3. VAN İL GENEL MECLİSİNİN İL ÖZEL İDARESİ İÇERİSİNDEKİ
3.3 İL GENEL MECLİSİNİN İL ÖZEL İDARESİ İÇİNDEKİ ETKİNLİĞİNE
3.3.2 İl Genel Meclisinin İl Özel idaresi İçerisindeki Etkinliğine Yönelik
3.3.2.5 İl Genel Meclisinin Etkinliğinde Vesayet Denetiminin Rolü
No início da década de 1990, a ascensão do neoliberalismo na definição das políticas econômicas em todo o mundo impactou as economias dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, cujo desenvolvimento era dependente do capital externo. A crise econômica devido à falta de crédito levou ao enxugamento de recursos da União destinados a programas de C&T, como aqueles em curso sob a responsabilidade da DPI. Mas a crise não impediu que o grupo rapidamente se adaptasse ao novo cenário. Neste período, um dos principais impactos foi a perda de pessoal, tendo em vista o achatamento salarial promovido pelo governo Fernando Collor de Melo (1990-1992). Ao longo da trajetória da DPI, mas em especial nesta época, muitos engenheiros altamente capacitados neste setor, saíram do INPE em busca de novas oportunidades, indo trabalhar em empresas de Tecnologia de Informática no exterior ou sendo atraídos pela carreira acadêmica em universidades fora do País.
O fim da reserva de mercado111, em 1992, não teria afetado tanto os desenvolvimentos da DPI, que dependia em grande parte da capacidade de seus engenheiros e pesquisadores. Do ponto de vista tecnológico, o hardware importado era mais confiável do que o produzido no País, que trazia instabilidades operacionais aos produtos da DPI (SOUZA, 2009). Já o grupo de hardware, que entre outras atividades desenvolvia as placas UVI – Unidade de Visualização de Imagens para o SITIM/SGI, passou por um processo de transição, com a perspectiva do término da reserva de mercado. Em 1991, o grupo foi absorvido pela área de software, medida que antecedeu a mudança da política, ocorrida no ano seguinte.
Nesta época, já chegavam ao mercado estações de trabalho baseadas em interfaces WIMP (windows, icons, mouse, pointer). Com estas máquinas mais potentes, dotadas de novos recursos, e um cenário que começava a mudar com o surgimento da Internet e fim da reserva de mercado, a DPI reavaliou seus projetos e sua base tecnológica. Ao invés de migrar
111 A reserva de mercado existia apenas para componentes e sistemas de hardware. Para software não havia nenhum tipo de restrição ou proteção de mercado estipulado pelo governo.
o sistema SITIM/SGI para o este novo ambiente computacional, decidiu-se partir para um novo projeto: o SPRING - Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas.
Apesar do início dos anos 1990 ter sido um dos períodos mais críticos da economia brasileira, o grupo da DPI não teve problemas para desenvolver a nova plataforma tecnológica, que aos poucos incorporou uma série de inovações. Os problemas viriam após esta etapa, quando chegou-se a conclusão de que seria necessário um modelo de parceria com empresas que permitisse a continuidade dos desenvolvimentos das novas versões do SPRING de forma auto-sustentável.
A Engespaço, criada para dar suporte aos desenvolvimentos e comercialização de todo o sistema SITIM/SGI, não conseguiu resistir à crise. A FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos – associada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e até então a principal financiadora da compra do SITIM/SGI por instituições públicas, já não contava com recursos e nem com a mesma orientação e disposição política dos anos anteriores.
Segundo Câmara (2009), a onda do neoliberalismo invadiu o campo da política da C&T, fazendo com que o MCT passasse a adotar a perspectiva de que não valeria a pena o esforço no desenvolvimento de tecnologia própria se a mesma estivesse disponível no mercado internacional. Seria recomendável importar o que já estava pronto no exterior e centrar foco no aprendizado de uso das tecnologias vindas de fora. Traduzindo esta orientação para as práticas diárias da DPI, seria o mesmo que encerrar as atividades de desenvolvimento do grupo e passar a importar produtos similares, convertendo e reduzindo o esforço da equipe que passaria a centrar foco no aprendizado e domínio de uso de tais ferramentas importadas. Apesar desta orientação, que se iniciava no governo Collor, mas iria se estender pelos dois mandatos do governo Fernando Henrique, de acordo com Câmara (2009), o grupo da DPI resistiu, lançando mão de uma série de estratégias, como a busca de parcerias com outras instituições de pesquisa, alianças políticas com sociedades científicas e associações representativas de pesquisadores, além do apoio de parlamentares.
