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1. BÖLÜM

3.1. Tarife Dışı Önlemlerin Kapsamı

3.1.2. Tarife Dışı Önlemlerin Sınıflandırılması

3.1.2.1. Tarife Dışı Önlemlerin Çeşitleri

3.1.2.1.1. İthalata Yönelik Teknik Önlemler

Durante o período que realizamos a pesquisa foi possível perceber que há diversos desafios para que os objetivos e metas propostos para o Ambulatório de Saúde da Mulher sejam alcançados. Os(as) profissionais que atuam no serviço demonstram ter uma visão clara de que há muitas dificuldades que precisam ser superadas e muitos “buracos” na rede, como aparece na fala de alguns deles:

“O caso mais difícil foi uma mulher de Campo Limpo, que teve muita dificuldade para fazer a biópsia lá... já tava com ferida. A gente lutou pra ela conseguir (...) As mulheres são humilhadas demais pelos médicos do INSS. É muito difícil conseguir benefício” (Assistente social. Fonte: diário de campo, 30/03/2012).

A seguir apresentaremos os desafios que apareceram de modo mais explícito nas conversas e nas observações que realizei nesse período. Para compreender esses desafios do ASM, partimos da noção de ambiência na saúde, diretriz da "Política Nacional de Humanização (PNH) 30, que compreende o espaço físico, social, profissional e de relações

30 A humanização é entendida na PNH como a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam esta política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a corresponsabilidade, a formação de vínculos solidários e a participação coletiva.

interpessoais dos serviços de saúde voltados para uma atenção em saúde resolutiva e acolhedora. Essa compreensão é norteada por três eixos:

1. O espaço que visa a confortabilidade;

2. O espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho; 3. A ambiência como espaço de encontros entre os sujeitos.

4.2.2.1 O Espaço Físico

Construído nas dependências do Hospital Universitário, percebe-se que houve um reaproveitamento do espaço que a priori não foi planejado para atender as mulheres. O ASM tem um espaço muito reduzido, com infraestrutura insuficiente para atender à demanda.

“A gente fica muito ‘apertado’. Não tem um bebedouro para as pacientes” (Recepcionista do pós- consulta. Fonte: diário de campo).

Além do espaço físico limitado, o tempo que as mulheres aguardam na sala de espera é longo e ocioso. Na perspectiva da ambiência, esse também deve compor as ações do serviço de saúde e pode fazer parte do atendimento de diversos modos. Poderiam utilizar esse espaço pararealizar conversas e atividades relacionadas à promoção de saúde e principais casos atendidos no ASM, como gravidez de risco, câncer de útero e de mama e violência doméstica, entre outros.

Em 8 de março de 2012, Dia Internacional da Mulher, havia no mural da sala de espera um poema de Cora Coralina: “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. Esse é um exemplo que mostra que as paredes e murais também podem ser aproveitados nas atividades. Partindo da reflexão de Cecilio (2009), entendemos que a integralidade, sendo objetivo de toda rede, se realiza quando há disponibilidade dos serviços e dos profissionais em criar espaços privilegiados de acolhimento, escuta, fortalecimento dos/das usuários/as e formação de vínculos.

4.2.2.2 O Acolhimento

Os profissionais que ficam na pós-consulta relatam que é difícil conciliar as tarefas cotidianas (marcar exames, separar medicamentos para a paciente, atender o telefone) com a necessidade de acolhimento dos casos em que há abalo emocional – por exemplo, quando a paciente grávida descobre que o feto morreu ou atender a mulher que acabou de receber a notícia de que está com câncer. No fluxo do ambulatório esse é o local para o qual as mulheres vão imediatamente após a consulta com os médicos. Ou seja, muitas vezes elas precisam elaborar o que acabaram de ouvir e conversar mais um pouco com os/as profissionais para poder dar sentido a essas novas informações.

Esses relatos de quem atua na pós-consulta sobre a necessidade de uma sala e uma pessoa específicas para acolher as mulheres nos fez questionar sobre qual seria a compreensão de cuidado que esses profissionais têm.

De acordo com Cecilio (2009), as necessidades de saúde trazidas pelo usuário são diversas e não se restringem a demandas explícitas (dor, por exemplo). Elas podem ser a busca por vínculo afetivo, a resposta por más condições de vida, a necessidade de ter maior autonomia e de ser escutado. Assim, o acolhimento dessas necessidades individuais deve ser feito por cada profissional envolvido e pela equipe como um todo, como a autora afirma:

Cada atendimento, de cada profissional, deve estar compromissado com a maior integralidade possível, sempre, mas também ser realizado na perspectiva de que a integralidade pretendida só será alcançada como fruto do trabalho solidário da equipe de saúde, com seus múltiplos saberes e práticas. Maior integralidade possível na abordagem de cada profissional, maior integralidade possível como fruto de um trabalho multiprofissional (CECILIO, 2009, p. 121).

A impressão que ficamos é de que uma das razões que dificultam a realização de ações integrais na saúde é a leitura, comum a muitos profissionais, de que o cuidado em saúde é disciplinar, ou seja, cada profissional, dentro da sua disciplina de formação, tem uma tarefa/função.

