2. İL GENEL MECLİSİNİN YAPISI, GÖREVLERİ VE İŞLEYİŞİ
2.5.1 İl Genel Meclisinde Temsile İlişkin Esaslar
Ao longo da década de 1960, a CNAE, o GETEPE e a NASA desenvolveram uma série de atividades em conjunto, atuando, principalmente, em campanhas de lançamento de foguetes para fins científicos na área de Meteorologia e de Ciências Espaciais e Atmosféricas. A cooperação incluía ainda o empréstimo de equipamentos da NASA que ficaram alocados até o início dos anos de 1970 no CLBI e o treinamento de grupos do CTA e da CNAE nos Estados Unidos na área de lançamento.
Havia um grande interesse por parte de grupos de pesquisa estrangeiros em estudos sobre a alta atmosfera no Hemisfério Sul do planeta. O Brasil reunia condições e características favoráveis para desenvolver parcerias, devido à grande extensão territorial abrangendo regiões do Equador e do Trópico de Capricórnio, ainda desconhecidas cientificamente no que se referia aos fenômenos da alta atmosfera. Os acordos em torno de projetos não incluíam a transferência de tecnologia, até mesmo porque não havia essa possibilidade nos períodos
68 Os valores que aparecem em Cruzeiro no texto, referente a fevereiro de 1975, foi convertido para reais e depois para dólar, pela cotação de 16/11/2004, de acordo com o Banco Central.
previstos de lançamento69. No entanto, implicava repasse de dados obtidos durante as campanhas e que seriam úteis aos pesquisadores brasileiros da CNAE.
Na década de 1970, o Brasil desenvolveu um relacionamento mais estreito com a França. Esta aproximação, que se iniciou no governo Médici, evoluiu no governo Geisel, cuja política externa se diferenciava daquelas adotadas pelos governos militares anteriores baseadas no alinhamento com as posições dos Estados Unidos. As novas diretrizes de política externa, que ficou conhecida como “pragmatismo responsável”70, permitiram ao governo brasileiro fortalecer e ampliar o relacionamento com os franceses na área espacial.
Brasil e França firmaram um acordo em 16 de janeiro de 1967 bastante amplo, mas que permitiu a assinatura de memorandos e protocolos que levaram aos primeiros contatos entre pesquisadores destes dois países na área de veículos espaciais. Em 11 de dezembro de 1973, foi assinado novo memorando, que seria renovável automaticamente a cada ano, para cooperações nas áreas de veículos lançadores, satélites e campos de lançamento. A partir deste memorando, um grupo do CTA fez uma série de incursões a empresas e institutos de pesquisa franceses que resultou no planejamento de um programa de foguete de dois estágios, que seria a base tecnológica para um veículo lançador de satélites de órbita baixa71.
As reuniões com estas entidades [empresas e institutos de pesquisa franceses], tendo sempre o CNES como interlocutor, permitiram consolidar as bases de todo o relacionamento com a França durante mais de uma década, com grande benefício para o programa espacial brasileiro, (...), principalmente no que concerne aos trabalhos conjuntos realizados em 1978 e 1979, na preparação do programa de desenvolvimento conjunto do lançador BR272.73
No início dos anos de 1970, a Agência Espacial Européia, sob a coordenação e execução da França, vinha preparando a base de Kourou, na Guiana Francesa, para lançamento de foguetes de grande porte, para colocar satélites geoestacionários74 em órbita da Terra. Os franceses buscaram então no Brasil o apoio técnico necessário para o rastreio e controle dos foguetes e satélites lançados desta base, tendo em vista a posição estratégica do país para acompanhar os sinais dos foguetes momentos após o lançamento. Em novembro de
69 MELO, brigadeiro Ajax Barros de, ex-diretor da Agência Espacial Brasileira. Entrevista concedida para esta pesquisa de mestrado. São José dos Campos, dez. 2003
70 Cf: CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. Historia da política exterior do Brasil. São Paulo: Ática, 1992.
71 BOSCOV, Jayme. Veículos Lançadores. Brasília. 233 p. Trabalho não publicado. p. 145-146.
72 O BR2 foi um projeto de lançador apresentado pelos franceses após intensas negociações com os brasileiros, antes de o Brasil optar pela MECB.
73 BOSCOV, Jayme. Veículos Lançadores. Brasília. 233 p. Trabalho não publicado. p. 146.
74 Os satélites geoestacionários são colocados em uma órbita em torno de 36 a 37 mil quilômetros da Terra, posição que permite acompanhar o movimento da Terra, cobrindo sempre uma mesma faixa da superfície do planeta. Geralmente são satélites de telecomunicação e meteorológicos, de grande porte.