Neste sentido, a grande tarefa de adaptar o SPRING para as estações de trabalho UNIX em diferentes máquinas (IBM, HP, Sun, Silicom Graphics) contou com a colaboração da EMBRAPA Informática, sem a qual a DPI teria muita dificuldade de cumprir tal tarefa num tempo considerado razoável. A parceria foi em parte, como explica Câmara (2009), estabelecida por uma afinidade entre os dois grupos que compartilhavam uma visão muito semelhante em relação ao desenvolvimento de tecnologias ou mesmo idéias muito próximas no campo político e ideológico.
A complexidade do SPRING e os desafios que tiveram que ser enfrentados fizeram com que os desenvolvimentos do produto progredissem mais lento do que se imaginava. Outro motivo de demora foi a resistência da DPI para adaptar o SPRING ao sistema operacional Windows, rodado no PC da Microsoft, que àquela altura começava a crescer em vendas no mercado, devido ao baixo custo. As máquinas da Unix, que tinha a preferência dos engenheiros da DPI, apesar de oferecer melhor desempenho e mais recursos de funcionalidade, eram mais caras, o que limitava seu uso a algumas empresas e instituições.
No campo da política, a DPI buscou ainda apoio de deputados federais, como de Irma Passoni, do Partido dos Trabalhadores, integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso Nacional, como também da SBPC na defesa da adoção do software de geoprocessamento do INPE pelo SIVAM – Sistema de Vigilância da Amazônia (CÂMARA, 2009). Os militares que coordenavam o SIVAM davam preferência a um sistema baseado em tecnologia desenvolvida no exterior. O SIVAM, aos olhos da DPI, surgia como a oportunidade que daria condições à continuidade dos desenvolvimentos da DPI. Naquele momento faltava justamente um parceiro de peso que impulsionasse os seus desenvolvimentos e que substituísse o modelo industrial-financeiro já combalido, representado antes pela atuação da Engespaço e Finep.
Mas os militares que coordenavam a implementação do SIVAM não escolheram o SPRING naquele momento. No entanto, atrasos no cronograma do projeto fizeram com que a decisão pelo software de geoprocessamento fosse reavaliada anos mais tarde e, aí sim, o SPRING foi escolhido para integrar o SIVAM. Nesta ocasião, já no início dos anos 2000, o SPRING havia adquirido maturidade como software e a DPI também já havia abandonado a idéia de torná-lo um produto de mercado, tendo esgotado uma série de possibilidades. Segundo Câmara (2009), a opção foi torná-lo um software de uso livre, sem custo, colocando- o disponível para download na Internet, a partir de 1996. A decisão, assumida propositadamente sem consulta à direção do INPE, evitando o risco ser rejeitada, levou à demissão de Gilberto Câmara, chefe da DPI na época. Segundo Câmara (2009), apesar de sua demissão, já em final de mandato, o software permaneceu disponível na Internet.
Antes de tomar esta decisão, a DPI buscou parcerias sem êxito com o setor privado, oferecendo apoio técnico a empresas que surgiram na época, como a Imagem Geosistemas. Outra opção foi adotar o contrato de licença para comercialização, sem exclusividade, o que também não deu certo. Segundo Câmara (2009), a decisão de colocar o SPRING livre na Internet teria sido o último recurso e não a melhor opção a ser adotada pelo grupo, que relutou ao máximo à idéia de abandonar o projeto de torná-lo um software comercial.