A relação com as materialidades que atravessam as relações e as atividades trazem facilidades e desafios também. As pacientes saem das consultas com protocolos, receitas, pedidos de exames emitidos pelos médicos. Vão para a sala de pós-consulta e têm de enfrentar outras tecnologias, como o computador que integra os serviços e automaticamente faz o agendamento dos exames. Esperar na fila, sentar em frente com a atendente, explicar alguma orientação que ouviram do médico, mas que não estava escrita,

ver as datas que o sistema apresenta para o agendamento dos exames, compreender as orientações, enfim. Entender, no percurso entre as salas para onde são encaminhadas, o papel de cada setor, para onde devem ir. A partir das datas que o sistema gera, ver e conciliar agendas (a atendente sempre coloca um calendário à disposição), fazer escolhas dentro do que podem escolher – mais de uma vez, presenciei a atendente dar possibilidade de escolha de dia e horário de exame para as pacientes.

É um processo complexo de negociação, tensão e entendimento mútuo entre o paciente e o profissional que a atende. Trago como exemplo uma jovem grávida que ouvia atentamente as instruções para que prosseguisse com o pré-natal. Quando a atendente disse que para continuar fazendo-o no ambulatório ela precisaria passar, junto com o marido, por uma palestra de planejamento familiar no posto de origem (eles condicionam o atendimento a esse evento), a moça, com cautela, disse que no posto eles disseram que era o contrário: a palestra deveria ser dada pelo ambulatório onde ela realiza o pré-natal (no ASM são atendidos casos de gravidez de risco). A atendente mostrou inquietação e explicou que não, que era no posto e que se eles questionassem mais uma vez, que a jovem poderia dar o telefone do ASM. Falou em tom de brincadeira que poderiam falar direto com quem tem “poder” no ambulatório: as enfermeiras-chefe. Apesar da tentativa da paciente de mostrar a informação desencontrada de um serviço e outro, no final imperou o discurso de “quem tem mais poder”, e é quem vai dizer como deve ser feito.

Por outro lado, os(as) profissionais do ASM e os serviços de saúde foram, de maneira geral, muito elogiados(as) pelas mulheres em minhas conversas. Em diversas ocasiões, presenciei situações que demonstraram o comprometimento dos profissionais com as pacientes e a busca por um atendimento humanizado.

Essa informação parece contraditória com o fato que citamos anteriormente – a menção de alguns à necessidade de se ter alguém alocado única e especificamente no acolhimento. Nesse caso, pode ser que os funcionários, racionalmente, não se deem conta de que na prática realizam múltiplas formas de acolhimento, o que implica dizer que ainda estão preso a modelos de explicações de formação disciplinares.

O trabalho em saúde é complexo e demanda o esforço e a colaboração de todos os envolvidos nesse cuidado. Mol (2008) afirma que a doença, por mais debilitante, não revoga o direito dos pacientes de participar nos processos de escolha. Esses não devem ser reduzidos à sua condição enferma. Antes de mais nada, o paciente deve ser tratado como um cidadão que, naquele momento, tem necessidades específicas de saúde, mas também tem seus próprios valores, hábitos e estilo de vida.

A não ser em casos extremos, a incapacidade permanente ou temporária do corpo não impede a pessoa que enfrenta uma doença de pensar por si, de poder negociar com o profissional de saúde as estratégias terapêuticas. Contudo, Mol nos alerta que esse é um grande desafio, porque a linha entre cuidado e negligência é tênue. Respeitar a autonomia do paciente não quer dizer que os profissionais envolvidos não devam assumir o que é de sua responsabilidade, delegando ao paciente uma escolha solitária dentro do rol de opções de tratamento. O profissional deve estar atento tanto às necessidades verbalizadas pelo paciente quanto ao que pode trazer melhores condições de saúde, dignidade e conforto naquele momento de sofrimento. A autora alerta para um aspecto fundamental na lógica do cuidado: o esforço conjunto e colaborativo de todos os envolvidos nesse processo. Assim, deve-se buscar sintonizar os conhecimentos médicos e as tecnologias existentes com as necessidades das pessoas doentes que, antes de mais nada, têm vidas complexas.

4.2.2.3 Necessidade de Reuniões Periódicas

No caso especifico do ASM, apesar da equipe parecer entrosada e sem dificuldades de comunicação, ficou evidente, em uma conversa com a assistente social, que não há uma organização coletiva do trabalho nem espaços formais para troca e elaboração de ações conjuntas pela equipe, que deveriam facilitar o processo de cuidado. Ela afirma:

“Nós não fazemos reuniões para discussão dos casos. Antes a gente fazia, mas parou e ninguém avisou o motivo. Isso frustra... por isso funcionário público é desacreditado” (Assistente social. Fonte: diário de campo, 18/05/2012).

No caso do ASM as ações integradas são fundamentais, já que o serviço recebe, além dos agravos de saúde que acometem a mulher, situações complexas de violência doméstica, vulnerabilidade econômica e social, violência sexual. Para a assistente social seria muito importante que houvesse uma abordagem interdisciplinar e espaço para dividir as possibilidades de intervenção com uma visão mais ampla e integral dos casos.

A falta de comunicação foi um aspecto verbalizado por algumas pessoas como prejudicial para a organização do serviço. A consequência direta é que algumas atividades precisam ser refeitas e os profissionais acabam passando informações trocadas.

Como exemplos, temos as situações em que as atendentes recebiam pedido do médico para marcar exames dali a seis meses, mas o sistema não permite essa antecedência. A solução foi pedir à usuária que voltasse, com a guia, um mês antes da data indicada pelo médico, quando então a mamografia poderia ser agendada. Em outra ocasião,

a atendente agendou um exame em um laboratório que estava passando por reforma e não atenderia os pacientes no período. Só conseguiu reagendar em outro serviço porque foi alertada por sua colega, que viu o engano a tempo. Ambas falaram que esse evento devia- se à falta de comunicação no serviço.

4.2.3 Investimento nos Recursos Tecnológicos e nos Canais de Comunicação