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Karşı Kültürün Taşıyıcısı Olarak Fanzinler

1. Alternatif Medyanın Kuramsal Temeli

2.4 Karşı Kültürün Taşıyıcısı Olarak Fanzinler

Na realidade, o processo participativo de Belém não procurou ser apropriado pela totalidade da cidadania, convertendo-se simplesmente na maneira como a Força Socialista governava, o que enfraqueceu a possibilidade do empoderamento cidadão. Muitos conselheiros mostram como as esperanças de continuidade estavam centradas na continuidade do partido do governo no poder, o que indicava que se eles perdessem, o processo participativo acabaria.

Eu acho que se não tiver um governo com o mesmo compromisso que este governo teve, aí a tendência, é acabar, [...] (DERLINO ALVES DA FONSECA, Conselheiro, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 16)

[...], eu, como conselheira, eu como cidadã, como belemense, eu já estou com os pés firmes esperando este outro momento político, esperando a próxima eleição, porque a direita vai querer voltar, vão querer voltar a todo custo e nós queremos construir, dar sequência a construção do sonho e para isso temos que estar juntos (ALDENORA DAS GRAÇAS COSTA GONÇALVES, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 47).

[...] Como conselheira, enquanto tiver minha saúde perfeita, vou lutar, espero que esse governo prossiga, que o Edmilson saia e deixe uma pessoa que continue para lutar mesmo com toda garra, para que esse governo continue se não nós estamos fritos... (MARIA JOSÉ REIS, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 374).

Eu me arrepio só de pensar no trabalho que nós vamos agora ter na próxima eleição, [...]. Eu acho que não deveria parar, que deveria continuar, mas tudo vai depender da vontade popular, se vamos fazer um companheiro nosso, prefeito. Acho que é isso que deveríamos perseguir, já que nós somos sonhadores mesmo, temos que perseguir esse sonho para torna-lo realidade (ALDENORA DAS GRAÇAS COSTA GONÇALVES, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 41).

[...] eu acho que ele vai conseguir se manter de forma autônoma, pelo nível de domínio que as pessoas tem, pela necessidade que elas tem de querer estar discutindo essa organização grande da cidade, é um sentimento que eu tenho, é um olhar que eu tenho, que eu percebo claramente. [...] O Conselho da Cidade é o que traz todo mundo para um espaço único para discutir essa diversidade, então essa construção ela é única e eu acho que é difícil as pessoas quererem se desapropriar disso hoje (DALVA DE CASSIA SAMPAIO DOS SANTOS, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 135).

[...] Não podemos perder esse governo. Se perder esse governo não se sabe como vai ficar o conselho, porque, se entrar a direita, ela corta esse conselho. Com certeza ela vai tirar (JOÃO SABINO DE SOUZA, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 231).

[...] nos esperamos que a gente consiga eleger uma pessoa com o mesmo compromisso que ele possa estar demostrando o que eu penso e, [...] (JOSE EDSON SIQUEIRA CHAVES, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 248).

Não queremos que depois de tanta luta, tanta conquista entregar em certas mãos burocráticas pra que venha fazer um povo, que tem a esperança de viver feliz, a voltar ao

sofrimento, e vamos lutar pra que a democracia fique muito mais transparente, e maior. É o nosso sonho.

[...]

Nós não queremos, vamos lutar, nós não queremos que nenhum desses projetos alguém venha elimina-los, alguém venha quebra-los, não vamos deixar, por isso que nossa luta vai continuar [...] (CREUSA NOÊMIA MONTEIRO FREIRE, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 102).

[...] eu tenho temor mesmo, eu digo para eles, que mudando o governo será que vai ter este mesmo compromisso, se o governo não for de esquerda, então não faz. (ADERLINDO ALVES DA FONSECA, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 16).

[...] pela participação, pelo envolvimento da nossa comunidade aqui, a gente vai trabalhando e se vier outros governos, com o mesmo pensamento, eu acho até que já fica um pouco quase irreversível essa metodologia de governar com o povo. [...] (GENEBALDO RIBEIRO MENDES, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 204).

[...] eu tenho muita duvida de que mesmo que o PT faca o próximo governo, de que essa experiência não vai ser abandonada, eu tenho muita duvida, porque ela não é uma coisa consolidada, esse é que é o problema, ela não é uma política consolidada. [...] (JOSE GUILHERME CARVALHO, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 270).

Agora com a convicção de que o Congresso da Cidade precisa ficar para sempre, independente de quem seja o próximo prefeito eleito no ano que vem. Tomara que seja um companheiro com o mesmo compromisso do prefeito de Belém, o companheiro Edmilson Rodrigues. Se não for, se for de um outro partido... más é necessário que nós, povo de Belém, que faz o controle social, garanta que o Congresso da Cidade continue vivo porque é um instrumento de participação popular, [...] (JOSE EDSON SIQUEIRA CHAVES, entrevista apud NOVAES; MATOS; WAGNER, 2003, p. 240).

As esperanças de continuidade foram colocadas a serviço da mesma campanha política, e foi usada a ideia de que se a esquerda não continuasse no poder, o processo desapareceria. Em Belém, não se trabalhou em alcançar o empoderamento comunitário, o qual era muito difícil de conseguir, porque o processo tinha uma identificação partidária, e porque as brigas entre partidos e tendências que estavam no poder, aliados a uma cooptação do processo, evitaram que a pororoca participativa continuasse rio acima.

Concluindo este capitulo, pode-se asseverar, então, que o que se observa no caso de Belém é a não existência de uma identidade do povo amazônida na cabanagem – como tampouco existe nos movimentos sociais das últimas décadas – uma identidade de região, ou de cidade, como sucedia em Nariño, na Colômbia. E ao invés dos movimentos sociais chegarem ao poder em Belém, aconteceu o processo à inversa, foram os partidos políticos os que cooptaram os movimentos sociais para conduzi-los até seus interesses.

Essa situação não foi alheia no momento do OP e do Congresso da Cidade, ocorrida em Belém entre os anos de 1997 e 2004, enfraquecendo o processo participativo. Era manifesta a maneira como o partido de governo, especialmente a Força Socialista da qual o ex-prefeito Edmilson Rodrigues pertencia, procurava restringir o raio de ação dos movimentos sociais. Os interesses do partido de governo foram colocados acima das lutas populares representadas pelos movimentos sociais, na procura do controle nas instâncias decisórias, até o ponto de debilitar o processo de participação cidadã com ameaças a sua continuidade.

Isso não permitiu aumentos no sentimento de pertencimento dos cidadãos de Belém, como ocorreu com os cidadãos de Pasto, o que é vital no empowerment e no aumento de mais capital social. Desta maneira, fica confirmada a hipótese inicial de que o processo de OP de Belém, Brasil, somente foi apropriado pelos simpatizantes dos partidos da coalizão de governo, e era uma questão partidária. Com o agravante de que o processo foi cooptado através dos movimentos sociais em meio de brigas partidárias, e de correntes dentro do mesmo partido de governo.