B) Kefilin Sorumlu Olduğu Alacaklar
4. ĠĢlenmiĢ Bir Yıllık ve ĠĢlemekte Olan Akdi Faiz
Sendo diversos os valores e, por consequência, os fins que o Homem se propõe, ensina Reale que a ação teleologicamente determinada, ou o ato, pode ser discriminada segundo tenha por fim:
- conhecer ou realizar algo, sem visar direta e necessariamente a outras ações possíveis (ações de natureza teorética, ou de natureza estética);
- conhecer ou realizar algo, visando direta e necessariamente a outras ações possíveis (ações de natureza prática: ou econômicas, ou éticas)153.
Na primeira categoria (atividades teoréticas e estéticas), a lei e a forma constituem, de certo modo, a plenitude do agir, delas não brota uma atitude necessária para a ação, pois são ambas modalidades de conhecimento, de explicação ou de compreensão, mas não postulam fins em razão do fim já atingido pelo conhecimento. Na segunda categoria (ações de natureza prática – econômicas ou éticas), o que distingue é o fato de não visarem a um resultado como tal, mas como simples momento que conduz a outros comportamentos possíveis: não é senão ponto de partida para novas ações complementares. Assim, por exemplo, o alcance de um bem
econômico é condição ou estímulo para novas atividades tendentes à conquista de novas utilidades, pois, na realidade, só é econômica uma ação enquanto é momento ou elo no processo da produção das riquezas. Como se trata de ações que são base ou
condição de ações sucessivas da mesma natureza, dizemos que são ações práticas154.
Neste tipo de ações (ações práticas) cabe distinguir, porém, as que sucedem segundo um nexo opcional de conveniência ou de oportunidade, o que lhes dá um cunho técnico (ações econômicas), e aquelas que se ligam por uma necessidade deontológica reconhecida pelo agente como razão essencial de seu agir (ações éticas)155.
153 REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20ª edição. São Paulo: Saraiva, 2002, p.380. 154
Ibidem, p.381. 155 Ibidem, p.383.
Desse modo, podemos distinguir certas ações ou atividades, as de ordem
ética, que, ao atingirem um termo visado, subordinam-se a normas ou a regras, abrem- se para o campo das ações possíveis, como uma flor que se vai converter em fruto: a ação possível é, no fundo, o conteúdo mesmo da norma ética, o seu destino, o seu significado. Sem referibilidade à praxis, a norma não tem significado, vez que erradicada do processo de que provém e do processo a que se destina, não é compreendida em sua verdadeira natureza, daí se originando o equívoco dos que a
concebem como puro juízo lógico ou mera forma sem conteúdo156.
Momento da dinâmica social e da existência coletiva, em seu projetar-se como linha entre passado e o futuro, a norma exprime sempre a congruência e a integração de dois elementos: o valor e a ação. Há, por conseguinte, uma modalidade de ação que é de tipo normativo. É a essa categoria de ação que se dá o nome de
conduta ética, que pode ser religiosa, moral, política, jurídica157.
Eis uma ilustração do exposto até o presente momento:
Integração e congruência AÇÃO de tipo Religiosa entre VALOR e AÇÃO NORMATIVO CONDUTA ÉTICA Moral Política
Jurídica
NORMA NÃO É MERO JUÍZO LÓGICO OU FORMA SEM CONTEÚDO
NORMA É FRUTO DA CONGRUÊNCIA ENTRE VALOR E AÇÃO
156 REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20ª edição. São Paulo: Saraiva, 2002, p.383. 157
Se a ação humana subordina-se a um fim ou a um alvo, há direção, ou pauta assinalando a via ou a linha de desenvolvimento do ato. A expressão dessa pauta de comportamento é o que se chama de norma ou de regra. Não existe possibilidade de “comportamento social” sem forma ou pauta que não lhe corresponda. A cada forma de conduta corresponde a norma que lhe é própria. A conduta religiosa implica normas ou regras religiosas, assim como a conduta moral implica regras ou normas de origem moral. Em geral, somos levados a confundir conduta com a sua norma, tão difícil é
separar o problema do comportamento ético da sua medida158.
Comportar-se, de certa forma, é proporcionar-se uma regra, é integrar, no processo da ação, aquela pauta que marca a sua razão de ser. É por tais motivos que não podemos compreender o estudo das regras jurídicas ou morais como simples entidades lógicas, como meras noções, sem a referência necessária ao problema da
ação, ao problema da realidade social159. Tem-se, assim, uma necessária relação entre
a norma e a realidade social, isto é, a impossibilidade de análise normativa meramente abstrata.
Contesta Reale que uma regra possa ser erradicada da conduta a que se refere, porque, se fizermos abstração do problema da conduta, não estaremos fazendo Ciência Jurídica, mas, sim, Lógica Jurídica, por esforço de abstração (não desqualificando o estudo de ordem lógica, que é legítimo e necessário, mas deve ser completado com a implicação da realidade social ordenada, sem a qual a norma não tem valor de norma jurídica). Norma e conduta são, portanto, termos que se exigem e se implicam, mas sem se reduzirem um ao outro, subsistindo cada um deles em
implicação recíproca, segundo o que Miguel Reale identifica como “dialética de
complementariedade”, que caracteriza e governa todo o processo histórico-cultural160. Elucidada a correspondência entre norma e conduta, podemos esclarecer que a Ética não é a doutrina da ação em geral, mas propriamente a doutrina da
158REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20ª edição. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 384. 159
Idem.
conduta enquanto inseparável de sua razão ou critério de medida, de sua norma, mediante a qual se expressa teleologicamente um valor. A Ética é, em suma, a ordenação da conduta, o que equivale a dizer: a teoria normativa da ação161. Eis a definição de Ética para Miguel Reale.
Fica, assim, delineada uma distinção essencial entre Economia (atividade prática de cunho opcional e técnico) e Ética (atividade não subordinada a fins particulares, e de caráter obrigatório), compondo ambas a esfera de estudos
denominada Teoria da Conduta162. Quando o homem age, desloca-se em relação a
outros homens, toma uma posição nova perante os demais, assume uma “dimensão” nos planos social e histórico, e o faz sempre na dependência de suas circunstâncias. A conduta, portanto, é sempre um fato social e humano, um acontecer no “habitat” natural do homem, que é a sociedade, embora, como já se verificou, nem toda ação seja “conduta”. A sociedade não é simples dado da natureza, mas também um “construído”, algo que a espécie humana veio modelando através do tempo, tendo como fator inicial o instinto de socialidade, a força que levou o Homem à convivência,
dada a sua estrutura ou conformação biopsíquica163. A socialidade é tendência natural
do homem, mas a sociedade é permanentemente “construída”, algo que uma geração recebe e transmite a outra, quando mais não seja pelo fato fundamental da linguagem, sendo uma das gerações mais felizes por poderem transferir proporcionalmente mais do que receberam. Portanto, toda conduta é um fato social e histórico, porque envolve sempre um enlace concreto do Homem com outros Homens, ou uma posição do Homem com referência a outros homens e a seus bens, numa trama de interesses e de fins que se desenrola no tempo164.
161 REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20ª edição. São Paulo: Saraiva, 2002, p.385. 162Idem.
163
Ibidem, p.386. 164 Ibidem, p.387.