• Sonuç bulunamadı

İftiraya Uğrayan Hakkında Hürriyeti Bağlayıcı Cezaya Hükmedilmiş

Belgede Türk Ceza Kanunu'nda iftira suçu (sayfa 159-162)

A. CEZANIN AĞIRLAŞTIRILMASINI GEREKTİREN NİTELİKLİ

4. İftiraya Uğrayan Hakkında Hürriyeti Bağlayıcı Cezaya Hükmedilmiş

Os últimos anos da década de 1970 e começo da década de 1980 foram marcados pela aglutinação das forças sociais. Com o abrandamento do Regime Militar e seu desgaste devido à crise econômica e social que a nação atravessava com o esgotamento do “milagre econômico”, as forças sociais e populares se rearticularam.

Surgem, neste contexto, movimentos sociais urbanos das mais diversas vertentes e pautas

                                                                                                               

17

A empresa Encol é um exemplo pontual do que ocorreu com as empresas neste processo. Esta companhia começa como uma empresa de materiais de construção em Goiânia, vendendo material na época da construção de Brasília, quando começa a se capitalizar e se transforma em uma empresa de construção civil. No BNH produz para os dois setores, SBPE e FGTS, concentrando-se mais na produção de habitação popular com recursos do FGTS, sendo ela uma das empresas que seguiu o caminho do investimento em pré-fabricação, produzindo componentes pré-fabricados para suas obras. Na década de 1980, com o fim do BNH, se descapitaliza, sucateia todo o seu investimento em pré-fabricados e se concentra na produção imobiliária de renda média, e tenda construir (já tentava desde a década de 1970) um processo de nacionalização, mudando, inclusive, sua sede para o Rio de Janeiro.

reivindicatórias. Os setores progressistas e de esquerda da Igreja Católica (na figura das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs) se articulam. Assiste-se, ainda, a mobilização e as greves operárias sob o signo do “novo sindicalismo” e a consequente fundação dos Sindicatos (CUT, CGT, entre outros) e a (re)fundação de partidos políticos. A contestação do autoritarismo e das estruturas políticas, econômicas e institucionais do período militar – bem como do próprio padrão de “desenvolvimento” concentrador de renda e poder e a necessidade de democratização – deu a tônica a toda essa mobilização cívica, servindo também para agregardiferentes grupos e pautas, porém complementares.

Com o grave pano de fundo da crise política (desgaste do regime militar), econômica (fim do “milagre”, dívida externa, inflação alta, arrocho salarial, etc.) e social (a piora geral do padrão de vida de grande parcela da população, em especial dos mais pobres, muitos setores da sociedade civil foram “reativados” e se associaram, conjugando as mais diversas pautas e reivindicações: a “valorização do trabalho sobre o capital” (ANC, 1988); a saúde pública, gratuita e universal; a moradia popular, o controle dos reajustes de aluguel, a construção de uma política urbana, habitacional, fundiária articulada e efetiva, capaz de garantir a função social da propriedade e da cidade; reforma política, urbana e agrária; transporte público acessível e de qualidade; saneamento ambiental, entre outras.

O Partido dos Trabalhadores (PT) emergiu nesta conjuntura da consolidação do processo de redemocratização que tomou conta do País a partir do final da década de 1970. Fundado no dia 10 de fevereiro de 1980, em reunião no tradicional Colégio Sion, por um grupo de líderes sindicais (entre eles, Luiz Inácio Lula da Silva e Olívio Dutra),18 foi proposto inicialmente no Congresso dos Metalúrgicos (janeiro de 1979) (SINGER, 2012). De acordo com o autor, a proposta era de

(...) criar um partido “sem patrões”, que não fosse “eleitoreiro” e que organizasse e mobilizasse “os trabalhadores na luta por suas reivindicações e pela construção de uma sociedade mais justa, sem explorados e exploradores”, expressão que significava, na época, uma referência cifrada a socialismo (SINGER, 2012, p. 87-88).

Propunha-se um partido formado por trabalhadores em defesa das pautas dos mesmos, de orientação socialista, por uma sociedade mais justa com relações de exploração minoradas. Para Singer (2012), esse “espírito de Sion” estava imbuído de um “reformismo forte”, uma postura programática que pregava a democratização, a promoção de igualdade social e até

                                                                                                               

18

A ata da reunião de fundação encontra-se disponível em: <http://csbh.fpabramo.org.br/o-que- fazemos/memoria-e-historia/exposicoes-virtuais/ata-da-reuniao-no-colegio-sion>. Acesso em: 28 dez. 2014.

mesmo a “ruptura com a ordem vigente do capital”. O compromisso com as causas dos trabalhadores (proletariado e subproletariado), da grande massa de oprimidos e “superexplorados” – democracia, direitos e cidadania, renda, serviços públicos – forjou o espírito do partido. E para conseguir modificar toda essa condição, seria necessário “tomar” e “reformar” o Estado, “inverter” suas prioridades. (SINGER, 2012).

