1.6 Sınır Sorunları ve Çözümleri
1.6.3 III Ağrı İsyanı (7-14 Eylül 1930)
O processo de constituição do sujeito que nos apresenta a teoria histórico- cultural, tendo Vygotsky como principal representante, possui pontos comuns com a concepção dialógica de linguagem e de texto. Neste quadro a leitura é entendida como um objeto cultural fundamental para a formação humana. Sua aprendizagem, segundo Vigotsky (1991a) possibilita o acesso a conteúdos simbólicos fundamentais para a constituição do ser humano – auxiliando no desenvolvimento das funções psicológicas superiores: consciência, atenção, memória e pensamento abstrato – e para a qualidade de suas interações com o outro.
O sujeito constitui-se a partir da apropriação e objetivação de elementos sociais. Se a consciência humana é composta principalmente na relação entre signos, símbolos e significados da cultura, o acesso à escrita – que é um dos
produtos dessa cultura - e a leitura da literatura, é indispensável para acessar também o que tem sido produzido historicamente pelo homem. Assim um ensino que incorpore a leitura e a escrita, propondo situações de interação com formas elaboradas de uso da linguagem, estará contribuindo para a formação humana.
As aquisições do desenvolvimento histórico das aptidões humanas não são simplesmente dadas aos homens nos fenómenos objectivos da cultura material e espiritual que os encarnam, mas são aí apenas postas. Para se apropriar destes resultados, para fazer deles as suas aptidões, <os órgãos da sua individualidade>, a criança, o ser humano, deve entrar em relação com os fenómenos do mundo circundante através de outros homens, isto é, num processo de comunicação com eles. Assim, a criança aprende a actividade adequada. Pela sua função, este processo é, portanto, um processo de educação. [...] Quanto mais progride a humanidade, mais rica é a prática sócio-histórica acumulada por ela, mais cresce o papel específico da educação e mais complexa é a sua tarefa. (LEONTIEV, 1978, p. 272-273)
Tendo em vista a complexa e importante tarefa da educação, concebo o espaço da sala de aula como ambiente potencial para a promoção de interações sociais significativas com a linguagem escrita. Os procedimentos e dados apresentados neste e no(s) próximo(s) capítulo(s) objetivam demonstrar como tais interações podem auxiliar na formação do leitor, organizando-se situações de uso da linguagem por meio de práticas de leitura individual e colaborativa23, nas quais se utilizem estratégias que auxiliem o diálogo entre texto e leitor.
De acordo com Vigotsky, a relação que o homem estabelece com o mundo nunca é direta, é sempre mediada por sistemas simbólicos, nos quais os signos seriam os instrumentos de interação.
A linguagem é um sistema simbólico fundamental no estabelecimento de significados compartilhados. A língua, por sua vez, é constituída por signos elaborados por meio de convenções. “A convencionalidade da língua significa que essa linguagem é social” (SMITH, 2003, p. 65) e, portanto, a leitura é uma atividade social aprendida em um contexto social.
23 O termo “colaborativa” é utilizado por Harvey e Goudvis (2007) com o mesmo sentido do termo “compartilhada”, utilizado por Solé (1998). Eles referem-se ao processo de compartilhar, de socializar com o outro, de como procede a leitura e constrói os sentidos para o texto.
A linguagem é compreendida também como
aspecto diferenciador entre o homem e o animal [...] O homem ascende à sua humanidade, transforma-se de ser biológico em ser sócio-histórico no momento em que reflete a realidade objetiva de forma mediada, utilizando instrumentos psicológicos, os signos, na interação com os outros. As funções mentais elementares transformam-se qualitativamente em funções mentais superiores pela utilização da linguagem adquirida no contato social. (FREITAS, 1997, p. 318)
Sendo assim, o contato significativo com a linguagem escrita por meio da leitura de textos literários pode constituir-se como fator de desenvolvimento da mente humana.
Luria (2010, p. 26) afirma que
O aspecto “cultural” da teoria de Vigotskii envolve os meios socialmente estruturados pelos quais a sociedade organiza os tipos de tarefa que a criança em crescimento enfrenta e os tipos de instrumentos, tanto mentais como físicos, de que a criança pequena dispõe para dominar aquelas tarefas. Um dos instrumentos básicos inventados pela humanidade é a linguagem, e Vigotskii deu ênfase especial ao papel da linguagem na organização e desenvolvimento dos processos de pensamento. [...] A linguagem carrega consigo os conceitos generalizados, que são a fonte do conhecimento humano.
É confirmada a função da linguagem como instrumento de formação humana, o que indica que as interações significativas com a linguagem apresentam grande potencial de contribuir com o desenvolvimento cultural, social e intelectual.
