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Kadının Evlilik Kurumuna Bakışı:

SOSYOLOJİK ÖZELLİKLERİ BAKIMINDAN TÜRK ROMANINDA KADIN

F. Toplumsal Değerler Karşısında Kadın 1. Modernleşme ve Kadın:

6. Aile ve Kadın:

6.2. Kadının Evlilik Kurumuna Bakışı:

A análise dos documentos, de acordo com Bardin (2011), segue três fases: a) pré- análise; b) exploração do material a fim de pensar em como organizá-lo; c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação. A fase de pré-análise corresponde à organização do material, como a escolha dos documentos que serão submetidos à análise. Em relação ao material disponível, Gomes (2012) assinala que é necessário investigar se os dados são suficientes para análise; se possibilitam uma discussão consistente e compatível com os objetivos do trabalho. Assim, na pesquisa, num total de sete processos judiciais, foram selecionados cinco como aptos a análises. Desses cinco, três obedeceram aos seguintes critérios: (i) casos compostos por laudos, preferencialmente escritos por psicólogos e por assistentes sociais; (ii) casos de pais em litígio judicial pela guarda da criança – compartilhada, definitiva e/ou modificada. Nos outros dois casos, embora correspondessem aos critérios (i) e (ii), não consta a decisão do juiz. De acordo com a escrivã da vara de família, esses casos foram encerrados, porém deles não tivemos como acessar os últimos processos judiciais.

Para melhor explicitar os casos estudados e que serão analisados no próximo capítulo, segue o quadro abaixo, em que os nomes dos participantes são fictícios, com a intenção de manter o sigilo dos participantes.

Caso Tipo de Guarda Ação Idade da Criança Psicóloga Assistente Social Sentença

1

Guarda compartilhada – 11/2010

Pai requer a guarda compartilhada. 4 anos (08/06/2006) Carla – favorável à guarda compartilhada. Joana – favorável à regulamentação de visita. Recusado. Guarda atribúida definitiva- menteà mãe. 2 Modificação de Guarda – 11/2010

Pai requer a modifi- cação de guarda da criança. 10 anos (19/07/1999) Tamires – favorável à modificação da guarda. Joana nem a favor

nem contra.

Renata – favorável à modificação de guarda. Carine nem a favor nem

contra. Favorável à modificação de guarda. 3 Divórcio e pedido de guarda– 10/2010.

Pai requer a guarda do filho. Mãe solicita o divórcio. 8 anos (10/11/2000) Joana – favorável à guarda da mãe. Taís – favorável à guarda da mãe. Favorável ao divórcio. Guarda exclusiva à mãe. 4 Ação e modificação de guarda com pedido de antecipação de tutela–

05/2008

Pai requer a modifica- ção de guarda com pedido de antecipa- ção de tutela para negar autorização de viagem do filho com a guardiã para domícilio no exterior. 4 anos (6/09/2006) Edna – favorável à modificação da guarda. Fernanda – favorável à modificação da guarda. Informação não obtida. 5 Reconhecimento E Dissolução da União e guarda compartilhada. 08/2007

Pai requer reconhe- cimento e dissolução da União e Guarda Compartilhada de ambos os filhos. 15 anos (25/03/1992) e 7 anos (09/06/1996) Camila – favorável a que o pai permaneça com a guarda do fiho e a mãe com a guarda

da filha.

Sônia – favorável a que o pai permaneça com a guarda do fiho e a mãe com a guarda da filha.

Informação não obtida.

Foram selecionados dois casos para análise. O caso 1, de pedido de guarda compartilhada feito pelo pai e recusado em sentença, e o caso 2, de pedido de modificação de guarda, também feito pelo pai e aceito em sentença. Após a seleção do material foi iniciada a segunda etapa, que consistiu em organizá-lo. Em cada processo judicial, foram empreendidas leituras “flutuantes” sobre os discursos dos advogados das partes, sobre os discursos dos promotores e juízes e sobre os discursos de psicólogos e assistentes sociais referidos nos laudos psicológicos e sociais. Optamos por agrupá-los por segmentos de

atores: a) discursos dos advogados; b) discursos dos laudos psicológicos e sociais; c)

discursos do Ministério Público e juiz. Compreendemos que essa classificação é importante justamente porque cada operador do direito possui atribuições diferentes e diferentes parâmetros para sua atuação. Exemplo, o juiz, que infere sua decisão sobre o caso tanto a partir dos discursos que permeiam os processos e laudos quanto de sua própria visão. Já em relação aos operadores do direito, não se pode ignorar que, no campo da ética, há diferença entre a ética dos psicólogos e a dos advogados. Enquanto o advogado deve defender seu

cliente, independentemente da veracidade do argumento e do fato, o psicólogo, ao contrário, busca compreender o subtexto que revela os sentidos e desejos do sujeito.

Assim, ao partimos do pressuposto que a pesquisa documental é o exame de significados e sentidos, é importante que o pesquisador os estude a partir de quem os produziu, levando em conta sua expressão e sua linguagem. Os documentos dos processos judiciais devem ser compreendidos em sua dialogia, seguidos de uma ordem cronológica, em que se mesclam diferentes falas de profissionais, cada um com seu repertório específico, como é o caso do discurso jurídico. Em tal fala, procurou-se também anotar a data correspondente ao início da atividade de cada profissional no processo.

Após a visão conjunta do material selecionado, da apreensão de suas particularidades, elegeram-se os tópicos mais significativos, de acordo com o objetivo proposto pela tese. Para tanto, Aguiar e Ozella (2006) sugerem a realização de várias leituras do material, em que o pesquisador prioriza a organização dos pré-indicadores, que são as palavras dotadas de significados, inseridas em determinados contextos. Esses pré- indicadores são elencados, seja pela frequência, como a repetição ou a reiteração, seja pela importância destacada nas falas dos informantes, seja pela carga emocional, seja pelas contradições.

Após essa construção, os indicadores foram formulados pela aglutinação dos “pré- indicadores” em maior número possível, considerando os temas significativos nos discursos. As escolhas desses pré-indicadores se deram pelos critérios de semelhança, complementaridade e contraposição. Depois da constituição dos indicadores, inferiram-se e sistematizaram-se os núcleos de significação, etapa importante, visto que o avanço na compreensão dos sentidos somente se dá quando os núcleos forem bem articulados.

Nesse processo de organização dos núcleos de significação – que tem como critério a articulação de conteúdos semelhantes, complementares ou contraditórios –, é possível verificar as transformações e contradições que ocorrem no processo de construção dos sentidos e dos significados, o que possibilitará uma análise mais consistente que nos permite ir além do aparente e considerar tanto as condições subjetivas quanto as contextuais e históricas. (AGUIAR e OZELLA, 2006, p. 231).

Esse é o momento em que se inicia o processo de análise, o caminho para a interpretação, em que os núcleos devem expressar os pontos centrais e fundamentais que revelem implicações para o sujeito. Na análise dos núcleos, o processo se dá via intranúcleos para a articulação de internúcleos, em que cabe ao pesquisador revelar as semelhanças e/ou

contradições apontadas no movimento do sujeito. Nem sempre essas contradições estão expressas no discurso do sujeito, sendo necessário ao pesquisador apreendê-las mediante sua análise (AGUIAR e OZELLA, 2006).

No próximo capítulo, apresentamos o primeiro caso analisado, relacionado à ação da guarda compartilhada, em que foram elaborados os indicadores e os núcleos de significação.