1974, técnicos da Organização Européia de Pesquisas Espaciais (ESRO) e do CNES haviam visitado Natal, Fernando de Noronha, Fortaleza e Belém, para identificar o local ideal para a instalação de uma estação de rastreio.75 A escolha foi Natal, que já contava com o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI).
O interesse dos franceses76 em utilizar o CLBI para as operações de controle e rastreio dos foguetes lançados de Kourou trouxe uma grande oportunidade para o programa brasileiro de desenvolvimento de foguetes. A COBAE conseguiu, durante as negociações, uma série de vantagens, como equipar o Centro de Lançamento de Natal com uma moderna estação de rastreio e controle, instalada pelos franceses. Também conseguiu treinar pessoal da Aeronáutica na base de lançamento de Kourou77 e também na França, no Centro Espacial de Toulouse, durante o ano de 1976.78 Os brasileiros tiveram acesso a áreas de tecnologia, informação e treinamento associadas ao Projeto Ariane. Através deste e de outros acordos, foi possível obter diversas vagas para estágios de aperfeiçoamento e cursos acadêmicos em técnicas espaciais ao longo de duas décadas, mesmo no período de restrições tecnológicas após 1987.
A cooperação com os franceses, no Projeto Ariane, a partir de um acordo celebrado em 1976, permitiu um maior estreitamento no relacionamento entre as equipes técnicas dos dois países. Como conseqüência, os franceses elaboraram uma proposta para desenvolver, em parceria com o Brasil, um veículo lançador, que já vinha sendo planejado pela COBAE.
No início da década de 70, o programa de foguetes nacionais já havia alcançado o estágio do desenvolvimento de um veículo de três estágios, o SONDA III. O objetivo era chegar a um artefato de quatro estágios, que seria o Veículo Lançador de Satélites, VLS. Para atingir tal objetivo, seria necessário cumprir as diferentes etapas de desenvolvimento e testes destes artefatos, adquirindo e ampliando a experiência e o conhecimento que envolviam estas tecnologias, etapas imprescindíveis para se alcançar outras mais avançadas.
Naquela época, o grande desafio era o desenvolvimento do propelente sólido, vertente tecnológica da preferência dos militares. Nesta área, os trabalhos eram articulados com a Avibrás e com a Petrobras, através do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo
75 BRASIL. ESTADO MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS. COBAE. Exposição de Motivo nº 002/COBAE. Brasília, 31 mar. 1975. Documento assinado pelo então presidente da COBAE, general Antonio Jorge Corrêa. 76 O projeto Ariane, da Agência Espacial Européia, tinha a coordenação e execução do CNES (Centre National
d’Activitées Spatiales), a agência espacial francesa.
77 O treinamento foi realizado no Centro Espacial Guianense (CSG) durante quatro semanas, entre os dias 07 de setembro e 04 de outubro de 1975. Cf. BRASIL. ESTADO MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS. COBAE. Exposição de Motivos nº 005/COBAE. Brasília, 2 set. 1975.
78 BRASIL. ESTADO MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS. COBAE. Exposição de Motivos nº 006/COBAE. Brasília, 31 dez. 1975.
Américo M. de Mello (CENPES), no desenvolvimento de propelentes “composite”. O Exército também desenvolvia um foguete, o X-40, com participação da Avibrás. A experiência tecnológica até aquele momento ensejava objetivos mais altos, projetos mais audaciosos, que exigiriam maior volume de recursos.
Em meados dos anos de 1970, o Brasil já vivia o período da conturbação econômica devido à crise do petróleo, que provocava a redução no ritmo de crescimento do PIB brasileiro, que chegou a atingir 13% ao ano no início da década. Havia a necessidade de priorizar determinadas áreas de desenvolvimento tecnológico e evitar duplicação de esforços. A evolução do programa tecnológico, com os foguetes da série SONDA, além de outros programas similares em outras forças singulares, consolidou a necessidade de desenvolver um lançador de satélites.
Este lançador deveria ser de uso duplo, ou seja, deveria contemplar os interesses civis, de natureza científica e tecnológica, e militar, cujos objetivos estariam voltados à capacitação ao desenvolvimento de mísseis de longo alcance. Um foguete lançador de satélites, a combustível sólido, apresentava características que se identificavam com este duplo uso. As Forças Armadas acreditavam que para vencer as etapas de desenvolvimento para se chegar a uma arma militar, o míssil, seria imprescindível revestir o programa espacial de aplicações civis. A tecnologia de veículos lançadores de satélite é a mesma que se aplica no desenvolvimento de mísseis. Desta forma, seria possível também estimular publicamente o desenvolvimento de foguetes, enfatizando suas aplicações no campo civil, para pesquisas científicas.
