B. İmkânsızlık – Sözleşmenin Değişen Şartlara Uyarlanması
VI. İmkânsızlık Sebebiyle İfa Edilemez Hale Gelen Edimin Yerine Başka Bir Değer
As empresas brasileiras de capital nacional estão em um processo crescente de internacionalização produtiva. Atualmente, o Brasil não é apenas um destinatário de elevados fluxos de investimentos diretos do exterior como também vem efetuando, sobretudo na última década, crescentes investimentos diretos no exterior.
Hiratuka e Sarti sustentam que, até o ano de 2004, houve uma elevada assimetria entre os fluxos de investimentos diretos recebidos do exterior pelo Brasil e de investimentos diretos realizados no exterior pelo país, já que, até o referido ano, os investimentos recebidos eram
muito superiores aos investimentos realizados158. A partir de 2004, o Brasil passou a aumentar
significativamente os fluxos de investimentos destinados a mercados externos. No ano de 2006, pela primeira vez na sua história, os fluxos de saída de capitais, na forma de investimentos diretos realizados no exterior, superaram os fluxos de entrada. Veja-se, neste sentido, a tabela 1 e o gráfico 1 anexos ao presente trabalho (Anexo A).
A conclusão dos referidos autores pode ser comprovada a partir da análise da tabela 1
na qual se observa que, do total de investimentos diretos realizados – outflow FDI – no
mundo, o Brasil passou de 0,2% no decênio 1990-2000 para 0,9% no quinquênio 2004-2008 fato que representa um crescimento considerável da sua participação no total acumulado de investimentos. Por outro lado, a participação brasileira no fluxo de investimentos diretos
recebidos do exterior – inflow FDI – passou de 2,4% para 1,9% no mesmo período analisado.
Neste sentido, a relação outflow/inflow FDI permite concluir que, no quinquênio 2004-2008, para cada US$ 2,00 recebidos, o Brasil investia, em média, US$ 1,00 no exterior. Tais dados permitem concluir que, de fato, foram reduzidas as assimetrias brasileiras entre inflow e outflow FDI, mas que o Brasil ainda é um país que importa mais capitais do que exporta.
158 HIRATUKA, Célio e SARTI, Fernando. Investimento direto e internacionalização de empresas brasileiras no período recente. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Brasília, 2011, p. 21-24.
De fato, o aumento dos investimentos brasileiros no exterior está inserido em um cenário mais amplo de crescimento da participação dos países em desenvolvimento no total de investimentos realizados no mundo. A tabela 1 comprova que a participação dos países em desenvolvimento no total de investimentos realizados no mundo (outflow FDI) saltou de 10,8% no decênio 1990-2000 para 14,4% no quinquênio 2004-2008.
Observando a evolução dos investimentos feitos pelo Brasil no exterior, pode-se constatar que os investimentos diretos realizados pelas empresas brasileiras no exterior passaram por fases distintas. De acordo com Barreto e Ricupero, a primeira delas ocorreu no período compreendido entre 1960 e 1982, momento em que o processo de internacionalização produtiva estava concentrado fundamentalmente na Petrobrás, em instituições financeiras e em empresas de engenharia. A segunda fase ocorreu entre 1983 e 1992 no qual empresas de diferentes portes passaram a investir prioritariamente no Mercosul, aproveitando-se dos benefícios trazidos pelo Tratado de Assunção.
Durante toda a década de 1990, os investimentos realizados no exterior continuaram crescendo, porém com grande concentração no Mercosul. Começaram a se destacar algumas empresas de bens manufaturados, siderurgia, material de transporte e bens intermediários. É importante ressaltar que, durante o Governo Collor, houve a abertura comercial brasileira motivada, entre outras razões, pela percepção de que as empresas de capital nacional estavam muito acomodadas na medida em que não estavam acostumadas a enfrentar a forte concorrência internacional.
Com a abertura comercial, as pressões competitivas impuseram a necessidade de uma resposta não só das empresas, mas também dos atores institucionais dos países em
desenvolvimento159. O desafio era agregar maior eficiência à produção das empresas
nacionais e elevar o seu padrão tecnológico. Diante deste cenário, a internacionalização –
comercial e produtiva – passou a ser vista como uma estratégia para que as grandes empresas
nacionais “passassem a explorar as suas competências centrais com a sinergia entre atividades
nacionais e no exterior e, ao mesmo tempo, permitisse que as economias nacionais
fortalecessem seus setores mais competitivos” 160.
159 Cf. SILVA, Maria Lussieu da. A inserção internacional das grandes empresas nacionais. In: LAPLANE,
Mariano, COUTINHO Luciano e HIRATUKA, Célio (org.). Internacionalização e desenvolvimento da indústria
no Brasil. São Paulo: Unesp; Campinas, São Paulo: Instituto de economia da UNICAMP, 2003, p. 112.
