• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM I: TEORİK ÇERÇEVE: HİYERARŞİK DÜZENDE MUKTEDİ

1.3. Muktedi Devletlerin Hegemonik Güce Meydan Okuma Nedenleri

1.3.2. Başat Güç Kaynaklı Nedenler

1.3.2.2. İkincil Devletleri Politik Tercihlere Zorlamak

Seja por nunca terem estado nos bancos escolares ou por carregarem experiências frustrantes da época em que estiveram, para os alunos da EJA, o impulso de estudar é um grande desafio. A sociedade na qual estamos inseridos está permeada pelo conhecimento e pela educação continuada, o aperfeiçoamento e aprimoramento daqueles conhecimentos obtidos na escola.

Para quem não possui o conhecimento formal, a educação básica ou só possui os rudimentos da escrita e da leitura, fazer parte dessa sociedade pode ser uma experiência dolorosa, da qual podemos apenas vislumbrar o significado. Não é difícil constatar que tais pessoas possam ter uma auto-estima fragilizada, uma vez que o conhecimento, além de poder proporcionar uma posição profissional melhor, acima disso, permite o esclarecimento de diversas questões cotidianas nas quais os indivíduos são chamados a participar.

Por mais que viver com uma auto-estima baixa, em determinado aspecto de sua vida particular, possa ser uma situação na qual o sujeito habitua, estamos sempre sendo impulsionados e exigidos na direção do aperfeiçoamento. Por exigências do mercado de trabalho, pelo apoio familiar, pelo constrangimento social que a condição de analfabeto ou pouco escolarizado implica, a pessoa que se dirige à escola fora da época regular precisa de coragem para enfrentar o novo ambiente e os novos desafios. Entretanto, se esse novo ambiente estiver carregado de estigmas e preconceitos, o movimento em direção ao aperfeiçoamento, tanto das capacidades cognitivas quanto das emocionais, pode ser ainda mais frustrante e, pode, pior, confirmar a enganosa incapacidade do indivíduo. Em outras palavras, estar na escola tardiamente pode ser a determinação da baixa auto-estima, se o ambiente for hostil. Quando nos referimos à ambiente hostil, estamos dizendo desde os funcionários da escola, os professores, os demais alunos, quanto à sociedade de forma geral. Porém, os resultados encontrados nesta pesquisa indicam não ser hostil o ambiente em que os alunos do CEJA estão inseridos.

O paradoxo é que a mesma sociedade que valoriza sobremaneira o conhecimento, também desvaloriza a profissão docente, especialmente os

58

professores da educação básica, se comparados aos professores universitários. Dessa forma, a revalorização da escola é tanto um processo interno do indivíduo que a busca fora da época regular, quanto da sociedade que deveria valorizar desde a profissão docente até a iniciativa dos que lutam pelo conhecimento, como forma de fomentar uma sociedade onde seus membros possam exercer a cidadania de forma consciente e democrática.

Ao concordarmos com Adorno que o professor deve fazer da afetividade uma força de impulsão na relação de aprendizagem com seus alunos, devemos considerar também um dos resultados dessa pesquisa e que contradisse uma de nossas hipóteses: a questão do preconceito. Ao iniciar esta pesquisa, nosso único e primordial objetivo era detectar o pensamento preconceituoso do professor em relação aos alunos de EJA e aos analfabetos de forma geral. Porém após os dados colhidos, após freqüentar as escolas, conversar com professores e alunos, permaneceram algumas perguntas contundentes: não estaríamos nós mesmas sendo preconceituosas em relação aos professores de EJA? Não se estaria confirmando um tabu em relação à desvalorização social do professor alfabetizador de adultos? De qualquer forma, parece-nos que tanto o professor quanto os alunos encontram um momento de comunhão na sala de aula: os professores que encontramos valorizam o trabalho que realizam, acreditam na capacidade de seus alunos e não possuem preconceito, o que se reflete numa auto-estima elevada dos alunos no ambiente escolar.

Os resultados obtidos podem ser considerados positivos. Se os alunos vão obter o êxito escolar, a ascensão social ou profissional que esperam encontrar na escola, isso é tema para outra pesquisa. O fato é que os professores consideram essa possibilidade e, acima disso tudo, consideram suas capacidades de tentar e arriscar-se no universo escolar, e isso garante, ao menos, a elevação da auto-estima dos indivíduos. Entrementes não devemos esquecer que a escola é uma instituição designada a promover a adaptação dos indivíduos à sociedade total administrada e enquanto tal possui seus mecanismos disfarçados de exclusão no aligeiramento de conteúdos, na superficialidade dos conhecimentos que fornece, nas políticas assistencialistas, na desvalorização cultural da profissão docente bem como da Educação de Jovens e Adultos.

