2. İL GENEL MECLİSİNİN YAPISI, GÖREVLERİ VE İŞLEYİŞİ
2.3 İL GENEL MECLİSİNİN İL ÖZEL İDARE ORGANLARI İLE İLİŞKİSİ
2.3.1 İl Genel Meclisi Ve Vali
2.3.1.3 İl Genel Meclisinin Vali İle İlişkileri
Nesta nova etapa das atividades espaciais, a CNAE, agora sob o nome de Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), se consolidou definitivamente como uma instituição executora de pesquisa. Toda a infra-estrutura e pessoal da CNAE passaram a fazer parte da nova instituição. Fernando de Mendonça manteve-se no posto de diretor do órgão. Mas mesmo sob a coordenação política da COBAE, o diretor do INPE em nada mudou o modo de conduzir a política de pesquisa da instituição, em grande medida apoiando-se em grandes programas internacionais que funcionavam como meio de alavancagem da pesquisa básica e aplicada desenvolvida pela instituição65.
A cooperação internacional trouxe neste aspecto uma série de contribuições estimulando a criação de projetos e programas que foram aos poucos tornando-se grandes áreas de pesquisa no Instituto. Foram os casos das Ciências Espaciais e Atmosféricas, Meteorologia e do Sensoriamento Remoto. A exceção foi o projeto SACI – Satélite Avançado de Comunicações Interdisciplinares -, foi transferido para o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), do MEC, que enfrentou resistências para continuar sob a responsabilidade do INPE, pois tratava-se de um projeto que, apesar de utilizar satélites, boa parte de sua execução estava na área educacional.
Na área de Meteorologia, através do projeto MESA – Meteorologia por Satélite - ampliou-se o uso de satélites meteorológicos, cuja distribuição de dados era realizada com base em convênios com outros órgãos meteorológicos regionais. O INPE implantou uma rede de receptores de imagens de satélite em parceria com o Ministério da Agricultura, entre outras instituições de ensino e de pesquisa. Na área de Sensoriamento Remoto, as experiências adquiridas a partir do projeto SERE levaram o INPE a pleitear uma estação de rastreio, recepção e processamento de dados do satélite ERTS-1, da NASA, que liberou o acesso aos
65 MENDONÇA, Fernando de, ex-diretor da CNAE e do INPE. Entrevista concedida para esta pesquisa de mestrado. São José dos Campos, 15 abr. 2004.
dados deste satélite para o Brasil. Em maio de 1973, a estação do INPE, em Cuiabá, começou a receber e gravar os dados deste satélite, mais tarde chamado de Landsat.
Enquanto o INPE procurava acompanhar a produção da pesquisa básica e aplicada espacial dos países mais avançados, o IAE empenhava-se em adquirir novos conhecimentos tecnológicos para o desenvolvimento de foguetes e preparo para lançamentos. Este esforço implicava no envio de pessoal civil e militar para o exterior com o objetivo de treiná-los em áreas tecnológicas estratégicas. Os treinamentos foram obtidos a partir do estabelecimento de acordos de cooperação com países mais avançados.
Segundo Boscov, o ambiente entre as instituições de pesquisa de países mais avançados com as instituições brasileiras ainda gozava de certa permissividade, situação totalmente diferente após a entrada em vigor do MTCR (Regime de Controle de Tecnologias de Mísseis), em 1987. Havia restrição ao acesso a instalações estrangeiras, mas este controle não era tão rigoroso como passou a ser a partir dos anos de 1980. Esta situação favoreceu o avanço de determinadas áreas, como de infra-estrutura, equipamentos de ensaios, produção de propelentes sólidos e estudos de engenharia. Apesar da cooperação internacional, a filosofia era manter integralmente as iniciativas e o gerenciamento dos programas nas entidades nacionais.
A cooperação internacional nesta área tecnológica foi mais amplamente desenvolvida com instituições francesas. No dia 11 de dezembro de 1973 foi assinado o acordo COBAE/CNES (Centre National d’Activitées Spatiales). Com a Alemanha também havia um acordo de cooperação, assinado no dia 9 de junho de 1969, que previa a formação de pessoal no Instituto Alemão de Pesquisa e Ensaio de Navegação Aérea e Especial (DFVLR), atual Agência Espacial da Alemanha (DLR), além de desenvolvimentos relacionados a cargas úteis. As reformulações no arranjo e na hierarquia das instituições de atividades espaciais brasileiras estavam atreladas, ainda, a um contexto de estruturação dos programas tecnológicos das três forças. A criação da COBAE, ligada ao Estado Maior das Forças Armadas, teria portanto não somente o papel de coordenar as atividades espaciais, mas teria ainda a atribuição de levar adiante um programa mais amplo de estruturação tecnológica militar, no qual o setor espacial seria apenas um dos segmentos em questão. Segundo Cavagnari (1996), “após a Segunda Guerra Mundial, militares brasileiros tomariam consciência do caráter determinante da ciência e tecnologia na composição da capacidade estratégica do país, embora só na década de 1970 tenha começado a esboçar uma preocupação maior no âmbito do Estado”. Era imprescindível aos anseios militares, que tecnologias fossem desenvolvidas com autonomia para cada força singular: “na força naval, o submarino de
propulsão nuclear; na força terrestre, os blindados e os meios de guerra eletrônica; na força aérea, o vetor de dupla finalidade (veículo lançador de satélites e míssil balístico)” (CAVAGNARI, 1996).