160 SILVA, Maria Lussieu da. A inserção internacional das grandes empresas nacionais. In: LAPLANE,
Mariano, COUTINHO Luciano e HIRATUKA, Célio (org.). Internacionalização e desenvolvimento da indústria
Devido às pressões concorrenciais advindas da abertura da economia no início da década de 1990, muitas empresas buscaram se organizar em nichos de mercado nos quais a sua competitividade era significativamente maior face às concorrentes internacionais. Dentre eles, um dos nichos que mais se destacou foi o das commodities minerais e agrícolas, setor no qual o Brasil efetuou importantes investimentos até então e desenvolveu, portanto, vantagens comparativas. Durante os anos 2000, os investimentos realizados por empresas de capital nacional no exterior aumentaram exponencialmente, porém de forma concentrada em alguns setores específicos, tais como o setor de commodities. Apesar dos investimentos brasileiros no exterior terem aumentado ao longo de toda a década de 1990 e no começo dos anos 2000, foi
apenas após o ano de 2004 que eles passaram a ganhar maior expressão161.
Conforme visto, com a liberalização do mercado nacional no início da década de 1990, as empresas nacionais foram obrigadas a se internacionalizarem como estratégia de aumento de eficiência, ganhos de escala e competitividade para enfrentar as grandes empresas competidoras internacionais que vieram para o Brasil. Porém, atualmente, as motivações que levam as empresas a internacionalizar parte dos seus fatores de produção é a busca por novos mercados (market-seeking motive) e o acesso a insumos produtivos (resource-seeking motive). Este diagnóstico da realidade brasileira foi feito por Ben Ross Schneider no trecho transcrito abaixo:
O investimento direto no exterior realizado pelas principais empresas brasileiras realmente decolou depois de 2004 e chegou até mesmo a exceder investimentos diretos recebidos no ano de 2006, embora os investimentos tenham sido feitos através de algumas poucas empresas, notavelmente Vale e Petrobrás. O valor agregado de investimentos feitos pelo Brasil no exterior aumentou de $ 96 bilhões
161 Em 2004, o grande salto no valor de investimentos realizados no exterior deveu-se à aquisição da cervejaria
belga, Interbrew, pelo grupo cervejeiro nacional Ambev por US$ 4,5 bilhões. No ano, o total de investimentos agregados realizados no exterior foi de US$ 9,8 bilhões. Em 2005, houve a aquisição da empresa Loma Negra pela construtora brasileira Camargo Corrêa no valor de US$ 1 bilhão. O total de investimentos diretos feitos no exterior foi menor do que no ano anterior, totalizando US$ 2,5 bilhões. No ano de 2006, pela primeira vez, o fluxo de investimentos diretos realizados em mercados externos (outflow FDI) superou o valor dos investimentos diretos recebidos pelo Brasil (inflow FDI), conforme já foi descrito neste trabalho. Naquele ano, destacam-se as seguintes operações: a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) adquiriu as empresas canadenses Inco e Canico por US$ 16,7 bilhões e US$ 678 milhões respectivamente; o Banco Itaú adquiriu as filiais brasileira e chilena do Banco de Boston pelo valor de US$ 2,2 bilhões e US$ 650 milhões; e a Ambev adquiriu a cervejaria Quilmes pelo valor de U$S 1,2 bilhões. O total de investimentos agregados realizados no exterior, naquele ano, foi de US$ 28,2 bilhões. Em 2007, o grupo Gerdau promoveu a aquisição de empresas estrangeiras em valor que ultrapassou a cifra dos US$ 5,6 bilhões, o grupo JBS promoveu aquisições que supereram o valor de US$ 1,7 bilhões, sem contar em diversos investimentos feitos pela Petrobrás, CVRD, Votorantim e Marfrig. O valor agregado de investimentos feitos foi de aproximadamente US$ 7 bilhões. Em 2008, houve diversas operações de menor valor que totalizaram o valor de US$ 20,4 bilhões. Confira maiores detalhes em: HIRATUKA, Célio e SARTI, Fernando. Investimento direto e internacionalização de empresas brasileiras no período recente. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Brasília, 2011, p. 22.
