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Studies II: Carpets of The Mediterranean Countries (1400-1600), (ed R Pinner and W B Denny), London:

Eğirdir 1. Eğirdir Sempozyumu, Eğirdir/Isparta, 2001, s 467.

1.13 Honamlı Yörükler

formal de trabalho)

Nunca é demais repetir que não existem dados produzidos pelos institutos oficiais de pesquisa aptos a atestar o número total ou o percentual de trabalhadores informais/precários submetidos ao regime da terceirização no Brasil, interna ou externa (trabalhadores que são indiscutivelmente empregados terceirizados, sem que os seus contratos de trabalho tenham obtido registro na CTPS). Essa decomposição sequer foi alcançada por outros centros independentes de estudos do trabalho, especialmente em razão da insuficiência dos bancos responsáveis pela coleta de tais dados.

Deflui-se, como mera decorrência lógica, que os números a seguir comentados refletem a terceirização captada pelo mercado formal de trabalho, isto é, representam parte do recrutamento de trabalhadores mediante subcontratação de pessoal, em tabelas do Dieese

baseadas em dados da Rais (ano 2010).

A Tabela 12 cuida da distribuição dos trabalhadores em empresas tipicamente terceirizadas e tipicamente contratantes.

Tabela 12 – Distribuição dos trabalhadores em empresas tipicamente terceirizadas e tipicamente contratantes (ano 2010)

Setores Número de trabalhadores % Tipicamente terceirizados 10.865.297 25,50% Tipicamente contratantes 31.740.392 74,50% Total 42.605.689 100,00% Fonte: DEPARTAMENTO..., 2011.

A Tabela 12 exterioriza o enorme espaço ocupado pela terceirização no mercado de trabalho formal brasileiro, em um percentual de mais de 25% da força de trabalho, sem contar os números da informalidade/precariedade do sistema geral e da totalidade da agricultura – segmentos que, caso fossem regularmente contabilizados, poderiam, em tese, alterar os números dos setores tipicamente terceirizados para elevá-los além dos 10.865.297 trabalhadores subcontratados em 2010.

Na Tabela 13, evidenciam-se os percentuais da subcontratação, de 1999 a 2009, nas regiões metropolitanas e Distrito Federal.

Tabela 13 – Distribuição dos subcontratados, segundo forma de inserção ocupacional (regiões metropolitanas e Distrito Federal, nos anos 1999 e 2009)

Formas de inserção ocupacional Total

1999 2009

Emprego subcontratado 100,00% 100,00%

Assalariados contratados em serviços terceirizados 37,30% 47,90% Autônomos que trabalham para uma empresa 62,70% 52,10%

Nota-se, pela Tabela 13, o aumento percentual dos trabalhadores terceirizados entre 1999 e 2009, nas regiões metropolitanas e no Distrito Federal (de 37,3% para 47,9%), ao mesmo tempo em que diminuiu a quantidade de “autônomos que trabalham para uma empresa” (de 62,7% para 52,1%). O decréscimo do último item pode estar diretamente vinculado à fiscalização do trabalho, à atuação do MPT e da Justiça do Trabalho, responsáveis nos últimos anos por uma série de decisões, administrativas e judiciais, capazes de coibir falsas relações de emprego formalmente celebradas sob o manto da criação de pessoa jurídica pelo trabalhador como resultado da imposição patronal, a denominada e vulgar “pejotização”. Agregue-se ao quadro de enfraquecimento da “pejotização” o insucesso – em razão de veto presidencial – da tentativa patronal, em 2006, de obter lei proibindo a atuação dos auditores- fiscais do trabalho contra as empresas envolvidas nessa fraude trabalhista em debate.

A seguir, as Tabelas 14 e 15 e o Gráfico 6, os quais tratam de salários, rotatividade no emprego e jornada dos trabalhadores terceirizados e dos empregados das empresas tipicamente contratantes (empresas principais).

Tabela 14 – Condições de trabalho e terceirização (ano 2010)

Setores Setores tipicamente

contratantes Setores tipicamente terceirizados Diferença (%) Remuneração de dezembro R$1.824,20 R$1.329,40 -27,1%

Tempo de emprego 5,8 anos 2,6 anos -55,5%

Jornada semanal contratada 40 h 43 h 100,00%

Fonte: DEPARTAMENTO..., 2011.

Tabela 15 – Distribuição percentual dos trabalhadores diretos e terceirizados por faixa salarial (ano 2010)

Faixa salarial Terceiros (%) Diretos

(%) 1-2 salários (R$546-R$1.090) 48% 29% 2-3 salários (R$1.091-R$1.635) 36% 23% 3-4 salários (R$1.636-R$2.180) 12% 13% 4-6 salários (R$2.181-R$3.270) 4% 17% 6-8 salários (R$3.271-R$4.360) 0% 10% > 8 salários (>R$4.361) 0% 8% Total 100% 100,00% Fonte: DEPARTAMENTO..., 2011.

Fonte: DEPARTAMENTO..., 2011.

Salários menores, alta rotatividade e jornadas mais longas integram a realidade dos trabalhadores terceirizados no Brasil, expressando as Tabelas 14 e 15 e o Gráfico 6 parte da realidade do ano de 2010, especialmente pela falta de inclusão dos terceirizados informais, dos trabalhadores da agricultura e das horas de trabalho realizadas além da jornada contratual.