O orçamento para as atividades espaciais passou a ser elaborado em concordância com o Programa Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia. Com atribuição de coordenar e articular o desembolso de recursos de C&T, a FINEP assumiu a partir de 1971 a Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT. O Fundo foi criado em 31 de julho de 1969 e era destinado a financiar a expansão e consolidação do sistema de C&T do País. Na década de 1970, a FINEP promoveu intensa mobilização na comunidade científica e no setor empresarial, financiando a implantação de novos grupos de pesquisa, criação de programas temáticos, expansão da infra-estrutura de C&T e consolidação institucional da pós-graduação.
Ao longo dos anos 70, o FNDCT, gerenciado pela FINEP e provido de amplos recursos para o setor de C&T, teve um papel importante para o setor espacial. De acordo com a ata da 36ª reunião da COBAE, de 27 de fevereiro de 1975, o representante da Secretaria de Planejamento (SEPLAN)66, José Pelúcio Ferreira, e diretor da FINEP afirmava que “o orçamento original [para o setor espacial] era da ordem de Cr$ 883 milhões [que corresponderia a US$ 360.761.104,6167] no triênio 1975/1977 e continha duas parcelas, uma financiada pelos próprios órgãos executores e a outra seria referente a objeto de estudo”, referindo-se a parte da FINEP. De acordo com a ata de reunião da COBAE, de outubro de 1974, as prioridades de investimento eram as seguintes:
(...) na área de foguetes e mísseis, o desenvolvimento de propelentes e formação e aperfeiçoamento de pessoal; em segundo plano, a construção de veículos e, em terceiro lugar, os estudos de desenvolvimento de sistemas de teledireção; ficou também decidido que seria de extrema importância dispor de um laboratório central de processos de combustão. Esse laboratório não existe e teria de ser construído durante esse período, para servir indiferentemente a todos os organismos que têm desenvolvimento na área de foguetes e mísseis, sendo que o seu controle e administração, por unanimidade, deveria caber ao INPE.
66
Em 1974, o Planejamento deixou de ser Ministério e passou a ser uma Secretaria: a SEPLAN. Com status de Ministério e ligada à Presidência da República, a SEPLAN se tornaria, pelo comando de seus ministros no período, o centro das decisões econômicas do País. BRASIL. Lei 6.036, de 1º de maio de 1974. Dispõe sobre a criação, na Presidência da República, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e da Secretaria de
Planejamento, sobre o desdobramento do Ministério do Trabalho e Previdência Social e dá outras providências. Disponível em: <http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=98076>. Acesso em: 4 abr. 2005.
O laboratório de combustão, instalado alguns anos depois no INPE de Cachoeira Paulista, deveria atender não somente à Aeronáutica, que detinha a maior parte dos desenvolvimentos tecnológicos na área de foguetes e mísseis, mas também às outras duas forças singulares, o Exército e a Marinha, além de outras instituições de pesquisa que viessem a se interessar por esta área.
Para o diretor da FINEP, José Pelúcio Ferreira, de acordo com a lógica da evolução orçamentária para os programas de C&T, a expectativa para os anos posteriores a 1977 era de que os recursos para o setor espacial deveriam aumentar significativamente, revelando o privilégio orçamentário ao setor, muito embora não se saiba se tal aporte de recursos tenha realmente se concretizado. Na reunião da COBAE, de outubro de 1974, o diretor da FINEP afirmava que:
(...) se fosse aceita essa programação [orçamentária], estaríamos realizando um engajamento orçamentário do Brasil em despesas muito maiores nos próximos exercícios além de 1977, porque há certos setores, como o de foguetes, onde as despesas crescem quase exponencialmente. Em termos de recursos no triênio, seriam Cr$ 600 milhões [ou US$ 248,1milhões], para os quais haveria disponibilidade e os orçamentos dos órgãos envolvidos nas pesquisas contribuiriam com Cr$ 234 milhões [ou US$ 96,7 milhões]68, o que é pouco se compararmos com outros setores do II PBDCT, onde o financiamento estranho aos órgãos é razoavelmente inferior.
7. A cooperação espacial com os franceses e a definição de um grande programa