Tanto a linguagem oral quanto a escrita, como sistema simbólico e construção social, são importantes para promover o desenvolvimento das estruturas psicológicas superiores, bem como para ampliar as possibilidades das interações sociais.
Arena (2012) destaca que “a formação da consciência e da sua evolução dependem da sofisticação dos instrumentos culturais humanos, entre os quais encontramos os atos como a escrita: atos de ler e escrever, que não podem ser negados em sua inteireza e essência para as crianças que aprendem a língua”
(informação verbal)24. Acrescenta ainda que os enunciados escritos em atos da vida
humana criam desafios para a mente, exigindo sua própria superação. Desta forma, a não aprendizagem da escrita ou da leitura em sua essência pode representar o não acesso a elementos abstratos da cultura que podem impedir o desenvolvimento de certos aspectos da mente.
Embora Vygotsky (1993) afirme que, até certo ponto, linguagem e pensamento sigam caminhos distintos, quando eles se cruzam, há um salto qualitativo em ambos. Contudo, conforme estudos realizados por ele e seus colaboradores, a linguagem conduz o pensamento e modifica as formas de pensar.
Fica claro o papel que a linguagem opera no desenvolvimento, como instrumento que medeia as relações entre o sujeito e seu meio. Ela se concretiza essencialmente pela oralidade e escrita. Neste sentido, dominar a oralidade e a escrita torna-se essencial para que o sujeito possa desenvolver aspectos mentais complexos e abstratos, que constituem a própria base para o desenvolvimento do sujeito no que se refere às funções psicológicas tipicamente humanas, as quais lhe permitem interagir socialmente.
Entendo que as estratégias de leitura são também instrumentos para que os sujeitos possam interagir com a linguagem escrita e que, portanto, contribuem para desenvolver as funções psicológicas superiores. A leitura, uma das formas de uso da linguagem, envolve as funções psicológicas superiores mencionadas por Luria (2010), tais como a memória e a atenção voluntária. O ensino de estratégias metacognitivas de leitura, na perspectiva da instrução da compreensão, de acordo com Harvey e Goudvis (2007), pressupõe experiências de interação com o outro visando a que o leitor em formação possa transformar em recursos seus, as maneiras de ação com os textos escritos, vivenciadas com o(s) outro(s).
Ao proporcionar situações significativas de leitura aos alunos, por meio dessas estratégias, como possibilidade de dialogar com os textos, é possível ampliar as vivências de leitura e de interação social, alargar seus conhecimentos sobre a língua escrita, texto, determinado(s) gênero(s) e conteúdo(s), como também aumentar sua capacidade de operar mentalmente por meio deles.
24 Informação verbal fornecida por Dagoberto Buim Arena no “VII Congresso de Alfabetização, V Congresso de Educação Infantil, V Congresso de Educação de Jovens e Adultos” , UFU-Uberlândia, em novembro de 2012.
Sendo as estratégias de leitura objeto desta investigação, ressalto, contudo, que o objetivo das práticas que envolvam metodologias de ensino de estratégias de leitura não deve ser a aprendizagem de estratégias, definindo-as ou conceituando- as. As estratégias não constituem o fim, mas um meio a ser utilizado para proporcionar um contato de qualidade com os textos. Proponho, à luz dos autores trazidos para a discussão neste texto, que o professor, através delas, possa mostrar um caminho possível para os alunos construírem suas interpretações sobre o texto literário, em situações interativas de leitura, tendo o auxílio e orientação desse adulto e a colaboração do grupo.
Reconheço que a vivência de utilização de estratégias de leitura em sala de aula não dá conta de todo o processo de formação do leitor por dois motivos: 1- A formação é um processo que se estende por toda a vida. 2- O trabalho com ensino de estratégias de leitura é apenas uma das maneiras de se aproximar dos textos e muitas outras podem ser exploradas pela escola. Entretanto, ainda que não seja condição única para a formação do leitor, pode trazer grandes contribuições para esse processo. Na escola, lugar por excelência de sistematização das aprendizagens e de inserção no mundo letrado, sendo base para formação do leitor, essas práticas, se trabalhadas constantemente, podem tornar-se uma realidade a contribuir para a ampliação do universo interpretativo das crianças e, assim, ampliar a capacidade de realizar efetivamente a leitura, entendendo que ela se constitui pelo diálogo com o texto verbal escrito.
Para dar continuidade à discussão acerca da linguagem, do texto e da leitura como processos dialógicos de interação humana, no próximo capítulo apresento e discuto o percurso de formação do escritor Hans Christian Andersen, a relação entre sua vida, leituras realizadas, sua obra e sua constituição como homem e escritor. Ainda nesse capítulo, retomo a relevância dos conhecimentos prévios para a realização da leitura e apresento alguns dados sobre o trabalho com os textos desse autor, durante a pesquisa realizada.