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Também, entendemos como apropriado, para a nossa pesquisa o uso da Semiologia. A Pesquisa Semiológica é de essência qualitativa, que segundo TEIXEIRA (2005), tem as seguintes características que estão aderentes ao que pretendemos nesta pesquisa: o pesquisador observa os fatos sob a óptica de alguém interno à organização; a pesquisa busca uma profunda compreensão do contexto da situação; tem um caráter rico, holístico e ―real‖.

Assim como fizemos com o personagem que dita nosso método de trabalho, entendemos como pertinente, fazermos um breve perfil do personagem que dita nossa Técnica Metodológica. Roland Barthes nasceu em 12 de novembro de 1915, em Paris e faleceu em 26 de março de 1980. Escritor, sociólogo, filósofo, crítico literário e semiólogo. Influenciado pelo linguista Ferdinand Saussure19, foi um dos principais teóricos da corrente estruturalista, que caracterizou uma boa parte da intelectualidade francesa.

Formado em Letras Clássicas, Gramática e Filosofia, tornou-se um crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses na década de 1950. Sua obra, ampla e variada, caracteriza-se inicialmente pela reflexão sobre a condição histórica da linguagem literária. Em diversos livros tenta demonstrar a pluralidade significativa de um texto literário e a sobrevalorização do texto em vez do signo.

Barthes (1978) descreve o semiólogo como alguém que faz um jogo com os signos, como se fosse um artista. Este signo é considerado imediato, mas com predileção a textos do Imaginário (imagens, narrativas, retratos, paixões). O autor coloca que a Semiologia tem uma relação com a ciência, mas não é uma disciplina. ―[...] ela pode ajudar certas ciências, ser, por algum tempo, sua companheira de viagem, propor-lhes um protocolo operatório a partir do qual cada ciência deve especificar a diferença de seu corpus [...]‖(BARTHES, 1978, p. 38). Para Barthes (2004), o procedimento semiológico consiste em recortar um objeto em elementos e reparti-los em classes gerais formais, usando a técnica de selecionar categorias e tentando ler os códigos presentes no mundo.

Barthes (1978) tece duas formas de Semiologia, que utiliza em suas análises: a Negativa e a Ativa. Na Negativa, acontece a sustentação do caráter apofático: ―[...] não porque ela negue o signo, mas porque nega que seja possível atribuir-lhe caracteres positivos, fixos, a-históricos, a-corpóreos, em suma: científicos‖ (p. 36- 37). Esse apofatismo, segundo o autor, acarreta, pelo menos, duas consequências em favor do ensino semiológico: uma é que a semiologia não pode ser ela própria uma metalinguagem, chamada por ele de ―retenção do espetáculo‖; outra é que na Semiologia Ativa acontece uma tentativa de compreensão do signo por meio de objetos relacionados a textos do Imaginário, como significantes que, com diferentes gêneros, percorrem a territorialidade do cotidiano.

linguística como ciência e desencadearam o surgimento do estruturalismo.

Barthes (1997) chamou a Semiologia, de ―Linguagem sobre as Linguagens‖. A sua trajetória, no campo Estruturalista , recebe um novo enfoque, ao privilegiar a influencia, constante da mídia e das suas significações, sobretudo através do seu desenvolvimento e influência, a partir dos anos 50. Ao conceder categorizações à Semiologia, a coloca em posição de ciência, cuja preocupação é estudar a representação do real através dos signos.

Em seu livro, Mitologias (1957), o autor discorre sobre os Mitos e seus signos ideológicos na sociedade de massa. Em Fragmentos de um discurso amoroso (1977) elaborou um sofisticado estudo lingüístico sobre o sentimentalismo. O autor também manteve intensa atividade, como crítico literário, foi o criador da revista

Théâtre Populaire, animador do movimento Nova Crítica e diretor da École Pratique

des Hautes Études.

