Studies II: Carpets of The Mediterranean Countries (1400-1600), (ed R Pinner and W B Denny), London:
Eğirdir 1. Eğirdir Sempozyumu, Eğirdir/Isparta, 2001, s 467.
1.15 Karahacılı Yörükler
da transparência e de norma internacional do trabalho
No início dos estudos, objetivava-se verificar a relação entre terceirização e acidentalidade do trabalho na totalidade das atividades econômicas desenvolvidas no Brasil, mediante a aferição dos números existentes nos bancos de dados ou por intermédio de sua construção com base no cruzamento de informações diversas disponíveis nos sistemas oficiais. Esclareça-se que a finalidade era analisar, de modo global, os dados em questão, sem produzir o mero somatório dos quantitativos de cada setor econômico.
Nos itens anteriores desta seção, descreveu-se o conteúdo falho dos dados oficiais ou das informações existentes em cadastros variados para a consolidação de demonstrativos dos números reais da terceirização e dos acidentes do trabalho no Brasil. Então, para o cruzamento da terceirização com a acidentalidade do trabalho, as dificuldades são imensamente superiores, provavelmente uma tarefa a ser executada em período bastante longo sem a garantia da fidelidade dos números finais, do ponto de vista quantitativo para todo o Brasil.
O poder público brasileiro relega a dimensão social dos efeitos advindos da terceirização como mecanismo inserido na dinâmica produtiva capitalista pelos setores empresariais. Esse é um fenômeno praticamente ignorado nas mais importantes pesquisas sociais e econômicas divulgadas pelo Estado. Até mesmo as informações oficiais capazes de
gerar essa mensuração por pesquisadores independentes encontram-se irremediavelmente comprometidas.
Os órgãos e entidades governamentais (IBGE, MTE, Previdência Social, entre outros), ao elaborarem cadastros, estudos e outros documentos públicos, quando não ignoram simplesmente a terceirização, sem destinar nenhum campo a esse modo de utilização do trabalho humano, olham para a referida estratégia de gestão empresarial sob foco extremamente limitado, como se a terceirização fosse apenas aquela prática correspondente ao recrutamento de mão de obra para atividades internas empresariais. Em sentido um pouco mais amplo, passam a compreender como terceirização o conteúdo das declarações espontâneas prestadas pelas empresas como “trabalho subcontratado” em documentos como a CAT e nos cadastros do Cnae e do Cnis. Cada empresa se declara no CNAE da forma que lhe aprouver, sem nenhum tipo de controle da veracidade da atividade econômica efetivamente desenvolvida.
Com efeito, realizar pesquisa com o objetivo de aferir quantitativamente os níveis de acidentalidade relacionada ao trabalho terceirizado, em todo o Brasil, implica a formatação da base de dados capaz de desconstruir os pressupostos falhos das informações que hoje alimentam parte dos cadastros governamentais. Há necessidade, sobretudo, de tempo longo destinado a coletivo de especialistas interessados em desvelar evento razoavelmente escamoteado, de forma proposital ou não.
Por outro lado, setorialmente – como são os casos dos eletricitários, petroleiros e trabalhadores da construção civil –, há destacadas pesquisas quantitativas e qualitativa (principalmente nos estudos de caso) sobre a relação entre terceirização e acidentalidade no trabalho.
É mais seguro e confiável examinar o tema da presente discussão em setores econômicos, porque os elementos da pesquisa podem ser obtidos em fontes primárias mais específicas ou conferidos diretamente por outros meios asseguradores de elevado rigor metodológico e conceitual, bem distante do ambiente de transtornos gerados com base em informações oficiais fornecidas aleatoriamente sem atentar para o verdadeiro sentido e a natureza da terceirização, muito menos para o seu contributo (ou não) para a acidentalidade do trabalho.
Ao ignorar a terceirização em seus bancos de dados, cadastros, estudos e demais pesquisas, o Estado brasileiro desafia a necessidade da transparência inerente à administração pública como princípio a lhe nortear. Mesmo na hipótese restritiva da leitura principiológica vinculada ao elenco do caput do art. 37 da Constituição Federal, a transparência estaria nos princípios da publicidade e da eficiência exigidos do Poder Público, incluindo os seus atos omissivos.
Não se trata de algo irrelevante para a sociedade brasileira. A falta de transparência para com os números dos acidentes de trabalho abrangendo a totalidade dos trabalhadores terceirizados no Brasil, no mínimo, impede o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para preservar a dignidade humana laboral, a efetividade do conjunto de direitos sociais da classe trabalhadora previstos na própria Constituição e o enfrentamento da questão com balizas científicas.
Na vertente do Direito Internacional do Trabalho, a falta de transparência do Estado brasileiro na produção de dados sobre a acidentalidade dos terceirizados inviabiliza o cumprimento da Convenção OIT n. 155, ratificada pelo Brasil, sobre a adoção de política pública destinada a garantir a segurança e saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho saudável. Nos termos do art. 4, da Convenção n. 155, da OIT,
1 – Todo Membro deverá, em consulta com as organizações mais representativas de empregadores e de trabalhadores, e levando em conta as condições e a prática nacionais, formular, pôr, em prática e reexaminar periodicamente uma política nacional coerente em matéria de segurança e saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho.
2 – Essa política terá como objetivo prevenir os acidentes e os danos à saúde que forem conseqüência do trabalho, tenham relação com a atividade de trabalho, ou se apresentarem durante o trabalho, reduzindo ao mínimo, na medida que for razoável e possível, as causas dos riscos inerentes ao meio ambiente de trabalho.201
Diversas outras normas da OIT cuidam da obrigatoriedade da existência de bancos de dados formatados a partir de estatísticas consistentes sobre o tema ora focalizado (Convenção n. 155, art. 11, c, d e e), bem como da imprescindibilidade da adoção de políticas concretas pelos estados para a eliminação da organização e dos métodos de trabalho geradores de acidentalidade relacionada ao labor humano (Convenções n. 148, arts. 9º, b, e n. 81, art. 13, b).
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Reforça a tese da violação de princípios constitucionais e normas internacionais o fato de o Estado brasileiro – mesmo ciente da variável terceirização como fator decisivo para as altas taxas de acidentalidade em determinados setores econômicos pesquisados por institutos e pessoas independentes – não ter tomado nenhuma providência com a finalidade de examinar o tema em seu nível mais abrangente.
Sem estudos, pesquisas e dados a serem cruzados entre terceirização e acidentes relacionados trabalho, as politicas em âmbito nacional de defesa do meio ambiente de trabalho padecerão de elemento imprescindível para fazer cumprir os primados constitucionais e as normas internacionais do trabalho.
Impõe-se dizer que o Estado brasileiro não mapeia os dados de acidentalidade entre os trabalhadores terceirizados, embora seja um dever precípuo seu. A ocultação de dados pelo Estado, no particular, constitui grave ofensa aos direitos sociais da classe trabalhadora, em especial àqueles pertinentes à garantia da existência de um ambiente saudável de trabalho.
6.5 Terceirização no setor elétrico brasileiro: matadouro de trabalhadores