devem ser harmônicos entre si, impossibilitando, pois, a contradição entre termos, a incompatibilidade entre tais elementos.
Procedendo-se à análise do Título II da Constituição Federal (“Dos Direitos
e Garantias Fundamentais”), verifica-se que o “Capítulo I” trata dos “Direitos e Deveres Individuais e coletivos”, que são regras de conteúdo genérico aplicáveis a todos os demais capítulos. E mais, o “Capítulo II” do mesmo Título II trata “Dos Direitos Sociais”, apontando, em seu primeiro artigo, que é o artigo 6º, o rol dos Direitos Fundamentais de Segunda Geração positivados constitucionalmente, que são: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma prevista na Constituição.
No que tange ao “trabalho” como “Direito Fundamental de Segunda Geração”, a própria Constituição prevê uma “forma mínima” de realização do trabalho, isto é, um mínimo de direitos que consubstanciam um padrão mínimo em termos de remuneração como contraprestação pela atividade laboral prestada, assim como proteção mínima no que se refere à segurança e à saúde no trabalho. É o que consta do artigo 7º da Constituição Federal, acrescentando-se que o próprio caput do referido artigo (“São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social...”) incorpora a essa “forma mínima” outros direitos que visem à melhoria de sua condição social.
Portanto, de acordo com o raciocínio ora desenvolvido, são Direitos