3. VAN İL GENEL MECLİSİNİN İL ÖZEL İDARESİ İÇERİSİNDEKİ
3.3 İL GENEL MECLİSİNİN İL ÖZEL İDARESİ İÇİNDEKİ ETKİNLİĞİNE
3.3.2 İl Genel Meclisinin İl Özel idaresi İçerisindeki Etkinliğine Yönelik
3.3.2.6 Valinin Konumunun İl Genel Meclisinin Etkinliğindeki Rolü
As experiências com os projetos SITIM/SIG e, principalmente, com o SPRING, entre os anos 1980 e 1990, deram à DPI a capacidade de compreender diversos aspectos-chave da tecnologia da geoinformação, que permitiriam o grupo se manter no rumo da inovação. Os reveses enfrentados no período do desenvolvimento do SPRING atestaram a capacidade de articulação do grupo na construção de alianças cujos significados estariam para além das necessidades de natureza científico-tecnológica.
Apesar das tentativas “fracassadas” de fortalecer os desenvolvimentos da DPI, nos anos 1990, das dificuldades impostas pela política-econômica neoliberal e suas variantes no campo da cultura política e da política científica, foi possível suplantar as adversidades e definir meios que levassem o grupo a continuar a produzir a sua tecnociência. A resistência teve, em grande medida, suporte dos atributos conquistados pelo grupo ao longo de sua trajetória e pelas estratégias tecnológicas e políticas traçadas por suas lideranças (os poucos “abnegados”, termo utilizado por um dos entrevistados).
Sempre houve a busca do consenso no estabelecimento das metas, o que não quer dizer que não houvesse divergências, mas estas não rompiam a união do grupo, nem o sentido de comprometimento com os objetivos estipulados. Havia espaço para discussão e os objetivos poderiam mudar, como ocorreu em algumas situações quando um determinado padrão tecnológico adotado nos produtos da DPI não se firmava como tendência de mercado.
No final dos anos 1990, o SPRING já havia passado por um processo de disseminação, consolidando-se como produto, particularmente bastante procurado pelo meio acadêmico, principalmente como um softer de treinamento para quem começava a trabalhar e operar SIGs. Nessa época, frente a um cenário tecnológico que já se alterava, com o advento de novos avanços na área da informática e antevendo o término de um ciclo de vida do SPRING como produto, as lideranças da DPI começaram a se movimentar para desenhar um novo projeto.
Havia a necessidade de o novo software ser multi-usuário, o que já era possível naquele momento, início dos anos 2000. Outro aspecto também levado em conta foi o surgimento de Sistemas Gerenciadores de Bancos De Dados (SGBDs), que permitiriam não somente o armazenamento de dados geográficos, mas a manipulação dos mesmos em seu interior. Este novo patamar tecnológico possibilitou a transição dos sistemas monolíticos (com centenas de funções), como o SPRING, para uma geração de aplicativos geográficos,
operados a partir de pequenos sistemas voltados para atender necessidades específicas, que se integrariam facilmente a bancos de dados de usuários já existentes.
A partir de tais evoluções tecnológicas, o INPE iniciou então, em 2001, junto com a Pontifícia Universidade Católica, do Rio de Janeiro, o desenvolvimento da TerraLib, que abrigaria grande parte das tecnologias já desenvolvida pela DPI, mas sob o conceito de biblioteca de funcionalidades, um ambiente capaz de suportar aplicações em geoprocessamento, com grande flexibilidade para operar diversos formatos de dados geográficos.
Outro aspecto importante deste novo software era o fato de ter sido desenvolvido com o código fonte aberto. Ele não seria, portanto, dirigido diretamente ao usuário final de SIGs, mas a desenvolvedores de SIGs113. Tal opção contemplava a potencialidade dos softwares de código fonte aberto, que surgiam naquele momento, como uma forma de utilizar a capacidade criava de especialistas em TI para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de SIGs. A licença de uso da TerraLib é portanto do tipo “open source” (licença GNU, de uso livre) e o softer está disponível no site www.terralib.org. 114
A opção por um software livre e por uma biblioteca de funcionalidades representou não somente a possibilidade de desenvolvimento de aplicativos específicos em GIS, mas pressupunha que grupos de TI de empresas e no serviço público procurariam desenvolver soluções criativas com seu uso. Em alguns governos estaduais e municipais, como o do Rio Grande do Sul e a cidade de Recife, os softwares livres vêm ganhando a preferência por uma série de vantagens, uma delas é a diminuição no custo de manutenção e atualização.