Também, vimos como pertinente a esta pesquisa, e constantemente presente

nas reflexões barthesianas, o Princípio de Pertinência. Este conceito se refere a uma percepção dos signos em relação a alguma coisa, como se fossem parte de um jogo com outros signos, ou do diálogo entre os signos. Segundo Barthes, no Princípio da Pertinência

[...] decide-se o pesquisador a descrever os fatos reunidos a partir de um só ponto de vista e, por conseguinte, a reter a massa heterogênea desses fatos, só os traços que interessam a esse ponto de vista, com a exclusão de todos os outros (BARTHES, 2007, p. 103).

O uso do Princípio de Pertinência não ignora as outras áreas de conhecimento, nem os contextos em que o objeto selecionado pode estar inserido. Ele propõe uma análise de uma parte do objeto, examinando os detalhes anteriormente existentes às supostas conclusões para que haja uma visão interessante e flexível desse objeto. É, assim, um caminho pelo qual se dá o corpus da Pesquisa Semiológica. Para o autor, Corpus é ―uma coleção finita de materiais, determinada de antemão pelo analista, segundo um certo arbitrário (inevitável) e sobre a qual ele vai trabalhar‖ (BARTHES, 2007, p. 94).

Para compreender o cenário da Cultura Organizacional e da Comunicação Interna na Embrapa, nos ancoramos no Paradigma da Complexidade, de Edgar Morin e da Semiologia, de Roland Barthes, através da análise de três veículos de Comunicação Interna da empresa. Serão analisadas três edições do jornal mensal Folha da Embrapa, três edições da revista eletrônica semanal, Todos.com e três edições do informativo interno semanal, Pão Quentinho, com intervalos de seis meses entre as publicações, no período compreendido entre o primeiro semestre de dois mil e dez e o primeiro semestre de dois mil e onze.

Ressaltamos que o método da Complexidade, aliado à Semiologia, não pretende explicações pontuais e acabadas. Assim, pensamos que as reflexões e considerações apresentadas são apenas uma das possibilidades de verdade e de sentido. A interpretação pode ser diferente conforme a bagagem cultural e o período de vida de cada indivíduo e para nós, enquanto pesquisadores, a cada novo olhar novas possibilidades de interpretação podem surgir.

2 UMA COLHEITA COMPLEXA

Neste capítulo, faremos a descrição e a análise de matérias nos três principais veículos de Comunicação Interna, que circulam entre os empregados da Embrapa Trigo: o Todos.com, o Folha da Embrapa e o Pão Quentinho. Utilizaremos e aplicaremos as categorias a priori selecionadas no capítulo anterior, Organização,

Comunicação Organizacional, com sua subcategoria Comunicação Interna, Cultura Organizacional e Socioleto, em conjunto com os pressupostos do Paradigma da

Complexidade e da Semiologia.

A nossa análise abordará, primeiramente, a revista eletrônica Todos.com, através das colunas DGP Informa e Entre Unidades ou Pelas Unidades das edições de números 297, que circulou em 24 de maio de 2010, de número 324, de 26 de novembro de 2010 e a edição nº 338, de 10 de março de 2011. Posteriormente, seguiremos a análise pelo jornal Folha da Embrapa no qual, analisaremos as matérias de capa das Edições 136, de abril de 2010, matéria, “É tempo de mostrar como a ciência torna nossa vida muito melhor”, 142, de outubro de

2010, matéria, “Estamos de braços abertos” e 147, de março de 2011, matéria, “Parreiras que produzem os vinhos do Sol”.

Logo após, no informativo eletrônico Pão Quentinho, serão analisadas matérias, com diferentes enfoques, das edições número 58, edição Extra, de 08 de abril de 2010, matérias “Simpósio de Inovação” e ―Conferência Internacional do Trigo”, edição número 86, de 23 de novembro de 2010, através da matéria “Preparativos Final de Ano” e número 104, de 12 de abril de 2011, com as matérias “Contando Ciência na Web” e ―Nosso Clima”. Destacamos a inserção, em anexo, de

cópias dos veículos analisados.