Ao final dos anos de 1970, o objetivo de contar com veículos lançadores de maior porte começaria a se concretizar. Em agosto de 1977, foi organizado o I Seminário de Atividades Espaciais, que resultou na aprovação de um programa tecnológico de grande porte que contemplasse as áreas de lançadores, satélites e lançamento. Ao final do Seminário definiram-se as novas responsabilidades das diferentes instituições espaciais, acrescentando atividades para além daquelas previstas no II Plano Básico de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia do período de 1975 a 1977.
As recomendações extraídas do Seminário, e presentes na Exposição de Motivos nº 397/COBAE, de 24 de outubro de 1977, em termos de recursos e atividades, faziam referência a dois períodos distintos: ao de 1978-1979 e de 1980 a 1985. A primeira fase deveria preparar a segunda para as atividades da Missão Espacial Completa, que previa o dispêndio de grande volume de recursos. A Missão deveria estar pronta em meados da década de 80, quando se
imaginava que já estaria encerrado o ciclo completo do desenvolvimento de lançadores, satélites e infra-estrutura para lançamentos.
O Seminário não definiu em detalhes a Missão Espacial Completa, o que deveria ser feito nos anos seguintes, mas a diretriz tecnológica apontava a processos de desenvolvimento de veículos que aproveitariam o conhecimento e a experiência obtidos com a série Sonda. Estavam operacionais, na época, os Sonda II e III. O Sonda IV, com dois estágios, seria o primeiro com pilotagem em três eixos, uma tecnologia mais avançada e que seria a base do lançador de satélites. O desenvolvimento do Sonda IV traduziria ainda a necessidade de os militares obterem a tecnologia apropriada para o desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcance. Na Exposição de Motivos, de outubro de 1977, ao presidente da República, o presidente da COBAE, Moacyr Barcellos Potyguara, argumentava que “(...) além de aplicações como lançador de satélites, o projeto Sonda IV, complementado, poderá também constituir a base do desenvolvimento de um míssil, de interesse militar.”79
Os satélites deveriam ter massa de 220 a 240 quilos, de pequeno porte, para órbitas baixas, em torno de 500 a 700 quilômetros de altitude. Deveriam ser dedicados a missões científicas, em áreas que o Brasil já atuava sob a responsabilidade do INPE, como Meteorologia, Sensoriamento Remoto e Ciências Espaciais e Atmosféricas. Os primeiros satélites seriam meteorológicos. Para o longo prazo, almejava-se os satélites de comunicação geoestacionários, com órbitas entre 36 e 37 mil quilômetros de altitude, também considerados estratégicos do ponto de vista militar. Os objetivos traçados para a infra-estrutura de lançamentos eram voltados à expansão do CLBI, em Natal (RN), mas já se imaginava, naquela época, a necessidade de um novo campo de lançamento, como foi mais tarde construído em Alcântara, no Maranhão..
As idéias fundamentais que davam base à Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e, conseqüentemente, à evolução das atividades do setor na direção de uma Missão Espacial Completa, tinham como horizonte a redução da dependência tecnológica do País e a necessidade premente de “reforçar as exigências básicas da Defesa Nacional.” Havia uma preocupação com o desenvolvimento de atividades tecnológicas, de pesquisa básica e aplicada, mas sempre esteve presente o interesse militar. A Exposição de Motivo nº 397afirma: “O Programa de Foguetes deve capacitar o País, de modo que, num prazo estabelecido, cargas úteis de interesse para as áreas da Ciência Espacial e da Atmosfera
79 BRASIL. ESTADO MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS. COBAE. Exposição de Motivos nº 397/COBAE. Brasília, 24 out. 1977. p. 5.
e das Aplicações Espaciais sejam lançadas, considerando, ainda, o aproveitamento militar correspondente.”80
O mesmo documento revelava ainda que, durante o período de 1971 a 1977, os recursos destinados às atividades espaciais representavam 6,4% do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), administrado pela FINEP. A estimativa era de que para a Missão Espacial Completa seria necessário o desembolso de 7% para o período de 78-79 e de 10% dos fundos do FNDCT para o período de 1980-1985, desde que os recursos tivessem acréscimos de 5%, em termos reais, ao ano. Esta estimativa tinha como premissa o comprometimento de 30%, em média, dos orçamentos das instituições executoras das atividades espaciais, na Missão Espacial Completa (MEC)81. O programa deveria dispor de um orçamento que poderia variar de Cr$ 3,31 bilhões a Cr$ 4,64 bilhões, o equivalente a US$ 715,65 milhões e US$ 1 bilhão, respectivamente82.