Outro impacto da nova política setorial atingiu os salariais dos pesquisadores e engenheiros da DPI, medida extensiva a toda massa de pesquisadores do País. A implementação da carreira de C&T, então em curso, no governo federal, privilegiou as atividades de pesquisa básica e penalizou aqueles voltados mais aos desenvolvimentos tecnológicos. Muitos engenheiros da DPI não tinham o perfil e nem a rotina daqueles que eram dedicados à pesquisa científica, de natureza acadêmica. Estes iniciavam suas atividades científicas na pós-graduação, que além da pesquisa exerciam em paralelo atividades docentes, de pesquisa básica e produção de artigos para publicação em períodos internacionais reconhecidos. O problema foi resolvido com o engajamento de boa parte dos engenheiros líderes da DPI em cursos de pós-graduação, alguns dentro do próprio INPE, com bolsa sanduíche no exterior, outros buscando o doutorado no exterior.
Uma segunda leva de ingressos na pós-graduação ocorreu em meados dos anos 1990, com o propósito de oferecer uma condição salarial melhor para o grupo. Para compensar o tempo despendido com a pesquisa da pós-graduação, que desviaria das atividades de desenvolvimento da DPI, os temas dos projetos de pesquisa foram associados às necessidades de desenvolvimento de “partes” do SPRING em ambiente Windows. O período de busca da titularização do grupo ocorreu no momento em que a DPI decidiu, a contragosto, segundo Souza (2009), adaptar o SPRING ao ambiente Windows da Microsoft em PC, máquina de desempenho e funcionalidades inferiores às estações de trabalho da UNIX.
Outro problema também enfrentando pelo grupo, no início dos anos 1990, foi a falta de senioridade científica, exigida em editais de agências de fomento para a seleção de projetos de pesquisa, um dos principais meios de obtenção de recursos para as atividades da DPI. Como os anos 1990 foram dedicados em parte à titularização (de mestrado e doutorado) de boa parte dos engenheiros que atuavam na DPI, poucos dispunham das condições necessárias para concorrer aos recursos das agências de fomento. Neste período que antecedeu a obtenção de títulos e a inserção no grupo docente da pós-graduação do INPE, foi preciso contar, segundo Câmara (2009), com aliados que estavam em posição privilegiada no campo da política científica para conseguir a inserção em grandes programas científicos, que permitiram trazer recursos às atividades da DPI.
Apesar de todas estas dificuldades, fazendo com que o SPRING levasse mais tempo do que o habitual para ganhar maturidade (em geral um software leva de três a quatro anos para chegar a este estágio), foi possível gerar uma série de inovações. Uma das principais foi o desenvolvimento de um modelo de dados orientado-a-objetos que antecipou em quase 10 anos a implementação de soluções semelhantes em sistemas comerciais. O modelo era capaz
de tratar e armazenar tanto “dados” como “campos” geográficos, o que permitia integrar, por exemplo, dados cadastrais de contribuintes de uma cidade e dados referentes a um conjunto de coordenadas que definiam os limites de um município ou de regiões deste município. Esta solução no interior do SPRING foi mencionada e tratada como um dos principais conceitos inovadores dos anos 1990, comparado a outros desenvolvidos em outras partes do mundo, em artigo relativamente recente de autoria de Michael Goodchild112, um dos pesquisadores mais reconhecidos da área de geoprocessamento dos Estados Unidos.
Além deste modelo de dados orientado-a-objetos, o projeto SPRING incorporou outros resultados considerados inovadores pelo grupo, entre estes:
a) Linguagem de manipulação e consulta LEGAL (CÂMARA, 1995; CORDEIRO et al., 1996). b) Filtros morfológicos para processamento de imagens (BANON E BARRERA, 1993). c) Segmentação e classificação de imagens por regiões (BINS et al., 1993; BINS et al., 1996). d) Desenvolvimento de pós-classificadores ICM baseados em técnicas markovianas (FRERY,
1991).
e) Restauração de imagens LANDSAT e SPOT (FONSECA et al., 1993). f) Modelos de mistura para imagens (AGUIAR, 1991).
g) Geração de grades triangulares com restrições (NAMIKAWA, 1995).
No início dos anos 1990, a DPI também deu início aos primeiros desenvolvimentos na área de processamento e tratamento de imagens na área de microondas, faixa de freqüência do radar, cuja tecnologia começava a ser utilizada em alguns satélites naquela época. Um módulo nesta área foi inserido no SPRING alguns anos depois.