A primeira versão da Terralib foi liberada em 2002, para sistemas operacionais Windows e Linux, comportando diversas alternativas de programação e ambientes gráficos. Em novembro de 2009, foram registrados mais de 8,3 mil cadastros de usuários da TerraLib (Tabela 3). Várias aplicações desenvolvidas a partir da tecnologia TerraLib estão operacionais, como o TerraView, desenvolvido pelo próprio INPE, inicialmente criado como um protótipo de um visualizador e disseminador de dados geográficos, mas que acabou se consolidando como um SIG, já utilizado para gerar o Banco de Dados da Amazônia LEGAL, sob a responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente. Também está sendo utilizado no Programa de Assistência aos Cortiços de São Paulo, pela Fundação SEADE, como Banco de
113 O artigo “CÂMARA, G; FONSECA, FREDERICO. Information Policies and Open Source Sofware in Developing Countries. Journal of The American Society for Information Science and Technology, v. 58, n 1, p 121-132, 2007” apresenta os motivos que levaram o grupo a desenvolver a TerraLib como um open source 114 O crescimento contínuo dos downloads do SPRING fez com que a DPI tomasse a decisão de desenvolve-lo também com código fonte aberto, o que ainda está em curso.
Dados dos Setores Censitários de São Paulo, pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), entre outros aplicativos. O número de usuários cadastrados do TerraView vem crescendo gradativamente desde 2006, totalizando quase 24 mil usuários em novembro de 2009, enquanto o número de downloads é de quase 43 mil (Tabela 4).
A Fundação de Ciência Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) está aplicando a TerraLib no desenvolvimento de aplicativos orientados para a Gestão Municipal, como o Sistema de Informação Geográfico Municipal (SIGMUN), implantado nas cidades de São Sebastião, Caraguatatuba, São José dos Campos, São Bernardo do Campo, Santos e Mirasol (SP), Cachoeiro de Itapemirim, Vitória (ES) e em trinta municípios do Estado da Bahia.
O TECGRAF, laboratório de Computação Gráfica associado à PUC-RIO, que participou do desenvolvimento do núcleo da TerraLib, desenvolve aplicativos para a indústria petrolífera, em projetos para a Petrobrás. Seu principal produto é o InfoPAE, sistema de planos de ação de emergência, para refinarias e oleodutos. Com o LESTE, Laboratório de Estatística Espacial da UFMG, a DPI desenvolveu aplicações para a área de segurança pública, contando ainda com o apoio financeiro do Ministério da Justiça. Fruto desta parceria foi o TerraCrime, que visa a análise dos dados da criminalidade.
A FIOCRUZ, em conjunto com o INPE, LESTE/UFMG e Universidade Federal do Paraná (UFPR), está concebendo e desenvolvendo um sistema de vigilância epidemiológica baseado na TerraLib, com recursos do CT-INFO.
Em termos de retorno de investimento, considerando apenas as aplicações de cadastro urbano desenvolvidas pela FUNCATE, a DPI faz um balanço favorável. O investimento direto feito pelo INPE foi de US$ 1 milhão em três anos. Como o custo de uma solução proprietária, um software de mercado, equivale a US$ 100 mil, preço de mercado, a economia de recursos públicos com a instalação do SIGMUN em 40 cidades teria sido de US$ 4 milhões.
Tabela 3 – Número de Usuários cadastrados do TerraLib e TerraView
2004 2005 2006 2007 2008 Nov/2009 Total
Terra Lib 142 1541 1795 1902 1589 1335 8304
TerraView 51 3517 4619 4561 5265 5760 23773
Tabela 4 – Número de downloads do TerraLib e TerraView
2004 2005 2006 2007 2008 Nov/2009 Total
Terra Lib 0 7944 9747 8935 9195 6552 42373
TerraView 0 0 7636 9726 12591 13042 42995
Fonte: DPI/INPE – novembro de 2009
A TerraLib tem, portanto, gerado uma série de sub-produtos de GIS. Sua estrutura de pessoal no INPE é enxuta, com cerca de seis pesquisadores, mas uma empresa contratada pelo INPE faz o suporte ao usuário e manutenção do softerware. Ao contrário do SPRING, conta com pouco material de suporte ao usuário. Por outro lado, o TerraView, criado sem nenhuma pretensão, inicialmente para testar as potencialidades da TerraLib, vem se tornando um GIS bastante utilizado em aplicações, por exemplo, de análise de uso e ocupação do solo.