Neste contexto, já no primeiro programa de governo elaborado pelo PT, em 1982, apareceram propostas para a política habitacional conectadas com os princípios reformistas dos movimentos ligados à pauta de reforma urbana.

Na administração local, o Estado deveria impedir a especulação imobiliária, os loteamentos irregulares e o financiamento de serviços públicos para as camadas capazes de pagar aluguéis ou preços elevados pelo solo urbano nas áreas mais valorizadas, justamente por contarem com escolas, hospitais, transporte coletivo, água, esgoto, ruas e calçadas iluminadas, praças, etc. O Estado deveria se encarregar da urbanização do solo como passo inicial para a coletivização do solo urbano, assegurando a permanência da população mais pobre em seus locais de residência (áreas de favelas, mocambos ou invasões), oferecendo os serviços públicos que necessitam. Projetos habitacionais deveriam ser realizados em áreas de especulação imobiliária – mediante expropriação das mesmas – para assentar a população carente de condições adequadas de moradia e serviços. Ao invés de financiar o consumo de habitação, o setor público

deveria produzir as moradias necessárias (Projeto de Programa Econômico

do PT, Jornal dos Trabalhadores, n. 1, outubro de 1982, suplemento especial, p. 15 apud ALMEIDA, 2007).

Neste mesmo período estruturam-se uma série de articulações sociais em torno das pautas sociais e particularmente da pauta da moradia: Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM) (1982) e Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais (ANAMPOS) (1980).

A atuação das Comunidades Eclesiais da Terra (CEBS) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) junto aos movimentos e profissionais “revolucionários/subversivos” ao longo da década também foi fundamental para a formação da Articulação nomeada Associação Nacional do Solo Urbano (ANSUR – 1980/84)19 e que viria a se tornar o germe de criação do Movimento Nacional pela Reforma Urbana (MNRU) (SILVA, 2003; FERREIRA, 2014).

                                                                                                               

19 A ANSUR foi a articulação “raiz” do posterior Movimento Nacional pela Reforma Urbana (MNRU),

cuja articulação inicial ocorreu pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), criada em 1975 com a missão de assessorar a luta dos trabalhadores do campo), a partir de 1979, tendo sido institucionalizada como Associação Nacional do Solo Urbano em São Paulo, em 1984, com o objetivo de divulgar a proposta da reforma urbana e conjugar apoio às lutas dos movimentos sociais para abertura de espaços institucionais e materialização de reivindicações em políticas públicas (TEIXEIRA, 2003; BURNETT, 2009). Entre seus militantes e fundadores estavam Ermínia Maricato e Jorge Hereda, que posteriormente tiveram importantes atuações tanto no MNRU como nos governos petistas (GUSSO, 2013).

Já no período posterior à formação do MNRU surgem os movimentos de moradia que mais tarde se tornaram, junto com a CONAM, os movimentos nacionais mais reconhecidos: União Nacional por Moradia Popular (UNMP) (1987), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) (1990), e Central dos Movimentos Populares (CMP) (1993) (SILVA, 2003; FERREIRA, 2014).

Estes “novos atores” (SADER, 1988 apud RODRIGUES, 2013) sociais que passaram a atuar fortemente no cenário político a partir da década de 1970 e principalmente 1980 protagonizaram novas formas de reivindicação para o atendimento de suas necessidades, no caso, a falta de acesso à terra urbana e à moradia adequada. Os “sem terras” urbanos protagonizaram uma série de ocupações de terrenos vazios nas periferias e nas áreas urbanas das grandes cidades brasileiras, de forma a exigir do Estado o seu direito de acesso a esses bens (RODRIGUES, 2013). Para além das ocupações, também protagonizaram, periodicamente, protestos, marchas, caravanas para consolidar e publicizar suas agendas políticas.

Vários movimentos na construção das moradias transformaram as práticas de autoajuda, mutirão e autogestão em verdadeiras práticas coletivas de aprendizado, politização e emancipação, rumo a um paradigma de produção socialista (RODRIGUES, 2013). Se os primeiros anos de movimentação social foram marcados pela reivindicação de serviços e direitos sociais, gradativamente, a reivindicação foi sendo transformada em uma plataforma propositiva, onde estes atores passaram não só a demandar a transformação de suas reivindicações de direitos, mas também a propor alternativas de políticas públicas (PAZ, 1996).