em 2001 para $112 bilhões em 2005. (...) Em termos de estratégia para investimentos internacionais, os investimentos realizados pelo Brasil em empreendimentos produtivos foi predominantemente orientado pela busca de mercados ou de recursos [insumos produtivos], ao invés de buscar ganhos de eficiência, como seria mais comum entre manufaturas (Embraer é, claramente, uma exceção a este padrão geral). Geralmente na América Latina, comparados com os seus colegas asiáticos que se utilizaram de recursos tecnológicos e capital humano para a sua expansão internacional, as empresas transnacionais latinas investiram no exterior como estratégia destinada a enfrentar o processo de liberalização. E, com exceção de muitos bilhões de dólares em investimentos novos pela Vale e Petrobrás, quase todos os investimentos realizados no exterior pelo Brasil foram feitos na forma de aquisições de empresas.162 (Tradução livre)
A partir da análise do trecho reproduzido acima, observamos que a estratégia de internacionalização seguida pelas empresas nacionais foi pautada muito mais na aquisição de empresas no exterior do que na realização de investimentos novos (greenfield investments). Além disso, o perfil de internacionalização das empresas brasileiras seguiu uma lógica diversa dos demais países em desenvolvimento pertencentes ao leste asiático; enquanto as transnacionais orientais se internacionalizaram pautadas em vantagens de propriedade como tecnologia e capacitação humana, no Brasil, salvo algumas poucas exceções, as vantagens de propriedade estavam voltadas à exploração de commodities, o que requer, em geral, menos tecnologia e capacitação humana (salvo exceções como é o caso da exploração de petróleo pela Petrobrás em águas extremamente profundas).
Por fim, uma última característica que deve ser ressaltada do processo de internacionalização produtiva brasileiro é a destinação dos investimentos. De acordo com Hiratuka e Sarti (veja-se o gráfico 2 do Anexo A), o principal destino dos investimentos realizados no exterior pelas empresas de capital brasileiro é a América Latina (46,2%), seguida da Europa (20,6%), América do Norte (17,3%), Ásia (10,8%), África (4,7%) e
Oceania (0,4%)163.
162 SCHNEIDER, Ben Ross. Big business in Brazil – leveraging natural endowments and state support for
international expansion. In: BRAINARD, Lael e MARTINEZ-DIAZ, Leonardo (editors). Brazil as an economic
superpower? – Understanding Brazil’s changing role in the global economy. Washington: Brookings Institution
Press, 2009, p. 177. No original: “Outward foreign direct investment (FDI) by leading Brazilian firms really took off after 2004 and even exceeded inward FDI in 2006, though the bulk of the investment has run through a handful of firms, notably Vale and Petrobrás. The stock of outward FDI from Brazil grew from $96 billion in 2001 to $112 billion in 2005. (…) In terms of strategies for international investment, Brazilian FDI in productive ventures has been predominantly market seeking or resource seeking, rather than efficiency seeking, as is more common among manufacturing firms (Embraer is again the clear exception to this general pattern). More generally for Latin America, compared to their Asian peers, which leveraged technological prowess and social capital in their foreign expansion, multilatinas have invested abroad in the basis of a superior ability to manage the process of economic liberalization. And, with the exception of several billion dollars in Greenfield investments by Vale and Petrobrás, nearly all the remaining Brazilian FDI has come through acquisitions.”
163 HIRATUKA, Célio e SARTI, Fernando. Investimento direto e internacionalização de empresas brasileiras no período recente. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Brasília, 2011, p. 32 e 33.
No entanto, os autores também advertem que a maior parte dos investimentos nacionais realizados no exterior é feita por intermédio de paraísos fiscais e regimes fiscais privilegiados. Este dado fica muito evidente a partir da leitura da tabela 2 do Anexo A na qual constam as 16 principais jurisdições fiscais destinatárias de investimentos brasileiros no exterior. Nota-se que, em 2008, os três principais destinos primários de investimentos realizados no exterior foram Ilhas Cayman (42,7%), Ilhas Virgens Britânicas (9,2%) e Ilhas Bahamas (7,9%). É surpreendente observar que os três principais destinos de investimentos de empresas de capital nacional, que respondem por mais de 58% do total de investimentos realizados, são paraísos fiscais. A tabela demonstra que, do total de investimentos primários feitos no exterior, apenas 41% não são feitos diretamente em países de tributação regular.
A análise desta tabela deve ser precedida de algumas cautelas. O fato de os investimentos serem feitos primariamente em paraísos fiscais pode induzir ao erro de se achar que eles permaneçam lá, quando, na verdade, muitas vezes o seu destino final é um país de tributação regular. Muitas são as empresas que se utilizam de paraísos fiscais para constituir
sociedades-base e sociedades holding – conforme visto no capítulo 1 deste trabalho – cuja
finalidade é deter participações societárias de empresas localizadas em países de tributação regular por razões fiscais.
Esta constatação é de grande relevância para o presente trabalho uma vez que ela aponta para a necessidade de que o Brasil possua normas antielisivas especiais para combater justamente este tipo de planejamento fiscal que se faz através de paraísos fiscais e regimes fiscais privilegiados. O grande ponto de discordância atual quanto ao tema não diz respeito ao reconhecimento da importância de um regime de tributação em bases universais com uma regra de antidiferimento, mas sim quanto à calibragem do campo de incidência desta última, conforme defendemos até o presente momento deste trabalho.