Mesmo com as potentes limitações presentes nos dados indicados, constata-se que os terceirizados no Brasil, em 2010, percebiam 30% a menos, tinham uma rotatividade no emprego acima do dobro (2,6 anos de permanência no emprego como tempo médio) e laboravam ordinariamente (contratualmente, sem contar as horas extras, portanto) quase 10% a mais, quando comparadas estas condições contratuais com as dos empregados das empresas principais (contratantes). Quase 50% dos trabalhadores terceirizados auferiam remuneração média de um a dois salários mínimos, com apenas 4% deles, em 2010, auferindo o valor remuneratório médio variável entre quatro a seis salários mínimos, na condição de teto.

Na seção 4, no exame da situação envolvendo bancos e bancários terceirizados, apurou-se ali quadro muito mais acentuado de discriminação salarial (acima do dobro), bem como de jornada contratual e extracontratual (acima de 30% mais elevada) aplicável aos

Gráfico 6 – Taxa de rotatividade por tipo de empresa – efetivos e terceirizados (ano 2010) 22,00% 44,90% 27,80% Empresas tipicamente contratantes Empresas tipicamente terceirizadas Total

bancários submetidos ao processo de terceirização, legitimada e “legislada” pelo Banco Central do Brasil.

As tabelas e gráfico antes transcritos, quanto aos salários e jornada dos terceirizados formais de todo o Brasil, contemplam índices de injustiça social menos drásticos do que aqueles dispensados aos bancários e petroleiros brasileiros terceirizados. Sem descurar da riqueza e dos esforços empreendidos pelo Dieese, os números constantes dos quadros sobre salários e jornadas de um modo geral para todo o País refletem apenas parte das injustiças sociais produzidas contra os trabalhadores terceirizados no Brasil, diante das circunstâncias relatadas no desenvolvimento desta seção e também da anterior.

Ademais, é possível presumir que os dados constantes das Tabelas 12, 13, 14 e 15 e do Gráfico 6 espelham o grosso do trabalho subcontratado mais perceptível, qual seja, aquele relativo ao recrutamento de mão de obra para desenvolver atividades no âmbito da empresa principal, especialmente na área de serviços (terceirização interna), sem alcançar, por outra vertente, grande quantidade de trabalho em rede, que também é uma forma sofisticada de terceirização (externa).

A falta de rigor quanto aos elementos lançados na classificação nacional de atividades econômicas (Cnae) para capturar a totalidade da terceirização, bem como o inteiro teor da Tabela 16, do Dieese – produzida e formatada em idêntica base das demais tabelas –, leva a projetar que a terceirização vai além dos números antes expostos, em termos quantitativos e, de modo especial, na sua capacidade de precarizar as condições de trabalho, conforme sugerem as Tabelas 12, 13, 14, 15 e o Gráfico 6, do Dieese. Transcreve-se, para tanto, a Tabela 16 contendo a variação da subcontratação entre os setores de atividades econômicas, entre 1999 e 2009.

Tabela 16 – Distribuição dos subcontratados segundo setor de atividade econômica (regiões metropolitanas e Distrito Federal – anos 1999/2009)

Formas de inserção ocupacional e setor de atividade Total (%)* 1999 2009 Emprego subcontratado 100,0% 100,0% Indústria 17,9% 13,9% Comércio 14,6% 10,0% Serviços 60,1% 69,1% Construção civil 5,6% 6,1% Outros† [1,8%][0,9%]‡ Fonte: DEPARTAMENTO..., 2011.

*Correspondem ao total das regiões metropolitanas de

Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. †Incluem agricultura,

pecuária, extração vegetal, embaixadas, consulados, representações oficiais e outras atividades não classificadas. ‡A amostra não comporta a desagregação

para esta categoria.

Ora, a queda nos percentuais de terceirização, entre 1999 e 2009, na indústria (de 17,9% para 13,9%) no comércio (de 14,6%), a manutenção dos mesmos níveis na construção civil (de 5,6% para 6,1%) e a nota um pouco destoante nos números elevados no setor de serviços (de 60,1% para 60,9%) – tudo conforme a Tabela 16 – reforçam a convicção de que, além da ausência confessada da contagem da terceirização no trabalho informal e na agricultura, de forma geral, os dados ali expostos deixaram de captar fração expressiva da terceirização externa desenvolvida pelo sistema da empresa funcionando em rede, como é o caso, por exemplo, das montadoras de automóveis, entre outras atividades desenvolvidas sob igual moldura administrativo-empresarial.

Nessa linha de raciocínio, os cadastros governamentais criados para para conferir identidade às atividades econômicas e ao cadastro individual de cada trabalhador (Cnae e

cadastro nacional de informações sociais – Cnis, respectivamente) são notoriamente insuficientes para aferir em que setor há, de fato, terceirização, ao menos em todos os seus termos sociológicos e jurídicos. Os códigos das classes principais e de suas subclasses dos Cnae nem sempre refletem a realidade, além de relegarem o fato de que o trabalho terceirizado não se restringe à existência formal de uma empresa contratada e de outra na qualidade de subcontratada na relação jurídica civil responsável pelo fornecimento de mão de obra. A última forma de recrutamento de mão de obra, na verdade, corresponde à operação clássica pejorativamente denominada de marchandage, regulada em lei para a prestação de determinados serviços por terceiros.

Tudo isso não prejudica, porém, a constatação do grau devastador da terceirização sobre as condições de trabalho, mesmo quando se parte de pressuposto extremamente moderado para medir o seu tamanho no mercado de trabalho brasileiro bem como os seus efeitos sobre os níveis da precaridade salarial absoluta e da superexploração da força de trabalho.