Ao longo dos anos, o horizonte da luta dos movimentos de moradia foi sendo constantemente ampliado, passando da casa para o bairro-comunidade, e para a cidade de uma forma geral. Passam a reivindicar também emprego, saúde, transporte, educação, equipamentos e serviços de consumo coletivo, acesso às instâncias decisórias, modificação do padrão de produção da cidade; democratização e redução das desigualdades. Assim, as pautas urbanas foram ampliadas, ressignificadas e compartilhadas em uma ampla plataforma do Direito à Cidade, somente concretizado por meio de uma profunda Reforma Urbana.

Os setores progressistas da Igreja Católica20 desempenharam um papel fundamental, entre 1979 e 1984, no início da articulação de uma rede de apoio aos movimentos populares em prol da reforma urbana, do acesso à terra e à moradia, e pela gestão democrática da cidade. Tal rede materializou-se com a ANSUR, transformada em Associação com sede na Cidade de São Paulo, em 1984. Tal associação foi a “raiz” do MNRU21, criado em 1985 para o processo de discussão de uma plataforma de reforma urbana a ser apresentada na Assembleia Nacional Constituinte (MARICATO, 1994 apud FERREIRA, 2014).

Figura 1 – Estrutura de mobilização e origem dos movimentos componentes do MNRU

Fonte: GUSSO, 2013.

                                                                                                               

20

Por meio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) das Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

21

Entre os componentes: “[...] a Federação Nacional dos Arquitetos – FNA, a Federação Nacional dos Engenheiros – FNE, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE, a Articulação Nacional do Solo Urbano – ANSUR, o Movimento de Defesa do Favelado – MDF, a Associação dos Mutuários, a Coordenação Nacional dos Mutuários, o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB e a Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro – FAMERJ, Pastorais, movimentos sociais de luta pela moradia, entre outras.” (SERAFIM, 2013, p. 69).

Ao longo da década de 1980, no desenrolar do processo de democratização, foi estabelecido um forte “campo movimentista”, como descreveu Gusso (2013) para o caso da reforma urbana. Partidos políticos (como o PT, mas também o PMDB e o PCdoB), Igreja (CNBB, Pastorais como a Operária e a da Terra, CEBs, Cáritas), Sindicatos (CUT, CGT), Movimentos sociais (CONAM, UNMP, MNLM, CMP, entre uma verdadeira constelação) e Articulações (ANAMPOS, ANSUR, etc.) protagonizaram uma grande articulação em prol da inclusão das pautas populares enquanto direito e dever do Estado brasileiro com a população no contexto da Assembleia Constituinte Nacional (1986-88). Assim, por meio da democratização e da construção da nova Constituição, ampliaram e ressignificaram o conceito de “cidadania” (DAGNINO, 2004; SERAFIM, 2013).

A figura 1 mostra a complexidade de atores e grupos de interesses que se articularam em redes e coalizões progressistas, culminando na formação do MNRU. Esta formação histórica do Movimento Nacional de Reforma Urbana, no entanto, fez com que este movimento tenha se apresentado, desde o inicio, com contradições internas. Apesar de reunir atores em prol da plataforma de reforma urbana, o MNRU nunca se caracterizou como um monólito coeso onde todos os atores tinham exatamente a mesma visão sobre as questões. Mesmo entre os movimentos de moradia que o compunham existiam divergências sobre a condução da política habitacional, enquanto parte dos movimentos defendia a produção autogestionária, outros defendiam a produção de habitação social de mercado em massa. Estas diferentes visões presentes no interior do Movimento de Reforma Urbana estarão sempre presentes ao longo de sua história sendo responsável por tensões internas.

Como plataforma geral, o MNRU, composto por essa ampla coalização de atores, visava à construção de uma “nova ética social” por meio da politização da questão urbana, crítica à desigualdade sócio-espacial e reivindicação de justiça e igualdade social (SERAFIM, 2013). A plataforma de reforma urbana continha três princípios básicos: (1) a função social da propriedade e da cidade; (2) o direito à cidade e à cidadania; e (3) a gestão democrática da cidade (SILVA, 2003).

2.4 Institucionalização das pautas de reforma urbana no arcabouço jurídico-legislativo

Belgede Türk Ceza Kanunu'nda iftira suçu (sayfa 159-162)