59

Como dito anteriormente, acreditamos, de acordo com Adorno, que o clima cultural de uma sociedade pode significar o esclarecimento dos indivíduos acerca da realidade social e a superação de suas contradições. Mas se, por um lado, a educação tem sido instrumento de dominação das consciências, acomodação de tensões sociais e adaptação, por outro, não podemos esquecer que o trabalho educativo é realizado pelo humano e, enquanto tal, portador de sonhos e esperanças. Afinal, quem se dedicaria a trabalhar em locais sujos, distantes, feios e ter seu trabalho como de pouco prestígio social, não fosse a incrível capacidade de crer na possibilidade de mudança?

60

REFERÊNCIAS

ADORNO, T. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.

BATISTA, Sueli S. dos S. 2000. Teoria crítica e teorias educacionais: uma análise do discurso sobre educação. Educação & Sociedade, dez. v. 21, n. 73.

BRANDEN, Nathaniel. Auto-estima. São Paulo: Saraiva, 1993.

BRIGGS, Dorothy Corkille. A auto-estima do seu filho. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

CABRAL, Marta Lúcia de Souza. Auto-estima no processo ensino-aprendizagem. Dissertação de mestrado. UFPB, 2006.

CROCHÍK, José Leon. Preconceito, Indivíduo e Cultura. São Paulo: ROBE editorial 1995.

_________. Teoria Crítica da Sociedade e Estudos sobre o preconceito. Revista Psicologia Política, São Paulo, v. 1, n. 1, 2001, pp. 67-99.

GENTILLI, Pablo. Pedagogia da exclusão: o neoliberalismo e a crise da escola pública. Michael Apple (et al). Pablo Gentilli (org). Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. GIGLIO, Ângela Márcia Zago. Os alunos do ensino supletivo hoje: em cena, os

sentimentos vividos em sala de aula. Tese de Doutorado. PUC-SP, 2004.

DI PIERRO, Maria Clara de. Descentralização, focalização e parceria: uma análise das tendências nas políticas públicas de educação de jovens e adultos. Educ. Pesq. vol.27, no.2, 2001

_________ & HADDAD, Sergio. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira de Educação. n. 14, 2000, pp. 108-130.

HORKHEIMER, M. & ADORNO, T. La Sociedad: Lecciones de Sociologia. Buenos Aires, Editorial Potreo, 1969.

61

_________. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1985.

MATOS, Olgária C. F. A escola de Frankfurt: luzes e sombras do Iluminismo. São Paulo: Moderna, 2005.

MARRIEL, Lucimar Câmara et al. Violência escolar e auto-estima de adolescentes. Cad. Pesq., São Paulo, v. 36, n. 127, 2006.

MARTINS. Mônica Mastrantonio. Reflexões sobre preconceito – em busca de relações mais humanas. Revista InterAÇÂO. Curitiba. Jan/dez. v.2, 1998.

NASCIMENTO, Rômulo Pereira. Educação e Preconceito – Um estudo sobre as pesquisas contra o preconceito étnico. Tese de doutorado. Educação: História, Política e Sociedade. PUC – SP, 2004.

PAIVA, Vanilda Pereira. Educação Popular e educação de adultos: contribuições à história da educação brasileira. São Paulo: Loyola, 1973.

RIBEIRO, Vera Masagão. Alfabetismo Funcional: referências conceituais e metodológicas para a pesquisa. Educação & Sociedade. Campinas. v. 18. n. 60, 1997.

SAMPAIO, Maria das Mercês Ferreira. Um gosto amargo de escola: relações entre currículo, ensino e fracasso escolar. São Paulo: EDUC, 1998.

SANTOS, Geovânia Lúcia dos. Educação ainda que tardia: a exclusão da escola e a reinserção de adultos das camadas populares em um programa de EJA. Rev. Bras. de Educ. dez. n. 24, 2003, pp. 107-125.

ZUIN, Antonio A. S. Sobre a atualidade dos tabus com relação aos professores. Educação & Sociedade. Campinas. ago. v. 24. n. 83, 2003.

62

63

PONTUAÇÃO SUJEITOS

ORDEM DE SUJEITO ORDEM DE PONTUAÇÃO

Sujeito pontuação Sujeito Pontuação

1 84 5 74 2 79 18 74 3 85 2 79 4 90 7 80 5 74 9 80 6 81 10 80 7 80 11 80 8 86 12 80 9 80 6 81 10 80 13 82 11 80 16 83 12 80 1 84 13 82 14 84 14 84 23 84 15 86 3 85 16 83 19 85 17 89 20 85 18 74 8 86 19 85 15 86 20 85 21 87 21 87 17 89 22 89 22 89 23 84 4 90