A primeira versão do softer, o Spring 0.2, foi lançada em maio de 1992, dois anos depois de iniciar os seus desenvolvimentos. A versão 1.1, lançada em dezembro de 1994, já permitiu a realização de estudos ambientais mais complexos (ALVES et al, 1996). Em 1996, o software foi liberado na Internet, e até novembro de 2009, já havia sido obtido por mais de 125 mil usuários no mundo inteiro (Tabela 1), sendo 75% no Brasil, 6% na América Latina e 6 % em países da Europa. Usuários da Espanha e Estados Unidos são os que mais fizeram downloads do SPRING nos últimos anos (Tabela 2). O produto continua disponível sem custo na Internet (www.dpi.inpe.br/spring), com sítio-espelho na Espanha.
112 Os artigos de Goodchild que citam o SPRING como um dos softwares pioneiros na utilização da
representação computacional de campo ou uso de modelo de dado objeto-orientado são: Liu, Y. Goodchild, M. F.; Guo, Q.; Tian, Y.; Wu, L. Towards a General Field model and its order in GIS. International Journal of Geographical Information Science Vol. 22, No. 6, June 2008, 623–643 e Goodchild, M.; Yuan, M.; Cova, T. J.
Towards a general theory of geographic representation in GIS. International Journal of Geographical
Tabela 1 - Cadastros acumulados feitos para download do SPRING Janeiro de 2005 47.919 Janeiro de 2006 61.732 Janeiro de 2007 76.071 Janeiro de 2008 92.071 Janeiro de 2009 109.071 Até 23/11/2009 125.423
Fonte: DPI/Gerência do SPRING – novembro/2009
Tabela 2 - Países estrangeiros com maior número de cadastros para download
Espanha 3090 Estados Unidos 2982 Colômbia 2665 Argentina 2661 México 1372 França 1353 Portugal 1328 Índia 1078 Itália 1071 Peru 992 Alemanha 898 Chile 853 Venezuela 836 Canadá 660 Bolívia 573 Reino Unido 510 Equador 506 Austrália 455 República Popular da China 407
A expectativa da DPI era de que o número de downloads começasse a diminuir a partir de um determinado momento, no entanto, vem ocorrendo o contrário. O gerente do SPRING, Carlos Felgueiras (2009), acredita que três fatores estariam colaborando com este quadro:
a) A continuidade do desenvolvimento e manutenção do SPRING por uma empresa contratada pelo INPE - a K2Sistemas (empresa vencedora das licitações);
b) O atendimento aos usuários pela K2Sistemas e, principalmente, por especialistas da DPI, o que permite um feedback tanto para a manutenção como para a especificação das versões seguintes do software.
c) Disseminação de uso do SPRING através de cursos, palestras, trabalhos em simpósios, congressos, entre outros eventos.
O SPRING mostra-se até hoje bastante útil na formação e qualificação de pessoal, sendo utilizado como suporte a pesquisas e aplicações no Brasil e na América Latina. O INPE estabeleceu um programa de treinamento com cursos de curta duração neste software e sobre metodologias de Geoprocessamento. Entre 2001 e 2003, mais de 1.000 especialistas participaram destes cursos. Treinamentos com o SPRING continuam sendo realizados em todos os países da América Latina, do Caribe, além da África do Sul, Quênia, e Tailândia.
Houve um grande investimento na produção de material didático. Até o final de 2002, o grupo da DPI publicou quatro livros sobre geoinformação, além de grande quantidade de material de treinamento. Seis teses de doutorado foram defendidas, além de 11 dissertações de mestrado ligadas diretamente ao projeto. Outras 25 dissertações de mestrado e 5 teses de doutorado, concluídas neste período, desenvolveram metodologias de aplicação em Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento utilizando o SPRING.
Entre os projetos desenvolvidos com o SPRING, fundamentais na formulação e implementação de políticas públicas e no planejamento do desenvolvimento econômico sustentável, pode-se citar:
a) PRODES: Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia (INPE) b) PROARCO: Programa de Monitoramento de Queimadas no Brasil (INPE) c) Zoneamento Ecológico-Econômico do Brasil (Ministério do Meio Ambiente) d) Zoneamento de Risco Climático para Agricultura (EMBRAPA/MA)